Giulio Cesare Andrea Evola (Roma, 19 de maio de 1898 – 11 de junho de 1974), mais conhecido como Julius Evola foi um filósofo e escritor italiano. Evola descrevia os seus valores como tradicionalistas, aristocratas e imperialistas. Evola abordou temas entre os quais a filosofia, esoterismo, política e ascese.Abel, Richard, et al. "Abbagnano, Nicola, and Giovanni Fornero. Dizionario di filosofia. Turin: UTET, 1998. Abdill, Edward. Masters of Wisdom: The Mahatmas, Their Letters, and the Path. New York: Penguin, 2015." Modernist Idealism: Ambivalent Legacies of German Philosophy in Italian Literature 95 (2021): 309.

Evola foi uma figura controversa, idealizador de uma sociedade aristocrática e com relações próximas ao fascismo, apesar de manter uma relação conflituosa com a ideologia fascista italiana. Sua visão foi descrita como "singularmente utópica",ROSE, Matthew. A World After Liberalism: Philosophers of the Radical Right. Yale University Press, 2021. p.50-52. além de promover "um dos sistemas anti-igualitários, antiliberais, antidemocráticos e antipopulares mais radicais e consistentes do século XX".

Após a Primeira Guerra Mundial, Evola foi um artista proeminente associado ao futurismo e dadaísmo.Jeffrey Schnapp: Bad Dada (Evola). In: Leah Dickerman, Matthew S. Witkovsky (eds.): Os Seminários Dada. Washington 2005, ISBN 1-933045-14-0 , pp. 30–55 No início da década de 1920 rompeu com a pintura e a poesia e passou a se dedicar a escritos teóricos. Em março de 1945, enquanto caminhava durante um bombardeio aliado em Viena, Evola foi atingido por um estilhaço e ficou paraplégico. Mesmo paraplégico, ele continuou a ser considerado o principal teórico do neofascismo italiano. Um relatório do governo de 1985 após um bombardeio em Bolonha identificou Evola como uma "inspiração" e "um dos gurus da extrema direita italiana".Paul Furlong, Social and Political Thought of Julius Evola (New York: Routledge, 2011), pg. 16. For surveys of Evola’s role in postwar neo-fascism, see Franco Ferraresi, Threats to Democracy: The Radical Right in Italy After the War (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1996), pp. 43–49; and A. James Gregor, The Search for Neofascism: The Use and Abuse of Social Science (New York: Cambridge, 2006), pp. 83–110. Embora seus pensamentos radicais foquem na revolução individual, as ideias de Evola ainda exercem influência ideológica em grupos extremistas e teóricos contemporâneos como Alain de BenoistDe Benoist, Alain. "Julius Evola, réactionnaire radical et métaphysicien engagé. Analyse critique de la pensée politique de Julius Evola." Nouvelle Ecole 5354 (2003): 147. e agentes políticos como Steve Bannon.Staudenmaier, Peter. "Racial Ideology between Fascist Italy and Nazi Germany: Julius Evola and the Aryan Myth, 1933–43." Journal of Contemporary History 55.3 (2020): 473-491.

Vida Giulio Cesare Evola nasceu em Roma no dia 19 de maio de 1898. Os pais de Evola eram Vincenzo Evola, chefe mecânico telegráfico, e Concetta Mangiapane, relatada como proprietária de terras.Registro degli atti di nascita di Roma per l'anno 1898, Archivio di Stato di RomaRegistro degli atti di nascita di Cinisi per l'anno 1854, Archivio di Stato di Palermo Embora não fosse, Giulio Cesare Evola muitas vezes se referiu a si mesmo como um barão, em referência a uma suposta relação de descendência distante com uma família aristocrática siciliana de origem normanda antiga do Reino da Sicília.Il barone immaginario , AA.VV., a cura di Gianfranco De Turris, Milano, Ugo Mursia Editore, 2018.

Em 1917 é mobilizado para a Primeira Guerra Mundial como oficial de artilharia, mas não chega a combater. Após a experiência, passou a ser conhecido como pintor do dadaísmo e do futurismo, influenciado por Papini e Marinetti. Durante esta época Evola sofre uma crise existencial, que o leva a anunciar o seu suicídio. Este período está documentado nas cartas de Evola ao poeta Tristan Tzara, onde relata a experimentação da luta interior que a artista viveu entre 1920 e 1921, onde "o sofrimento agudo se alterna com o desespero".Elisabetta Valento (a cura di), Lettere di Julius Evola a Tristan Tzara (1919-1923), Roma, Fondazione Julius Evola, 1991, p. 13.

Após este momento, sentiu-se atraído pela filosofia de Nietzsche, Michelstaedter e Otto Weininger. Contacta com a filosofia budista em 1921. A leitura desses autores, particularmente de Nietzsche, teve algumas consequências diretas para Evola: a oposição ao cristianismo, especialmente em referência à teoria do pecado e da redenção, do sacrifício divino, da graça e do amor fraterno e da igualdade. Em segundo lugar, desenvolveu uma intolerância ao mundo burguês, e o que para ele era "uma moral mesquinha e um conformismo".Gabriel Matzneff , Julius Evola l'éveilleur , em Le Monde des livres , 25 de novembro de 1977.

Em 1926 publicou L'uomo come potenza, adotando uma visão tântrica da natureza.Hidden Intercourse: Eros and Sexuality in the History of Western EsotericismLe Yoga tantrique : Sa métaphysique, ses pratiques, Evola frequentava então os círculos antroposóficos inspirados na obra Rudolf Steiner, teosóficos inspirados em H. P. Blavatsky tendo vindo a colaborar desde 1924 na revista Ultra ligada ao ambiente romano de Decio e Olga Calvari ; Ignis e Atanor (fundador:Arturo Reghini) e Bilychnis.

Nos primeiros anos do regime de Mussolini, Evola colaborou em revistas independentes criticando o fascismo a partir de uma perspectiva de extrema-direita reacionária. Evola considerava o fascismo histórico excessivamente populista, plebeu e nacionalista, defendendo em seu lugar uma ordem radicalmente elitista, espiritual e imperial inspirada na aristocracia tradicional. Em 1928, na esteira do pensamento de Arturo Reghini, publica o livro Imperialismo pagano, crítica violenta ao catolicismo, e pede que o Fascismo rompa com a Igreja. Evola retomava ali o velho conflito entre guelfos e gibelinos, tomando partido pelos segundos, que afirmavam que o Império romano-germânico, herdeiro dos Césares de Roma era, tanto como a Igreja, uma instituição de carácter sobrenatural. miniatura|direita|Nietzsche permaneceu sendo a maior influência de Evola, sobretudo no que diz respeito à aristocracia e ao anti-igualitarismo. Em 1930, conclui a publicação dos dois volumes de Teoria e fenomenologia dell 'Indivíduo Assoluto, onde busca superar a dicotomia fichteana do "Eu" e "Não-Eu" para fundamentar o seu "Idealismo Mágico", valendo-se de uma perspectiva esotérica, tântrica e budista. No mesmo ano, funda com o psicanalista Emilio Servadio, o poeta Girolamo Comi e Guido De Giorgio, a revista La Torre, caracterizada por um antimodernismo tradicionalista de pendor hermético e aristocrático.

Em 1934, publica Rivolta contro il mondo moderno, considerada nos ambientes neofascistas como a sua obra mais importante. Nessa obra, como interpretação singular da ideia do mito em Schelling, introduz a visão cíclica das sociedades humanas de Jacob Bachofen, e da hipótese de Herman Wirth sobre a existência de um centro árctico primordial,H. Wirth, Der Aufgang der Menschheit: Untersuchungen zur Geschichte der Religion, Symbolik und Schrift der atlantisch-nordischen Rasse, Jena, 1928; cf. Bernard Mees, "Hitler and Germanentum", Journal of Contemporary History, Vol. 39, No. 2, 2004, pp. 255-270 Evola apela a um regresso às fontes pagãs da antiguidade e a um passado "hiperbóreo" comum às estirpes indo-europeias."A proclamação solene dos 'direitos do Terceiro Estado' na França representam o estágio decisivo, seguido pelas variedades da revolução burguesa da terceira casta, que empregou as ideologias liberal e democrática para os seus propósitos [...] Os esquemas revolucionário e ativistas da internacional socialista [quarta e última casta]". A sua aproximação ao círculo político de Mussolini dá-se durante os anos 30, quando se acende a luta entre o regime fascista e a Igreja Católica. Em 1937, Evola manifesta-se contrário ao "racismo biológico" característico do nazismo, defendendo em alternativa um "racismo espiritual", publicando em 1941 o livro Sintesi di dottrina della razza. Em 1945, Evola estava em Viena quando a cidade foi bombardeada, sendo ferido na coluna vertebral e ficando com membros inferiores paralisados por lesão na medula espinhal. Após dois anos em uma clínica austríaca, foi morar em Bolonha, posteriormente se assentando em Roma, onde permaneceu até o resto da vida. Após a queda do Fascismo, Evola vai fazer uma sua avaliação crítica do regime de Mussolini — considerando-o plebeu, demagógico e estático — e lançar algumas das grandes linhas de pensamento do que virá a ser neofascismo na segunda metade do século XX.

Após a Segunda Guerra Mundial, Evola adotou um 'pessimismo heroico'. Na sua visão, o mundo moderno encontra-se no Kali Yuga (Idade das Trevas), uma era igualitária e materialista que caminha inexoravelmente para a ruína. Na sua obra tardia Cavalcare la tigre (1961), Evola defende a postura da apoliteia (desapego político total): em vez de tentar fundar um novo Estado através do ativismo político, o indivíduo diferenciado deve manter sua integridade espiritual e 'cavalgar o tigre', sobrevivendo à catástrofe do mundo moderno sem se deixar contaminar por ele.

Ele viveu os últimos anos numa pensão de inválido de guerra fazendo traduções e escrevendo artigos, apoiado financeiramente por alguns admiradores. O scholar austríaco Hans Thomas Hakl, que visitou Evola em seus últimos anos disse que encontrou o italiano bastante descontente. Evola reclamava particularmente que, com exceção de alguns poucos jovens, ninguém queria ouvir ou ler o que ele tinha a dizer. Na ocasião, alegou que mesmo esses jovens não se envolveram com seu pensamento em um nível profundo e em vez disso, eles queriam sair imediatamente e revolucionar o mundo sem primeiro se tornarem claros em suas mentes sobre sua própria orientação espiritual.Interview with Dr. Hans Thomas Hakl

A urna contendo as cinzas de Julius Evola, de acordo com as suas últimas vontades, foi transportada para o glaciar do Monte Rosa.

Obra Como poeta O primeiro período artístico foi o chamado idealismo sensorial. A atividade artística começa jovem: as primeiras pinturas datam de 1915, os primeiros poemas de 1916. Através de Giovanni Papini ele entrou em contato com alguns expoentes do Futurismo como Giacomo Balla e Filippo Tommaso Marinetti. Em 1919 participou na "Grande Exposição Futurista Nacional" do Palazzo Cova em Milão. Destacam-se as obras: Forja, estúdio de ruídos (por volta de 1917), Chá das cinco (por volta de 1918) e Mazzo di fiori (1917-18).Catalogo della mostra con tutte le opere in: AA.VV., Grande Esposizione Nazionale Futurista, Milano, Le Presse, 1919

Em 1920 ele se juntou ao dadaísmo e entrou em correspondência com Tristan Tzara. Como pintor, tornou-se um dos principais expoentes do dadaísmo na Itália. Algumas obras importantes pertencem a esta fase: Paisagem Interior 10.30 (1918-20) e Abstração (1918-20). Neste período, realiza duas exposições individuais: a de janeiro de 1920 na casa de arte Bragaglia, em Roma, e a de janeiro de 1921, na galeria Der Sturm, em Berlim, onde apresenta sessenta de suas pinturas. Per un approfondimento: Gianfranco De Turris (a cura di), Lettere di Julius Evola a Tristan Tzara (1919-1923), Roma, Edizioni Fondazione Julius Evola, 1991. Em 1920 publicou a brochura Abstract Art for the Dada Collection. No mesmo ano fundou a revista Bleu com Gino Cantarelli e publicou o poema dada La parole obscuro du paysage intérieur em Zurique. Colabora também com as Crônicas da atualidade de Anton Giulio Bragaglia e com Noi de Enrico Prampolini. Em 1923 a atividade pictórica cessou e até 1925 fez uso de drogas com o objetivo de atingir estados alterados de consciência.Futurismo, Dada e Alchimia, Roma, Fondazione Julius Evola, 1998 e Vitaldo Conte, Julius Evola. Arte come alchimia, mistica, biografia, Reggio Calabria, Iriti, 2005. ISBN 978-88-87935-97-4.

Como escritor