thumb|250px|Vista da Terra elevando-se desde o horizonte da Lua; alguns teóricos da conspiração afirmam que imagens como estas seriam falsas, porque não aparecem estrelas As teorias conspiratórias nas alunissagens do Programa Apollo constituem uma crítica que alega que alguns ou todos os elementos do programa Apollo e as alunissagens jamais ocorreram, que foram embustes organizados pela NASA com o auxílio de outras organizações. A afirmação mais notável é que os seis desembarques tripulados (realizados de 1969 a 1972) foram falsificados e que os doze astronautas Apollo não pousaram realmente na Lua. Diversos grupos e indivíduos fizeram reivindicações desde meados dos anos 1970, alegando que a NASA e outros órgãos intencionalmente teriam enganado o público, fazendo-os acreditar que os pousos teriam acontecido, fabricando, manipulando ou destruindo provas, incluindo fotos, fitas de telemetria, transmissões de rádio e TV, amostras de rochas lunares, e até mesmo algumas testemunhas-chave.

Em contrapartida às críticas, oferecem-se evidências independentes das missões lunares, e já se publicaram refutações detalhadas às alegações de fraude.Bad Astronomy, by Phil Plait, 2002, ISBN 978-0-471-40976-2, pp 154-73 Desde o final dos anos 2000, fotos de alta definição tiradas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) dos locais de pouso da Apollo capturaram os módulos de aterragem e os rastros deixados pelos astronautas. Em 2012, as imagens foram liberadas, mostrando cinco das seis bandeiras americanas das missões Apollo erguidas na Lua ainda em pé; a exceção é a da missão Apollo 11, que ficou caída sobre a superfície lunar, desde que foi acidentalmente soprada pelo escapamento do foguete de decolagem.

Críticos sustentam o interesse público em suas observações por mais de 40 anos, recebendo refutações de terceiros. Pesquisas de opinião realizadas em vários locais mostraram que entre 6% e 20% dos americanos e 28% dos russos pesquisados acreditam que os desembarques tripulados foram falsificados. Até mesmo em 2001, o documentário da rede de televisão Fox, Conspiracy Theory: Did We Land on the Moon? levantou a hipótese de que a NASA teria simulado o primeiro pouso, em 1969, para ganhar a Corrida Espacial.

Origens miniaturadaimagem|Os astronautas Buzz Aldrin e Neil Armstrong em mockup de treinamento da paisagem lunar da NASA. Os teóricos da conspiração dizem que as gravações de todas as missões Apollo foram feitas em um estúdio de cinema usando efeitos especiais e sets semelhantes a esse. O primeiro livro dedicado ao assunto foi We Never Went to the Moon: America's Tirty Billion Dollar Swindle (Nós nunca fomos à Lua: A Fraude Americana de 30 bilhões de dólares, numa tradução livre), publicado pelo autor, Bill Kaysing, em 1976. Apesar de não ter conhecimento sobre foguetes ou redação técnica, Kaysing, um ex-oficial da Marinha dos Estados Unidos com Bacharelado em artes em Inglês, foi contratado como um sênior escritor técnico, em 1956, pela Rocketdyne, a empresa que construiu o motor F- 1 utilizado no foguete Saturn V. Ele foi chefe da unidade de publicações técnicas no Laboratório de Propulsão da empresa, até 1963. O livro de Kaysing fez muitas alegações e, efetivamente, começou a discussão sobre os pousos na Lua terem sido falsificados. O livro afirma que a chance de um pouso tripulado bem-sucedido na Lua foi calculada em 0,0017% e que, apesar de um monitoramento próximo pela URSS, teria sido mais fácil para a NASA fingir as alunissagens do que para realmente ir para Lua.

Em 1980, a Sociedade da Terra Plana acusou a NASA de falsificar os desembarques, argumentando que eles foram encenadas por Hollywood, com patrocínio de Walt Disney, com base em um roteiro de Arthur C. Clarke e dirigido por Stanley Kubrick. A folclorista Linda Degho sugere que o filme de 1978, do autor e diretor Peter Hyams, Capricórnio Um, que apresenta uma falsa missão a Marte em uma espaçonave que se parece com as Apolo, pode ter dado um reforço à popularidade da teoria da fraude, nos anos pós-guerra do Vietnã e pós-escândalo de Watergate, quando segmentos do público americano estavam inclinados a duvidar das declarações oficiais. Degh escreve: "A mídia de massa catapultou estas meias-verdades em um tipo de zona irreal, onde as pessoas podem fazer suas suposições parecerem verdades. A mídia de massa teve um terrível impacto em pessoas que não tinham orientação". Em A Man on the Moon, publicado pela primeira vez em 1994, Andrew Chaikin menciona que ao mesmo tempo em que a missão Apollo 8 orbitava a Lua, em dezembro de 1968, ideias conspiratórias semelhantes já estavam em circulação.

Conspiradores e suas contenções

Principais proponentes Bill Kaysing - Graduado em Inglês, chefe de publicações da Rocketdyne, de onde saiu antes da empresa trabalhar no projeto Apollo. David Percy - Auto-proclamado especialista em fotografia e efeitos audiovisuais. Ralph Rene - Inventor autodidata e editor. Bart Sibrel - Jornalista e diretor de cinematografia. Richard Hoagland - Ufólogo e teórico da conspiração.

Defensores das alunissagens A comunidade científica em geral dá respaldo à veracidade das alunagens, e em concreto vários cientistas têm respondido com maior detalhe às acusações de fraude: Phil Plait - Astrofísico e divulgador científico. James Oberg - Engenheiro, especialista em história espacial, sobre tudo do programa espacial russo, e escritor.

Motivos relacionados ao Estados Unidos e à NASA Os proponentes da teoria da fraude dão várias explicações diferentes sobre a motivação para o governo dos Estados Unidos e a NASA falsificarem os mesmos. As três principais teorias estão abaixo.

A corrida espacial A motivação para os Estados Unidos se envolverem com a União Soviética em uma corrida espacial pode ser atribuída à, até então em curso, Guerra Fria. Um pouso na Lua seria visto como uma conquista nacional e tecnológica que geraria aclamação mundial. Ir para a Lua seria arriscado e caro, como exemplificado por John F. Kennedy declarando num discurso em 1962 que os EUA escolheram ir para a Lua porque era difícil.

Philip Plait diz, em seu livro Bad Astronomy, que os soviéticos, com seu próprio programa lunar, uma extensa rede de inteligência e uma comunidade científica formidável capaz de analisar dados da NASA, teria levado a público se os Estados Unidos tentassem um falso pouso na Lua, especialmente porque seu próprio programa falhou. Provar uma farsa teria sido uma enorme vitória de propaganda para os soviéticos. O conspirador Bart Sibrel respondeu: "os soviéticos não tinham a capacidade profunda para rastrear uma nave espacial até o final, em 1972, imediatamente após o qual, as três últimas missões Apollo foram abruptamente canceladas." Sibrel declarou que a tripulação da Apollo 11 e os astronautas das missões subsequentes falsificaram suas órbitas em torno da Lua e seus passeios em sua superfície via fotos trucadas, e que eles não foram além de metade do caminho à Lua. Um subconjunto desta proposta é advogada por alguns que concedem a existência de retrorrefletores e outros objetos artificiais na Lua.

O editor britânico Marcus Allen representou este argumento quando afirmou "Eu seria o primeiro a aceitar que imagens de telescópio dos locais de pouso seriam uma prova forte de que algo foi colocado na lua pelo homem." Ele prossegue dizendo que as fotos dos aterrissadores não seriam provas de que a América colocou homens na Lua. "Chegar na Lua não é um grande problema - os Russos fizeram isto em 1959, o grande problema é levar pessoas para lá." Ele sugere que a NASA teria enviado missões robóticas porque os níveis de radiação no espaço seriam letais aos seres humanos. Outra variação desta ideia é a de que a NASA e as empresas contratadas não se recuperaram rápido o suficiente do fogo na Apollo 1, e assim todas as primeiras missões Apollo foram falsificadas, com a Apollo 14 ou 15 sendo a primeira missão autêntica. Vasily Mishin, em uma entrevista para o artigo "The Moon Program That Faltered", descreve como o programa lunar soviético diminuiu após os desembarques Apollo.

Além disso, não houve nada "abrupto" sobre os cancelamentos Apollo, que foram anunciados em janeiro e setembro de 1970, por razões de corte de custos.

Financiamento e prestígio da NASA Há quem reivindique que a NASA simulou os desembarques para evitar sua humilhação e assegurar que continuasse a obter financiamento. A NASA obteve aproximadamente 30 bilhões de dólares para ir para a Lua, e Kaysing alegou que este dinheiro poderia ter sido usado para comprar o silêncio, o testemunho e a opinião de muitas pessoas, dando motivação significante à cumplicidade.We Never Went to the Moon: America's Thirty Billion Dollar Swindle, Bill Kaysing, Pomeroy, WA, USA: Health Research Books, 2002. ISBN 1-85810-422-X. A necessidade de cumprir a promessa de Kennedy também é usada. Como a maior parte dos proponentes acredita que os problemas técnicos envolvidos em chegar à Lua são intransponíveis, os pousos na Lua teriam que ser falsificados para cumprir a promessa do Presidente Kennedy, em 1961, de atingir o objetivo "antes do fim desta década, de pousar um homem na Lua e trazê-lo à Terra em segurança."Kennedy speech to Congress, May 1961. Chaikin, p. 1 Na verdade, a NASA apresentou o custo da Apollo para o Congresso dos Estados Unidos, em 1973, totalizando cerca de 25.4 bilhões de dólares.

Mary Bennett e David Percy têm reivindicado em Dark Moon: Apollo e o delatores, que, com todos os riscos conhecidos e desconhecidos, a NASA não iria arriscar a transmitir um astronauta ficar doente ou morrer ao vivo na televisão. O contra-argumento geralmente dado é que a NASA de fato implicou em uma grande humilhação pública e potencial oposição política ao programa por perder uma tripulação inteira no Apollo 1, que se incendiou durante um treino, levando a sua equipe de gestão superior ser questionada pelos comitês de vigilância espacial do Senado e da Câmara dos Deputados. De fato, não houve transmissão de vídeo durante o desembarque ou a descolagem devido a limitações tecnológicas.

Guerra do Vietnã Também alegam que o governo dos Estados Unidos se beneficiou de uma distração popular da Guerra do Vietnã; e assim, as atividades lunares terminaram subitamente, com missões planejadas sendo canceladas, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos terminaram seu evolvimento na guerra. A maioria das tropas americanas foram removidas do Vietnã, em 5 de março de 1971, e os militares americanos foram retirados de Saigon, em 29 de abril de 1975. Na verdade, o fim dos desembarques não foi "repentino". A guerra foi um dos vários itens orçamentários federais com os quais a NASA teve de competir. O orçamento da NASA atingiu o pico em 1966, e caiu 42,3% em 1972. Esta foi a razão dos voos finais serem cortados, juntamente com planos ainda mais ambiciosos como uma estação espacial permanente no espaço e uma missão tripulada a Marte.

Alegações de embuste e refutações Um número de diferentes alegações de fraude tem avançado e incluem teorias conspiratórias envolvendo ações coordenadas por empregados da NASA, e algumas vezes outros, para perpetuar as informações falsas sobre pousos que nunca teriam acontecido ou para ocultar informações corretas sobre pousos que aconteceram de uma forma diferente da publicada. Em vez de propor uma narrativa completa de como a fraude foi perpetrada, os adeptos focaram apenas em supostas falhas ou inconsistências no registro histórico das missões. A ideia de que todo o programa de pousos tripulados foi completamente falsificada do início ao fim. Alguns alegam que a tecnologia para enviar homens à Lua era insuficiente ou que o Cinturão de Van Allen, erupções solares, vento solar, ejeções de massa coronal, e raios cósmicos tornariam uma viagem destas impossível.