Várzea Grande (informalmente referida pelo acrônimo VG) é um município brasileiro do estado de Mato Grosso. Situada à margem direita do Rio Cuiabá, está a oeste da capital mato-grossense e ocupa uma área de . Pertence à Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e as regiões geográfica intermediária e imediata de Cuiabá. Sua população conforme estimativa populacional em 2025, era de habitantes, sendo a segunda cidade mais populosa do estado, a 7º mais populosa da região Centro-Oeste e a 93° mais populosa do país.
Possuí o quarto maior Produto Interno Bruto de Mato Grosso, ficando atrás de Cuiabá, Rondonópolis e Sorriso, tendo importante atividade econômica nos setores industrial e comercial, a cidade é um dos mais importantes polo atacadista e turístico do estado. Com uma taxa de urbanização da ordem de 98,46%, o município contava, em 2009, com 51 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,734 (2010), considerando como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sendo o decimo terceiro entre os municípios mato-grossense.
Várzea Grande foi fundada em 1867 pelo presidente da província de Mato Grosso, o Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães, como um acampamento militar da Guerra do Paraguai, para dar suporte aos paraguaios residentes na região de Cuiabá. Com o fim do conflito, formou-se o povoado composto por soldados e cidadãos paraguaios e vaqueiros, sendo em 4 de junho de 1874 foi inaugurada uma balsa, a primeira ligação da região à capital. Em 1896 torna-se distrito de Cuiabá e tornando-se município em 23 de setembro de 1948. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, com uma política de incentivos fiscais e doações de áreas por parte da prefeitura e do poder público estadual, foram atraída indústrias de bebidas, frigoríficos e madeireiras, tornando a cidade no maior polo industrial do estado.
Atualmente, encontra-se sob conurbação com a capital Cuiabá, tendo 6 pontes (Julio Muller, Ponte Nova, Juscelino Kubitschek, Sérgio Motta, Mário Andreazza e Sarita Baracat) como principal meio de deslocamento a cidade pelo Rio Cuiabá e também sendo considerada "porta de entrada" para a Amazônia Legal, por estar próxima a Rodovia dos Imigrantes (trecho das BR-163 e BR-364) e a BR-070. Na cidade abriga o principal aeroporto do estado, o Aeroporto Internacional Marechal Rondon (IATA: CGB, ICAO: SBCY), serve a Cuiabá e a sede do Parque Tecnológico Mato Grosso.
Etimologia Segundo o professor e historiador José Wilson Tavares em sua obra "Várzea Grande: História e Tradição", a atual denominação do município deve sua origem ao período em que criadores de gado das cidades de Poconé e de Nossa Senhora do Livramento utilizavam a região como ponto de referência, pois lhes oferecia desde dormitórios até caminhos para viagens para o norte e o oeste do estado. Por estar localizada próxima à várzeas, (em períodos de cheia se elevava a 185 metros acima do nível do mar) a denominaram de Várzea Grande, devido a sua extensão.
História
Fundação thumb|esquerda|Índios Guanás, primeiros habitantes da região. thumb|esquerda|Busto do Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães, considerado fundador do município.
A região do atual município de Várzea Grande surgiu em 1832, quando o governo imperial doou uma sesmaria a tribo indígena Guanás: Índios considerados mansos pelos portugueses e hábeis canoeiros e pescadores, foram os precursores da atividade econômica da região e também da indústria manual com a confecção de redes grosseiras e da produção da cerâmica. Possuindo como base o comércio de troca e o cultivo da terra na virada dos séculos XIX e XX, foi o caminho obrigatório das boiadas que vinham de Rosário do Rio Acima (atual município de Rosário Oeste) a caminho de Cuiabá. Muito tempo depois, a região passou a ser um importante fornecedor de redes grosseiras e carne seca, produto muito apreciado por aventureiros que nesta região passaram a criar gado na região do atual distrito da Praia Grande e ao sul de Nossa Senhora do Livramento.
Na localidade houve a exploração da mineração, iniciada pelo bandeirante sorocabano Miguel Sutil com a garimpagem do ouro em córregos e encostas na região do Morro Vermelho, mas não logrou êxito. Essa região apenas possibilitou uma localização estratégica com acesso ao norte para as regiões dos atuais municípios de Diamantino e Rosário Oeste.
Em 15 de maio de 1867, durante a Guerra do Paraguai, o presidente da província de Mato Grosso, Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães, mandou construir o Acampamento Magalhães na margem direita do Rio Cuiabá, com o objetivo de dar suporte aos cidadãos paraguaios que viviam na região de Cuiabá. Além disso, colocou um corpo de guarda à disposição da população, já que Várzea Grande era um ponto estratégico.
Pós-Guerra thumb|esquerda|200px|Cidadãos paraguaios residente em Cuiabá. thumb|esquerda|200px|Barca Pêndulo, a primeira ligação de Várzea Grande a Cuiabá. Com o fim do conflito, os remanescentes do acampamento militar tiveram a fixação imediata ocorrida por um período de 2 anos, sendo fundado o novo povoado. Em 1870, os destacamentos foram enviados de volta para Cuiabá. O povoado de Várzea Grande foi formado por três tipos de pessoas: soldados, prisioneiros paraguaios e vaqueiros.
Com as primeiras crianças locais, o governo contratou a primeira pessoa para lecionar: Mestre Bilão. A produção de carne seca levou os moradores aproveitando o couro para a confecção de artigos para montaria: arreamentos, caronas, cordas, laços, moitos, peias, sogos e tropins, produzidos sob encomenda para proprietários de terras de Nossa Senhora do Livramento e de Poconé. No mesmo período, também foram formados os elementos da cultura local, como o ritmo musical rasqueado.
Em 4 de junho de 1874, é inaugurado o primeiro meio de transporte direto para Cuiabá: a Barca Pêndulo, uma balsa que fazia a travessia do Rio Cuiabá, dirigida por Luiz Monteiro de Aguiar (concessão dada pelo presidente da província, José Miranda Reis). Sua inauguração contou com a presença de parte da população de Cuiabá, com bandeirolas, foguetes, girândolas, roqueiras, canhões e a banda do Arsenal de Guerra.
Em abril de 1886, o povoado foi elevado a Paróquia. Em 1890, Sebastião dos Anjos e Elesbão Pinto iniciaram uma revolução religiosa, que levou à construção da Igreja de Nossa Senhora da Guia, que foi inaugurada em 1892.
Em abril de 1896, foi elevada a distrito de Cuiabá e possuía duas escolas, uma urna para eleitores, uma sub-delegacia e um cartório. Nesse período, se envolveu na revolução de Totó Paes contra as tropas de Generoso Ponce, quando o clima de terror e a crise política fez com que muitas famílias procurassem outras localidades.
Em 1906, ocorreu um rápido crescimento de população, que deu origem a povoados como São Gonçalo, Bonsucesso e Capão Grande. Em 1920, o então distrito de Várzea Grande recebia investimentos governamentais, sobretudo na área educacional. Contava com banda, orquestra e o teatro de Adalgisa de Barros.
Em 1938, a prefeitura de Cuiabá cedeu um terreno que Abelardo Ribeiro de Azevedo distribuiu entre os moradores, para a formação da Colônia de Trabalhadores (que hoje engloba Córrego de Areia, Lagoa dos Patos e Capão de Negro). Também formou-se, nesse período, o quilombo Capão de Negro.
Emancipação e Desenvolvimento thumb|esquerda|200px|Da esquerda para a direita: Cândido Rondon, governador Arnaldo Estêvão de Figueiredo, Eurico Gaspar Dutra e Filinto Muller. Cerimônia de instalação do município de Várzea Grande em 1949. thumb|200px|Ponte Julio Muller, ligação de Várzea Grande a Cuiabá em 1942. thumb|esquerda|200px|Planta de divisão distrital de Várzea Grande em 1949. Em janeiro de 1942, a Ponte Julio Muller foi inaugurada, ligando o terceiro distrito (atual bairro Alameda) e os distritos de São Gonçalo do Pedro II e Porto, em Cuiabá. A ponte em estilo Art Déco tem 224 metros de comprimento, 60 metros de pista e passeio público, e 40 metros para navegação. Em 1945, a energia elétrica chegou à localidade, sendo o terceiro distrito de Cuiabá a recebê-la.
Em 1948, com o decreto de lei estadual n° 126 de 23 de setembro do mesmo ano de autoria do deputado Licínio Monteiro e sancionado pelo governador Arnaldo Estêvão de Figueiredo, Várzea Grande se emancipa de Cuiabá. O novo município englobou o antigo 3º distrito cuiabano e uma área de 600 Km² de Nossa Senhora do Livramento; e, cinco anos depois, 682 Km² do distrito de Passagem da Conceição. Nesse período, Várzea Grande ampliou o comércio com Cuiabá, fornecendo carnes, lenha, carvão, materiais de construção e vários cereais.
Em 1949, ocorreu a instalação do município e a nomeação do primeiro prefeito, Major Gonçalo Romão de Figueiredo. Além disso, foi criado o primeiro clube de futebol municipal, o Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense. A partida de estreia aconteceu contra o Palmeiras de Cuiabá, no antigo Círculo Operário. A Câmara Municipal de vereadores foi instalada em 25 de julho, sendo o primeiro presidente, o vereador Benedito Gomes da Silva.
Em 1952 na administração do prefeito Júlio Domingos de Campos, foi instalado o primeiro sistema de abastecimento de água da cidade, a inauguração da primeira caixa d’água. Localizada na Avenida Filinto Muller, sua construção visava facilitar a vida da população que, até então, buscava água em poços e cacimbas. Em 1954, foi construída a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (posteriormente elevada a Paróquia).
Em 1956, a pista de decolagem foi transferida de Cuiabá para o bairro Jardim Aeroporto, em Várzea Grande. Em 1957, foram inaugurados o primeiro posto de combustível e a cadeia pública, e também lançado o código tributário municipal. Em 1964, foi instalado o terminal do Aeroporto Marechal Rondon na Avenida João Ponce de Arruda e o aniversário da cidade foi transformado em feriado municipal.
Crescimento aos dias de hoje
Em 1966 foi marcado pela implantação da indústria de óleos vegetais Matoveg, ocupou uma área de quatro mil metros quadrados devidamente equipados com moderna instalação (para a época) de máquina de prensagem, refinação, saboaria, laboratório, armazenagem, etc. Localizada no Morro Vermelho ao lado dos primeiros quilômetros da via asfaltada da BR-364 na região do Cristo Rei foi idealizada pelo ex-governador Júlio Müller e o senhor Guilherme de Abreu Lima. Com um investimento de CR$ 5 milhões de cruzeiros, a indústria passava a produzir óleo vegetal a partir da extração do coco babaçu.
No início da década de 1970, indústrias madeireira, cerâmica, frigorífica, de bebidas e de balaios se instalaram na cidade. Também foram inaugurados o Paço Municipal e o asfalto da Avenida da FEB. Em 1974, a Sadia Oeste S.A se instalou na região do Cristo Rei. O distrito de Capão Grande foi criado em maio de 1976 e anexado a Várzea Grande. Em 1977, uma fábrica da Coca-Cola também instalou-se no município.
Nos anos 1980, várias intervenções urbanas foram iniciadas, como os alargamentos das avenidas da FEB, Felinto Müller, Júlio Campos e Ulisses Pompeu de Campos. Em 1985, a Ponte Juscelino Kubistchek e a Associação Comercial e Industrial de Várzea Grande foram inauguradas.
Em 1992, o Palácio Benedito Gomes da Silva, nova sede da Câmara Municipal, e a linha de abate de aves da Sadia Oeste foram inauguradas.
Em março de 2002, a Ponte Sérgio Motta (terceira ponte estaiada do Brasil) foi inaugurada no bairro Cristo Rei, ligando a cidade a Cuiabá. Em 2004, o primeiro terminal de transporte intermunicipal (Terminal André Maggi) foi inaugurado, contendo duas plataformas para 10 ônibus, atendendo 10 mil pessoas por dia. Em 2015, foi inaugurado o primeiro shopping center da cidade, o Várzea Grande Shopping com 180 lojas e 6 salas de cinema.
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