Nos sistemas de crenças monoteístas, Deus é geralmente visto como o ser supremo, criador e principal objeto da fé. Nos sistemas de crenças politeístas, um deus é "um espírito ou ser que se acredita ter criado, ou que controla alguma parte do universo ou da vida, motivo pelo qual tal divindade é frequentemente adorada". A crença na existência de pelo menos um deus é chamada de teísmo.
As concepções de Deus variam consideravelmente. Muitos teólogos e filósofos notáveis desenvolveram argumentos a favor e contra a existência de Deus.Plantinga, Alvin. "God, Arguments for the Existence of", Routledge Encyclopedia of Philosophy, Routledge, 2000. O ateísmo rejeita a crença em qualquer divindade, enquanto o agnosticismo é a crença de que a existência de Deus é desconhecida ou incognoscível. Alguns teístas veem o conhecimento sobre Deus como derivado da fé. Deus é frequentemente concebido como a maior entidade existente.
Muitas vezes acredita-se que Deus é a causa de todas as coisas e, portanto, é visto como o criador, sustentador e governante do universo. Frequentemente considerado incorpóreo e independente da criação material, enquanto o panteísmo sustenta que Deus é o próprio universo. Deus às vezes é visto como onibenevolente, enquanto o deísmo sustenta que ele não está envolvido com a humanidade, sendo separado da sua criação.
Algumas tradições atribuem significado espiritual à manutenção de alguma forma de relacionamento com Deus, muitas vezes envolvendo atos como adoração e oração, e o vêem como a fonte de toda obrigação moral. Deus às vezes é descrito sem referência ao gênero, enquanto outros usam terminologia específica de gênero. Deus é referido por nomes diferentes dependendo do idioma e da tradição cultural, às vezes com diferentes nomes usados em referência aos seus vários atributos.
Etimologia
miniaturadaimagem| A Estela de Mesa traz a referência mais antiga conhecida (840 AC) ao Deus israelita Yahweh. O termo deus tem origem no termo latino deus, que significa divindade ou deidade. Os termos latinos Deus e divus, assim como o grego διϝος = "divino", descendem do Proto-Indo-Europeu *deiwos = "brilhante/celeste", termo esse encerrando a mesma raiz que Dyēus, a divindade principal do panteão indo-europeu, igualmente cognato do grego Ζευς (Zeus).
Concepções gerais
Existência
miniaturadaimagem| Tomás de Aquino resumiu cinco argumentos principais como provas da existência de Deus (pintura de Carlo Crivelli, 1476). miniaturadaimagem| Isaac Newton viu a existência de um Criador necessária no movimento dos objetos astronômicos (pintura de Godfrey Kneller, 1689). A existência de Deus é tema de debate na teologia, filosofia da religião e cultura popular.See e.g. The Rationality of Theism quoting Quentin Smith "God is not 'dead' in academia; it returned to life in the late 1960s". They cite "the shift from hostility towards theism in Paul Edwards's Encyclopedia of Philosophy (1967) to sympathy towards theism in the more recent Routledge Encyclopedia of Philosophy. Em termos filosóficos, a questão envolve as disciplinas da epistemologia (a natureza e o âmbito do conhecimento) e da ontologia (estudo da natureza do ser ou da existência) e da teoria do valor (uma vez que algumas definições de Deus incluem "perfeição"). Argumentos ontológicos referem-se a qualquer argumento a favor da existência de Deus baseado em raciocínio a priori, sendo seus principais defensores Anselmo e René Descartes. Argumentos cosmológicos,usam conceitos em torno da origem do universo para defender a existência de Deus.Norman Geisler. Argumento Cosmológico. In: Enciclopédia Apologética. São Paulo: Vida, 2002;
O argumento teleológico, também chamado de “argumento da criação”, usa a complexidade do universo como prova da existência de Deus. Críticos desta linha de pensamento dizem que o ajuste fino necessário para um universo estável com vida na Terra é ilusório, pois os humanos só são capazes de observar a pequena parte deste universo que conseguiu tornar possível tal observação, chamado de princípio antrópico, e assim não aprenderiam sobre, por exemplo, vida em outros planetas que não ocorreram devido a diferentes leis da física. Os não-teístas argumentam que processos complexos que têm explicações naturais ainda a serem descobertas são referidos ao sobrenatural, fenômeno chamado de deus das lacunas. Outros teístas, como John Henry Newman, que acreditava que a evolução teísta era aceitável, também criticaram versões do argumento teleológico.
O argumento da beleza afirma que este universo contém uma beleza especial e que não haveria nenhuma razão particular para isto em relação à neutralidade estética além de Deus. Este ponto de vista é contestado pela existência de feiúra no universo e também pelo argumento de que a beleza não tem realidade objetiva e, portanto, o universo poderia ser visto como feio.Minority Report, H. L. Mencken's Notebooks, Knopf, 1956.
O argumento da moralidade defende a existência de Deus dada a suposição da existência objetiva da moral. Embora proeminentes filósofos não-teístas, como o ateu J. L. Mackie, concordassem que o argumento é válido, eles discordavam das suas premissas. David Hume argumentou que não há base para acreditar em verdades morais objetivas, enquanto o biólogo E. O. Wilson teorizou que os sentimentos de moralidade são um subproduto da seleção natural nos humanos e não existiriam independentemente da mente.
O argumento da consciência, de forma semelhante ao argumento da moralidade, defende a existência de Deus dada a existência de uma consciência que informa sobre o certo e o errado, mesmo contra os códigos morais prevalecentes. O filósofo John Locke, em vez disso, argumentou que a consciência é uma construção social e, portanto, poderia levar a contradições morais.
O ateísmo é, num sentido amplo, a rejeição da crença na existência de divindades.Nielsen 2013: "Instead of saying that an atheist is someone who believes that it is false or probably false that there is a God, a more adequate characterization of atheism consists in the more complex claim that to be an atheist is to be someone who rejects belief in God for the following reasons ... : for an anthropomorphic God, the atheist rejects belief in God because it is false or probably false that there is a God; for a nonanthropomorphic God ... because the concept of such a God is either meaningless, unintelligible, contradictory, incomprehensible, or incoherent; for the God portrayed by some modern or contemporary theologians or philosophers ... because the concept of God in question is such that it merely masks an atheistic substance – e.g., "God" is just another name for love, or ... a symbolic term for moral ideals."Edwards 2005: "On our definition, an 'atheist' is a person who rejects belief in God, regardless of whether or not his reason for the rejection is the claim that 'God exists' expresses a false proposition. People frequently adopt an attitude of rejection toward a position for reasons other than that it is a false proposition. It is common among contemporary philosophers, and indeed it was not uncommon in earlier centuries, to reject positions on the ground that they are meaningless. Sometimes, too, a theory is rejected on such grounds as that it is sterile or redundant or capricious, and there are many other considerations which in certain contexts are generally agreed to constitute good grounds for rejecting an assertion." O agnosticismo, por sua vez, é a visão de que os valores de verdade de certas afirmações - especialmente afirmações metafísicas e religiosas, como a existência de Deus, do divino ou do sobrenatural - são desconhecidos e talvez incognoscíveis.Thomas Henry Huxley, an English biologist, was the first to come up with the word agnostic in 1869 No entanto, autores anteriores e trabalhos publicados promoveram pontos de vista agnósticos. Eles incluem Protágoras, um filósofo grego do século V AEC. (p. 56 in 1967 edition). O teísmo geralmente sustenta que Deus existe objetiva e independentemente do pensamento humano e às vezes é usado para se referir a qualquer crença em Deus ou deuses.
Alguns vêem a existência de Deus como uma questão empírica. Richard Dawkins afirma que “um universo com um deus seria um tipo de universo completamente diferente de um universo sem um deus, e seria uma diferença científica”. Carl Sagan argumentou que a doutrina de um "criador do universo" era difícil de provar ou refutar e que a única descoberta científica concebível que poderia refutar a existência de um criador (não necessariamente um Deus) seria a descoberta de que o universo é infinitamente antigo. Alguns teólogos, como Alister McGrath, argumentam que a existência de Deus não é uma questão que possa ser respondida utilizando o método científico.
O agnóstico Stephen Jay Gould argumentou que a ciência e a religião não estão em conflito e propôs uma abordagem que divide o mundo da filosofia no que chamou demagistérios não-interferentes, onde questões do sobrenatural, como aquelas relacionadas à existência e natureza de Deus, são consideradas não empíricas e são o domínio próprio da teologia. Os métodos da ciência deveriam então ser usados para responder a qualquer questão empírica sobre o mundo natural, enquanto a teologia deveria ser usada para responder a questões sobre o sobrenatural e o valor moral. Nesta visão, a aparente falta de qualquer pegada empírica do magistério do sobrenatural nos eventos naturais torna a ciência o único ator no mundo natural. Stephen Hawking e o co-autor Leonard Mlodinow afirmam em seu livro de 2010, The Grand Design, que é razoável perguntar quem ou o que criou o universo, mas se a resposta for Deus, então a questão seria meramente desviada para quem criou Deus. Ambos os autores afirmam, no entanto, que é possível responder a estas questões puramente dentro do domínio da ciência e sem invocar seres divinos.Krauss, L. A Universe from Nothing. Free Press, New York. 2012. .
Unidade
miniaturadaimagem|Os trinitarianos acreditam que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas distintas que compartilham uma única natureza ou essência. Uma divindade, ou "deus" (com d minúsculo), refere-se a um ser sobrenatural. O monoteísmo é a crença de que existe apenas uma divindade, referida como “Deus” (com d maiúsculo). Comparar ou igualar outras entidades a Deus é visto como idolatria no monoteísmo e muitas vezes é algo fortemente condenado. O judaísmo é uma das tradições monoteístas mais antigas do mundo. O conceito mais fundamental do islamismo é tawhid, que significa "unidade" ou "singularidade". O primeiro pilar do Islã é um juramento que constitui a base da religião e que os não-muçulmanos que desejam declarar que “não há divindade exceto Deus”.Mohammad, N. 1985. "The doctrine of jihad: An introduction." Journal of Law and Religion 3(2): 381–397. No cristianismo, a doutrina da Trindade descreve Deus como um só Deus em Pai, Filho (Jesus) e Espírito Santo.
Deus no hinduísmo é visto de forma diferente por diversas vertentes da religião, sendo que a maioria dos hindus têm fé em uma realidade suprema (Brahman) que pode ser manifestada em várias divindades diferentes. Assim, a religião é por vezes caracterizada como monoteísmo polimórfico. O henoteísmo é a crença e adoração de um único deus por vez, ao mesmo tempo que aceita a validade de adorar outras divindades.Müller, Max. (1878) Lectures on the Origin and Growth of Religion: As Illustrated by the Religions of India. London, England: Longmans, Green and Company. A monolatria é a crença em uma única divindade digna de adoração enquanto aceita a existência de outras divindades..
Transcendência