thumb|upright=1.5|Necrópole de Gizé, onde estão localizadas as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos Pirâmides do Egito são antigas estruturas feitas em alvenaria construídas pela civilização do Antigo Egito. Até novembro de 2008, existiam fontes citando entre 118 e 138 pirâmides egípcias identificadas. A maioria delas foi construída como túmulos para os faraós e seus consortes durante os períodos do Reino Antigo e Médio.Michael Ritter (2003) Dating the Pyramids. Acessaod em 13 de abril de 2005

As mais antigas pirâmides egípcias conhecidas foram encontradas em Sacará, ao noroeste de Mênfis. A primeira delas foi a pirâmide de Djoser (feita entre 2630 a.C.-2611 a.C.), que foi construída durante a III dinastia egípcia. Esta pirâmide e o seu complexo circundante foram projetados pelo polímata, e o então arquiteto, Imhotep. Elas são geralmente consideradas as mais antigas estruturas monumentais do mundo construídas de alvenaria vestida.

As mais famosas pirâmides egípcias são aquelas encontradas na Necrópole de Gizé, nos arredores da cidade de Cairo. Várias das pirâmides de Gizé estão entre as maiores estruturas já construídas desde a Antiguidade."The Great Pyramid...is still one of the largest structures ever raised by man, its plan twice the size of St. Peter's in Rome" A pirâmide de Quéops, em Gizé, é a maior pirâmide egípcia, cuja altura original chegava a mais de 140 metros. É a única das Sete maravilhas do mundo que permanece de pé.

Desenvolvimento histórico thumb|esquerda|Mastaba de Seberquerés, em Sacará

Até o momento do Período Arcaico, no início da história egípcia, aqueles com meios suficientes eram enterrados em estruturas conhecidas como mastabas.Burial customs: mastabas. University College London (2001) Retrieved 14 April 2005

A segunda pirâmide egípcia historicamente documentada é atribuída ao polímata Imhotep, que arquitetou o que os egiptólogos acreditam ser um túmulo para o faraó Djoser. Imhotep é creditado como sendo o primeiro a conceber a noção de empilhamento de mastabas, que culminou na criação de um edifício composto por uma série de "degraus" que diminuíam de tamanho em direção ao seu ápice. O resultado foi a pirâmide de degraus de Djoser, que foi concebida para servir como uma escadaria gigantesca pela qual a alma do faraó falecido poderia ascender aos céus. Devido a grande importância da realização de Imhotep, ele foi deificado por egípcios posteriores.Quirke, Stephen (2001). The Cult of Ra: Sun Worship in Ancient Egypt. Thames & Hudson. pp. 118–120

A fase mais producente e aplicada de construção de pirâmides coincidiu com o auge do governo faraônico absolutista. Foi durante essa época que as pirâmides mais famosas, aquelas próximas de Gizé, foram construídas. Com o tempo, a capacidade e a vontade de aproveitar os recursos necessários para a construção em grande escala diminuiu e as pirâmides posteriores passaram a ser menores, com menos cuidados na construção e, muitas vezes, feitas às pressas.

Muito tempo depois do fim do período de construção dessas pirâmides, uma construção sistemática iniciou-se no território do atual Sudão, depois de muito do Antigo Egito cair sob o domínio dos reis de Napata. Apesar de o regime napatano ter sido breve, terminando em 661 a.C., a influência egípcia deixou traços marcantes na sua cultura e, durante o reino sudanês de Meroé, na região da Núbia, houve um reflorescimento da construção de estruturas piramidais, período em que mais de 200 pirâmides que serviam como túmulos reais e inspiradas nas pirâmides egípcias, foram construídas nas proximidades da capital do reino.

Alaziz Otomão tentou destruir as pirâmides de Gizé. Ele desistiu depois de danificar a Pirâmide de Miquerinos, visto que a tarefa revelou-se complexa demais.

Simbolismo

Acredita-se que a forma de pirâmides egípcias represente o monte primordial a partir do qual os egípcios acreditavam que a Terra foi criada. A forma piramidal representava os raios descendentes do Sol e a maioria das pirâmides eram revestidas por pedra calcária branca, polida e altamente reflexiva, o que dava a essas estruturas uma aparência brilhante quando vistas à distância.

Apesar de geralmente ser aceito que as pirâmides eram monumentos funerários, não há consenso sobre os princípios teológicos particulares que possam ter dado origem a elas. Uma sugestão é que estas estruturas foram concebidas como um tipo de "máquina de ressurreição".

Os egípcios acreditavam que a área escura do céu noturno em torno do qual as estrelas pareciam girar era a porta de entrada física para os céus. Um dos eixos estreitos que se estende a partir da câmara funerária principal por toda a estrutura da Grande Pirâmide aponta diretamente para o centro desta parte do céu. Isto sugere a pirâmide pode ter sido criada para servir como um meio para lançar magicamente a alma do faraó falecido diretamente para a morada dos deuses.

Todas as pirâmides egípcias foram construídas na margem ocidental do rio Nilo, local onde ocorre o pôr-do-sol, o que era associado ao reino dos mortos na mitologia egípcia. Construção das pirâmides egípcias

thumb|300px|As três principais pirâmides de Gizé, juntamente com pirâmides subsidiárias e os vestígios de outras estruturas antigas. A construção das pirâmides egípcias pode ser explicada com factos científicos bem estabelecidos; no entanto, existem alguns aspetos que ainda hoje são considerados hipóteses controversas. As técnicas de construção utilizadas parecem ter evoluído ao longo do tempo; as pirâmides mais tardias não foram construídas da mesma forma que as anteriores. Acredita-se que pedras enormes eram esculpidas em pedreiras com ferramentas de cobre, sendo estes blocos depois arrastados e elevados para a sua posição. As divergências dizem respeito principalmente aos métodos utilizados para mover e colocar as pedras.

Para além dos muitos argumentos não resolvidos sobre as técnicas de construção, tem havido desacordos quanto ao tipo de força de trabalho utilizada. Os gregos, muitos anos após o evento, acreditavam que as pirâmides foram construídas por mão de obra escrava. Os arqueólogos acreditam agora que a Grande Pirâmide de Gizé (pelo menos) foi construída por dezenas de milhares de trabalhadores qualificados que acampavam perto das pirâmides e trabalhavam por um salário ou como uma forma de pagamento de impostos (recrutamento) até que a construção estivesse concluída, apontando para cemitérios de trabalhadores descobertos em 1990. Para a pirâmide de Amenemhat II do Império Médio, existem evidências na pedra anais do rei de que foram empregados estrangeiros de Canaã.

O campo pseudocientífico da piramidologia inclui muitas teorias arqueológicas marginais que tentam explicar como as pirâmides foram construídas.

Hipóteses históricas

Os escritos de Heródoto e Diodoro Sículo

Os primeiros relatos históricos da construção destes monumentos surgiram séculos após a era da construção das pirâmides, por Heródoto no século V a.C. e Diodoro Sículo no século I a.C. O relato de Heródoto afirma que os egípcios usaram uma máquina (agora referida como a "Máquina de Heródoto"), afirmando:Godley, A. D. ed. (1920) Herodotus, The Histories. Harvard University Press. Book 2 Chapter 125. thumb|Uma máquina a elevar uma grande coluna de pedra, por Leonardo da Vinci. Acredita-se que tenha sido esboçada com base na descrição de Heródoto.

O relato de Diodoro Sículo afirma:Murphy, Edwin. (1990) The Antiquities of Egypt: A Translation with Notes of Book I of the Library of History of Diodorus Siculus. Transaction Publishers.

A descrição de Diodoro Sículo sobre o transporte da pedra da Arábia está correta, uma vez que o termo "Arábia" naqueles dias implicava a terra entre o Nilo e o Mar Vermelho,Ver também Estrabão (17.1.34). de onde os blocos de calcário foram transportados de pedreiras do outro lado do rio Nilo.

Materiais

Da terceira dinastia à quinta Durante o período mais antigo, as pirâmides eram construídas inteiramente de pedra. O calcário explorado localmente era o material de escolha para o corpo principal destas pirâmides, enquanto um calcário de maior qualidade, explorado em Tura (perto do atual Cairo), era usado para o revestimento exterior. O calcário originava-se de diferentes afloramentos da Formação de Mokattam, datada do Eoceno.

O granito, extraído perto de Assuão, foi usado para construir alguns elementos arquitetónicos, incluindo a saracinesca (um tipo de porta) e os tetos e paredes da câmara funerária. Ocasionalmente, o granito também foi usado no revestimento exterior, como na Pirâmide de Miquerinos.

Nas pirâmides iniciais, as camadas de pedra (chamadas fiadas) que formavam o corpo da pirâmide eram assentadas inclinadas para dentro; no entanto, esta configuração foi abandonada em pirâmides posteriores. A Pirâmide Curvada em Dahshur parece indicar a aceitação de uma nova técnica numa transição entre estas duas técnicas de construção. A sua secção inferior é construída com fiadas inclinadas, enquanto na sua secção superior as pedras são assentadas horizontalmente.

Império Médio em diante

Durante o Império Médio, as técnicas de construção de pirâmides mudaram novamente. A maioria das pirâmides construídas nessa altura era pouco mais do que montanhas de tijolos de lama revestidas por uma camada de calcário polido. Em vários casos, as pirâmides tardias foram construídas sobre colinas naturais para reduzir ainda mais o volume de material necessário na sua construção. Os materiais e métodos de construção utilizados nas pirâmides mais antigas garantiram a sua sobrevivência num estado de conservação geralmente muito melhor do que o dos monumentos piridomais dos faraós posteriores.

Argamassa

As pedras que formavam o núcleo das pirâmides eram cortadas de forma grosseira, especialmente na Grande Pirâmide de Gizé. Para preencher as lacunas, eram necessárias enormes quantidades de gesso e cascalho.

O preenchimento quase não tem propriedades aglutinantes, mas era necessário para estabilizar a construção. Para fazer a argamassa de gesso, este tinha de ser desidratado por aquecimento, o que requer grandes quantidades de madeira. Segundo os egiptólogos, os resultados dos Projetos de Radiocarbono das Pirâmides de David H. Koch de 1984 e 1995 podem sugerir que o Egito teve de desflorestar o seu território e aproveitar cada pedaço de madeira que tinha para construir as pirâmides de Gizé e outras pirâmides ainda mais antigas da IV Dinastia.

As amostras de datação por carbono de blocos do núcleo e outros materiais revelaram que as datas do estudo de 1984 eram, em média, 374 anos anteriores à cronologia aceite e a datação de 1995 era, em média, 100–200 anos anterior. Como sugerido pelos membros da equipa, "Pensámos que era improvável que os construtores de pirâmides usassem consistentemente madeira com séculos de idade como combustível na preparação da argamassa. Os resultados de 1984 deixaram-nos com poucos dados para concluir que a cronologia histórica do Império Antigo estava errada em quase 400 anos, mas considerámos isto pelo menos uma possibilidade". Os egiptólogos propõem que o problema da madeira antiga é responsável pela discrepância, alegando que as datas anteriores derivavam possivelmente da reciclagem de grandes quantidades de madeira com séculos de idade e outros materiais anteriores.

Cobre arsenical

O principal material utilizado nos Impérios Antigo e Médio foi o chamado cobre arsenical ou bronze. É mais eficaz do que o cobre com impurezas menores, e pode ser tornado ainda mais duro por martelagem repetida. Centenas de artefactos destes períodos foram feitos deste material.