O Campeonato Brasileiro de Futebol de 1970, originalmente denominado Taça de Prata pela CBD e também conhecido por Torneio Roberto Gomes Pedrosa, foi a 15.ª edição do Campeonato Brasileiro e foi vencido pelo , conquistando assim o seu primeiro título de campeão brasileiro.
Já estabelecida como a mais importante competição de clubes do Brasil, e resolvidas as pendências entre CBD e Conmebol, a Taça de Prata de 1970 indicou os dois representantes brasileiros para a Taça Libertadores da América: o campeão Fluminense e o vice . Nesta edição, foram mantidos os números de dezessete participantes e de sete estados, bem como a fórmula de disputa. As únicas alterações se deram no representante paranaense, que voltou a ser o , campeão de seu estado, e no quinto clube paulista, que deixou de ser a para dar lugar à , vice campeã estadual. Essa edição bateu o recorde de arrecadação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata, com uma receita de ,50 cruzeiros em 142 jogos, média de ,82 cruzeiros por partida.Revista Grandes Clubes Brasileiros - Campeonato Nacional - História do Nacional, página 25, Rio Gráfica e Editora S.A. (1971)
Chegaram ao quadrangular decisivo o Palmeiras (pela quarta vez seguida), o (repetindo o ano anterior), e Fluminense, que estreavam nas finais. O Fluminense venceu os dois primeiros jogos por 1 a 0 e chegou à última rodada com larga vantagem: enfrentaria o já eliminado Atlético Mineiro em casa, jogando pelo empate e podendo até perder, caso o Palmeiras não ganhasse do também eliminado Cruzeiro em São Paulo, na rodada de 20 de dezembro.Livro Dossiê - Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, por Odir Cunha (2011) Como o Palmeiras fez 4 a 2 no Cruzeiro, o empate em 1 a 1 foi suficiente para o Fluminense sagrar-se campeão, perante pagantes, mais de 132 mil torcedores presentes.Jornal O Estado de S. Paulo, de 22 de dezembro de 1970, página 32.
Em 2010, o torneio foi reconhecido oficialmente pela CBF como o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1970, atribuindo o título de campeão brasileiro ao Fluminense, exatamente como fazia em seus boletins oficiais entre 1971 e 1975, excluindo esta informação a partir do boletim de 1976. Foi a única competição que contou com todos os 22 jogadores da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970,FLUMINENSE FOOTBALL CLUB, Site oficial - As razões para o torcedor encher o peito e dizer: sou campeão mundial, página editada em 2 de agosto de 2012 e disponível em 26 de outubro de 2016. mundialmente considerada uma das maiores seleções da história do futebol.MOTA, Cahe e IANNACCA, Márcio - Site Globoesporte - Lendas do futebol apontam Seleção de 70 como maior time de todos, página editada em 11 de março de 2013 e disponível em 31 de outubro de 2016.
História thumb|220px|right|Taça do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1970 O Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata foi uma competição nacional de futebol no Brasil disputada de 1967 a 1970, antes da criação do Campeonato Nacional de Clubes, em 1971, que ficou lembrado por vários anos como sendo o primeiro Campeonato Brasileiro desde que a CBD modificou o seu boletim oficial em 1976. A 15.ª edição do Campeonato Brasileiro de Futebol, ou a terceira e última Taça de Prata, foi realizada em 1970 e contou com a participação de dezessete equipes de sete estados. As únicas modificações se deram no representante do Paraná, que voltou a ser o Atlético Paranaense, e no quinto clube paulista, que deixou de ser a Portuguesa para dar lugar à Ponte Preta. Esta edição do certame ficou marcada como a única competição que contou com todos os jogadores brasileiros campeões de uma Copa do Mundo (a Copa do Mundo de 1970, no México), que, segundo Odir Cunha, foi uma "era áurea" do futebol do País, que possivelmente não voltará a ocorrer, visto que, atualmente, os melhores jogadores brasileiros vão ainda jovens para o exterior, por fins lucrativos. Em 1970, após quatro edições disputadas, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata chegou ao fim: em 1971, a CBD anunciou a transformação da Taça de Prata em Campeonato Nacional de Clubes, com grande influência política. Esse torneio ficaria conhecido, a partir de 1976, como a primeira edição do Campeonato Brasileiro, excluindo a versão anterior, apesar de disputado sob formato similar ao do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata.
Pela primeira vez um time não-paulista venceu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata, com o Fluminense sagrando-se campeão após o empate por 1 a 1 na última rodada do quadrangular final com o Atlético Mineiro. O herói do clube carioca nesse título foi Mickey, que marcou três gols no quadrangular final, sendo um em cada uma das três partidas em que substituiu Flávio, goleador tricolor que ainda terminaria como vice-artilheiro da competição com onze gols em quatorze partidas, apesar dos jogos ausente, e que teve que parar para fazer uma operação de amigdalite.Revista PLACAR - ESPECIAL FLUMINENSE, página 7, abril de 1979. O vice-campeão foi o Palmeiras, que venceu o Cruzeiro por 4 a 2 na última rodada. O clube carioca e o paulista se classificaram para a disputa da Libertadores de 1971, com o Cruzeiro tendo feito o artilheiro da competição, Tostão, com doze gols. Na disputa particular entre os grandes clubes mineiros, o Atlético terminou em terceiro e o Cruzeiro em quarto.
Entre 1969 e 1971, este time do Flu ganharia cinco títulos oficiais, além deste título nacional, dois campeonatos cariocas, em 1969 e em 1971, e duas edições da Taça Guanabara, então competição independente, também em 1969 e 1971, sendo este o primeiro time do Fluminense a receber a alcunha de "Máquina".Revista PLACAR nº 40, de 18 de dezembro de 1970, página 8, citando "A MÁQUINA JÁ SABE COMO VENCER O CRUZEIRO" (pelo jornalista Teixeira Heizer). Na partida contra o Palmeiras, a Torcida do Flu levou uma faixa com os dizeres "O Flu é uma máquina",Revista PLACAR nº 40, de 18 de dezembro de 1970, página 8, citando "A MÁQUINA JÁ SABE COMO VENCER O CRUZEIRO" (pelo jornalista - Teixeira Heizer). e, na partida decisiva contra o Atlético Mineiro, a torcida colocou outra faixa, onde se lia "Pra frente, Máquina".Revista Placar nº 41, de 25 de dezembro de 1970, página 5.
Do time campeão, Félix, um de seus reservas, Jairo, Toninho, Marco Antônio, Denílson, Flávio e Lula defenderam em algum momento de suas carreiras a Seleção Brasileira principal, sendo que Félix e Marco Antônio foram campeões da Copa do Mundo de 1970.Livro De Oswaldo Gomes a Fred: a história do Fluminense Footbal Club no centenário da Seleção Brasileira, por Lucio Bairral e Rodrigo Barros (2015)
A edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata de 1970 foi a base para a criação do Campeonato Nacional de Clubes, em 1971: as únicas alterações foram a inclusão de um clube do Ceará e de mais um de Minas Gerais e outro de Pernambuco; ou seja, o campeonato passou a ter vinte clubes, em vez de dezessete, não sofrendo nenhuma mudança drástica em relação à edição anterior da Taça de Prata. Alguns autores consideram que "a história do futebol brasileiro, a partir desse momento, foi deixada para trás". Este novo certame viera com a proposta de dar oportunidades diretas para times do país inteiro e, devido à política que ditava o critério de escolha dos participantes, não havia necessidade de as equipes passarem por campeonatos regionais. A fórmula de disputa seguia a mesma da competição anterior, com a criação de uma segunda divisão. No entanto, não existia rebaixamento, mas havia promoção — foi o vice-campeão Remo, e não o campeão Villa Nova, que ficou com a vaga para disputar o Nacional de 1972.
Existem versões que os motivos da exclusão da versão anterior foram questões políticas. "O Brasil vivia uma ditadura que descobria como o futebol podia ser usado para promover o ufanismo e a imagem de integração nacional", escreveu o jornalista e historiador Roberto Assaf. "Era interessante para o governo da época vender a ideia de que estava sendo criado algo inédito." A forma como o regime militar utilizou o futebol brasileiro para legitimar alguns de seus dogmas é evidente. O tricampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970 é o exemplo mais marcante das intervenções realizadas pelo governo militar no futebol nacional. Porém, também determinaram diversas diretrizes que influenciaram os clubes. A criação do Campeonato Nacional de Clubes em 1971 veio na esteira do Plano de Integração Nacional do presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici.
A discussão sobre se o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata era ou não um campeonato realmente nacional é um assunto controverso. Em dezembro de 1968, a Folha ainda lamentava o fato do Brasil ser "o único país sem campeonato nacional", lamento repetido quatro meses depois, seguido de uma constatação: "Um campeonato brasileiro de futebol, com lei de acesso atualizada, será a salvação do futebol nacional." Já outros veículos da imprensa, além da própria CBD que declarou o Fluminense campeão brasileiro em seu boletim oficial de 1971, tratavam a competição como um verdadeiro campeonato nacional e consideravam seus vencedores campeões brasileiros, como a revista Placar, que, em sua edição de 25 de dezembro de 1970, trazia ampla cobertura das finais do campeonato e estampou em sua capa a manchete "O Flu é o campeão do Brasil!". Em 1967, após a criação da competição, o Jornal do Brasil defendeu que a realização de um campeonato de proporções nacionais era um importante momento para a história do futebol brasileiro e acrescentou: "A esperança de melhores rendas e espetáculos de qualidade superior àqueles proporcionados pelos estaduais parecia concretizar-se, uma vez que a criação de um campeonato nacional racionalizaria o calendário, possibilitando, inclusive, a vinda de clubes estrangeiros para o Brasil, e fortaleceria a Seleção Brasileira, já que jogadores de outros centros poderiam ser úteis para o time verde e amarelo, que tinha perdido a Copa do Mundo em 1966 para os anfitriões ingleses."
Todavia, mesmo com a criação do Campeonato Nacional de Clubes, a imprensa da época continuou dividida: Enquanto uma parte dos jornalistas era otimista com a nova competição, outra parcela permanecia debatendo a respeito da falta de um campeonato verdadeiramente nacional. A revista Placar, que lutara durante todo o ano de 1970 pela criação do Nacional, acabou adotando uma postura cautelosa após a criação da nova competição. Sob o título "Até que enfim um Campeonato Nacional — mas tem que melhorar", a revista criticava a hegemonia dos fatores políticos em detrimento dos aspectos futebolísticos. Para a revista, o Nacional "não passava de um Robertão um pouco diferente", o que não contribuía para alterar a estrutura arcaica do futebol brasileiro. O Jornal dos Sports também não considerou que houve grandes mudanças entre os dois certames e, ao falar das equipes cariocas que disputariam o Campeonato Nacional, apresentou a equipe do Fluminense da seguinte forma: "Flu parte para o bi com toda a força." Ou seja, assim como a Placar no ano anterior, o Jornal dos Sports também tratou o Fluminense como campeão brasileiro mesmo sem a existência oficial do Campeonato Nacional, considerando o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata como tal. Anos mais tarde essa questão viria a ser de grande relevância e alvo de disputas esportivas e políticas.