Conrado Jacó de Niemeyer (Rio de Janeiro, 21 de abril de 1831 — Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1905) foi militar, engenheiro e político brasileiro. Atuou na Guerra do Paraguai, realizou muitos trabalhos como engenheiro militar, ocupou diversas posições de comando nas instituições e corporações do Exército, foi governador do Amazonas e ministro do Supremo Tribunal Militar. Muito louvado por seus superiores pela sua competência profissional e pela sua dedicação às armas e ao serviço público, recebeu diversas condecorações.

Biografia Família Descendente de uma antiga família de Hanôver, nasceu no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1831, filho do teuto-português Conrad Jacob von Niemeyer, tenente-general e engenheiro militar, e de sua terceira esposa, Olímpia Estelita de Aguiar Giffenig, filha do tenente-coronel João Benedito Gaspar Giffenig.Estrada, Luís Gonzaga Duque. "Marechal Conrado Jacob de Niemeyer. Apontamentos biographicos". Rio de Janeiro, 1900, pp. 10-17

Casou-se em Rio Grande em 25 de setembro de 1858 com Maria Luísa Mena Barreto (1840-1913), filha do capitão Luís Francisco Mena Barreto e de Maria Angélica Ferreira de Sousa, neta paterna do Visconde de São Gabriel, com quem teve os filhos Luísa, Marieta, Olímpio Conrado, Conrado, Helena, Aleixo Conrado, Alonso Conrado, Antônio, Maria Luísa, Alice, Dario, Maria, Galba e Raul de Niemeyer.Estrada, p. 35d'Azevedo, Ricardo Charters. A estrada de Rio Maior a Leiria em 1791. Textiverso, 2011, pp. 135-137 O empresário Conrado Jacó de Niemeyer foi seu sobrinho e o distinguido arquiteto Oscar Niemeyer foi seu sobrinho-bisneto.Atique, Fernando. "As engenharias do não engenheiro: Conrado Jacob de Niemeyer e o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro em perspectiva transnacional (1880-1919)". In: Tempo, 2021; 27 (3)

Carreira Seguindo a tradição militar de sua família, começou sua carreira ingressando na Escola Militar em 28 de fevereiro de 1848, recebendo formação em Matemática e Engenharia Civil e Militar. Assentou praça no 1º Regimento de Cavalaria Ligeira em 15 de março de 1851 e em 2 de março de 1853 passou para o 1º Batalhão de Artilharia a Pé. Em 30 de abril foi nomeado alferes-aluno na Arma de Artilharia e a 3 de julho desligado daquele Batalhão por ter sido promovido a alferes no Corpo de Estado-Maior de 1ª classe.Estrada, p. 69

Em 1855 acompanhou o pai a Pernambuco, colaborando nos trabalhos de drenagem de pântanos e canalização do rio Beberibe. No fim do ano foi promovido a 1º tenente, permanecendo como auxiliar do pai na elaboração da Carta Topográfica do Brasil e da Carta Geral. Em seguida foi indicado membro de uma comissão encarregada de demarcar a fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Permaneceu na comissão até 1863, recebendo elogios pelo seu desempenho e chamando a atenção do Ministro da Agricultura, que o nomeou engenheiro do 1° Distrito da Corte, quando já era capitão. Neste cargo participou de projetos de reforma do Aqueduto da Carioca e do Palácio do Senado."Marechal Conrado Jacob de Niemeyer". Superior Tribunal Militar, consulta em 20 de abril de 2026

Iniciando a Guerra do Paraguai em 1864, foi designado para a equipe de engenheiros militares em operação no Rio Grande do Sul. Foi um dos responsáveis pela condução do imperador D. Pedro II até Bagé para receber a rendição dos invasores, logo após recebeu ordem de inspecionar a praça de Santana do Livramento, e depois foi encarregado pelo Visconde de Porto Alegre de diversos trabalhos de reconhecimento de campo e engenharia em vários pontos da província, período em que participou por algum tempo do Estado Maior do brigadeiro Correia da Câmara. Esteve nas frentes de combate em Curuzu e Curupaiti, recebendo a Ordem de Cristo no grau de cavaleiro por méritos militares. Acabou ficando doente e em 1867, por ordem do Marquês de Caxias, foi submetido a um exame médico em Tuiuti e remetido para o Rio de Janeiro para tratamento. No despacho que enviou ao ministro da Guerra, Caxias solicitou que "logo que se achasse restabelecido o fizesse regressar para aquele Exército, onde fazia muita falta pela sua atividade e inteligência". Recuperando a saúde, voltou ao sul com ordens de encontrar-se como o general Osório em Corrientes a fim de reconhecer a região, e depois Caxias o nomeou para seu Estado Maior e o empregou em outras missões, mas voltou a ficar doente, sendo devolvido ao Rio de Janeiro com novos elogios de Caxias e de Osório, e merecendo o título de cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis.

Em 1870 foi promovido a major por merecimento e enviado a Santa Catarina para projetar o prédio da Alfândega da província, de onde voltou ao Rio indicado diretor do 4° Distrito das Obras Públicas da Corte. Em 1872 foi nomeado membro da comissão especial do Registro Geral e Estatística das Terras Públicas e Possuídas, sob a presidência do conselheiro Bernardo Nascentes de Azambuja, que em seus relatórios lhe teceu vários elogios pelas suas capacidades como engenheiro. Promovido a tenente-coronel em 1873, no mesmo ano recebeu a medalha da campanha do Paraguai e foi nomeado chefe de uma equipe de alto nível com a missão de fazer um levantamento geral das condições militares da província do Rio Grande do Sul. De volta ao Rio de Janeiro, em 1876 participou da organização da representação brasileira na Exposição Universal de Filadélfia, fiscalizou as linhas de carris urbanos e as obras do Quartel-General e colaborou na organização do Arquivo Militar. Nomeado diretor do Serviço de Extinção de Incêndios, implementou reformas no serviço e promoveu uma formação técnica dos bombeiros, e ao fim de sua gestão em 1877, amplamente reconhecida como benéfica para a segurança da população, recebeu a comenda da Ordem da Rosa e as companhias de seguros lhe ofereceram um palacete. Em 1878 foi enviado a Minas Gerais para inspecionar a companhia de cavalaria da província, em 1879 foi inspecionar a construção da Alfândega de Santos e em 1880 foi promovido a coronel por merecimento. Em janeiro de 1882 foi encarregado de elaborar a Carta Estratégica da Província do Rio Grande do Sul e organizar um projeto de ligação ferroviária entre o Rio de Janeiro e as províncias do Paraná e Mato Grosso.Estrada, pp. 17-24

Em 5 de janeiro de 1884 foi nomeado comandante de armas da província do Amazonas, transferido pouco depois para o Mato Grosso. Voltou ao Amazonas em janeiro de 1887 como comandante de armas e em 23 de março acumulou a função de presidente da província, na qual permaneceu até 10 de janeiro de 1888,Exposição com que o exmo. sr. coronel Conrado Jacó de Niemeyer passou a administração da província do Amazonas ao exmo. sr. coronel Francisco Antônio Pimenta Bueno em 10 de janeiro de 1888 pedindo dispensa para poder acompanhar no Rio de Janeiro o tratamento de uma enfermidade de sua esposa.Estrada, p. 25

Depois foi incumbido da inspeção do Regimento Policial do Rio, e em 25 de abril de 1888 foi promovido a brigadeiro, recebendo a tarefa de inspecionar o 1° Batalhão de Engenharia, seguindo depois para a província de Mato Grosso a fim de fazer uma inspeção geral das suas condições militares. Em 25 de outubro de 1888 foi promovido a comendador na Ordem de Avis. No ano seguinte, ainda no Mato Grosso, foi promovido a quartel-mestre-general, e em 2 de novembro desse mesmo ano foi indicado para a direção da Escola de Guerra, acumulando em rápida sucessão os cargos de comandante geral da Artilharia, diretor geral das obras militares, comandante do Corpo de Engenheiros e comandante do 1° Distrito Militar, sendo promovido a grã-cruz na Ordem de Avis em 7 de abril de 1890. No início de 1892 foi convidado pelo presidente Floriano Peixoto para ser seu secretário de Guerra, que recusou, mas em 7 de abril foi nomeado conselheiro de Guerra. Em 3 de maio foi promovido a general de divisão, e em 22 de julho de 1893, marechal. No mesmo dia foi nomeado ministro vitalício do Supremo Tribunal Militar. Neste período participou da supressão da Revolta da Armada, presidindo uma comissão para elaborar um plano de defesa e fortificação de ampla escala para a cidade do Rio, pelo que teve de deixar os cargos no 1° Distrito, nas obras militares e no Corpo de Engenheiros. Em 12 de janeiro de 1894 assumiu o comando da divisão de operações de Niterói, onde permaneceu pouco tempo, sendo nomeado ajudante-general do Exército em caráter interino, e logo titular. No mesmo ano recebeu do Uruguai a medalha do Sol de Ouro, em memória de sua atuação na Guerra do Paraguai. Em 1898, já fraco e doente, solicitou sua reforma, que foi concedida em 13 de outubro. Faleceu em 14 de fevereiro de 1905 no Rio de Janeiro, sendo sepultado no cemitério de São João Batista.Estrada, p. 25-33 Na biografia que escreveu sobre ele, Gonzaga Duque o chama de "venerando modelo de virtudes cívicas e de exemplaríssima conduta militar".Estrada, p. 31 É patrono da Cadeira 51 da Academia Nacional de Engenharia."Patrono: Conrado Jacó de Niemeyer". Academia Nacional de Engenharia, consulta em 21 de abril de 2026

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