Maria Amanda Lustosa da Cunha Paranaguá (Salvador, 12 de junho de 1849 – Rio de Janeiro, 15 de agosto de 1931) foi uma dama de companhia da princesa Isabel e baronesa de Loreto.
Pelo lado paterno, era descendente da tradicional família Cunha Lustosa, do Piauí: filha de João Lustosa da Cunha Paranaguá, 2.º Marquês de Paranaguá e sobrinha dos barões de Paraim e de Santa Filomena. Pelo lado materno, era neta de Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos, Visconde de Monserrate.
Em 1862, enquanto cavava um canteiro, a princesa Isabel atingiu Amanda acidentalmente com uma pá. Mesmo tendo perdido a visão do olho direito devido ao incidente, ela permaneceu como uma das poucas e mais fiéis amigas da Princesa Isabel até o fim da vida. Casou-se na Corte, em 30 de maio de 1868, com Franklin Américo de Meneses Dória – advogado, político e, posteriormente, barão de Loreto –, tornando-se, por conseguinte, baronesa consorte de Loreto.
"Amandinha" como era chamada por familiares e amigos, nunca chegou a gerar filhos e, neste sentido, tornou-se uma opção sua envolver-se em questões políticas do país. A partir do começo da década de 1880, Amanda juntou-se à campanha abolicionista, contribuindo com sua influência e donativos em favor da libertação de pessoas escravizadas. Era amiga de André Rebouças, Machado de Assis e de outros intelectuais da época, também afeitos à causa da Abolição. Empreendeu marcante esforço pela alfabetização de crianças pobres e órfãs, chamadas à época de "desvalidas", o que lhe rendeu a alcunha de "Mãe dos Analfabetos", pelo jornalista Valentim Magalhães.
Em 15 de outubro de 1886, Amanda foi nomeada "dama de palácio, com exercício junto à Princesa Imperial". Naquela mesma ocasião, Maria José Velho de Avellar Tosta, esposa de Manuel Vieira Tosta Filho, futuros barões de Muritiba, outra amiga íntima da herdeira do trono e de Amandinha, também foi nomeada dama de palácio.
Por seu forte desempenho contra a escravidão e seu apoio à princesa Isabel, em sua Terceira Regência (1887-1888), foi chamada por ela de "minha ministrinha" e agraciada, com o marido, com o baronato. Por despacho de 15 de junho de 1888, tornaram-se barões de Loreto, com honras de grandeza, em referência ao lugar de nascimento do seu marido, Franklin, na Ilha dos Frades, província da Bahia.
Por ocasião do golpe militar republicano de 15 de novembro de 1889, dois dias depois, Amandinha e Franklin seguiram para o exílio, voluntariamente, com a família imperial, de onde só retornariam ao Rio de Janeiro, em agosto de 1890.Dos surtos do príncipe à morte da imperatriz: o exílio da família imperial brasileira Desde então, a baronesa de Loreto tornou-se informante requisitada dos ex-soberanos no Brasil, passando a conceder entrevistas e colecionar objetos dos tempos da Monarquia. Amanda faleceu aos 82 anos de idade, no Rio de Janeiro, onde foi sepultada no Cemitério São João Batista.
CRUZ, Itan. Jogo de damas - Amanda Paranaguá: memória, baianismo, poder na corte do Brasil e além, 1849-1931. Feira de Santana: EdUEFS; Salvador: Edufba, 2022.
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