Os timúridas, autodesignados GurkānīNota: Gurgān, Gurkhān, ou Kurkhān; O significado de Kurkhan é dado em Clements Markham's publication of the reports of the contemporary witness Ruy González de Clavijo como "da linhagem de príncipes soberanos".Edward Balfour The Encyclopaedia Asiatica, Comprising Indian Subcontinent, Eastern and Southern Asia, Cosmo Publications 1976, S. 460, S. 488, S. 897 (em persa: گوركانى), foram uma dinastia muçulmana sunita da Ásia Central originalmente de ascendência turco-mongolEncyclopædia Britannica, "Timurid Dynasty", Online Academic Edition, 2007. (Citação:…Dinastia turca do conquistador Timur (Tamerlane), conhecido por seu brilhante renascimento da vida artística e intelectual do Irã e da Ásia Central.…Comunidades comerciais e artísticas foram trazidas para a capital de Herat, onde uma biblioteca foi fundada, e a capital tornou-se o centro de uma renovada e artisticamente brilhante cultura persa...)B.F. Manz, "Tīmūr Lang", em Encyclopaedia do Islã, Online Edition, 2006Encyclopædia Britannica artigo: Consolidation & expansion of the Indo-Timurids, Online Edition, 2007. cujo império incluía o conjunto da Ásia Central, Irã, os atuais Afeganistão e Paquistão, assim como grande parte da Mesopotâmia e Cáucaso. Foi fundada pelo lendário conquistador Tamerlão (Timur), no .

No , o príncipe timúrida Babur, governante de Fergana, invadiu a Índia e fundou o Império Mogol — os timúridas da Índia — que governou a maior parte do subcontinente indiano até seu declínio logo após a morte de Aurangzeb, no início do , e sua posterior extinção pela Índia britânica depois da revolução indiana de 1857.

História Origens A origem da dinastia timúrida remonta à confederação nômade turco-mongol dos barlas, que eram remanescentes do exército original mongol de Gengis Cã."Timur", The Columbia Encyclopedia, Sixth Edition, 2001-05 Columbia University Press, (LINK)"Consolidation & expansion of the Indo-Timurids", na Encyclopædia Britannica, (LINK) Após a conquista mongol da Ásia Central, os barlas estabeleceram-se no Turquestão (que depois passou também a ser conhecido como Mogolistão - "Terra de mongóis") e tiveram um grau considerável de miscigenação com os turcomanos locais e a população de língua turcomana, de modo que, no tempo do reinado de Tamerlão os barlas tinham se tornado exaustivamente turquizados em termos de linguagem e de costumes. Além disso, através da adoção do islamismo, os turcos e mongóis da Ásia Central também adotaram a cultura persa,B. Spuler, "Central Asia in the Mongol and Timurid periods", publicado na Encyclopaedia do Irã, Online Edition, 2006/7, (LINK ): "… Tal como o seu pai, Olōğ Beg estava totalmente integrado ao círculo cultural islâmico persa, e durante o seu reinado, a cultura e a linguagem persas predominaram, uma situação que se manteve na região de Samarcanda até a Revolução Russa de 1917 […] Ḥoseyn Bāyqarā incentivou o desenvolvimento da literatura persa e o talento literário de todas as maneiras possíveis …" que tem dominado a Ásia Central desde os primeiros dias da influência islâmica. A Literatura persa foi o meio utilizado para a assimilação pela elite timúrida da cultura perso-islâmica relacionada à nobreza.David J. Roxburgh. The Persian Album, 1400-1600: From Dispersal to Collection. Yale University Press, 2005. pg 130: "A literatura persa, especialmente a poesia, desempenhou um papel fundamental no processo de equiparação da elite timúrida à cultura perso-islãmica dos nobres e, por isso, não é surpresa encontrar Baysanghur encomendando uma nova edição do Épica dos Reis de Ferdusi Tamerlão esteve também mergulhado na cultura persaGérard Chaliand, Nomadic Empires: From Mongolia to the Danube traduzido por A. M. Berrett, Transaction Publishers, 2004. pg 75 e, na maior parte dos territórios que ele anexou, foi o persa o idioma principal da administração e da cultura literária. Assim, a língua dos altos funcionários do governo era a persa, e seus escribas tinham que ser totalmente adeptos à cultura persa, independentemente de sua origem étnica.Beatrice Forbes Manz. The Rise and Rule of Tamerlane. Cambridge University Press, 1999. pg 109: "…No governo de Tamerlão, assim como nas demais dinastias nômades, é impossível encontrar uma clara distinção entre assuntos civis e militares, ou identificar a burocracia persa exclusivamente civil, e os turco-mongóis exclusivamente com governo militar. É difícil definir a esfera de cada lado da administração, e nós encontramos persas e chagatais partilhando muitas tarefas. (Na discussão da burocracia e das pessoas que trabalhavam dentro dela eu uso a palavra persa no sentido cultural, ao invés do etnológico. Em quase todos os territórios que Tamerlão incorporou ao seu domínio, o persa foi o principal idioma da administração e da cultura literária. Assim, a língua dos "divã" era a persa, e seus escribas tinham que ser totalmente adeptos à cultura persa, independentemente de sua origem étnica.) Os emires chagatais de Tamerlão estavam muitas vezes envolvidos em assuntos civis e da administração provincial e até mesmo em assuntos financeiros, tradicionalmente da competência da burocracia persa.…"

Fundação da dinastia e queda

Tamerlão conquistou grandes partes da Transoxiana (atual Ásia Central) e do Coração (partes dos atuais Irã, Afeganistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Turcomenistão) a partir de 1363 em diante com diversas alianças (Samarcanda, em 1366, e Bactro, em 1369), ele foi reconhecido como governante sobre eles em 1370. Agindo oficialmente em nome do chagatai ulus mongol, ele subjugou a Transoxiana e o Império Corásmio nos anos que se seguiram e iniciou uma campanha em direção ao oeste em 1380. Em 1389 ele havia expulsado os cártidas de Herat e avançado pelo território continental da Pérsia desde 1382 (captura de Ispaã, em 1387, a expulsão dos Muzafáridas de Xiraz, em 1393, e expulsão dos Jalaíridas de Bagdá). Em 1394/96 ele triunfou sobre a Horda Dourada e impôs sua soberania no Cáucaso, em 1398 subjugando Multan e Dipalpur, no atual Paquistão e na atual Índia deixou Deli de tal modo em ruínas, que é dito que por dois meses "nenhuma ave chegou a bater asas na cidade".Volume III: To the Year A.D. 1398, Chapter: XVIII. Malfúzát-i Tímúrí, or Túzak-i Tímúrí: The Autobiography of Tímúr. Página: 389 (please press next and read all pages in the online copy) (1. Online copy , 2. Online copy) from: Elliot, Sir H. M., Edited by Dowson, John. The History of India, as Told by Its Own Historians. The Muhammadan Period; publicado por London Trubner Company 1867–1877. (Online Copy: The History of India, as Told by Its Own Historians. The Muhammadan Period; by Sir H. M. Elliot; Edited by John Dowson; London Trubner Company 1867–1877 - Esta cópia on-line foi postada por: The Packard Humanities Institute; Textos persas em tradução; Também se encontra outros livros históricos: Lista por Autor e Lista por Título ) Em 1400/1401 conquistou Alepo, Damasco e a Anatólia Oriental, em 1401 destruiu Bagdá e em 1402 triunfou sobre os otomanos na Batalha de Ancara. Além disso, ele transformou Samarcanda no Centro do Mundo. Estima-se que 17 milhões de pessoas podem ter morrido em suas conquistas.Selected Death Tolls: Timur Lenk (1369-1405)thumb|336x336px|Dinastia Timúrida em sua maior extensãoApós o fim do Império Timúrida, em 1506, o Império Mogol foi mais tarde criado na Índia por Babur, em 1526, que era um descendente de Tamerlão, por parte de pai e, possivelmente, um descendente de Gengis Cã, por parte de mãe. A dinastia que ele fundou é comumente conhecida como dinastia Mogol. Até ao , o Império Mogol governou a maior parte da Índia, mas depois perdeu influência durante o . A Dinastia Timúrida terminou no fim de 1857, depois que o Império Mogol foi dissolvido pelo Império Britânico e o Badur Xá II foi exilado na Birmânia.

Devido ao fato das cidades persas terem sido arrasadas por guerras anteriores, a sede da cultura persa estava agora em Samarcanda e Herat. Essas cidades tornaram-se o centro do Renascimento Timúrida.

Cultura Embora os timúridas procedessem da tribo dos Barlas, que era de origem mongol, eles haviam abraçado a cultura persa e a arte persa (distinguidas por constantes adaptações da chinesa), e também a literatura chagatai, convertidos ao islamismo, e estabelecidos no Turquestão e Coração. Assim, a era timúrida teve um caráter duplo, que refletiu tanto as origens turco-mongol quanto a cultura persa, bem como a língua persa. A língua persa foi também a língua oficial da dinastia (também conhecida como língua divã).Robert Devereux (tr.), "Judgment of Two Languages; Muhakamat Al-Lughatain By Mir 'Ali Shir Nawāi"; Introduction, Translation and Notes: Leiden (E.J. Brill), 1966): Qualquer linguista de hoje que lê o texto, inevitavelmente concluirá que Nawa'i defendeu muito mal a sua tese, já que seu principal argumento é que o léxico turcomano continha muitas palavras para o qual o persa não tinha equivalentes exatos e que os falantes do idioma persa, por isso, tiveram que utilizar-se das palavras turcomanas. Este é um fraco argumento, pois são raras as línguas que não contenham qualquer empréstimo de palavras. Em qualquer caso, a beleza de uma língua e seus méritos como um meio literário dependem menos do tamanho de seu vocabulário e pureza da etimologia do que sobre a sua eufonia, expressividade e maleabilidade dessas palavras que seu léxico não inclui. Além disso, mesmo se a tese de Nawa'i viesse a ser aceita como válida, ele destruiu sua própria tese pelo uso generoso, sem dúvida inconscientemente, de palavras não turcomanas, mesmo enquanto ridicularizando os persas por suas necessidades de emprestar palavras turcomanas. O presente escritor não fez uma contagem das palavras do texto de Nawa'i, mas ele estimaria conservadoramente, pelo menos, que metade das palavras utilizadas por Nawa'i na redação são de origem árabe ou persa. Para apoiar a sua pretensão de superioridade da língua turcomana, Nawa'i também emprega o curioso argumento de que a maior parte dos turcomanos falava também o persa, mas apenas alguns persas chegaram a ter certa fluência no idioma turcomano. É difícil entender por que ele ficou impressionado com este fenômeno, uma vez que a explicação mais óbvia é a de que os turcomanos a consideraram necessária, ou, pelo menos aconselhável, aprender o persa - que era, afinal, a língua oficial do Estado - enquanto que os persas não viam qualquer razão para o aprendizado da língua turcomana, que era, a seu ver, meramente a língua de uma tribo nômade de pessoas não civilizadas

Literatura Literatura timúrida em língua persa upright=0.85|thumb|Ilustração do "Jardim de Rosas dos Pios" do poeta Jami, datada de 1553. A imagem mistura poesia e ilustração persa, como era a norma para muitos trabalhos da era timúrida.