alt=Mergulhadora de escafandro|thumb|Mergulhadora em um escafandro moderno dos meados do século XX. alt=Merguladores se preparam para o trabalho|thumb|Ilustração "Mergulhadores se preparam para o trabalho" de Augustus Siebe. alt=Bandeira Alpha|thumb|Bandeira Alpha utilizada para sinalizar barcos com mergulhadores. Mergulho é a prática de submergir, ou utilizando um aparato de respiração ( mergulho autônomo, mergulho dependente ou semi-dependente) ou segurando a sua respiração, denominada mergulho livre. Roupas de mergulho atmosféricas podem ser utilizadas para isolar o mergulhador dos efeitos do ambiente de alta pressão, ou técnicas de mergulho de saturação, ou descompressivo, podem ser utilizados para reduzir o risco de doença descompressiva após mergulhos profundos.

As atividades de mergulho restringem-se a profundidades relativamente rasas, devido aos efeitos da pressão nas áreas mais profundas do mundo, mesmo roupas de mergulho rígidas são incapazes de levar os mergulhadores a estes ambientes. Outra restrição ao mergulho são as condições, que não sejam excessivamente hostis, sendo que a avaliação destas costuma variar muito de mergulhador para mergulhador. Em alguns casos mergulhadores podem mergulhar em meios líquidos que não seja a água.

O termo escafandrismo normalmente se refere ao mergulho subaquático utilizando ar fornecido pela superfície através de um equipamento de compressão comumente associado ao uso de um escafandro com o capacete de fluxo contínuo a capacetes leves com válvulas de demanda.

O mergulho recreacional é uma atividade popular (também conhecido por mergulho esportivo ou mergulho recreativo). Mergulho técnico é uma forma de mergulho recreativo que amplia o alcance em profundidade e/ou a duração do mergulho ou lida com condições mais desafiantes dos que as aceitas no mergulho recreacional regular. Mergulho profissional (mergulho comercial, mergulho científico entre outros) abrange todas as áreas de mergulho que se deem no local de trabalho submerso. Mergulho de segurança pública, é o trabalho subaquático realizado pelas forças de manutenção da lei, resgate e de equipes de busca e recuperação, podendo ser executado por profissionais ou voluntários. Mergulho militar é o termo utilizado para toda atividade militar subaquática, como mergulho de combate, infiltração entre outros. Esportes subaquáticos é um grupo de esportes competitivos usando técnicas de mergulho livre, snorkeling ou mergulho autônomo de maneira combinada ou isoladamente. alt=Mergulhadores usando scuba|thumb|Mergulhadores com equipamento Scuba Moderno. O treinamento, tipo de equipamento e gases de respiração dependem do tipo e condições de mergulho.

História

Mergulho livre

alt=esponjas naturais|thumb|Exibição de esponjas naturais a venda em Calymnos. O mergulho tem sido praticado em culturas ancestrais para a recuperação de objetos valiosos e como recurso de apoio à campanhas militares. Na antiguidade o mergulho livre sem o apoio de equipamentos era a única possibilidade, com a exceção do uso de juncos, ou de bexigas de couro, para a respiração. Os mergulhadores enfrentavam os mesmos problemas atuais, como a doença descompressiva e o apagão durante a apneia. Assim o mergulho na antiguidade poderia ser mortalmente arriscada.

Tanto o mergulho com intuito comercial, como o com o objetivo de recreação, podem ter surgido na Grécia Antiga, já que tanto Platão quanto Homero citam que as esponjas já eram utilizadas para os banhos. A ilha de Calymnos era o principal centro do extrativismo de esponjas. Utilizando-se de pesos (skandalopetra) de até 15 quilos para acelerar a descida, mergulhadores de apneia podiam descer até os 30 metros por até 5 minutos para coletar esponjas. Estas não eram o único recurso valioso que se coletava do fundo do mar; a retirada de corais vermelhos também era bem popular. Uma variedade de conchas, ou peixes podiam ser retirados, assim criando uma demanda para mergulhadores que trouxessem os tesouros do mar, os quais também incluíam riquezas naufragadas.

O Mar Mediterrâneo tinha muitos entrepostos comerciais marítimos, razão pela qual havia diversos navios naufragados, o que fazia com que mergulhadores fossem comumente contratados para salvar o que fosse possível do leito marinho. Mergulhadores podiam nadar até os naufrágios e escolher as peças mais valiosas para recuperar. Estes audaciosos mergulhadores enfrentaram muitos perigos no exercício da função, como resultado, leis como a Lex Rhodia, foram criadas, premiando com uma grande porcentagem desses salvamentos aos mergulhadores, em naufrágios mais profundos que 15,24 metros (50 pés), mergulhadores recebiam um terço do produto da operação e em naufrágios abaixo dos 27,43 metros (90 pés) tinham direito a metade do valor.

Mergulhadores também foram usados em períodos de guerra. Defesas contra navios eram sempre criadas, como, por exemplo, barricadas submarinas que tinham como objetivo afundar as naus inimigas. Como as barricadas eram ocultadas sob a água, mergulhadores eram enviados para reconhecer o leito marinho quando navios se aproximavam de um porto inimigo. Uma vez que as barricadas eram descobertas estes mesmos homens a desmontavam, se possível. Durante a Guerra do Peloponeso, mergulhadores foram utilizados para superar bloqueios inimigos, bem como para entregar suprimentos e mensagens para aliados, ou tropas que estavam atrás das linhas inimigas. Além de tudo isso, esses homens-rã da antiguidade também desempenhavam o papel de sabotadores, abriam furos em cascos inimigos, cortavam o cordume de navios ou as liberavam de suas amarrações. O mergulho livre foi a fonte de renda primária para muitos cidadãos de países do golfo como Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait. Como resultado os promotores das herança culturais desses países popularizaram os eventos profissionais e recreacionais relacionados com a prática do mergulho.

O Sino de Mergulho alt=Sino de Mergulho|thumb|Sino de Mergulho de Halley. Os sinos de mergulho foram desenvolvidos entre os séculos XVI e XVII, sendo o primeiro recurso equipamento de mergulho mecânico a ser desenvolvido. Nada mais eram que câmaras rígidas lastreadas para manterem-se com a boca para baixo e com flutuabilidade negativa, afundando mesmo quando cheios de ar.O primeiro sino de mergulho básico foi provavelmente construído por Guglielmo de Lorena, em 1535. Em 1616, Franz Kessler construiu um sino de mergulho aprimorado.

Os sinos de mergulho eram muito utilizados para trabalhos de salvatagem. Em 1658, Albrecht von Treileben foi contratado pelo rei Gustavo Adolfo da Suécia para recuperar o navio de guerra Vasa, que naufragou no porto de Estocolmo em sua viagem inaugural em 1628. Entre 1663 e 1665 os mergulhadores de von Treileben tiveram sucesso em emergir a maior parte dos canhões, trabalhando em um sino de mergulho.Vasa Museet. http://www.vasamuseet.se/en/The-Ship/Important-dates/ Em 1687, Sir William Phipps utilizou um container de cabeça para baixo para recuperar um tesouro avaliado em £ 200 000 (Duzentas mil Libras Esterlinas) de um navio espanhol que afundou na conta de Santo Domingo.

Em 1691, o Dr. Edmond Halley completou os planos para construir um sino de mergulho muito aprimorado. capaz de manter-se submerso por longos períodos e equipado com uma janela com o propósito de permitir a exploração subaquática, o ar do sino era substituído pelo conteúdo de barris pesados, cheios de ar, enviados pela superfície. Em uma demonstração, Halley e 5 acompanhantes mergulharam até os 18 metros no Rio Tâmisa, e manteve-se nesta profundidade por uma hora e meia. Aperfeiçoamentos futuros aumentaram a seu tempo de exposição subaquática para 4 horas.

Em 1775, Charles Spalding, um fabricante de Endiburgo, melhorou o projeto de Halley adicionado um sistema de contra peso para facilitar o processo de erguer e baixar o sino, bem como um sistema de cordas para se comunicar com a equipe de superfície.

Em 1689, Denis Papin sugeriu que a pressão e o ar fresco dentro de um sino de mergulho poderia ser mantido por bombas ou foles. Sua ideia foi implementada exatamente 100 anos depois por um engenheiro John Smeaton que construiu a primeira bomba de ar para mergulho em 1789.

Trajes de Mergulho alt=raje de mergulho de John Leathbridge|thumb|Ilustração do traje de mergulho de John Leathbridge.

O próximo grande passo na evolução do mergulho foi a criação dos primeiros trajes de mergulho no início do século XVIII. Dois ingleses desenvolveram o primeiro traje de mergulho resistente à pressão na década de 1710. John Lethbridge construiu uma roupa hermética para ajudá-lo no trabalho de salvatagem, basicamente era um de um barril cheio de ar a prova de pressão, com uma janela de vidro e duas mangas resistentes a água. Este design deu maior mobilidade e manobrabilidade para que o mergulhador pudesse realizar o serviço de recuperação de objetos.

Depois de testar seu traje na lagoa de seu jardim, que foi construída especificamente para este propósito, Lethbridge mergulhou em diversos naufrágios: quatro ingleses da classe Man of War, um do padrão da Companhia das Índias Orientais, dois galeões espanhóis e várias Galeras. Devido aos bens recuperados ele se tornou um homem de muitas posses. Uma das suas salvatagens mais conhecidas foi a da embarcação holandesa Slot ter Hooge, que havia afundado no arquipélago da Madeira com mais de 3 toneladas de prata a bordo.

Em paralelo Andrew Becker criou uma roupa de mergulho recoberta por couro com um capacete com visores. Este traje usava um sistema de tubo para viabilizar a inalação e exalação do mergulhador, sendo que Becker a apresentou sua roupa para o mundo no Rio Tâmisa, em Londres, durante a sua demonstração ele manteve-se submerso por uma hora. Estes trajes ainda tinham um uso limitado, pois não era possível repor o oxigênio no interior da roupa, uma vez que não existia um sistema prático de fornecimento de gás respirável·

Trajes de mergulho dependente (Escafandros) Os primeiros capacetes de mergulho foram produzidos pelos irmãos Charles e John Deane na década de 1820.

Tipos de mergulho Existem três tipos de mergulho: livre, autônomo e o dependente ou semiautônomo (br: umbilical). O mergulho livre ou de apneia é a modalidade em que o mergulhador não usa equipamentos para respiração subaquática. No mergulho autônomo o mergulhador é auxiliado por equipamentos que ele carrega consigo, que lhe permitem respirar debaixo d'água. Já no mergulho dependente, o suprimento de ar não é levado pelo próprio mergulhador, sendo a alimentação feita a partir da superfície por intermédio de um compressor de ar e de uma mangueira, no mergulho semiautônomo, ou umbilical, é usado um sistema de armazenamento, normalmente um circuito SCUBA, para prover uma fonte de reserva em caso de uma falha do sistema principal, fazendo com que o ar da superfície não chegue ao mergulhador.

Mergulho dependente O mergulho dependente não é praticado por mergulhadores amadores ou esportistas, uma vez que, como não há limitação de ar para a permanência do homem sob a água, facilmente os limites não descompressivos do mergulho acabam sendo ultrapassados, exigindo assim diversas paradas programadas para descompressão. Ademais, uma interrupção no fornecimento de ar para o mergulhador pode ser fatal, dependendo da profundidade e do tempo que se encontra mergulhando.

O mergulho dependente é largamente utilizado por profissionais, especialmente os que trabalham em plataformas de petróleo e na construção civil.

Mergulho livre O mergulho livre consiste no mergulho sem o auxílio de equipamentos de respiração subaquática. O mergulhador depende exclusivamente de sua capacidade pulmonar, preparação física e principalmente do controle emocional.