miniatura|direita|250px|Gravura representando o casamento de Marózia e Hugo de Arles, de Francisco Bertolini, Historia de Roma, 1889 miniatura|direita|250px|Uma representação visual de Marózia, criada por IA, 2026 Marózia ou Marósia (nascida Maria, também conhecida como Mariuccia ou Mariozza) (Roma, 890 – Roma, 26 de junho de 936), foi uma nobre italiana e rainha da Itália, filha do senador romano Teofilato I e de Teodora. Segundo hipóteses, ela era irmã de Adalberto II da Toscânia.
Durante o período da "pornocracia", Roma e o Vaticano foram governados por mulheres poderosas e sem escrúpulos da família Teofilacto, lideradas por Teodora, a mãe, e sua filha, Marózia. Liuprando de Cremona, que registrou a história dos papas daqueles dias, usou termos severos para descrever o controle dessas mulheres sobre a Santa Sé, utilizando a cama e sua beleza para dominar a política da Itália.
Embora, assim como sua mãe, ela não soubesse ler nem escrever, por meio de astúcia e sedução Marozia conseguiu criar alianças fortes e amizades poderosas para construir seu poder. Ela esteve envolvida na vida de quatro papas.
Foi amante do Papa Sérgio III e recebeu os inéditos títulos de senadora e patrícia de Roma pelo Papa João X. Governou Roma e a Igreja Católica durante vinte anos no século X, tendo uma influência decisiva na eleição dos Papas Leão VI, Estêvão VII e João XI (de quem era mãe), assim como na morte de João X.
Biografia Marózia nasceu por volta de 890. Era filha do cônsul romano Teofilato I, Conde de Túsculo, e de Teodora, a verdadeira detentora do poder em Roma, a quem Liuprando de Cremona descreveu como uma "prostituta sem vergonha... [que] exercia o poder sobre os cidadãos romanos como um homem".
Aos quinze anos, tornou-se amante do Papa Sérgio III, seu primo, a quem conheceu quando ele era bispo de Cere (Cerveteri), sendo-lhe apresentada pelos pais. Teve dele um filho chamado Giovanni, que mais tarde foi o Papa sob o nome de Giovanni XI. A relação, que ocorreu por volta do ano 907, é controversa: a maioria dos estudiosos aceitou a versão de Liuprando de Cremona, que em seu livro "Antapodosis" definiu a relação como "nefarium adulterium", um grave pecado de adultério. Por outro lado, Pietro Fedele e Harry Bresslau consideravam a alegação de concubinato um boato sem fundamento.
Marózia casou-se três vezes, todas por razões políticas. No ano de 909, quando já estava grávida, casou-se com Alberico I de Spoleto. Mais tarde, Giovanni foi reconhecido oficialmente como filho do casamento com Alberico I. Segundo outras fontes, o casamento com Alberico ocorreu por volta do ano 915, de qualquer forma para legitimar suas relações. Alberico e Marózia tiveram mais cinco ou seis filhos: o primeiro Alberico (911/912–954), seguido por Constantino, Sérgio (que mais tarde se tornou bispo de Nepi), David (ou Deodato), uma filha chamada Berta e talvez outra filha, Teodora. Marózia juntou-se ao seu marido muito mais velho graças a duas características dele que ela apreciava muito: sua posição de poder e sua ambição desmedida em expandi-lo. Em 914, Alberico fez uma aliança com o Papa João X e, em 915, com as tropas papais, derrotou os sarracenos na Batalha de Garigliano. Ele foi nomeado cônsul de Roma, mas deixou Marózia viúva quando foi assassinado por seus próprios mercenários em Orte em 924.
Em 926, Marózia tentou voltar ao poder ao casar-se com Guido, marquês da Toscânia e rival do Papa. A partir deste momento tornou-se a principal inimiga de João X, que segundo o cronista Liuprando de Cremona era outro de seus amantes. Em maio de 928, ela invadiu a residência papal (o Latrão), e o Papa foi deposto e preso no Castelo do Santo Anjo. João foi morto pouco tempo depois na prisão, por asfixia com um travesseiro. Guido tornou-se senhor de Roma, e Marózia escolheu papas em sequência, porque seu filho era jovem demais para o papado: entre 928 e 929 foram eleitos Leão VI e Estêvão VII.
Guido faleceu no ano de 929, e Marózia acertou o casamento com o meio-irmão dele, Hugo de Arles, rei da Itália.
No ano de 931, Marózia conseguiu colocar no trono papal seu filho mais velho, de apenas vinte e um anos, que foi chamado de João XI. O novo Papa, de caráter fraco, serviu como um instrumento obediente nas mãos de sua mãe, que era considerada a senhora de Roma.
Marózia planejou a coroação de Hugo como imperador, aproveitando sua influência sobre seu filho Papa. Seus planos foram frustrados por Alberico II, seu segundo filho e meio-irmão de João XI. No ano de 932, Marózia casou-se pela terceira vez com seu cunhado Hugo, rei da Itália de 926 a 947.
Em sua estadia em Roma, Hugo se desentendeu com Alberico II, filho de Marózia. Hugo deu uma bofetada em Alberico II após este derramar água incorretamente sobre as mãos de Hugo durante a cerimônia de casamento. Em resposta, ele discursou para o povo romano:
Alberico II organizou uma revolta no evento e tomou o poder em 932. Hugo fugiu. Alberico prendeu sua mãe e encarcerou João XI no Palácio Papal no Latrão. Assim, Alberico permaneceu como senhor incontestável de Roma de 932 até sua morte em 954.
Marózia faleceu após passar cerca de 5 anos no Castelo do Santo Anjo. Ela faleceu em 936 e foi sepultada no mosteiro dos Santos Ciriaco e Nicolau em Via Lata. Seus descendentes continuaram ativos na política papal, a começar pelo filho de Alberico II, Otaviano, que se tornou o Papa João XII em 955. Também os papas Bento VIII, João XIX, Bento IX e o antipapa Bento X da casa de Tuscolo eram descendentes de Marózia. De Guido da Toscânia, nasceu-lhe uma filha chamada Berta Teodora, que nunca se casou.
O historiador Edward Gibbon afirmou que a história da ambiciosa Marózia serviu de inspiração para a lenda da Papisa Joana, na qual se acreditou durante séculos, até a Reforma Protestante.
Frases históricas Segundo Liuprando de Cremona: "Marózia, bela como uma deusa e fogosa como uma camponesa, residia nas habitações papais e nunca deixava o Latrão"; uma frase que também ressoou em Cesare Baronio.
, uma historiadora posterior, formulou um texto menos drástico: "Os estudiosos mais atualizados, sem jurar que Marózia foi um exemplo de modéstia cristã, estão convencidos de que sua autoridade se baseava em uma base mais sólida do que a luxúria e o pecado. Certamente ela tinha grande inteligência, grande capacidade e poucos remorsos".
Árvore genealógica
Bibliografia
Ligações externas
Infoplease.com: Marozia Marozia, Juan XII y la Pornocracia Papal Teodora y Marozia
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