O gênero Homo foi primeiramente cunhado por Lineu como parte do sistema binomial que ele criou, sendo este o grupo que engloba a espécie Homo sapiens, isto é, os humanos. Há evidências bem fundamentadas do gênero há ~1.5 milhão de anos, datação do esqueleto fóssil do garoto de Turkana,https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0047248410001211 Este esqueleto faz parte da espécie H. erectus, cujas características se diferenciam significativamente das de seus ancestrais, os Australopithecus. As características deste importante fóssil de H. erectus, por sua vez, aproximam-se muito das nossas no que diz respeito a proporção de seu corpo, tamanho do cérebro relativamente grande e bipedia obrigatória (ou seja, eles não sobem em árvores), como sugere o nome da espécie.

O H. erectus foi o primeiro grupo de homini a sair da África, migrando para a Ásia, há aproximadamente 1.6 Ma. Ele teria sido originado de outro grupo, o Homo habilis. Foi estabelecido na década de 1960 que o H. habilis seria também parte do gênero Homo, apesar dos indivíduos da espécie apresentarem características semelhantes aos Australopithecus. H. habilis é datado como um grupo ainda mais antigo que o H. erectus: estimam que seus restos fósseis (ver Homo habilis) sejam de 2,3 a 2,5 Ma. Mesmo com as controvérsias, muitos cientistas consideram este o primeiro grupo do gênero Homo. Além desses dois grupos, atualmente 8 grupos são considerados parte do gênero Homo (H. sapiens, H. habilis, H. erectus sensu lato, H. heidelbergensis, H. florensiensis, H. rudolfensis e H. neanderthalensis), além do H. naledi. Essas espécies fazem parte dos Homininis ou Hominineos, o grupo que engloba todos os humanos.

thumb|direita|200px|Réplica do fóssil do Garoto de Turkana, achado arqueológico do século XX

Todas as espécies do gênero Homo, exceto o Homo sapiens (os humanos viventes) estão extintas. Os H. neanderthalensis que são considerados muito próximos de nós, tendo também coexistido com as primeiras populações da nossa espécie na Europa por anos extinguiram-se entre 41 - 39 ka. Outro grupo, o H. florensis, tem extinção estimada para 17 - 11/13 ka, ainda mais recente. Os representantes vivos mais próximos de nós são do grupo Homininae, sendo eles gorilas (do gênero Gorilla), chimpanzés e bonobos (do gênero Pan). Os movimentos migratórios começaram com a saída da África, pela região do Levante, e ocupação do Oriente Médio, Ásia, Oceania e Europa.

Etimologia Nas ciências biológicas, em particular na antropologia e na paleontologia, o nome comum para todos os membros do gênero Homo é "humano".

O nome binominal Homo sapiens é atribuído a Carl Linnaeus (1758). Nomes de outras espécies começaram a ser cunhados na segunda metade do século XIX, como Homo neanderthalensis, cunhado por William King- 1864 e Homo erectus, renomeado por Mayr - 1944).

Expansão das definições do gênero A definição do gênero foi ampliada, inicialmente por William King’s que observou que o fóssil Feldhofer I era muito similar ao H.Sapiens e o incluiu no gênero Homo como H.neanderthalensis. A inclusão desse esqueleto no grupo, expandiu os limites do que era considerado para o gênero, em relação a morfologia cranial e pós-cranial.

O segundo passo para a ampliação dos parâmetros gênero ocorreu com a inclusão da espécie H. Heidelbergensis. Fósseis na Alemanha , Europa e África foram inicialmente vistos como H. Sapiens antigos, porém hoje são frequentemente referidos como H. Heidelbergensis ou H. rhodesiensis que englobaria as espécies africanas.

O terceiro passo rumo à expansão da morfologia geral do gênero Homo, foi iniciado por Mayr, que sugeriu que Pitecanthropus erectus, também se tratava de uma espécie do grupo. Essa espécie foi então denominada Homo erectus, e depois ampliada para Homo erectus senso lato, juntamente com outros antigos “grupos” que, na verdade, faziam parte do mesmo grupo. H.Erectus é uma nomenclatura que teve um histórico bem complexo, já tendo sido, inclusive, considerada como Australopitecus eretus , isto é, parte do gênero Australopitecos.

O quarto passo no processo de alocar espécies para Homo, foi o reconhecimento de uma espécie considerada grácil, encontrada em Olduvai Gorge. Essa espécie foi incluída no gênero Homo como H.habilis, porém isso envolveu o relaxamento de alguns critérios, como tamanho de cérebro, que era relativamente menor nessa espécie (600 - 700 cm3) do que na maioria das outras do mesmo grupo.

Atualmente, alguns dos critérios usados para essa classificação estão sendo reinterpretados o que levaram a novas avaliações funcionais do mesmo material. A associação de H. habilis ao gênero Homo é considerada mal resolvida em relação a(o): estatura, proporção de braços e pernas, tamanho dos dentes, locomoção.

Os limites morfológicos do gênero Homo foram novamente expandidos em 2004, com a inclusão dos fósseis encontrados na Ilha de Flores, na Indonésia, os quais apresentaram o menor tamanho absoluto do gênero Homo em relação à capacidade encefálica, com 417 cm³. Esses fósseis receberam o nome Homo floresiensis, uma nova espécie para o gênero Homo.

A última expansão do gênero Homo aconteceu em 2015, com a publicação de dois trabalhos de Lee Berger e Paul Dirks, com a inclusão de uma nova espécie chamada Homo naledi. Essa nova espécie apresenta algumas curiosidades em relação às suas características morfológicas, apresentando tanto características como o pequeno tamanho cerebral e dedos curvos, remetendo-a a espécies do gênero Australopithecus e ao Homo Habilis, como características derivadas no gênero Homo em relação a morfologia das mãos, pés e pulso, que o remetem mais ao Homo neanderthalensis e ao Homo sapiens.

Atualmente, inclusive, os sistematas debatem a definição de Homo como um gênero, pois ele não é considerado um grupo monofilético, isto é não apresentam um ancestral em comum entre os seus ramos. Eles sugerem, de acordo com estudos cladísticos, que Australopitecos, H. habilis e H.rudolfensis formariam um grupo enquanto H. erectus, H. heidelbergensis e H. neanderthales, outro. Existe um consenso de que H. ergaster, H. heidelbergensis, e H. neanderthalensis são mais aparentadas aos H. sapiens do que eles são dos Australopithecus (gênero).

Espécies

Um estudo de 2023 concluiu que os antepassados humanos quase morreram entre cerca de 930.000 e 813.000 anos atrás, numa crise populacional evolutivamente crucial. Esta separação potencial dos antepassados humanos num número pouco sustentável de sobreviventes coincidiu com um período de frio extremo e secas prolongadas em África e na Eurásia, indicam evidências geológicas.

Se o novo cenário derivado do DNA se mantiver, relativamente poucos sobreviventes do grande frio da Idade da Pedra podem ter evoluído para uma espécie ancestral do Homo sapiens, dos neandertais e dos denisovanos, diz o geneticista populacional Wangjie Hu. Análises anteriores de DNA extraído de fósseis antigos estimam que H. heidelbergensis apareceu entre cerca de 700 mil e 500 mil anos atrás.

Não muito antes disso, membros do gênero humano, Homo, resistiram a um congelamento de aproximadamente 117 mil anos, mantendo uma média de 1.280 indivíduos capazes de procriar. Esse número de nossos precursores evolutivos reproduziu-se apenas o suficiente para evitar a extinção.

Antes do início do clima rigoroso, o número de potenciais criadores na mesma população ancestral totalizava entre 58.600 e 135.000 indivíduos, mas os dados genéticos modernos vieram de 3.154 pessoas em 10 populações africanas e 40 populações europeias e asiáticas.

A diversidade esperada destas variantes modernas com base em hipotéticas histórias populacionais antigas, mostra uma queda populacional entre os antepassados humanos que durou cerca de 930.000 a 813.000 anos atrás foi a melhor responsável pela variação genética nos dados analisados, concluem os investigadores.

Os africanos apresentaram evidências genéticas muito mais fortes de uma queda populacional antiga do que os não-africanos, descobriram os cientistas. Uma população esgotada de antepassados humanos provavelmente viveu em África há cerca de 900.000 anos, embora a Eurásia não possa ser excluída como região de origem dos sobreviventes.

À medida que essa população diminuída começou a recuperar, os seus membros podem ter evoluído para H. heidelbergensis. Alguns pesquisadores consideram o H. heidelbergensis um ancestral dos Denisovanos, Neandertais e Humanos que apareceu pela primeira vez há cerca de 700.000 anos na África e na Eurásia. Mas outros cientistas dizem que os fósseis atribuídos ao H. heidelbergensis contêm demasiadas diferenças esqueléticas para serem qualificados como uma única espécie de Homo.

Um número crescente de descobertas de fósseis sugere que grupos do género Homo ocuparam várias partes de África, Ásia e Europa entre cerca de 900.000 e 800.000 anos atrás, durante a recentemente proposta crise populacional. Populações não relacionadas com o H. sapiens posterior que viveram nesses continentes podem de alguma forma ter sobrevivido melhor ao severo resfriamento global do que grupos relacionados às pessoas de hoje.

Homo habilis thumb|upright|Crânio de um Homo habilis.Essa espécie pode ser caracterizada por apresentar uma morfologia parecida com os Au. graceis. Entretanto possui um volume endocranial levemente maior do que os australopithecines, chegando a 610 cm³, apesar de possuir forame magno anterior e pós-crânio bípede, apresenta também proporções de membros mais parecidas com o Australopithecus afarensis, com braços compridos em relação às pernas, o que indica um hábito de vida tanto terrestre (bípede) como arborícola.

Outra característica relacionada ao Homo Habilis, é um elevado prognatismo quando comparado a outros grupos de Homo. Essas controvérsias alimentam o debate da verdadeira posição do grupo em relação à evolução do gênero Homo, podendo ser o grupo inaugural do gênero, ou ainda estar dentro de Australopithecus.

Levando em consideração o material fóssil, o Homo habilis ocorria no Leste e Sul da África e apareceu por volta de 1.9 Ma, e seu último registro foi por volta de 1,6 Ma.

Homo rudolfensis Essa espécie, assim como o Homo habilis se localiza na linha entre o gênero Australopithecus e o Homo, devido às suas características ambíguas quanto aos dois grupos, esse grupo apresenta uma grande mandíbula e dentes grandes quando comparado ao Homo sapiens, além de um grande prognatismo,possui um tamanho encefálico de 752 cm³, apesar de ser um grupo ligado ao gênero Homo, falta registros fósseis conhecidos de ossos pós-craniais, para maior detalhamento do grupo.

O H. rudolfensis viveu no Leste da África (ref4) entre 2,4 a 1,8 Ma.

Homo erectus sensu lato O H. erectus sensu lato abriga as espécies H. ergaster e o H. erectus, assim o H. erectus sensu lato é descrito como o primeiro grupo que não apresenta controvérsias de ser do gênero Homo. Esse grupo apresenta um significativo aumento do tamanho encefálico apresentando uma média de 970 cm³, além de ser o primeiro grupo a apresentar, de fato, uma bipedia obrigatória, essa característica pode ser observada pela relação entre os membros, mais parecidas com o Homo sapiens. O H. erectus, quando comparado aos grupos mais ancestrais de Homo, apresenta uma redução na megadontia e no prognatismo, o que pode ser resultado do domínio do fogo por esse grupo, que começa a cozer os alimentos.

As proporções corpóreas do H. erectus, assim como algumas especializações musculares permitiram a capacidade de um aumento na resistência para correr durante longas distâncias, característica que se manterá nas espécies mais derivadas do gênero, essa nova característica permite a inferência de um hábito como a caça a outros animais (ver vídeo).