D. Diogo Lopes Pacheco (Ferreira de Aves, –), 8.º Senhor de Ferreira de Aves, filho de Lopo Fernandes Pacheco, 7.º Senhor de Ferreira de Aves, e de sua primeira mulher Maria Gomes Taveira. Foi um fidalgo da corte de D. Afonso IV que, como conselheiro deste monarca, teria participado na condenação de Inês de Castro. Após o assassínio desta, ocorrido em 1355, o seu nome e os de Pêro Coelho e de Álvaro Gonçalves foram apontados como sendo os dos executores dessa cruel sentença de morte. E, em 1357, com a subida de D. Pedro I ao trono de Portugal, temendo a vingança do novo Rei, esses três fidalgos procuraram refúgio em Castela. Todavia, o Rei de Castela negociou a extradição dos presumíveis assassinos de Inês de Castro.
Biografia Decorria o ano de 1360, quando D. Pedro I de Castela e Pedro I de Portugal fizeram um acordo para a troca de certos nobres castelhanos, refugiados em Portugal, por alguns nobres portugueses foragidos em Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves vieram a ser supliciados em Santarém, enquanto Diogo Lopes Pacheco conseguia fugir para Avinhão na França e escapar, assim, à cruel sorte dos outros dois. Em contrapartida, D. Pedro I de Castela recebeu e mandou matar os fidalgos castelhanos Pedro Nunes de Gusmão, Mem Rodrigues Tenório, Fernão Gudiel Toledo, e Fernão Sanches Caldeira.
Durante o reinado de D. Fernando (1367-1383), Diogo Lopes voltou para Portugal, vindo a desempenhar funções diplomáticas, nomeadamente nas negociações do Tratado de Alcoutim (1371). Mas, em desacordo com o casamento do monarca português com D. Leonor Teles, e temendo a perseguição desta, voltou de novo a exilar-se. Ao serviço de D. Henrique II de Castela, aconselhou este monarca a cercar Lisboa, crendo que os seus defensores, «cerrados como ovelhas em curral», seriam forçados a render-se por falta de mantimentos. Isso não aconteceu, vindo a luta a terminar mercê da mediação do cardeal Guido de Bolonha, que o Papa enviara à Península Ibérica para negociar a paz entre Portugal e Castela.
A 19 de Março de 1373 foi assinado em Santarém um tratado de paz, vantajoso para Castela. O Rei de Portugal obrigava-se a anular todas as disposições que acordara com o duque de Lencastre.
Perdoado e reintegrado na posse dos seus bens por D. Fernando, apesar de ter pegado em armas contra a pátria, Diogo Lopes beneficiou assim do clausulado do referido tratado de Santarém. Retornando a Castela, de novo volta a Portugal em 1384, para apoiar o Mestre de Avis, e sabemos que ainda vivia em 1385, porquanto esteve presente na batalha de Aljubarrota.
Casamento e descendência Antes de casar, teve de Margarida Pires dois filhos naturais: Lopo Fernandes Pacheco ( 1325–?), legitimado por D. João I de Portugal por Carta de 21 de Fevereiro de 1392, casado primeira vez com Francisca Vasques Coutinho, casado segunda vez com Isabel Afonso Valente e casado terceira vez com Isabel Borges da Silva. Com geração dos três casamentos. Fernão Lopes Pacheco ( 1326–?), alcaide-mor de Santarém, casado com Catarina Rodrigues Ribeiro, com geração. Casou 1350 com Joana Vasques Pereira, filha de Vasco Gonçalves de Pereira, conde de Trastâmara, e de Inês Lourenço da CunhaLinhagens Medievais Portuguesas: genealogias e estratégias 1279-1325, por José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, Porto, 1997, volume II, pág. 895 - repositorio-aberto.up.pt, da qual teve: João Fernandes Pacheco, 9.º senhor de Ferreira de Aves, casado com D. Inês Teles de Meneses, com geração. Branca Dias Pacheco, casada com Gil Vasques de Resende, senhor de Resende, com geração.
Ligações externas Os exílios da linhagem dos Pacheco e sua relação com a natureza de suas vinculações aos Castro (segunda metade do século XIV), por Fátima Fernandes, Cuadernos de Historia de España. LXXXII, Buenos Aires, 2018 Usurpações, casamentos régios, exílios e confiscos, as agruras de um nobre português no século XIV, por Fátima Fernandes, Revista História Helikon, Curitiba, v.2, n.2, p.02-15, 2.º semestre/2014
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