Corrida contra o Destino () é um road movie existencial do gênero ação de 1971 dirigido por Richard C. Sarafian e estrelado por Barry Newman, Cleavon Little e Dean Jagger.
Notável pelo trabalho cinematográfico que caracteriza o cenário do sudoeste norte-americano e por seu comentário social sobre o clima pós-Woodstock nos Estados Unidos no começo da década de 70, continua popular até os dias de hoje, sendo considerado um filme cult, que combina os impressionantes e desolados panoramas e o pano de fundo da contracultura de Easy Rider com as perseguições automobilísticas de Bullitt e The French Connection.
Enredo O motorista entregador de carros de uma oficina mecânica chamado Kowalski chega a Denver, Colorado, numa noite de sexta-feira com um automóvel Imperial preto. Seu colega do serviço de entrega Sandy pede que ele descanse um pouco, mas Kowalski insiste em começar sua próxima tarefa que é entregar um Dodge Challenger R/T 440 Magnum 1970 branco (supostamente turbinado) em São Francisco, Califórnia, na segunda-feira. Antes de sair de Denver, Kowalski entra no estacionamento de um bar de motoqueiros por volta da meia-noite para comprar comprimidos de anfetamina para permanecer acordado durante a longa viagem pela frente. Ele aposta com seu revendedor Jake que ele chegará a São Francisco às 15h de domingo, mesmo que a entrega seja esperada para segunda-feira. Durante o decorrer do filme, através de flashbacks e de leituras de seu registro na polícia, é descoberto que Kowalski é um veterano condecorado com a Medalha de Honra por ter participado da Guerra do Vietnã, além de ser um ex-piloto de corrida e motociclista e ex-policial.
Dirigindo para o oeste através do Colorado, Kowalski é perseguido por dois policiais que tentam detê-lo por excesso de velocidade. Ele força um oficial a sair da estrada e escapa do outro, pulando sobre um leito seco de riacho. Mais tarde, o motorista rachador de um Jaguar E-Type corre ao lado de Kowalski e o desafia para uma corrida. Depois que o motorista do Jaguar quase o tira da estrada, Kowalski o ultrapassa e bate no Jaguar em uma ponte de pista única, fazendo com que o Jaguar caia no rio; Kowalski verifica se o motorista está bem e depois vai embora ao perceber que carros da polícia surgem ao longe perseguindo-o.
Kowalski dirige através dos estados de Utah e Nevada, com a polícia incapaz de pegá-lo. Durante a perseguição, Kowalski ouve a estação de rádio KOW, que é transmitida de Goldfield (Nevada); um DJ negro cego da estação, chamado Super Soul, ouve a frequência de rádio da polícia e decide ajudar Kowalski a fugir dela; ao longo da história, Super Soul parece compreender as atitudes de Kowalski como se pudesse vê-lo, ouvi-lo e sentir suas reações. Com a ajuda de Super Soul, que chama Kowalski de a "última alma livre" e "o último herói americano", Kowalski ganha o interesse da mídia e as pessoas começam a se reunir em frente ao prédio da estação da rádio KOW para oferecer seu apoio.
Durante a perseguição policial em Nevada, Kowalski se vê cercado na estrada e segue para o meio do deserto. Depois que ele substitui um pneu furado, Kowalski encontra um velho garimpeiro que captura cascavéis no deserto para uma comunidade cristã pentecostal, recebendo ajuda dele para obter mais gasolina para seu carro. Depois que Kowalski recebe combustível, o velho o leva de volta à estrada. Lá, ele dá carona para dois homens homossexuais encalhados a caminho de São Francisco com uma placa de "recém-casados" em sua janela traseira; quando eles tentam assalta-lo à mão armada, Kowalski os joga para fora do carro e continua sua jornada.
Na tarde de sábado, um vigilante da polícia fora de serviço e um grupo de bandidos invadem o estúdio da KOW e atacam Super Soul e seu assistente de estúdio. Perto da divisa do estado da Califórnia, Kowalski é ajudado pelo motociclista hippie Angel, que lhe dá mais pílulas de anfetamina para ajudá-lo a ficar acordado; a namorada de Angel, que tem o costume de pilotar sua moto nua, reconhece Kowalski e mostra uma colagem que ela fez de artigos de jornal sobre sua carreira policial. Kowalski suspeita que a transmissão de Super Soul esteja sendo direcionada pela polícia para prendê-lo. Confirmando que a polícia está realmente esperando na divisa, Angel ajuda Kowalski a atravessar a barreira com a ajuda de uma velha sirene de ataque aéreo e de uma pequena moto com um farol vermelho amarrado ao topo da Challenger, simulando um carro da polícia. Kowalski finalmente chega à Califórnia no sábado, às 19h12; ele liga para Jake de um telefone público para garantir que ele ainda pretende entregar o carro na segunda-feira, embora reconheça que não ganhará a aposta e se oferece para dobrar sua conta na próxima vez que comprar drogas com Jake.
Na manhã de domingo, a polícia da Califórnia, que acompanha os movimentos de Kowalski em um mapa eletrônico da parede, monta um bloqueio com duas escavadeiras na pequena cidade de Cisco, onde Kowalski passará. Uma pequena multidão se reúne à beira da estrada e, quando Kowalski se aproxima em alta velocidade do local, ele sorri antes de colidir o seu veículo com as escavadeiras, causando uma enorme explosão. Enquanto os bombeiros trabalham para apagar as chamas, os habitantes da cidade se dispersam lentamente.
Elenco Barry Newman – Kowalski Cleavon Little – DJ Super Soul Dean Jagger – Caçador de cobras John Amos – Engenheiro de som de Super Soul Delaney Bramlett – cantor da banda J. Hovah Bonnie Bramlett – cantora da banda J. Hovah Rita Coolidge – cantora da banda J. Hovah Timothy Scott – Angel Gilda Texter – motociclista nua
Produção Roteiro O roteiro foi escrito pelo novelista cubano Guillermo Cabrera Infante, sob o pseudônimo de Guillermo Cain. A história é baseada em fatos reais da época, a carreira destruída de um policial de San Diego e uma perseguição automobilística em alta velocidade a um motorista que se recusou a parar e morreu ao bater num bloqueio policial. Infante criou o personagem "Super Soul' baseado no legendário cantor de rock & roll The Big Bopper. Ele reflete o popular tipo de vida da contracultura da época, com elementos inclusos de rebelião, drogas e sexo livre ao som do rock & roll.
Pré-produção Em 1969, o diretor Richard C. Sarafian recusou uma oferta para dirigir Robert Redford e Gene Hackman em Downhill Racer para dirigir Corrida contra o Destino, atraído pelo tema da contracultura no roteiro de Infante (Caim). Originalmente, ele queria Hackman para viver o personagem Kowalski mas Richard D. Zanuck, diretor-executivo da 20th Century Fox, insistiu na escalação do relativamente desconhecido ator Barry Newman para o papel. O filme marca a primeira aparição nas telas de cinema de Cleavon Little e John Amos.
O carro De acordo com Sarafian, foi Zanuck quem teve a ideia de usar um Dodge Challenger 1970 no filme, porque ele queria prestar um favor à Chrysler, que por muito tempo fornecia automóveis para os filmes da Fox pelo preço simbólico de 1 dólar de aluguel por dia; vários dos outros carros usados no filme também são modelos da Chrysler. O coordenador de pilotos-dublês Carey Loftin disse que pediu o Challenger R/T por causa de qualidade da barra de torsão da suspensão e da potência do motor, considerando-o um bom e resistente carro de corrida. 250px|right|thumb|Kowalski e seu Dodge Challenger R/T branco. Cinco Dodge Challenger R/T brancos foram entregues pela montadora à Fox para o filme como promoção e devolvidos ao final das filmagens, quatro deles com 440 HP e quatro marchas e um com 383 HP e automático. Nenhum equipamento especial foi instalado ou mudanças feitas nos carros, à exceção da instalação de amortecedores mais potentes no carro que faz um salto sobre o riacho No Name Creek. Os Challengers tiveram a manutenção feita por Max Balchowsky, preparador de carros também usado para cuidar dos Ford Mustang de Bullitt e tiveram um bom desempenho, apesar de problemas causados pela poeira do deserto. Nenhum dos motores explodiu mas Loftin recorda-se que vários escalpos foram feitos de um carro para outro para substituir peças avariadas, porque "a produção realmente destruiu um ou dois carros" durante as filmagens subindo e descendo rampas entre as auto-estradas e os riachos no caminho. O chefe dos dublês relembra que os motores de 440 HP eram tão fortes "que chegavam a ser pressão demasiada para os corpos; você saía em primeira e era quase como se tivesse sido completamente empurrado para trás". Todos os carros usaram a placa verde OA-5599.
Filmagens A fotografia principal do filme começou no verão de 1970 e tinha a duração planejada de 60 dias. Problemas financeiros enfrentados pelo estúdio na época fizeram com que Zanuck diminuísse o tempo de filmagem de Sarafian em 22 dias; com isso, o diretor decidiu deixar de filmar algumas cenas previstas ao invés de filmar apressadamente todo o resto do roteiro. Um dia normal de filmagens envolvia viajar com os atores – alguns deles amadores convocados pelo diretor para papéis secundários– e equipe de produção num total de 19 pessoas por várias horas até algum lugar remoto, filmar por várias horas e então passar a noite em algum motel próximo até dia seguinte. As filmagens tiveram alguns contratempos, como por exemplo uma vez em que Newman teve que entrar com o carro cheio de câmeras instaladas nele no meio do mato, para evitar uma colisão frontal com outro motorista desavisado que tinha ignorado a barreira policial na estrada feita para garantir a segurança das filmagens.
O diretor de fotografia John A. Alonzo usou câmeras Arriflex II leves, que ofereciam grande flexibilidade para a livre movimentação; closes e filmagens em planos médios eram feitas com as câmeras montadas diretamente nos veículos ao invés de se usar a prática comum de filmar os motoristas de um reboque ou camionete andando na frente dos veículos em movimento. Para passar uma imagem de alta velocidade, a taxa de velocidade das câmeras foi diminuída; como exemplo, a cena da disputa na estrada entre Kowalski e o motorista do Jaguar que o desafia para uma corrida, a velocidade das câmeras foi diminuída pela metade. Na cena real, os carros iam pela estrada a 80 km/h, mas quando projetada em velocidade normal, eles pareciam correr em velocidade muito mais alta.
Locações As filmagens fora feitas no interior dos Estados Unidos, em estradas e pequenas cidades do sudoeste do país, nos estados de Colorado, Utah, Nevada e Califórnia. As cenas do caçador de serpentes vivido por Dean Jagger foram feitas nos lagos de sal de Nevada e a estação de rádio de "Super Soul" gravada em Goldfield, no mesmo estado; toda a participação de Cleavon Little foi gravada em três dias.
Dublês Carey Loftin foi o coordenador de dublês e o responsável pelas principais cenas de pilotagem com uso de dublês. Newman aprendeu com ele várias técnicas de pilotagem e foi encorajado a fazer algumas de suas próprias cenas. O Charger de 383 HP foi o usado como reboque na cena final da colisão de Kowalski com os bulldozers. Um cabo de cerca de 400 metros de extensão foi colocado entre o Challenger – pilotado por Loftin – e um Chevrolet Camaro 1967 branco cheio de explosivos, que foi o jogado contra as pás dos tratores que fechavam a estrada. Loftin esperava que o carro explodisse e saísse por cima dos tratores rolando pela estrada através deles mas em vez disso o Camaro ficou preso, destruído entre os tratores, efeito que no final acabou sendo considerado melhor.
Cortes