Estação Espacial Internacional (EEI) (, , , ) é um laboratório espacial completamente concluído, cuja montagem em órbita começou em 1998 e terminou oficialmente em 8 de julho de 2011 na missão STS-135, com o ônibus espacial Atlantis. A estação encontra-se em uma órbita baixa de 408 x 418 km, que possibilita ser vista da Terra a olho nu, e viaja a uma velocidade média de km/h, completando 15,70 órbitas por dia.
Na continuidade das operações da Mir russa e da Skylab dos Estados Unidos, a Estação Espacial Internacional representa a atual permanência humana no espaço e tem sido mantida com tripulações de número não inferior a três astronautas desde 2 de novembro de 2000. A cada rendição da tripulação, a estação comporta duas equipes (uma em serviço e a próxima), bem como um ou mais visitantes. A EEI envolve-se em diversos programas espaciais, sendo um projeto conjunto da Agência Espacial Canadense (CSA/ASC), Agência Espacial Europeia (ESA), Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (宇宙航空研究 ou JAXA), Agência Espacial Federal Russa (ROSKOSMOS) e Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) dos Estados Unidos.
A estação espacial encontra-se em órbita da Terra a uma altitude de aproximadamente 400 quilômetros, uma órbita tipicamente designada de órbita terrestre baixa. Devido à baixa altitude, a estação precisa ser constantemente reposicionada na órbita devido ao arrasto aerodinâmico. A estação perde, em média, 100 metros de altitude por dia e orbita a Terra num período de cerca de 92 minutos. Em 27 de junho de 2008 (às 01h01 UTC) completou 55 mil órbitas desde o lançamento do módulo Zarya, o primeiro a ser lançado ao espaço. É comum associar à estação um estado de "gravidade zero", criando-se assim alguma confusão, pois tal gravidade zero não ocorre. A gravidade na estação espacial, tendo em conta um raio terrestre de km, é de 8,3 m/s² a 8,4 m/s², pela igualdade da Lei da Gravitação Universal (LGU) e o peso, o que é considerável. O efeito "gravidade zero" ocorre porque a estação está "a cair eternamente" devido à curva originada pela "força centrípeta" a que está sujeita.
A Estação Espacial Internacional era servida principalmente pelo e pelas espaçonaves Soyuz e Progress. A última missão de um ônibus espacial – o Atlantis - foi realizada em 8 de julho de 2011. A estação é utilizada continuamente para experiências científicas (algumas cuja realização na superfície terrestre seriam de elevada dificuldade, mas de relativa facilidade em órbita). Atualmente a estação está pronta para abrigar tripulações de seis elementos. Até julho de 2006, todos os membros da tripulação permanente integravam os programas espaciais russo ou norte-americano. Atualmente, a EEI recebe tripulantes das agências espaciais europeia, canadiana e japonesa. A Estação também já foi visitada por muitos astronautas de outros países e por turistas espaciais. Em janeiro de 2022, a NASA anunciou uma data planejada em janeiro de 2031 para aposentar a ISS e direcionar quaisquer partes remanescentes para uma área remota do Oceano Pacífico Sul.
Objetivos thumb|esquerda|Astronauta Hans Schlegel trabalha na configuração do Laboratório Columbus
De acordo com o Memorando de Entendimento original entre a NASA e Rosaviakosmos, a Estação Espacial Internacional destinava-se a ser um laboratório, observatório e fábrica em órbita terrestre baixa. Também foi planejada para fornecer transporte, manutenção e atuar como base de preparação para possíveis futuras missões para a Lua, Marte e asteroides. Na Política Espacial Nacional dos Estados Unidos de 2010, a EEI recebeu papéis adicionais de servir fins comerciais, diplomáticos e educacionais.
Pesquisas científicas A EEI constitui uma plataforma para realizar pesquisas científicas. Pequenas naves espaciais não tripuladas podem fornecer plataformas para gravidade zero e exposição ao espaço, mas as estações espaciais oferecem um ambiente de longo prazo onde os estudos podem ser realizados potencialmente por décadas, combinados com acesso fácil por pesquisadores humanos em períodos que excedem as capacidades da nave espacial tripulada.
A EEI simplifica as experiências individuais, eliminando a necessidade de lançamentos de foguetes separados e equipes de pesquisa. A ampla variedade de campos de pesquisa incluem astrobiologia, astronomia, pesquisa humana, incluindo medicina espacial e ciências da vida, ciências físicas, ciência dos materiais, clima espacial e clima na Terra (meteorologia).ESA via SPACEREF "SOLAR: three years observing and ready for solar maximum", 14 de março de 2011 Os cientistas da Terra têm acesso aos dados da tripulação e podem modificar experimentos ou lançar novos, que são geralmente não disponíveis em veículos espaciais não tripulados. As tripulações cumprem missões com vários meses de duração, proporcionando aproximadamente 160 horas de trabalho por semana com uma equipe de 6.
Para detectar a matéria escura e responder a outras questões fundamentais sobre o nosso Universo, engenheiros e cientistas de todo o mundo criaram o Espectômetro Magnético Alpha (AMS), que a NASA compara ao telescópio espacial Hubble e diz que não poderia ser acomodado em um satélite voador livre em parte por causa de seus requisitos de energia e necessidades de largura de faixa de dados.NASA – AMS to Focus on Invisible Universe. Nasa.gov (18 de março de 2011). Acessado em 8 de outubro de 2011In Search of Antimatter Galaxies – NASA Science. Science.nasa.gov (16 de maio de 2011). Acessado em 8 de outubro de 2011. Em 3 de abril de 2013, cientistas da NASA informaram que evidências de matéria escura podem ter sido detectadas pelo Espectrômetro Magnético Alfa.
O ambiente espacial é hostil à vida. A presença desprotegida no espaço é caracterizada por um campo de radiação intensa (consistindo principalmente de prótons e outras partículas subatômicas carregadas do vento solar, além de raios cósmicos), alto vácuo, temperaturas extremas e microgravidade. Algumas formas simples de vida chamadas extremófilos, incluindo pequenos invertebrados chamados tardígrados, podem sobreviver neste ambiente em um estado extremamente seco chamado dessecação.
A pesquisa médica melhora o conhecimento sobre os efeitos da exposição espacial a longo prazo no corpo humano, como atrofia muscular, perda óssea e mudança de fluido. Estes dados serão utilizados para determinar se o voo espacial humano e a colonização espacial são processos viáveis. Em 2006, dados sobre perda óssea e atrofia muscular sugeriram que haveria um risco significativo de fraturas e problemas de movimento se os astronautas aterrissem em um planeta após um longo cruzeiro interplanetário, como o intervalo de seis meses necessário para viajar para Marte. Estudos médicos são conduzidos a bordo da EEI em nome do Instituto Nacional de Pesquisa em Biomédica Espacial (NSBRI). Entre estes destaca-se o estudo Ultrassom de Diagnóstico Avançado em Microgravidade, no qual os astronautas realizam exames de ultrassom sob a orientação de especialistas remotos. O estudo considera o diagnóstico e tratamento das condições médicas no espaço. Geralmente, não há médico a bordo da EEI e o diagnóstico de condições médicas é um desafio. Prevê-se que as varreduras de ultrassom guiadas remotamente terão aplicação na Terra em situações de emergência e cuidados rurais, onde o acesso a um médico é difícil.
Montagem
A construção da EEI dependeu de mais de 50 missões de montagem e utilização. Destas, 39 foram assistidas pelo . Adicionalmente a estas missões, aproximadamente 30 missões da nave Progress foram necessárias para providenciar a logística. No final, a EEI ficou a operar com um volume de pressurização de metros cúbicos, uma massa total superior a quilogramas, 110 kilowatts de potência e uma estrutura de suporte de 108,4 metros de comprimento, com módulos de 74 metros e tripulações de seis elementos.
A manufatura dos módulos e da estrutura que compõem a EEI foi realizada por diversas empresas contratadas pelas agências espaciais que formam o grupo responsável pela montagem e manutenção da mesma. A parte americana da estação foi manufaturada principalmente por quatro companhias que tiveram contratos, anunciados a 1 de dezembro de 1987, que são: a Boeing, a Divisão Astroespacial da General Electric, a McDonnell Douglas e a Divisão Rocketdyne da Rockwell. A parte russa foi manufaturada pela empresa RKK Energiya, que também construiu o módulo Zarya, financiado pelos EUA. A Agência Espacial Europeia contribuiu construindo os módulos Node 2 (Harmonia) para os EUA e o laboratório Columbus. O primeiro foi construído pela empresa Thales Alenia Space, baseada em Cannes, na França, e o segundo numa parceria entre a Thales Alenia e a empresa EADS Astrium. A contribuição japonesa (laboratório Kibo) foi manufaturada pela Mitsubishi e a canadiana (braço robótico Canadarm) através da empresa MD Robotics, subsidiária da companhia MDA (MacDonald Dettwiler).
A primeira secção da EEI foi colocada em órbita em 1998 e mais duas partes foram adicionadas antes do envio da primeira tripulação, que chegou à estação a 2 de novembro de 2000 e consistia do astronauta norte-americano William Shepherd e de dois cosmonautas russos, Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev. Nesta época foi decidido designar a estação espacial de "Alpha", embora o uso do nome estivesse restrito à missão.
Após quase uma década de montagem, a configuração da estação (em junho de 2008) contava com uma massa de kg e 358 metros cúbicos de espaço habitável. Para chegar a essa configuração foram necessárias 26 missões norte-americanas do ônibus espacial e 48 missões russas. Destas últimas, 16 foram tripuladas e 32 não tripuladas. A construção também necessitou de 112 caminhadas no espaço, 28 das quais a partir do ônibus espacial e 84 a partir da própria estação. No total, o tempo utilizado nessas caminhadas no espaço foi de 706 horas. Nesse processo também foram necessárias a realização de refeições.
A EEI tem tido uma história problemática. Inicialmente planejada como uma "Estação Espacial Livre" da NASA, assim promovida pelo presidente norte-americano Ronald Reagan, mostrou-se demasiado dispendiosa. Após a Guerra Fria, foi retomada como um projeto conjunto entre a NASA e a Rosaviakosmos russa. Desde essa altura o seu custo tem-se mostrado muito superior ao projetado inicialmente pela NASA, além de estar com seu cronograma de montagem bastante atrasado.
Em 2003 ainda era incapaz de acomodar uma tripulação de seis, consequentemente limitando a quantidade de ciência passível de se realizar, o que também não beneficiava as relações com os parceiros europeus, japoneses e canadenses do projeto. Em julho de 2004, a NASA concordou em completar a estação até ao nível de suporte de seis membros e ao lançamento de seções adicionais como o módulo japonês de experiências. Enquanto a NASA continua responsável por gerir a construção, a Rússia mantém a continuidade do lançamento e recolha dos tripulantes.
Cooperação internacional thumb|upright|Acordo da EEI de 29 de janeiro de 1998 O fim da guerra fria proporcionou uma aliança internacional de programas espaciais para a construção da Estação Espacial Internacional. Um consórcio de 15 países estão atualmente a participar na construção e nas experiências científicas na EEI: os Estados Unidos, a Rússia, o Canadá, o Japão e, através da Agência Espacial Europeia (ESA), a Bélgica, a Dinamarca, a França, a Alemanha, a Itália, a Países Baixos, a Noruega, a Espanha, a Suécia, a Suíça e o Reino Unido.