"Can't Get You Out of My Head" é uma canção da artista musical australiana Kylie Minogue, gravada para o seu oitavo álbum de estúdio Fever (2001). Foi composta por Cathy Dennis e Rob Davis, sendo estes também os produtores da faixa. A canção foi originalmente composta para o grupo britânico S Club 7; no entanto, após a conclusão da demonstração da faixa, a qual utilizava um violão juntamente com um loop de bateria, o gerente artístico Simon Fuller concluiu que a canção não serviria para os mesmos. A obra chegou a ser mandada para Sophie Ellis-Bextor, contudo, também a recusou. Após isto, Davis se reuniu com o executivo A&R de Minogue, o qual ouviu a canção e posteriormente a reservou para Minogue gravar, sendo que a própria ouviu apenas vinte segundos da demonstração do tema. O seu lançamento como o primeiro single do disco ocorreu em 8 de setembro de 2001 através da gravadora Parlophone, sendo comercializada no formato de CD single e por download digital.
Em termos musicais, "Can't Get You Out of My Head" é uma canção dance-pop. Tematicamente, a faixa expressa a obsessão da artista com uma figura anônima, com esta "nunca revelando a identidade do seu objeto de paixão". O gancho da canção, o qual é muitas vezes avaliado como sua "parte mais atraente", apresenta a musicista cantando um repetitivo "la la la". O tema recebeu análises positivas dos críticos de música contemporânea, com muitos colocando esta como um destaque do disco e o The Guardian considerando, em 2012, que este foi "um dos raros momentos do pop". No comercial, esta conseguiu entrar nas primeiras posições das paradas musicais da Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Polónia, Suíça, Reino Unido, e em quase todos os outros países europeus, sendo que liderou a parada do país de origem da Minogue, Austrália, e também do Canadá e da Nova Zelândia.
Nos Estados Unidos, a canção alcançou a sétima posição na Billboard Hot 100, se tornando o maior sucesso da musicista na região desde "The Loco-Motion". "Can't Get You Out of My Head" alcançou a primeira posição em quarenta países de todo o mundo, tendo a certificação de platina tripla na Austrália, platina dupla no Reino Unido, e ouro nos Estados Unidos. Este também tornou-se o primeiro single de Minogue a vender mais de um milhão de cópias no Reino Unido, onde também se destaca como o vigésimo oitavo single mais vendido do milênio. Em 2013, a canção foi o single mais vendido na carreira de Minogue e um dos singles mais vendidos de todos os tempos, com vendas mundiais superiores a cinco milhões.
O vídeo musical correspondente foi dirigido por Dawn Shadforth, sendo emitido oficialmente em 11 de agosto de 2001. Algumas das cenas retratam Minogue com um macacão branco com capuz com um decote até o umbigo; este é muitas vezes considerada uma de suas roupas mais emblemáticas, sendo exibida em museus e até mesmo incluso em seu livro de moda, Kylie / Fashion. A canção foi apresentada por Minogue durante todas as suas turnês até 2013, com exceção da Anti Tour, também tendo uma regravação da musicista onze anos depois de seu lançamento oficial, especialmente para ser adicionada em um disco com versões orquestrais de suas músicas, intitulado The Abbey Road Sessions, sendo analisada com críticas geralmente positivas pelos resenhadores. Depois do seu lançamento, a obra ficou nas posições das listas de fim-de-década, compliadas por revistas como Rolling Stone, The Guardian e NME; a segunda publicação considerou a canção como uma "releitura" de Donna Summer, especificamente "I Feel Love", lançada em 1977. É considerada por ser o mais forte avanço comercial de Minogue nos Estados Unidos e é dito ter sido a razão por trás do sucesso do disco Fever na região. "Can't Get You Out of My Head" também é reconhecida como a canção assinatura de Minogue, sendo também um ponto decisivo em sua carreira musical.
Desenvolvimento e gravação
"Can't Get You Out of My Head" foi escrita por Cathy Dennis e Rob Davis, que se reuniram por intermédio do gerente artístico britânico Simon Fuller; ele desejava que a dupla criasse uma música para o grupo pop S Club 7. O tema foi gravado usando o software Cubase, que Davis possuía em seu computador Mac. Davis começou tocando um violão em conjunto com um loop de bateria de cento e vinte e cinco batidas por minuto, em conjunto com Dennis cantando a linha "Eu simplesmente não consigo tirar você da minha cabeça" na chave de ré menor. Após três horas e meia, a demo foi gravada e os vocais foram adicionados posteriormente. Dennis comentou a sessão de gravação da canção com Davis, dizendo que foi "a sessão mais primitiva que você poderia imaginar! Produtores diferentes trabalhando em caminhos diferentes. Mas é bom ser lembrado [que] você não precisa ser dependente do equipamento. Uma canção tem a ver com [uma] melodia e letra, sendo capaz de tirar algo em sua memória que vai te assombrar". Ele também relembrou que a produção da faixa foi "[um] processo muito natural e fluido", dizendo que "nós sabemos o quão duro trabalhamos algumas vezes para escrever músicas, e depois ao passar dos meses a picamos em pedaços, mas este era o processo mais fácil, as químicas foram todas felizes e trabalhando juntas".
Após Fuller ouvir a versão inacabada da obra, ele sentiu que esta não era a certa, rejeitando-a; "Can't Get You Out of My Head" foi oferecida posteriormente para Sophie Ellis-Bextor, a qual também a descartou. Em seguida, Davis se encontrou com o executivo A&R de Minogue, Jamie Nelson. Ele escutou a demonstração supracitada em uma fita cassete, enviada por Davis, e logo depois, reservou a canção para Minogue gravar ainda em 2001. O executivo disse que ficou "impressionado" pela vibe da canção e sentiu que isso agradaria os "danceheads". Embora Rob inicialmente pensasse que Minogue não iria utilizar a canção, a cantora ficou entusiasmada para gravar a música após ouvir vinte segundos da demonstração. A música inteira incluiu os vocais de Minogue, os quais foram gravados no estúdio da casa de Davis, em Surrey. A canção foi programada usando o sintetizador Korg Triton em MIDI, à exceção da parte da guitarra. Mais tarde, Dennis comentou que "embora Kylie não fosse o primeiro artista ao qual oferecemos a música, não acredito que a canção era para ser de alguém que não Kylie, e não acredito que alguém poderia fazer o incrível trabalho o qual ela fez com o vídeo, ficando super quente!".
Composição
"Can't Get You Out of My Head" é uma canção dance-pop "robótica" de andamento médio, com um tempo de cento e vinte e seis batidas por minuto. De acordo com a partitura publicada na Musicnotes.com pela EMI Music Publishing, a canção é escrita na chave de dó maior, com o alcance vocal de Minogue abrangendo de Dó4 até Ré5. Minogue canta um "la la la" no gancho do tema, o qual é muitas vezes avaliado como sua "parte mais atraente". A BBC Radio 2 notou que a composição da canção é "enganosamente simples, mas suas veias correm com toda a história da música eletrônica", também descrevendo a linha do baixo da canção como "pulsante", reconhecendo influências da banda inglesa de rock New Order e da banda de música eletrônica alemã Kraftwerk. A canção não utiliza a estrutura comum de verso após o refrão e, em vez disso, é composta de várias "seções equivocadas". Dennis fundamentou que estas seções "de qualquer maneira trabalham juntas", bem como ela e Davis não tentaram "forçar qualquer estrutura após o evento. As sementes foram regadas e elas rapidamente brotaram em algo maior do que qualquer um de nós". Da mesma forma, Davis comentou que o tema "quebra algumas regras, como o começo, que entra com o refrão e os 'la's' – que foi o que confundiu meu editor [Fuller] quando ele ouviu pela primeira vez".
Liricamente, a canção expressa a obsessão de Minogue por uma figura anônima. Dorian Lynskey, do The Guardian, denominou a obra como um "mistério", com a intérprete nunca revelando a identidade de seu objeto de paixão. O mesmo deu uma sugestão de que a pessoa que Minogue estava se referindo poderia ser "um parceiro, um ficante evasivo ou alguém que não sabe que ela existe". Escrevendo para o mesmo jornal, Everett True identificou um "elemento escuro" nas letras simples e sentiu que este mesmo ecoou nos vocais de Minogue. Ele também revisou que, enquanto o single de 1987 da cantora, "I Should Be So Lucky", apresentou um futuro otimista e romântico, "Can't Get You Out of My Head" centra-se em uma obsessão "doentia" e potencialmente destrutiva. O mesmo também notou que, na primeira música citada, Minogue é uma "inocente de olhos arregalados com entusiasmo", mas na segunda, a cantora está ciente da natureza prejudicial de sua paixão, chamando esta de um "desejo que é totalmente dependente de seu próprio autocontrole".
Em 2012, uma versão orquestral de "Can't Get You Out of My Head" foi incluída em sua compilação de suas canções com o mesmo estilo, The Abbey Road Sessions; no CD, a cantora regravou esta e outras obras de sua autoria, tendo no total dezesseis faixas, as quais de acordo com o Nick Levine, do portal BBC Music, "reimaginam ela sem o brilho da discoteca e os efeitos vocais". Esta versão atribui a faixa um arranjo musical "mais dramático, totalmente fechado", e segue uma das técnicas do pizzicato, a qual as cordas de um instrumento de cordas são tocadas continuamente.
Recepção da crítica A canção recebeu análises positivas dos críticos de música contemporânea. Chris True, da Allmusic, escolheu a canção como um destaque de Fever e comentou que ela "pulsa e se move como nenhuma outra já gravada [por Minogue]". Jason Thompson, do PopMatters, descreveu os vocais da cantora como um "pedido sexual" e chamou a faixa de "curta e descolada, certamente algo que não poderia faltar em qualquer lugar". Dominique Leone, da Pitchfork Media, elogiou a perspectiva comercial da obra, dizendo que esta "exala um sentimento que desmente a sua simplicidade inerente, tão reconfortante durante uma época em que os atos das paradas soam cada vez mais barrocas e produtores correm para ver quem consegue imitar tendências da música eletrônica primeiro". Jim Farber, da Entertainment Weekly, disse que a canção "totalmente fez jus ao título" com "cada som um gancho", e comparou isto com os trabalhos de Andrea True. Michael Hubbard, da MusicOMH, rotulou a canção como "um dos melhores singles de 2001", dizendo que "previsivelmente bateu toda a menor 'concorrência'". Em 2012, Everett True, da The Guardian, definiu o tema como "um daqueles raros momentos do pop: polido, chique, elegante e execravelmente muito dançante, mas com um elemento mais escuro escondido à vista".
A versão orquestral da canção, incluida no álbum The Abbey Road Sessions, recebeu críticas geralmente positivas. Tim Sendra, da Allmusic, sentiu que esta "reinicialização mais interessante" do disco teve lugar em "Can't Get You Out of My Head", dizendo que as "insistentes cordas empurram a canção junto com uma eletricidade bem enrolada que é impossível de resistir". Sendra também escolheu a canção como um destaque da obra. Sal Cinquemani, da Slant Magazine, também escolheu a canção como destaque, dizendo que seu arranjo "compensa a falta de batidas sintéticas e dançantes e efeitos vocais". Tania Zeine, do portal da ARIA Charts, descreveu a canção como uma "balada de violino poderosa com o acompanhamento de uma grande orquestra no restante". Simon Price, do The Independent, comentou que embora a versão original da faixa seria "impossível de melhorar", a versão retrabalhada "a transformou em uma pontuação de suspense pizzicato". Jude Rogers, do The Quietus, entretanto, sentiu que a canção não "responde bem a este tratamento [orquestral]".
Vídeo musical Desenvolvimento e sinopse 220px|miniaturadaimagem|esquerda|O macacão com capuz branco usado por Minogue para o vídeo (foto) foi listado como um destaque.