O Projeto Minerva foi um programa de rádio brasileiro criado durante a ditadura militar pelo governo federal e que teve por finalidade combater o analfabetismo e educar pessoas adultas fora do sistema regular de ensino, preparando alunos para os exames supletivos de Capacitação e Madureza Ginasial. Todas as emissoras de rádio do país eram obrigadas a transmitir a sua programação, veiculada após a Hora do Brasil. Seu nome referencia Minerva, deusa romana da sabedoria.

Criação e formato O projeto foi elaborado pelo então Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação e Cultura (SRE/MEC), fruto de um decreto presidencial e uma portaria interministerial de nº 408/70, que determinava a transmissão de programação educativa em todas as emissoras de rádio do país. Esta obrigatoriedade é fundamentada na Lei 5.692/71. Seu objetivo era preparar alunos para os exames supletivos de Capacitação Ginasial e Madureza Ginasial, realizados pelas fundações Padre Landell de Moura e Padre Anchieta. O rádio foi escolhido pelo menor custo em aquisição e manutenção de aparelhos receptores e pela afinidade do público com o veículo, numa época em que o sinal de televisão atingia apenas grandes centros urbanos.

Sua primeira transmissão ocorreu em 1º de setembro de 1970, durante o governo de Emílio Garrastazu Médici. Transmitido originalmente pela Rádio MEC para emissoras de todo o território brasileiro, o programa ia ao ar obrigatoriamente de segunda a sexta-feira, das 20h às 20h30; aos sábados, entre 13h e 14h:15min; e aos domingos, das 8h:30min às 9h:45min. Aos fins de semana, eram exibidos programas culturais e informativos. Nomes da mídia e da música popular brasileira participaram dos programas de fim de semana do projeto Minerva, como Jô Soares, Cartola, Luiz Gonzaga e Beth Carvalho.

Alunos inscritos no Projeto Minerva podiam se reunir periodicamente para ouvir a transmissão em tempo real das aulas em radiopostos credenciados, que funcionavam em escolas, quartéis militares, igrejas e clubes. Além do programa de rádio, eram distribuídos gratuitamente fascículos e cadernos de exercícios de disciplinas presentes no currículo ginasial da época (Língua Portuguesa, Matemática, Estudos Sociais, Educação Moral e Cívica, Educação Artística e Educação Física.)PINTO, T. P. Projetos Minerva: Caixa de Jogos Caleidoscópica.Tese (doutorado) Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP), 2013. Estes fascículos também eram vendidos em bancas de jornais.

Colaboraram com o projeto nomes como Aurélio Buarque de Holanda, Arnaldo Niskier e Arno Wehling.

Críticas O projeto Minerva foi por muito tempo divulgado pela televisão durante a época do regime militar. Sua eficiência sempre foi questionada, visto seu alto índice de evasão e baixa porcentagem de aprovação. 77% dos inscritos não conseguiram obter o diploma.

As demais emissoras de rádios eram obrigada a transmitir a sua programação e questionavam esta obrigatoriedade. Também questionava-se, dada a sua amplitude, a possibilidade de adequação das aulas com a realidade local dos alunos.

O projeto chegou ao fim em 1989.

Ver também

MOBRAL Educação à distância

Categoria:Políticas educacionais brasileiras Categoria:Década de 1970 no Brasil