O liberto é um antigo escravo que conseguiu (ou recebeu) a liberdade, por emancipação ou por alforria.

Os libertos existem em todas as sociedades escravagistas. Por exemplo, na Roma Antiga, os libertos formavam aproximadamente 5% da população romana durante a era imperial. Como necessitavam de um apelido, normalmente tomavam o sobrenome do seu antigo dono, que se convertia no seu patrono.

Nos Estados Unidos, o termo freedman está associado à história do país, onde é utilizado para se referir aos mais de quatro milhões de escravos libertados por: Proclamação de Emancipação de 1863, legislações estaduais e, ratificação da 13.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

História Antiguidade pré-romana Escravos emancipados tiveram maior destaque na sociedade romana do que nas cidades-Estado gregas ou nos reinos helenísticos. Na Grécia, o apeleutheros ou exeleutheros (fem. apeleuthera/exeleuthera) costumava se misturar normalmente aos demais homens livres da sociedade, sem, no entanto, partilhar de seus direitos e da cidadania. Muitas vezes o ex-escravo continuava a realizar certas tarefas enquanto o seu antigo patrão estivesse vivo. As oportunidades de liberdade na antiga sociedade grega não eram numerosas; entre elas estava a manumissão concubinal, onde um escravo ou escrava adquirido inicialmente para o prazer sexual de seu proprietário acabava tornando-se alvo de seu afeto, a ponto do dono favorecer-lhe com a liberdade. A antiga Atenas foi um dos raros casos da história onde escravos homens conseguiram a liberdade por este meio; havia a incidência relativamente alta do comportamento considerado hoje em dia como homossexual entre a classe dos proprietários de escravos, e um número significativo de escravos comprados para propósitos sexuais eram homens.Patterson, Orlando. Slavery and social death. cap. II, 8.

Roma Antiga

Os homens livres eram "ingênuos" (em latim, ingenui), pessoas que nasciam nessa condição; ou libertos (em latim liberti), um escravo quando era libertadas da servidão legal, esta pessoa era libertus (ou seja, "libertado") em relação ao seu antigo dono (patronus),qui ex justa servitute manumissi sunt, Caio, I, 11. enquanto em relação a classe à qual passou a pertencer depois da libertação, era um libertinus. O escravo liberto por um cidadão romano também costumava receber a cidadania, e as oportunidades para a manumissão de um escravo eram diversas.

Estados Unidos Nos Estados Unidos o termo "liberto" (Freedmen, em inglês) se refere principalmente aos escravos emancipados durante e depois da Guerra Civil Americana.

Os escravos libertados antes da guerra, geralmente por manumissões individuais, muitas vezes expressas em testamentos, eram conhecidos como Free Negroes ("negros livres"). Na Luisiana e outras áreas da Nova França, especialmente antes da anexação pelos Estados Unidos (Compra da Luisiana), havia a designação "pessoas livres de cor" (em francês: gens de couleur libre). Muitos faziam parte da comunidade créole, estabelecida na região muito antes da presença americana. A comunidade negra aumentou em Nova Orleans nos anos de 1808 e 1809, com a chegada de uma onda de imigrantes haitianos, ocorrida após a Revolução Haitiana - o que só fortaleceu a comunidade francófona "de cor" local.

Quatro milhões de pessoas - nem todas elas "de cor" - passaram da escravidão à liberdade como resultado da Proclamação de Emancipação, e da 13ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Embora a Proclamação declarasse que todos os escravos nos estados do sul eram, na essência, 'livres', ela não terminou com a escravidão no país. A abolição de fato só foi conseguida através da 13ª emenda; a 14ª deu aos escravos cidadania integral, enquanto a 15ª deu os direitos de voto a todo os homens adultos livres. Estas emendas são conhecidas como as "emendas dos direitos civis", ou "emendas pós-Guerra Civil".

Para ajudar os libertos na transição da escravidão à liberdade, incluindo um mercado de trabalho livre, o presidente Abraham Lincoln criou o Freedmen's Bureau ("Escritório do Liberto"), que designou diversos agentes por todo o sul do país. O Escritório criou escolas para educar os libertos, tanto adultos quanto crianças; ajudou os libertos a negociarem contratos trabalhistas, e tentou minimizar a violência contra os libertos. O período da Reconstrução foi uma tentativa de estabelecer novos governos na antiga Confederação, e de trazer os libertos para a sociedade, como cidadãos votantes.

No século XXI ainda é travada uma disputa entre a Nação Cherokee e os descendentes dos libertos dos antigos senhores cherokees, a respeito dos direitos destes libertos de serem membros (ou receberem a 'cidadania') da tribo cherokee. A questão ocorre devido aos benefícios que pertencer à tribo pode trazer, potencialmente; e alguns destes descendentes alegam que a emancipação dos escravos no país lhes teria dado automaticamente a cidadania cherokee.

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