Frederico Armando de Schomberg (em alemão: Friedrich Hermann von Schönberg; Heidelberg, 16 de Dezembro de 1615 – Drogheda, 11 de Julho de 1690), duque de Schomberg e conde de Mértola, foi um líder militar nascido no Sacro Império Romano, atual Alemanha, que serviu a vários governantes europeus e assumiu diferentes nacionalidades durante sua vida.
Começando a carreira militar ao serviço das Províncias Unidas dos Países Baixos, viria a ser Marechal da França, General de Brandemburgo, e General Britânico durante a Guerra dos Nove Anos, destacando-se pelo seu domínio das ciências militares e capacidade de liderança. Contratado pelo conde de Soure, em 1660, veio para Portugal reorganizar o Exército Português, tendo contribuído decisivamente para algumas das maiores vitórias da Guerra da Restauração, como a Batalha do Ameixial e a Batalha de Montes Claros, em 1665.
A carreira militar passada parcialmente entre católicos, o seu estatuto de protestante estrangeiro e carácter reformista geraram ocasionais conflitos nos concelhos militares dos quais era membro. A despeito disto, foi acumulando honras e feitos militares, o seu serviço solicitado por vários monarcas europeus ao longo das várias décadas de carreira.
Ao serviço de Guilherme III de Inglaterra, viria a falecer em combate na Batalha do Boyne, comandando forças inglesas contra os Levantes jacobitas.
Início de vida Frederico nasceu no seio de uma família nobre germânica, os Schönburg auf Wesel, originária do Castelo de Schönburg, perto de Oberwesel, na região da Renânia. Ele nasceu em Heidelberg a 16 de dezembro de 1615, filho do conde Hans Meinhard von Schönberg (1582–1616), coronel de campo a serviço do Eleitorado do Palatinado e Brandemburgo, e da inglesa Anne Dudley (falecida em 1615), filha do 5.º Barão de Dudley, Eduardo Sutton. Sua mãe faleceu durante o parto, e o seu pai um ano depois. Com isto, sua avó assumiu os seus cuidados e educação. Dentro da sua educação, teve vários perceptores, entre eles Frederico V, eleitor do Palatinado, a quem o seu pai serviu. Frederico Schomberg foi educado na Academia de Sedan, onde permaneceu até 1630. Depois, foi enviado para Paris, acompanhado por um preceptor seu, de nome Bolsinger. A família, receando aparentemente que a influência dos seus parentes Schomberg radicados em França pudesse afastá-lo da educação protestante, retirou-o de Paris. Depois de uma breve passagem por Inglaterra, onde visitou o avô materno, Barão de Dudley, foi colocado na Universidade de Leiden, onde teria permanecido cerca de dois anos, entre 1631 e 1633.
Foi, durante a sua infância e adolescência, educado e criado como protestante calvinista, algo que lhe traria problemas com os reinos católicos onde serviu, na sua vida adulta.
Início do serviço militar esquerda|miniaturadaimagem|276x276px|Batalha de Nördlingen, por Philips Wouwerman, 1665–1668 (Coleções de Pinturas do Estado da Baviera, Munique) O seu início de serviço militar, deu-se na corte de Frederico Henrique, Príncipe de Orange, no ano de 1634, passou a servir Bernardo de Saxe-Weimar, e o Reino da Suécia.
A 5 de setembro de 1634, com 17 anos, voluntário no Regimento de Infantaria de Pfuel de onde se destacou na Batalha de Nördlingen. Apesar de pouca idade, e estar no início de sua carreira, ele lutou em escaramuças diárias ao lado do comandante veterano Reinhold von Rosen, observando mais tarde que presenciou mais guerra real naqueles poucos dias angustiantes do que em muitos anos subsequentes.
Serviço sob o Reino da França na Guerra Franco-Espanhola No ano seguinte, quando a França de Luís XIII e Richelieu entrou abertamente na guerra contra a Espanha em 1635. Sua família, e a casa aliada dos Schomberg saxões, já haviam por esta altura, alcançado destaque na França.
Durante a guerra, Schomberg passou para um corpo germânico ao serviço do Reino da França, comandado por Josias von Rantzau, onde recebeu o comando de uma companhia. Na campanha de 1636, Schomberg continuou sob Rantzau no Franco-Condado. No Cerco de Dôle, esteve presente no levantamento do cerco, e na subsequente retirada das forças francesas.
Em março de 1637, após a perda de Ehrenbreitstein, Richelieu ordenou a Rantzau um grande levantamento e recrutamento de homens na Alemanha. Conhecedor da realidade, língua e costumes locais, Rantzau enviou Schomberg para o Sacro-Império com a missão de recrutar homens, aparentemente para uma formação de cavalaria. No entanto, este levantamento foi feito lentamente e, depois de um destacamento ter sido surpreendido pelo inimigo, Schomberg foi enviado em represália contra um quartel inimigo em Nordhausen. Aqui, Schomberg encontrou uma guarda de dragões fora da localidade, lançou-se sobre ela e entrou na povoação misturado com os fugitivos. Durante esta altura, realizou, também, operações em Holstein e na Frísia em 1637.
No entanto, no final de 1637, com as várias dificuldades da guerra, termina a sua primeira fase ao serviço do rei francês. A sua saída do serviço francês, deveu-se ao confisco dos seus bens pelo imperador, Fernando III. Em 1638, retirou-se para a propriedade da família em Geisenheim, no Reno, onde, a 30 de abril de 1638, casou com a sua prima Joana Isabel de Schomberg.
Regresso ao serviço militar nos Países Baixos De 1639 a 1650, serviu mais uma vez a Frederico Henrique, inicialmente como tenente num regimento de arcabuzeiros e, em seguida, a seu filho, Guilherme II.
Durante esta altura, Schomberg entrou no círculo privado do príncipe Guilherme II, e chegou a ter participação (no entanto se direta ou indireta debatível no círculos académicos), no golpe de força de 1650, contra os Estados dos Países Baixos e Amsterdão.
Foi Schomberg quem prendeu dez a doze membros dos Estados, entre eles Jacob de Witt. Investigação holandesa posterior baseada em documentação contemporânea confirma que o barão de Schomberg fazia parte do círculo responsabilizado pelo golpe e aparece como homem da câmara ou escudeiro do príncipe. No entanto, com a morte súbita de Guilherme II, em novembro de 1650, deixou Schomberg politicamente exposto.
Retorno ao serviço francês
Saída dos Países Baixos e retorno à França miniaturadaimagem|216x216px|Carlos, príncipe de Gales (futuro Carlos II de Inglaterra, Escócia e Gales), em 1653|esquerda Com isto, em 1650, retornou à França, inicialmente como voluntário. A 28 de outubro de 1652, comprou a patente de capitão da gendarmaria escocesa (Gardes Écossaises), nomeado nesse ano general de brigada. Carlos II de Inglaterra, então exilado e com quem Schomberg mantinha relações por causa da origem inglesa da mãe, tê-lo-ia aconselhado a adquirir a companhia ao conde de Gray; o preço teria sido 20 000 libras francesas, acrescidas de uma pensão vitalícia de 600 écus (escudos franceses). miniaturadaimagem|221x221px|Henrique de La Tour de Auvérnia, Visconde de Turenne Jules Mazarin, durante esta fase da guerra, enviou Schomberg para Poitou e que depois, no cerco de Rethel, o Visconde de Turenne lhe confiou temporariamente o comando da infantaria na ausência dos oficiais-generais que ainda não tinham chegado.
Na campanha de 1653, Schomberg participou na tomada de Rethel, em 9 de julho, e de Sainte-Menehould, em 26 de novembro. A campanha de 1654 foi ainda mais significativa. Schomberg esteve no socorro de Arras, em 25 de agosto, uma das operações mais importantes de Turenne contra o exército do Franco-Condado e dos espanhóis, e depois na tomada de Le Quesnoy, em 16 de setembro. Em Arras, Schomberg comandava a gendarmerie, o que indica que Turenne já lhe confiava uma formação prestigiosa e uma responsabilidade operacional considerável.
No fim da campanha, Schomberg foi novamente ao Sacro-Império Romano-Germânico e levantou à sua própria iniciativa um regimento de infantaria. Esta capacidade de fornecer não apenas serviço pessoal, mas tropas completas à Coroa era uma forma importante de capital militar. A 16 de junho de 1655, recebeu a patente de Tenente-General, um salto extraordinariamente rápido para um estrangeiro reformado. A rapidez com que avançou na hierarquia francesa, apesar de não ser francês e de ser protestante, infere ao elevado valor que os seus serviços adquiriram junto da coroa francesa. miniaturadaimagem|243x243px|Carta militar do Cerco de Lancrecies, tomado pelas forças do rei da França a 13 de julho de 1655 Como Tenente-General, Schomberg participou na grande ofensiva de 1655 nos Países Baixos espanhóis. Esteve na tomada de Landrecies, em 13 de julho, de Condé, em 18 de agosto, e de Saint-Ghislain (chegando a ser ferido neste assalto) após a qual foi nomeado governador desta fortaleza última, em 25 de agosto.
A posição, no entanto, era delicada: a fortaleza precisava de guarnição suficiente, abastecimentos, vigilância constante e controlo das estruturas da abadia. A tentativa subsequente de certos elementos da guarnição de entregar a praça aos espanhóis confirma como frágil podia ser a fidelidade de tropas recrutadas num ambiente militar multinacional, na região limítrofe e próxima de várias incursões inimigas.
Cerco de Valenciennes e morte do filho mais velho miniaturadaimagem|259x259px|Plano do Cerco de Valenciennes (1656) Em 1656, Schomberg participou no cerco de Valenciennes, que terminou a 16 de julho, quando João José de Áustria, romperam as linhas francesas. Schomberg estava de serviço como Tenente-General, quando o ataque começou e teve de retirar parte das tropas francesas. A batalha foi uma derrota séria para Turenne e La Ferté, e Schomberg esteve muito perto de ser capturado. Foi também um episódio pessoalmente devastador. O seu filho mais velho, Otto, de dezassete anos, foi morto diante dele. Ordenando o filho a um ponto mais exposto na trincheira, Otto foi morto quase instantaneamente. Schomberg, mandou retirar o corpo e continuou a transmitir ordens. O episódio transformou-se muito cedo num elemento da reputação de disciplina e autocontrolo atribuída a Schomberg.
No início de 1657, Schomberg teve de enfrentar a consequência direta da derrota francesa. Uma força espanhola de aproximadamente 12 000 homens, comandada por Dom João José de Áustria e os aliados do Franco-Condado, cercaram Saint-Ghislain. Schomberg resistiu durante dezassete dias, mas acabou por capitular em 22 de março de 1657.
A recuperação ocorreu em setembro. Em 18 de setembro de 1657, tomou Bourbourg, uma posição que Dunlop, citando a tradição de Turenne, descreve como uma praça devastada e praticamente sem recursos, mas de grande importância estratégica. Schomberg aceitou o governo da posição, e Turenne considerava que, sem a sua presença, dificilmente poderia ser conservada. A importância de Bourbourg está na sua localização entre os acessos a Gravelines, Mardyck e Dunkerque; no inverno de 1657–1658 tornou-se um ponto avançado essencial para a campanha seguinte.
Batalha das Dunas miniaturadaimagem|255x255px|Batalha das Dunas, por Charles-Philippe Larivière, 1837. (Palácio de Versalhes) O ponto alto do primeiro período francês de Schomberg foi a Batalha das Dunas, diante de Dunquerque, em 14 de junho de 1658. Schomberg comandava a segunda linha da ala esquerda do exército de Turenne. A ala esquerda era particularmente importante porque incluía as tropas inglesas enviadas pelo governo de Cromwell ao abrigo da aliança anglo-francesa. A disposição mostra que Schomberg, estrangeiro e protestante, era uma escolha lógica para atuar junto de uma componente inglesa igualmente protestante e estrangeira dentro da força de Turenne.
Ao ver os ingleses da primeira linha fortemente empenhados contra os espanhóis nas dunas, Schomberg terá tomado o segundo batalhão inglês que se encontrava na segunda linha e conduzido pessoalmente esse reforço para apoiar a primeira.
Depois da vitória e queda de Dunquerque, Schomberg participou na ofensiva que desmantelou grande parte do sistema defensivo espanhol da Flandres marítima.
Tensões com Turenne no final da campanha