As línguas indígenas do Brasil são os idiomas falados pelos povos indígenas do Brasil. Assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens, tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias linguísticas, e estas, por sua vez, fazem parte de grupos ainda maiores, os troncos linguísticos. Entre as línguas indígenas do Brasil, os troncos linguísticos com maior número de línguas são o tupi e o macro-jê. Existem também povos que falam o português; no entanto, estes casos são considerados como perdas linguísticas ou identidades emergentes.

Há famílias, entretanto, que puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. Além disso, outras línguas não puderam ser classificadas dentro de nenhuma família, permanecendo na categoria de não classificadas ou línguas isoladas. Ainda, existem as línguas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados pelos cricatis, rancocamecrãs, apaniecras, apinajés, craós, gaviões do oeste e pucobié-gaviões, que são todos dialetos da língua timbira. Segundo o IBGE, há 295 línguas indígenas. Há também uma língua de sinais indígena, a língua de sinais kaapor.Língua de Sinais Ka'apor BrasileiraO fim do isolamento dos índios surdosLínguas de sinais de comunidades isoladas encontradas no Brasil

Há, no Brasil, estações de rádio em línguas indígenas.Amazônia Brasil Rádio WebWeb Rádio Brasil IndígenaWeb Rádio Brasil Indígena , Informações gerais]Programas de rádio indígena na internetPrograma de Índio

As línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaçadas de extinção no mundo, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e pelo Living Tongues Institute for Endangered Languages. Elas estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, nos Andes e na região do Chaco, revelaram os pesquisadores.En peligro lenguas nativas de América, Noticieros Televisa, acessado em 5 de outubro de 2011 Por exemplo: menos de 20 pessoas falam ofaié, e menos de 50 conseguem se expressar em guató: ambas as línguas são faladas em Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai e à Bolívia. A área é considerada de "alto risco" para línguas em risco de extinção, alertaram os pesquisadores. Em outra área de risco ainda maior – grau "severo" –, apenas 80 pessoas conhecem o uaioró, língua indígena falada nas proximidades do rio Guaporé, em Rondônia.

Os cientistas descreveram esta parte do globo como "uma das mais críticas" para as línguas nativas: é extremamente diversa, pouco documentada e oferece ameaças imediatas aos idiomas indígenas. Entre estas ameaças, estão as línguas regionais mais fortes, como: o português na Amazônia brasileira; o espanhol falado na Bolívia; e o quíchua e o aimará nos Andes bolivianos.

Em maio de 2019, o deputado federal Dagoberto Nogueira apresentou um projeto de lei para instituir a cooficialização da segunda língua, de origem indígena, em todos os municípios brasileiros que possuem comunidades indígenas.Projeto de lei oficializa segunda língua em municípios com comunidade indígenaPL vai instituir língua indígena em todos os municípios brasileiros que possuem comunidades indígenasPL 3074/2019 - Projeto de Lei - Dagoberto Nogueira - PDT/MSProjeto de Lei 3074 de Dagoberto Nogueira, na íntegra O projeto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados em 10 de dezembro de 2019,Comissão aprova projeto que torna idioma indígena língua cooficial em municípios com aldeias, Câmara dos DeputadosComissão aprova projeto que torna idioma indígena língua cooficial em municípios com aldeias, Dourados AgoraComissão aprova projeto que torna idioma indígena língua cooficial em municípios com aldeias, CEDEFES e foi aprovado pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados em 8 de junho de 2021.Comissão aprova projeto que prevê línguas indígenas como cooficiais, Agência Câmara de NotíciasComissão aprova projeto que prevê línguas indígenas como cooficiais, Dourados Agora

Em julho de 2023 a Constituição brasileira de 1988 foi traduzida pela primeira vez para uma língua indígena, a língua nheengatu.Funai participa do lançamento histórico da Constituição Federal na língua indígena Nheengatu, FUNAIConstituição brasileira é traduzida pela 1ª vez para língua indígena, Agência BrasilConstituição ganha primeira tradução para uma língua indígena, Jornal Nacional Ela também está sendo traduzida para as línguas Tikuna, Kaiowá e Kaingang.Constituição será traduzida para línguas indígenas mais faladas, Radio Agência

Classificações Primeiras classificações: tupis e tapuias De acordo com Melatti (2007), as primeiras classificações das línguas índigenas, feitas por colonizadores e missionários, dividiam-nas simplesmente entre línguas tupis e tapuias.MELATTI, Júlio Cezar. Índios do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2007, pp. 57 .

Classificação de Martius (1867) De acordo com Magalhães (1935), o naturalista alemão Martius (1867) dividiu as línguas indígenas brasileiras em 8 grupos (na grafia original):MAGALHÃES, Couto de. O Selvagem. Bibliotheca Pedagógica Brasileira. Serie V. Coleção Brasiliana, vol. LII. 3a. ed. completa com o curso de língua geral tupi. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935. Disponível em: <http://www.brasiliana.com.br/obras/o-selvagem/pagina/3/texto>. Tupis e Guaranis Gês, ou Crans Guck, ou Coco Crens, ou Guerengs Parexis, ou Poragis Goyatacâz Aruac, ou Aroaquis Lengoás, ou Guaycurûs

Classificação de Ehrenreich (1892) Classificação de Paul Ehrenreich (1892), na grafia da época:Ehrenreich, Paul. Divisão e distribuição das tribus do Brasil segundo o estado actual dos nossos conhecimentos. Revista da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, Tomo VIII, 1º. Boletim, p. 3-55, Rio de Janeiro: Typ. de G. Leuzinger & Filhos. Traduzido do original alemão por João Capistrano de Abreu, 1892, .Ehrenreich, Paul. Die Einteilung und Verbreitung der Völkerstämme Brasiliens nach dem gegenwärtigen Stand unsrer Kenntnisse. Petermanns Mitteilungen 37. Band, p. 81-89, 114-124, . Mapa: . Tupis Gés Goitacá (Waitaka) Carahybas Nu-Aruak (Maipure) Pano Miranha Guaycurú (Waikurú) Tribos não classificadas (Bororós, Carajás, etc.)

Classificação do ISA (1997) Do ponto de vista linguístico, as línguas indígenas do Brasil pertencem a muitas famílias de línguas diferentes. A filiação étnica de alguns grupos humanos extintos é questionável.

Classificação baseada no site do Instituto Socioambiental (ISA, 1997, com atualizações), por sua vez baseada na classificação de Aryon Dall'Igna Rodrigues (1986):Instituto Socioambiental. Povos Indígenas no Brasil - Línguas, .RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. 4 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002, . [1a ed., 1986.]