Os custos de transporte são todas as despesas realizadas na movimentação de determinado produto desde a origem até ao destino final. Estes custos são considerados uns dos maiores custos logísticos tendo grande relevância no preço final do produto. No transporte de materiais muito densos e com baixo valor por peso, por exemplo areias carvão, os custos de transporte são reduzidos , ao contrário dos produtos de alto valor por peso, por exemplo uma peça de joalharia em que os custos de transporte podem ser mais elevados. Vários fatores influenciam os custos de transporte, podendo estar relacionados com o produto, por exemplo a densidade do produto e a facilidade do seu manuseamento; ou estar relacionados com o mercado, como por exemplo a localização do mercado de destino do produto (Arantes, 2005).
Estão entre os principais custos de transporte os preços dos combustíveis as taxas de aeroporto,as taxas portuárias as portagens, e ainda todas as despesas relacionadas com o veículo onde se efetua o transporte, seja o seguro a manutenção os impostos entre outros (Victoria, 2009).
Fatores associados aos custos de transporte Os fatores que podem influenciar os custos de transporte podem ser classificados em dois grupos: fatores associados ao produto e fatores associados a determinadas características do mercado (Arantes, 2005).
Fatores relacionados com o produto Densidade do produto, ou seja a relação entre o peso e o volume do produto. normalmente quanto menos densos mais dispendioso é o seu transporte; Embalagem e armazenagem para transporte; Facilidade de manuseamento, isto é, se o produto for homogéneo ou as suas formas permitam usar os equipamentos mais simples, é mais barato o seu manuseamento; Responsabilidade legal.
Fatores relacionados com o mercado Grau de competição no mesmo meio ou meios alternativos de transporte; Localização dos mercados, o que determina a distância que as mercadorias têm de percorrer; Natureza e extensão da regulamentação governamental das transportadoras; Equilíbrio do tráfego de mercadorias para dentro e para fora do mercado; Movimentações só em determinadas épocas do ano; Movimentações do produto no mercado interno ou externo
Elementos dos custos de transporte na distribuição São vários os elementos que constituem os custos de transporte na distribuição, sendo que os elementos que estão relacionados com o motorista representam cerca de 50% do total dos custos de transporte, daí que a redução de frota (Figura 1) seja, hoje em dia, uma medida eficaz na redução de custos de transporte. Outros elementos que também entram nas «contas» dos custos de transporte na distribuição são, o combustível, a manutenção e a depreciação, entre outros (Walker, 1990, p. 48).
O preço do petróleo e os custos de transporte thumb|150px|left|Figura 2. Plataforma marítima de extração do petróleo. A variação dos preços do petróleo nos mercados internacionais influencia de forma decisiva os custos de transporte, pois em praticamente todos os meios de transporte , o combustível gasto nesse transporte tem um preço diretamente ligado ao preço do barril de crude (Figura 2).
No mês de Junho de 2008 o barril de crude alcançou um máximo histórico fixando-se nos 138,12 US dólares em Londres e nos Estados Unidos da América onde o barril de petróleo chegou aos 138,52 dólares, sendo a razão apontada para esta subida durante o mês de junho de 2008, a tensão que se vivia no médio oriente, principalmente entre o Irã e Israel (Vieira, 2008).
Estes preços que se verificaram durante grande parte do ano de 2008 levaram a uma grande crise em todas as empresas relacionadas com logística e transportes, em Portugal muitas delas paralisaram as suas frotas, chegando mesmo a esgotar-se os combustíveis em muitos postos de abastecimento, e também algumas mercadorias a nível de supermercados e grandes superfícies (RTP, 2008).
O preço do petróleo, e por consequência o preço dos combustíveis, é muito variável e condicionado por vários fatores externos a nível mundial sobretudo nos países pertencentes à OPEP. Logo o custo de transporte de uma determinada mercadoria pode variar bastante conforme os preços de combustível praticados.
Pode-se ver na tabela 1 a variação dos preço do gasóleo rodoviário em 2008 e 2009, ou seja, o combustível mais vulgarmente utilizado pelas empresas (Maisgasolina, 2009).
Dando um exemplo de um transporte de 2000 km em que o caminhão tenha um consumo de 30 litros por cada 100 km o transportador gastou mais 282 Eur em combustível em Junho de 2008 do que gastou em Maio de 2009 para o mesmo transporte.
Tabela 1. Os preços do gasóleo em 2008 e 2009
Mês Janeiro de 2008 Março de 2008 Junho de 2008 Setembro de 2008 Dezembro de 2008 Janeiro 2009 Março de 2009 Preço do gásoleo 1.205 Eur/litro 1.205 Eur/litro 1.405 Eur/litro 1.308 Eur/litro 1.070 Eur/litro 0.939 Eur/litro 0.923 Eur/litro
Portagens miniaturadaimagem|200x200px| Figura 3. Uma praça de portagem na Autoestrada A2 próximo da cidade de Hordain, França
Uma portagem é o valor que tem de ser pago por utilizar uma Autoestrada, uma ponte ou mesmo para entrar numa cidade,sendo este pagamento efectuado ao passar em uma praça de portagem como a representada na figura 3, logo as portagens são um elemento importante nos custos de transporte.
Em Portugal existem diferentes tipos de classes de veículos nas portagens, ou seja o valor de portagem a pagar depende do tipo de veículo em que se está a circular como se pode consultar na tabela 2. A divisão dos veículos pelas diferentes classes baseiam-se em 2 critérios: Altura do veículo medida à vertical do primeiro eixo e o número total de eixos do veículo.
A divisão de veículos para efeitos de pagamentos de portagem está legislada na Base XIV do Decreto de lei 294/97 de 24 de Outubro (Brisa, 2009).
Tabela 2. Diferentes classes de veículos para efeitos de pagamento de portagens.
Classe Características 1 Motociclos e veículos com uma altura, medida à vertical do primeiro eixo, inferior a 1,1 m, com ou sem reboque. 2 Veículos com dois eixos e uma altura, medida à vertical do primeiro eixo, igual ou superior a 1,1m. 3 Veículos com três eixos e uma altura, medida à vertical do primeiro eixo, igual ou superior a 1,1m. 4 Veículos com mais de três eixos e uma altura, medida à vertical do primeiro eixo, igual ou superior a 1,1m.
A grande maioria das portagens em vigor em Portugal são cobradas nas Autoestradas sendo a Brisa a maior concessionária a operar neste País. Pode-se ver na tabela 3 as autoestradas sujeitas a pagamento de portagem em Portugal.
Tabela 3. As auto estradas portajadas em Portugal:
Código Designação Concessionária A1 Autoestrada do Norte Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A2 Autoestrada do Sul Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A3 Autoestrada do Minho Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A4 Autoestrada de Trás-os-montes e Alto Douro Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A5 Autoestrada da Costa do Estoril Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A6 Autoestrada do Alentejo Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A7 Autoestrada do Gerês AENOR - Auto estradas do norte A8 Autoestrada do Oeste Autoestradas do Atlântico A9 CREL - Circular Regional Exterior de Lisboa Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A10 Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A11 AENOR - Auto estradas do norte A12 Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A13 Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A14 Autoestrada do Baixo Mondego Brisa - Autostradas de Portugal S.A. A15 Autoestradas do Atlântico A16 LUSOLISBOA - Autoestradas da Grande Lisboa A17 Brisal- Autoestradas do Litoral S.A. A32 AEDL - Autoestradas do Douro Litoral S.A. A41 AEDL - Autoestradas do Douro Litoral S.A. A43 AEDL - Autoestradas do Douro Litoral S.A.
Nem só as autoestradas estão sujeitas a pagamento de portagem, em Lisboa, as duas pontes sobre o rio Tejo, ponte 25 de Abril e ponte Vasco da Gama estão também sujeitas ao pagamento destas tarifas, estando a sua concessão a cargo da empresa Lusoponte - concessionária para a travessia do Tejo S.A.(APAC, [2009?]).
thumb|120px| Figura 4. Porto de Havre (Seine-Maritime, França).
Taxas portuárias Taxas portuárias é um valor cobrado pela utilização de uma instalação portuária (Figura 4) a qualquer tipo de embarcação. A taxa de uso portuário (TUP) divide-se em duas componentes, a que recai sobre o navio (TUP navio) e a que recai sobre a carga (TUP carga). O valor destas taxas variam de porto para porto (Transportes, 2009).
Taxas de aeroporto thumb|right|150px|Figura 5. Entrada principal do Aeroporto Internacional de Lisboa.
As taxas de aeroporto representam um custo de transporte inerente a qualquer deslocação por via aérea (figura 5) seja de pessoas ou carga. As taxas de aeroporto estão divididas em diferentes componentes: taxa de aterragem/descolagem, taxa de estacionamento, taxa de abrigo, taxa de serviço a passageiros e ainda taxa de abertura do aeródromo (Portaria n.º 416-A/2006).
thumb|right|140px|Figura 6. Comboio de alta velocidade TGV.
Custos do transporte ferroviário
A grande vantagem, em questão de custos de transporte, do ferroviário para o rodoviário prende-se com o preço dos combustíveis, visto os comboios (figura 6), na sua grande maioria serem movidos a eletricidade e não a gasóleo. Mas apesar desta vantagem o transporte ferroviário perde competitividade pois apresenta em outros aspetos custos bem mais elevados, por exemplo em transportes de curta distância torna-se mais dispendioso que o transporte rodoviário (Cerqueira, 2008).
Custos de transporte individuais
A grande maioria da população tem necessidade de se deslocar, seja para o trabalho, férias ou qualquer outra atividade que queira desempenhar. Estas deslocações têm um custo associado seja qual for o meio de transporte.
O automóvel (Figura 7) privado é o principal meio de transporte individual utilizado pelas pessoas em todo o mundo. Em Portugal cerca de 14% do total de despesas de uma família é com a utilização de veículo automóvel sendo também 14% a percentagem gasta na aquisição desse mesmo veículo, estes números deixam bastante claro a influência que o automóvel privado tem na vida da população, tendo assim um grande peso a nível de custos de transporte individuais (Vieira, 2008).
Custos de transporte coletivos right|thumb|150px|Figura 8. Autocarro de transporte público.
A utilização de transportes coletivos ou públicos (Figura 8) apresenta custos tanto para os utentes que os usam nas suas deslocações, como também para a empresa que disponibiliza esses mesmos transportes, sejam elas públicas ou privadas.
Os custos de transporte suportados pelos utilizadores serão os títulos de transporte, cujos preços podem variar conforme o título. Quanto à empresa que disponibiliza o serviço os custos de transporte por ela suportados são o combustível, a manutenção dos veículos como todas as outras despesas associadas aos mesmos como por exemplo seguro e impostos e ainda todas as despesas com os trabalhadores.
Alguns tipos de títulos de transporte disponíveis em Portugal
Cartão Lisboa Viva Cartão Sete Colinas Passes combinados Passes intermodais Títulos próprios da carris (tarifas de bordo) Viva Viagem
Todos os títulos acima apresentados permitem viajar tanto nos transportes da empresa Carris como também no metropolitano e em outros transportes públicos da área da grande Lisboa, (exceto as tarifas de bordo). Outra característica destes títulos de transporte é serem reutilizáveis, contribuindo assim para uma melhoria do meio ambiente gerando menos poluição (Carris, 2009).
Influência dos custos de transporte no turismo Os custos de transporte cada vez mais revelam ter um peso fundamental no turismo, de modo geral na escolha do destino de férias, o custo da viagem seja ela via aérea, marítima ou terrestre, tem uma grande importância na decisão final do viajante.