Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Curitiba, 29 de outubro de 1947) é um general de exército da reserva do Exército Brasileiro. Foi ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro, de 2019 a 2023.
Filho de Ary de Oliveira Pereira (promovido, em 1972, a coronel pelo então presidente, o general Emílio Garrastazu Médici) e Edina Ribeiro Pereira, é casado com Sonia Pereira. Foi comandante militar da Amazônia e Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Tem posições claramente críticas com relação às políticas oficiais, particularmente no que se refere à atitude da comunidade internacional com relação ao Haiti e à política indigenista do governo brasileiro. Durante a Ditadura Militar, era capitão do EB e pertencia à "linha dura" do regime, que era contra a democratização.
Em 21 de novembro de 2024, foi indiciado formalmente como suspeito de participação em um plano de golpe de Estado. Em 11 de setembro de 2025, foi condenado a 21 anos de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado. Foi a primeira vez na história do Brasil em que se condenaram generais, incluindo Augusto Heleno, por golpe de Estado.
Carreira militar
Ditadura Militar Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro entre 1959 e 1965. Em 1977, foi nomeado ajudante de ordens de Sylvio Frota, sendo adepto do "frotismo", da "linha dura" do Exército e apoiando a incitação do alto comando deste contra o Gal. Ernesto Geisel, que liderava o processo de democratização e abertura econômica do Brasil. Em 1984, foi Conselheiro Fiscal da chapa do general de três estrelas Tasso Villar de Aquino para a presidência do Clube Militar. A chapa era governista e disputava a presidência contra a chapa Soberania Nacional, feita por militares contestadores e indisciplinados. A chapa teve o apoio do Ministro do Exército Walter Pires de Carvalho e Albuquerque e do presidente João Figueiredo e ganhou.
Heleno era instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), e ainda fez cursos de educação física, paraquedismo militar, mestre de salto e operações na selva. Ainda no final dos anos 1970, Heleno e Jair Bolsonaro se conheceram na AMAN.
Em 1978, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), na turma de cavalaria. Em 1981, foi nomeado assessor de educação física na Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai. Ele também atuou como oficial de Relações Públicas. Entre 1985 e 1986, estudou na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), onde recebeu a medalha Marechal Hermes de prata dourada com três coras por se formar em primeiro em sua turma.
Redemocratização Foi chefe da seção de planejamento e ligação com a V Força Aérea na Brigada de Infantaria Paraquedista. Em 1989, foi assistente no gabinete do ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. Nesta época, também mantinha contato com a Centro de Comunicação Social do Exército (CComSEx) e escrevia artigos para o Noticiário do Exército e a Revista Verde-Oliva. Em 1990, trabalhou no Gabinete Militar da presidência da república, durante o governo de Fernando Collor de Mello. Como coronel, comandou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, no período de 29 de janeiro de 1994 a 13 de abril de 1996. Em seguida, foi adido militar da Embaixada do Brasil em Paris, acreditado também em Bruxelas. Como oficial-general, foi comandante da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Centro de Capacitação Física do Exército, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército e do Gabinete do Comandante do Exército. Também comandou o Centro de Capacitação Física do Exército e, entre 2002 e 2004, o CComSEx.
Admitido à Ordem do Mérito Militar como Cavaleiro ordinário, foi promovido a Oficial em 1992, a Comendador em 1999, a Grande-Oficial em 2003 e a Grã-Cruz em 2007.
MINUSTAH esquerda|miniaturadaimagem|O general Augusto Heleno Ribeiro, ex-comandante da Força Militar da Missão das Nações Unidas (ONU) para estabilização no Haiti e ex-comandante militar da Amazônia em 2007. De junho de 2004 a setembro de 2005, foi o primeiro comandante militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH). De acordo com Heleno, ele estava por acaso na sala do comandante do Exército Francisco Roberto de Albuquerque quando o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, James Hill, ligou informando sobre a indicação do Brasil para comandar a missão, e ele se voluntariou na hora. A MINUSTAH constituída de um efetivo de capacetes azuis de treze países, dos quais sete latino-americanos. Da mesma forma que o embaixador chileno Juan Gabriel Valdés, representante especial do secretário-geral da ONU e chefe da missão, e dos governos de países latinos, o general Heleno expressou sua discordância quanto à estratégia adotada pela comunidade internacional em relação ao Haiti. Ele era visto pelos haitianos como uma voz moderada no início da MINUSTAH.
Em 6 de julho de 2005, liderou a Operação Punho de Ferro, com o objetivo de matar Emmanuel "Dread" Wilmer. Ao fim da operação, foi dito que apenas 6 pessoas morreram, mas estima-se que tenham morrido ao menos 70 pessoas, incluindo mulheres e crianças. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou Augusto Heleno do comando da MINUSTAH por pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Foi sucedido pelo general Urano Teixeira da Mata Bacelar, que acabaria por suicidar-se em Porto Príncipe, quatro meses depois, em janeiro de 2006. Ainda em 2006, deu uma palestra na polêmica Escola das Américas. Heleno admitiu que deu ordens para atirar nas pessoas que vinham buscar os corpos, durante a MINUSTAH. Quando questionado pela fala, Heleno afirmou que os soldados apenas reagiam aos tiros disparados pelas pessoas que vinham buscar os corpos.
Primeiro governo Lula
No período de 14 de setembro de 2007 a 6 de abril de 2009, exerceu a função de Comandante Militar da Amazônia.
Como comandante militar da Amazônia, o general Heleno contestou a política indigenista do governo Lula, que qualificou de "lamentável para não dizer caótica", durante palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, à época da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Afirmou que os índios "gravitam no entorno dos nossos pelotões porque estão completamente abandonados". Um pouco antes da afirmação, a Polícia Federal (PF) preparou uma operação para retirar os não-indígenas da terra, a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, Mário Madureira, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, o Clube Militar, o Clube da Aeronáutica, políticos como José de Anchieta Júnior, governador de Roraima, Rodrigo Maia, presidente do Democratas e o deputado federal Paulo Renato Souza, e jornalistas como Arnaldo Jabor, colunista da TV Globo, e Reinaldo Azevedo, colunista da Revista Veja, defenderam a declaração de Heleno. Após a fala, Lula se reuniu com o Ministro da Defesa Nelson Jobim e o comandante do Exército Enzo Martins Peri e cobrou explicações. Heleno, então, foi retirado como a primeira opção do governo em uma eventual promoção para comandante do Exército.
Sua última função no serviço ativo foi a de chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DTC). Em 9 de maio de 2011, numa cerimônia no Quartel General do Exército em Brasília, passou para a reserva, após 45 anos de vida militar. Nessa mesma ocasião, defendeu a ditadura militar de 1964.
Vida após a transferência para a reserva Atuou como consultor de segurança e assuntos militares do Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde também colaborava com comentários na programação das emissoras.
Em agosto de 2011, exerceu o cargo de diretor de comunicação e educação corporativa do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Durante sua gestão, apoiou a participação de militares em esportes de alto rendimento. Demitiu-se após a prisão preventiva do diretor do órgão, Carlos Arthur Nuzman durante a Operação Unfair Play. Heleno afirmou que o motivo seria que voltaria a morar em Brasília. Em 2019, foi questionado pelo seu salário de aproximadamente R$ 55 mil, Heleno afirmou que recebeu seu salário pelo bom trabalho que realizou na COB, e tinha vergonha dos R$ 19 mil que recebia do Exército.
Governo Bolsonaro
miniaturadaimagem|Durante o governo Bolsonaro, Heleno foi Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Heleno foi um grande apoiador de Bolsonaro durante a eleição presidencial de 2018. Ele precisou depor para o STF em um inquérito sobre a intervenção de Bolsonaro na PF.
Em 18 de julho de 2018, circulou a notícia que seria indicado como candidato à vice-presidência da República, na chapa de Jair Bolsonaro. O general negou a candidatura, por não ser de interesse de seu partido, mas continuou a apoiar a candidatura do deputado à presidência da República, atuando como assessor de campanha de Bolsonaro. Foi chamado para ser seu ministro da Defesa, no entanto, dez dias depois confirmou que Bolsonaro o havia escolhido para o comando do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Ele também atuou como secretário-executivo do Conselho de Defesa Nacional. Quando iniciou sua gestão, afirmou que Dilma Rousseff havia "derretido" o GSI, e seu foco seria resgatar o serviço de inteligência.
Durante o governo, foi o que mais recebeu aumento salarial após portaria assinada pelo presidente. Seu salário era de R$ 866 mil, R$ 342 mil acima do teto constitucional. Seu nome também constava como marechal no Portal da Transparência, junto com Edson Leal Pujol, Joaquim Silva e Luna, Sérgio Etchegoyen e o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. O fato foi publicado na imprensa com o nome "Farra dos Marechais". A patente, porém, é reservada apenas para generais que participaram de guerras. Ao todo, Heleno recebeu um salário de R$ 30.615,80. O Exército respondeu que o posto era correspondente ao valor do salário, e não a patente real do militar. O nome de Heleno foi incluído pois antes da assinatura da MP n° 2215-10/2001, os militares que iam para a reserva tinham o direito de receber o salário de uma patente acima da sua.
Embora negue ser eminência parda de Bolsonaro, é conselheiro político deste. Também rejeita ser um Golbery do Couto e Silva, general muito influente durante a ditadura militar.
Em 26 de junho de 2019, após a prisão do sargento Manoel Silva Rodrigues na Espanha, que foi flagrado levando 39 kg de cocaína em avião da FAB em encontro do G20 no Japão, declarou que não havia como detectar a droga antes da viagem e que esta não era a função do GSI. Para a imprensa japonesa, declarou que foi falta de sorte que o general foi pego depois da partida da missão.
Ainda em 2019, de acordo com o Tribunal de Contas da União, a parte comitiva de viagem de Jair Bolsonaro no Catar foram presenteados com relógios de luxo Hublot e Cartier, que valiam até R$ 53 mil. Heleno recebeu um rolex, mas afirmou durante a CPMI do Golpe que o devolveu. Também afirmou que os presentes haviam sido aprovados pelo Comitê de Ética da Presidência.