thumb|upright=1.6|Um homem observando a Via Láctea e o universo a partir do deserto do Atacama, no Chile.
Vida extraterrestre, extraterrena ou alienígena é a suposta vida que não se origina a partir do planeta Terra. Estas formas de vida, ainda hipotéticas, podem variar de organismos simples, como bactérias, até seres muito mais complexos do que os humanos. Também foi proposta a possibilidade de que vírus podem existir em meios extraterrestres.
O desenvolvimento e a pesquisa de hipóteses sobre vida extraterrestre é conhecido como "exobiologia" ou "astrobiologia", embora a astrobiologia também considere a vida baseada na Terra, em seu contexto astronômico. Muitos cientistas consideram que a vida extraterrestre é plausível, mas ainda não há nenhuma evidência direta de sua existência.
Desde meados do século XX, houve uma contínua busca por sinais de vida extraterrestre, desde radiotelescópios usados para detectar possíveis sinais de civilizações extraterrenas, até telescópios usados para procurar planetas extra-solares potencialmente habitáveis. O tema também desempenhou um papel importante em obras de ficção científica.
Ciência A hipótese de formas de vida alienígena, tais como bactérias, foi levantada a existir no Sistema Solar e em todo o universo. Esta hipótese baseia-se na vasta dimensão e nas leis físicas consistentes do universo observável. De acordo com este argumento, feito por cientistas como Carl Sagan e Stephen Hawking, seria improvável que a vida não existisse em algum lugar fora do planeta Terra. Este argumento é incorporado no princípio de Copérnico, que afirma que a Terra não ocupa uma posição única no universo, e no princípio da mediocridade, que sugere que não há nada de especial sobre a vida na Terra. A vida pode ter surgido de forma independente em muitos lugares em todo o Universo. Alternativamente a vida também pode se desenvolver com menos frequência, mas se espalhar entre planetas habitáveis através da panspermia ou exogênese. Em qualquer caso, as moléculas orgânicas complexas necessárias para a formação da vida podem ter se formado no disco protoplanetário de grãos de poeira ao redor do Sol antes da formação da Terra com base em estudos de modelos computacionais. De acordo com estes estudos, este mesmo processo também pode ocorrer em torno de outras estrelas que mantêm um sistema planetário. Entre os locais sugeridos em que a vida pode ter se desenvolvido no passado estão os planetas Vênus e Marte, em Europa, uma das luas de Júpiter, e em Titã e Encélado, duas das luas de Saturno. Em maio de 2011, os cientistas da NASA informaram que Encélado "está emergindo como o local mais habitável além da Terra no Sistema Solar para a vida como a conhecemos."
Desde os anos 1950, os cientistas têm promovido a ideia de que "zonas habitáveis" são os locais mais prováveis para a vida ser encontrada. Um estudo publicado em 2016 sugere que as nuvens estelares velhas podem ser os melhores lugares para uma civilização avançada sobreviver em uma galáxia. Estrelas de longa vida nestes aglomerados e a relativa facilidade de se "saltar" de um sistema estelar para o próximo poderia fornecer um espaço seguro para qualquer espécie tecnologicamente experiente que pode deixar sua casa e estabelecer postos avançados em torno de outras estrelas.Globular clusters as cradles of life and advanced civilizations. por R. Di Stefano and A. Ray no 227.º de encontro da American Astronomical Society, Kissimmee, Fla., em 7 de janeiro de 2016.To search for an advanced civilization, take a U-turn to star clusters por CHRISTOPHER CROCKETT na "ScienceNews" (2016) Várias descobertas nesse tipo de zona desde 2007 têm estimulado estimativas sobre a frequências de habitats semelhantes à Terra, com números que chegam em muitos milhares de milhões. Até 2013, no entanto, apenas um pequeno número de planetas foram descobertos nestas zonas. Não obstante, em 4 de novembro de 2013, astrônomos relataram, com base em dados da missão espacial Kepler, que poderia haver cerca de 40 bilhões de planetas do tamanho da Terra que orbitam em zonas habitáveis das estrelas semelhantes ao Sol e anãs vermelhas apenas na Via Láctea, sendo que 11 bilhões deles podem estar orbitando estrelas semelhantes ao Sol. O planeta deste tipo mais próximo pode estar a 12 anos-luz de distância, de acordo com cientistas. Astrobiólogos têm também considerado "seguir a energia" de "potenciais habitats".
Bases bioquímica e morfológica Toda a vida na Terra é baseada em 26 elementos químicos. No entanto, cerca de 95% desta vida é construída sobre apenas seis desses elementos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre, abreviados como CHONPS. Estes seis elementos formam os "blocos de construção" básicos de praticamente toda a vida na Terra, enquanto a maioria dos elementos restantes são encontrados apenas em quantidades vestigiais.
A vida na Terra requer água como solvente em que as reações bioquímicas ocorrem. Quantidades suficientes de carbono e outros elementos, juntamente com a água, pode permitir a formação de organismos em outros planetas com uma composição química e uma faixa de temperatura semelhante à da vida na Terra. Os planetas rochosos, tais como Terra, são formados num processo que permite a possibilidade de que tenham composições semelhantes à da Terra.
Devido à sua abundância relativa e utilidade na manutenção da vida, muitos têm a hipótese de que as formas de vida em outros lugares do universo iriam utilizar estes mesmos materiais básicos para se formar. No entanto, outros elementos e solventes podem proporcionar uma base para a vida. Formas de vida baseadas em amônia (em vez de água) já foram sugeridas, embora esta solução pareça pior do que a água.
Do ponto de vista químico, a vida é fundamentalmente uma reação auto-replicante, mas que poderia surgir sob um grande número de condições e com vários ingredientes possíveis, embora carbono-oxigênio dentro da faixa de temperatura com água líquida pareça um ambiente mais propício. Sugestões foram feitas mesmo que as reações de auto-replicação de algum tipo pudessem ocorrer dentro do plasma de uma estrela, apesar de que isso seria muito pouco convencional. A vida na superfície de uma estrela de nêutrons, com base em reações nucleares, também foi sugerida. No entanto, a comunicação com tais criaturas seria difícil porque as escalas de tempo envolvidas são muito mais rápidas.
Várias ideias pré-concebidas sobre as características da vida fora da Terra têm sido questionadas. Por exemplo, um cientista da NASA sugere que a cor de pigmentos fotossintetizantes de vida hipotética em planetas extrasolares pode não ser verde.
A tentativa de definir características limitadas desafia certas noções sobre necessidades morfológicas. Esqueletos, que são essenciais para grandes organismos terrestres de acordo com os especialistas do campo da biologia gravitacional, são quase certos de que são replicados em outros lugares do universo, de uma forma ou de outra. A suposição da diversidade radical entre extraterrestres putativos ainda não está assentada. Enquanto muitos exobiólogos afirmem que a natureza extremamente heterogênea da vida na Terra prenuncia uma variedade ainda maior no espaço exterior, outros apontam que a evolução convergente pode ditar similaridades substanciais entre a vida na Terra e a extraterrestre. Estas duas escolas de pensamento são chamados de "divergionista" e "convergionista", respectivamente.
Pesquisa direta thumb|A sonda espacial Kepler, da NASA, que tem o objetivo de encontrar exoplanetas. Os cientistas estão procurando diretamente bioassinaturas dentro do Sistema Solar, com a realização de estudos sobre a superfície de Marte e de meteoros que caíram na Terra. No momento, não existe nenhum plano concreto para a exploração de Europa em busca de vida. Em 2008, uma missão conjunta da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA - sigla em inglês) foi anunciada que teria estudos que incluíam Europa."Outer Planet Flagship Mission" , "Jet Propulsion Laboratory" No entanto, em 2011 a NASA foi forçada a despriorizar a missão devido a uma falta de financiamento e é possível que a ESA vá assumir a missão sozinha."New approach for L-class mission candidates" , "ESA"
Há alguma evidência limitada que vida microbiana pôde possivelmente existir (ou ter existido) em Marte. Uma pesquisa informal conduzida na conferência em que a Agência Espacial Europeia apresentou as suas conclusões sobre o metano na atmosfera de Marte e indicou que 75% das pessoas presentes concordaram que as bactérias já viveram em Marte. Em novembro de 2011, a NASA lançou a sonda Mars Science Laboratory (MSL), que é projetada para procurar evidências passadas ou presentes de habitabilidade em Marte, usando uma variedade de instrumentos científicos. A MSL pousou em Marte na cratera Gale, em agosto de 2012. thumb|esquerda|Micrografia eletrônica do meteorito marciano ALH84001, que mostra estruturas que alguns cientistas acreditaram que poderiam ser bactérias fossilizadas. Em agosto de 2011, as descobertas da NASA, com base em estudos de meteoritos encontrados na Terra, sugere componentes de DNA e RNA (adenina, guanina e moléculas orgânicas relacionadas), os "blocos de construção" para a vida como a conhecemos, podem ser formados em ambientes extraterrestres no espaço sideral. Em outubro de 2011, os cientistas relataram que a poeira cósmica contém matéria orgânica complexa ("sólidos orgânicos amorfos com uma estrutura aromática-alifáticos mista"), que podem ser criados naturalmente e rapidamente por estrelas. Um dos cientistas sugerem que estes compostos podem ter sido relacionados com o desenvolvimento da vida na Terra disse que, "se este for o caso, a vida na Terra pode ter começado mais fácil, visto que estes produtos orgânicos podem servir como ingredientes básicos para a vida."
Em agosto de 2012, os astrônomos da Universidade de Copenhague relataram a detecção de uma molécula de açúcar específica, glicolaldeído, em um planeta localizado em um sistema de estrelas distantes. A molécula foi encontrada em torno das protoestrelas binárias IRAS 16293-2422, que estão localizadas a 400 anos-luz da Terra. O glicolaldeído é necessário para formar o ácido ribonucleico, ou RNA, que tem função semelhante ao DNA. Esta constatação sugere que moléculas orgânicas complexas podem se formar em sistemas estelares antes da formação dos planetas e, eventualmente, entrar no planetas jovens no início de sua formação.
Em setembro de 2012, os cientistas da NASA informaram que hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs - sigla em ingês), submetidos às condições do meio interestelar, são transformados, através de hidrogenação, oxigenação e hidroxialquilação, em produtos orgânicos mais complexos - "um passo no caminho para aminoácidos e nucleotídeos, as matérias-primas de proteínas e do DNA, respectivamente." Além disso, como um resultado destas transformações, os PAH perdem a sua assinatura espectroscópica, o que pode ser uma das razões para a "falta de detecção de PAH no gelo da poeira cósmica, em especial as regiões exteriores frias, com nuvens densas ou nas camadas moleculares superiores de discos protoplanetários."
Em 21 de fevereiro de 2014, a NASA anunciou um banco de dados bastante atualizado para acompanhar os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos no universo. De acordo com os cientistas, mais do que 20% do carbono no universo pode ser associados com os PAHs, possíveis materiais de partida para a formação de vida. O PAHs parecem ter sido formadas logo após o Big Bang, estão espalhados por todo o universo e estão associados a novas estrelas e planetas extrasolares.
Pesquisa indireta thumb| Sonda Terrestrial Planet Finder cujo objetivo é detectar planetas como a Terra.