Página sobre a história de Corumbá. A etimologia do topônimo Corumbá tem duas origens: A primeira versão origina-se provavelmente no tupi kuru'mba, que significa "banco de cascalho" (Antenor Nascentes de fato confirma que o termo tupi ku'ru tem a acepção de "seixo" e argumento que não se encontra a explicação para o sufixo "'mba"). A segunda eversão (segundo o historiador Valmir Batista Corrêa) diz que o termo Corumbá teria se originado do termo "kurupá" (aroeira, em tupi-guarani) por conta da excessiva presença dessa variedade nativa da flora pantaneira. Chamada inicialmente como Vila de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, o povoado se ergueu um pouco mais para o sul e por alguns anos foi um simples destacamento militar e transformou-se lentamente em povoado e logo depois emancipou-se de Cuiabá, se transformando em um importante entreposto comercial do estado de Mato Grosso e culminando na sua decadência anos depois.
Suas denominações ao longo dos tempos foram: Vila Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, Albuquerque Novo, Santa Cruz de Corumbá e por fim apenas Corumbá.
Crescimento populacional De 1910, quando houve o primeiro censo populacional de Corumbá, até 2010, o último censo, a população pulou de 14.542 para 103.772 habitantes, um aumento de quase 1.000%. Abaixo a evolução populacional de Corumbá em 100 anos: População censitária (1910-2010) 1910 14.542 1920/1930 19.547 1940 29.521 1950 38.734 1960 59.556 1970 81.887 1980 81.129 1991 88.411 2000 95.701 2010 103.772
Pré-fundação Povos pré-colombianos, pré-indígenas e período Pleistoceno Arqueologicamente, a datação mais antiga da presença do homem no Pantanal remonta há 8200 anos, obtida na área urbana de Ladário (MS), cidade que se localiza dentro do município de Corumbá, por arqueólogos da Universidade Vale dos Sinos (Unisinos) em convênio com a UFMS, sob a coordenação do professor dr. Pedro Ignácio Schmitz, que descobriu no sítio arqueológico, entre outros vestígios, sepultamentos de um grupo de caçadores/coletores/pescadores pré-indígenas. O professor Gilson Rodolfo Martins acredita na probabilidade da existência de sítios mais antigos no Pantanal, os quais podem ter mais de 10.000 anos, inseridos no período Pleistoceno ("Era do Gelo"). Pinturas rupestres de povos pré-históricos em morrarias, bem como ossadas e vestígios de animais dessa época, como o tigre-dente-de-sabre e da preguiça gigante em grutas, já foram encontrados na bacia pantaneira.Todavia, somente futuras pesquisas poderão confirmar, ou não, essas hipóteses.
Dos registros arqueológicos e conhecimentos que se tem sobre o Pantanal, sabe-se que foi povoado por grupos indígenas das línguas Arawak, Guaicuru, Jê, Macro-Jê, Tupi Guarani e Zamuco. Sítios arqueológicos registram a presença dos povos indígenas que ocupavam a região antes da colonização. A diversidade de sítios, tanto de habitação, quanto de cemitérios, revela culturas amazônicas, da platina e do chaco.
Busca de metais preciosos por aventureiros europeus
Atraído pela existência de pedras e metais preciosos (que eram usados por indígenas, que já povoavam a região, como adornos), entre eles o ouro, o português Aleixo Garcia, em 1524, acabou sendo o primeiro a visitar o território, que alcançou o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje está a cidade de Corumbá. Nos anos de 1537 e 1538, o espanhol Juan Ayolas e seu acompanhante Domingos Martínez de Irala seguiram pelo rio Paraguai e denominaram Puerto de los Reyes à lagoa Gayva. Por volta de 1542-1543, Álvaro Nunes Cabeza de Vaca (espanhol e aventureiro) também passou por aqui para seguir para o Peru. Em 1547, novamente Irala, agora em demanda dos Andes, estiveram nas terras locais. Também passou por aqui o então governador de Assunção (atual capital do Paraguai), Domingos Martínez de Irala, que em marcha foi até a Cordilheira dos Andes.
Fundação e emancipação Disputas entre portugueses e espanhóis
Até fins do as fronteiras das possessões portuguesas e espanholas eram mal definidas. Em 1774, os espanhóis violam o tratado de limites e fundam Villa Real, na foz do rio Ipané. Aproveitando-se disso e com o intuito de garantir a posse de grande parte da margem direita do rio Paraguai e da esquerda do rio Guaporé, expandindo o território da Capitania, o capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres fundou a povoação de Viseu, na margem esquerda do Guaporé, que teve de abandonar por exigência dos espanhóis; fundou a povoação de Albuquerque (1778); ergueu o Forte de Coimbra nas margens do Rio Paraguai; iniciou a construção e efetivamente inaugurou o Forte Príncipe da Beira (1775), nas margens do Rio Guaporé; fundou as povoações de São Pedro del Rey (1781), Vila Maria do Paraguai (1778) e Casalvasco (1783), e os registros do Jauru e da Ínsua.
Fundação da Povoação de Corumbá
Em 2 de setembro de 1778, a mando do governador da Capitania de Mato Grosso (o Capitão-General Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres), o sargento-mor Marcelino Rois Camponês, que comandava uma expedição militar, adquiriu a posse da região para a Coroa Portuguesa, fundando o local e batizando-o com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, sendo então lavrado o termo de fundação. Em 1800 o arraial foi totalmente destruído por um incêndio, tão violento que foi, ficando apenas a capelinha aí existente que era de telha, pois a única desse tipo que havia. Até essa catástrofe, o seu crescimento deixou a desejar, por um longo período não passava de um Posto Militar.
Fundação da Freguesia de Albuquerque
Albuquerque foi fundada na foz do rio Mondego (Miranda), à cerca de 20 (vinte) léguas abaixo da povoação de Albuquerque (Corumbá), no final do século XVIII, como parte das estratégias de ocupação e defesa de Portugal na parte Sul da capitania de Mato Grosso, momento em que as Coroas Ibéricas passavam pelo processo de disputa/negociação pelas suas áreas de influência na América. Para diferenciar as "Albuquerques", A primeira Albuquerque (fundada em 1778), passou a denominar-se Albuquerque Velho ou Povoação de Albuquerque e posteriormente Corumbá. Já a Albuquerque (fundada em 1781) na foz do rio Miranda, era chamada de Albuquerque Novo e posteriormente Freguesia de Albuquerque.
Devido ao incêndio ocorrido em 1800 em Albuquerque Velho esta ficou em ruínas e, com isso , parte de sua população acabou por se instalar em Albuquerque Novo. O crescimento de Albuquerque Novo, foi tamanho que, pela Lei nº 11, de 26 de agosto de 1835, a mesma (juntamente com Miranda, Santo Antonio do Leverger e Nossa Senhora do Livramento), foram elevadas à categoria de Freguesia, subordinadas ao município de Cuiabá. LEI PROVINCIAL Nº 11, DE 26 DE AGOSTO DE 1835
Antonio Pedro d’ Alencastro, Presidente da Provincia de Mato Grosso.
Faço saber á todos os seus Habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial Decretou, e eu Sanccionei a Lei seguinte:
Art. 1º Ficão desmembradas da Freguezia do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, e por isso erectas em Parochias as Capellas Filiaes de Santo Antonio do Rio Cuiabá abaixo, e de Nossa Senhora do Livramento.
Art. 2º Ficão igualmente erectas em Parochias as Capellas de Nossa Senhora da Conceição, e de Nossa Senhora do Carmo, aquella colocada em Albuquerque no baixo Paraguay, e esta no Presidio de Miranda.
Art. 3º Ao Presidente da Provincia compete por hora marcar as limites d’estas novas Parochias, precedendo para isso informação da Authoridade Ecclesiastica.
Art. 4º Aos Parochos de Santo Antonio do Rio Cuiabá abaixo, e de Nossa Senhora do Livramento fica competindo a Congrua de dusentos e quarenta mil reis, e aos de Nossa Senhora da Conceição, e de Nossa Senhora do Carmo a de tresentos mil reis, e ambos alem do mais que vencem.
Art. 5º Ficão derogadas todas as Leis em contrario.
Mando por tanto a todas as Authoridades, a quem o conhecimento, e execução da referida Lei pertencer, que a cumprão, e fação cumprir tão inteiramente, como nella se contém. O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar, e correr.
Palacio do Governo da Provincia de Mato Grosso na Cidade do Cuiabá aos vinte e seis d’Agosto de mil oitocentos e trinta e cinco, Decimo quarto da Independencia, e do Imperio.
Antº Pedro d’AlencastroPela Resolução nº 9, de 30 de Junho de 1847, as freguesias de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, Nossa Senhora do Carmo de Miranda e Sant'Ana do Paranaíba foram desligadas de Cuiabá e anexadas ao município de Poconé: RESOLUÇÃO Nº 9, DE 30 DE JUNHO DE 1847
O Doutor João Crispiniano Soares, Presidente da Provincia de Mato Grosso:
Faço saber a todos os seus Habitantes, que a Assemblea Legislativa Provincial Decretou, e eu Sanccionei a Resolução seguinte.
Art. 1º Os Districtos, que comprehendem as Freguezias de Nossa Senhora da Misericordia de Albuquerque, Miranda, e Sant’Anna do Paranahiba, ficão incorporados ao Termo da Villa de Poconé.
Art. 2º Ficão revogadas todas as Leis, e mais disposições em contrario.
Mando por tanto a todas as Auctoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Resolução pertencer, que a cumprão, e fação cumprir tão inteiramente, como nella se contém. O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar, e correr. Palacio do Governo de Mato Grosso aos trinta de Junho de mil oitocentos e quarenta e sete, vigesimo sexto da Independencia, e do Imperio.
D.or João Crispiniano SoaresDevido à protestos da população local, as mesmas freguesias foram reanexadas à Cuiabá em 1850.LEI Nº 02, DE 31 DE MAIO DE 1850
João José da Costa Pimentel, Commendador das Ordens de S. Bento d’Aviz e da Imperial da Rosa, Cavalleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro, Coronel do Estado Maior de 1ª Classe do Exercito, Presidente e Commandante das Armas da Provincia de Matto Grosso: Faço saber a todos os seus Habitantes, que a Assemblea Legislativa Provincial Decretou, e eu Sanccionei a Lei seguinte.
Art. 1º Os Districtos que comprehendem as Freguezias de Nossa Senhora da Misericordia de Albuquerque, do Carmo de Miranda, e de Santa Anna do Paranahyba, ficão incorporados ao Termo da Cidade do Cuyabá.
Art. 2º Fica revogada a Resolução nº 9 de 30 de Junho de 1847, e mais disposições em contrario.
Mando por tanto a todas as Autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumprão, e fação cumprir tão inteiramente, como nella se contêm. O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar, e correr.
Palacio do Governo de Matto Grosso em Cuyabá aos vinte e oito de Maio de mil oitocentos e cincoenta, vigesimo nono da Independencia, e do Imperio.
João José da Costa PimentelEntretanto Albuquerque foi elevado à vila um mês apos ser transferido para Cuiabá.
Criação da Vila de Albuquerque
A Freguesia de Albuquerque (Albuquerque Novo) continuou crescendo e sobrepujando a Povoação de Albuquerque (Albuquerque Velho), tanto que pela Lei nº 12, de 06 de Julho de 1850, a dita Freguesia de Albuquerque foi elevada à condição de Vila. Além da Freguesia de Albuquerque, a vila englobou a Povoação de Albuquerque e as freguesias de Miranda e Paranaíba.LEI Nº 12, DE 06 DE JULHO DE 1850
João José da Costa Pimentel, Commendador das Ordens de S. Bento d’Aviz e da Imperial da Rosa, Cavalleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro, Coronel do Estado Maior de 1ª Classe do Exercito, Presidente e Commandante das Armas da Provincia de Matto Grosso: Faço saber a todos os seus Habitantes, que a Assembléa Legislativa Provincial Decretou, e eu Sanccionei a Lei seguinte.
Art. 1º A Freguezia de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque he elevada á cathegoria de Villa com a denominação de - Villa de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque.
Art. 2º O Termo da nova Villa comprehenderá as Freguezias de Nossa Senhora do Carmo de Miranda, e a de Sant’ Anna do Paranahyba.