Jorge de Almeida Segurado ComC • OSE (Santos-o-Velho, Lisboa, 15 de Outubro de 1898 – São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 9 de Novembro de 1990) foi um arquiteto português.
Foi um dos pioneiros da implementação da linguagem modernista na arquitetura portuguesa. A partir do final da década de 1930 acompanhou a mudança de rumo associada ao "gosto oficial, neo-tradicional, do Estado Novo, que praticou depois por vários anos",Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 17. ISBN 978-972-27-2031-1 para mais tarde regressar aos princípios do idioma modernista inicial, enformado pelos desenvolvimentos mais recentes da arquitetura internacional.
Biografia / Obra thumb|240px|Galeria UP, 1933 Era filho do engenheiro e funcionário público João Emílio dos Santos Segurado (autor de um conjunto de livros técnicos sobre construção), natural de Santarém (freguesia de Marvila), e de Georgina de Figueiredo de Almeida Segurado, natural de Lisboa (freguesia de Santa Catarina).
Frequentou o Liceu Pedro Nunes. Em 1913 inscreveu-se no Curso Preparatório da Escola de Belas-Artes de Lisboa e em 1918 no Curso Especial de Arquitetura, que concluiu em 1924.
A 3 de outubro de 1918, casou civilmente em Lisboa com Clotilde da Silva (São Jorge de Arroios, Lisboa, 23 de dezembro de 1901 – Santa Maria dos Olivais, Lisboa, 30 de janeiro de 1984), doméstica, filha de Georgina Emília da Silva, doméstica, natural de Sesimbra.
A sua formação nas Belas-Artes foi marcada por José Luís Monteiro e pelo academismo neoclássico; trabalhou no ateliê de Tertuliano de Lacerda Marques (1883-1942) ainda antes de terminar o curso; trabalhou com Porfírio Pardal Monteiro na Caixa Geral de Depósitos.Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 13, 19. ISBN 978-972-27-2031-1 A sua obra inicial da década de 1920 é marcada pela herança clássica, pela Art Déco e pela Secessão Vienense, evoluindo para uma progressiva simplificação modernizante. É o que acontece no projeto "geométrico e purista" do Liceu Masculino de Coimbra (1929-1931), de que foi coautor (com Carlos Ramos e Adelino Nunes). Data desta época a sua participação no I Salão dos Independentes (SNBA, 1930), incluído num grupo de autores e de obras inovadoras, bem como uma longa viagem que lhe permitiu contactar em direto com a arquitetura modernista europeia. Conhece obras de Walter Gropius na Alemanha e de Dudok na Holanda; em Paris visita a Exposição Colonial Internacional (1931).Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 17, 19, 26
Datam dos anos de 1930 os projetos de diversas lojas em Lisboa (Galeria UP, Rua Serpa Pinto; Farmácia Azevedo & Filhos, Rossio; etc.) e os exemplos mais emblemáticos da sua década modernista: Casa da Moeda, considerada "uma das mais interessantes edificações dos anos 30 portugueses";França, José Augusto – História da Arte em Portugal: o Modernismo. Lisboa: Editorial Presença, 2004. p. 89, 93. ISBN 972-23-3244-9 Liceu D. Filipa de Lencastre, Lisboa (ambos com importante colaboração de António Varela).Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 34, 51
thumb|left|300px|Casa da Moeda (maquete) Com um programa de utilização vasto e complexo que incluía zonas destinadas à indústria e oficinas, a escritórios e equipamentos de apoio, a Casa da Moeda ocupa a totalidade de um quarteirão ao Arco do Cego, Lisboa. Segurado optou por distribuir as zonas edificadas na periferia, deixando um vasto pátio preencher o espaço interior do quarteirão. O desenho global foi pensado em articulação com uma malha geométrica organizadora; e grande parte do exterior, pontuado por pilares sequenciais a meia esquadria, é revestido com tijolos cerâmicos de cor verde. Vários documentos e publicações da época atestam o impacte que este conjunto teve no meio arquitetónico português.Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 34, 39
miniaturadaimagem|thumb|left|300px|Escola Mitra (2024) A partir de final da década de 1930 a obra de Jorge Segurado inflete, acompanhando a generalização do estilo oficial do Estado Novo, frequentemente apelidado Português Suave, que determinou o "regresso aos múltiplos formulários neo-conservadores e tradicionalistas". Projeta os pavilhões de Portugal nas Feiras Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco (1939) e o núcleo das Aldeias Portuguesas da Exposição do Mundo Português (1940).Fernandes, José Manuel – Português Suave: Arquiteturas do Estado Novo. Lisboa: IPPAR, Departamento de Estudos, 2003, p. 76. ISBN 972-8736-26-6Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 55 Entre muitos outros projetos com estas características assinale-se o Colégio de Santa Doroteia (1935-1957), Lisboa, um prédio na Rua Visconde Coriscada, Covilhã (1943), ou a sua própria habitação na Rua de S. Francisco Xavier nº 8, Ajuda, Lisboa – Prémio Valmor 1947.
thumb|290px|Casa da Moeda Ao longo das décadas de 1940 e 1950 o seu trabalho alterna as opções claramente modernistas com as de pendor mais tradicional; a oscilação é manifesta na cerca de meia centena de postos de abastecimento que projeta para a Sacor (gosto neo-tradicional em Aljubarrota e de tipo moderno em Vilar Formoso, ambos de 1951). Procura também compatibilizar esses valores formais contrastantes em projetos como o da Estação Agronómica Nacional (1963) e da Fábrica de Fogões Portugal, Oeiras, ou da Pousada de Sagres (1960).Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 61, 89
Uma obra do período final, poderosamente moderna, "que brilha desde a sua construção como exemplo dos mais qualificados espaços de habitação plurifamiliar no Bairro de Alvalade", em Lisboa, é a do conjunto dos chamados Blocos Amarelos, na Avenida do Brasil (em associação com o seu filho, João Carlos Segurado), onde é claro o desejo de aproximação às propostas da Carta de Atenas e do urbanismo internacional mais recente.Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 61
Em paralelo com a prática da arquitetura dedicou-se à investigação e aos temas de história da arte e da arquitetura portuguesa (séculos XV e XVI; século XX);Fernandes, José Manuel – Arquitetos Segurado. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2011, p. 81 foi também autor de obras literárias e artísticas, tendo realizado uma exposição de desenho e pintura na Galeria Diário de Notícias, Lisboa (1983).
A 4 de Março de 1941 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 16 de Junho de 1948 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo.
Entre os seus parentes arquitetos destacam-se: José de Almeida Segurado (1913-1988) e José Maria Segurado (1923-2011) e João Carlos Segurado.
Morreu a 9 de novembro de 1990, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa.
Alguns projectos e obras 1929-30 – Liceu Júlio Henriques (atual Escola Secundária José Falcão), Coimbra (com Carlos Ramos e Adelino Nunes; construída em 1931-41). 1932-38 – Liceu D. Filipa de Lencastre, Lisboa (com António Varela). 1933 – Galeria UP, Rua Serpa Pinto 28-30, Lisboa. 1933-37 – Farmácia Azevedo & Filhos, Rossio, Lisboa. 1934-38 – Casa da Moeda, Lisboa. 1935-1957 – Colégio de Santa Doroteia, Lisboa. 1936-37 – Casa-clínica do Dr. Indiveri Collucci, Rua de Lino D’Assunção, Paço de Arcos. 1939 – Pavilhões de Portugal nas Feiras Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco, EUA. 1940 – Núcleo das Aldeias Portuguesas, Exposição do Mundo Português, Lisboa. 1939 – Edifícios da Edifício da Escola de Regentes Agrícolas, Mitra, Évora. 1942 – Edifícios da Estação de Melhoramento de Plantas, Elvas. 1944 – Estúdios da Tóbis Portuguesa, Alameda das Linhas de Torres, 144, Lisboa. 1947 – Casa Própria na Rua S. Francisco Xavier, 8, Lisboa – Prémio Valmor, 1947. (a casa da foto é a Casa de José Malhoa -Prémio Valmor 1905, e não a casa do arqª J. Segurado) (esta é a casa verdadeira: http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/moradia-na-rua-sao-francisco-xavier-8) 1952 - Moradia do Editor Valentim de Carvalho, na Rua de Alcolena 25, Lisboa 1953 - Conjunto Urbano do cruzamento entre a Av. EUA e a Av. de Roma (Bloco do Vavá) 1953-67 – Edifícios da Estação Agronómica Nacional, Oeiras. 1953-60 – Edifício da Estação Agrária, Tavira. Pereda, Ignacio – O Posto Agrário de Tavira (1926-1974. Faro: DRAPA, 2023 1957 – Conjunto habitacional para o Montepio Geral, Av. do Brasil, 112-132, Lisboa. 1960 – Pousada do Infante D. Henrique, Sagres.
Liceu Dona Filipa de Lencastre
Casa da Moeda
Colégio de Santa Doroteia
Pavilhão de Portugal, Feira Internacional de Nova Iorque
Blocos Habitacionais, Av. do Brasil
Ver também Lista de arquitectos de Portugal
Ligações externas
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