Liga Operária foi uma pequena organização operária socialista e trotskista brasileira, fundada em 1972 e que existiu até 1978, teve papel importante nas lutas estudantis e operárias na década de 1970 e na organização da Convergência Socialista e do Partido dos Trabalhadores.

História Com a intensificação da repressão no Brasil, durante a ditadura militar, alguns militantes da esquerda brasileira viajam para o Chile, durante o governo de Salvador Allende: São eles Túlio Quintiliano, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Enio Buchioni, ex-militante da Ação Popular, Maria José Lourenço (Zezé) e Jorge Pinheiro, ex-militantes do Movimento Nacionalista Revolucionário, e Waldo Mermelstein.

No Chile, durante o IX Congresso Quarta Internacional entram em contato com dois importantes militantes do movimento trotskista internacional, o crítico Mário Pedrosa e o peruano Hugo Blanco. Mário Pedrosa os coloca em contato com Nahuel Moreno, reunindo-se então num grupo chamado Ponto de Partida, na proposta de fundar um partido de massas.

Com o golpe de Pinochet, em 1973 Túlio Quintiliano é detido,junto com sua esposa Narcisa Beatriz Verri Whitaker, e levado para a Escola Militar, tendo sido encaminhando, em seguida, para o Regimento Tacna - desde então, encontra-se desaparecido. Enio Bucchioni também foi detido após o golpe, mas encaminhado ao Estádio Nacional. Foi um dos últimos brasileiros a sair de lá, conseguindo exilar-se na França e, posteriormente, em Portugal. Zezé, Jorge e Waldo vão para a Argentina, onde fundam a Liga Operária. Em 1974 voltam ao Brasil para um trabalho político clandestino de atuação política e sindical, chegando a reunir 300 militantes até 1977.

Maio de 1977 Nas vésperas do primeiro de maio de 1977, ativistas sindicais e militantes da Liga Operária (LO) são presos em no ABC paulista, distribuindo panfletos comemorativos a data, entre eles os operários Celso Giovanetti Brambilla, José Maria de Almeida e Márcia Bassetto Paes, da LO, além de Ademir Mariri, Fernando Antonio de Oliveira Lopes e Anita Maria Fabbri.

Inicia-se aí uma grande mobilização nacional na luta pela anistia no Brasil e pelo fim das torturas. Neste mesmo ano o Partido Socialista dos Trabalhadores da Argentina, dirigido por Nahuel Moreno, funda a Tendência Bolchevique, como uma tendência da IV Internacional, agrupamento ao qual a Liga Operária se filia.

Convergência Socialista Em 1978, os militantes da Liga Operária propõem a formação de um amplo movimento socialista no Brasil, com objetivo de reunir os socialistas brasileiros, num movimento para participar abertamente da vida política brasileira. Começa a se articular assim o Movimento Convergência Socialista (MCS), que consegue reunir alguns dos velhos militantes socialistas brasileiros. A Liga Operária passa a se chamar Partido Socialista dos Trabalhadores, que integra o MCS.

Em 19 de agosto de 1978 realiza-se a primeira convenção nacional do MCS, esta convenção nacional reuniu mais de 300 delegados, de oito estados, e 1.200 presentes.

No dia 21 de agosto, três dias depois da convenção, 24 militantes da Convergência Socialista, todos da Liga Operária, são enquadrados na Lei de Segurança Nacional e mantido presos durante todo o segundo semestre. Entre eles o argentino Nahuel Moreno. A campanha internacional pela libertação dos militantes, que inclui uma greve de fome no Brasil, mobiliza o movimento estudantil e tem repercussão internacional, com mensagens pela libertação dos presos, como a do escritor Gabriel García Márquez.

A Dissolução do PST e o Movimento Por um Partido dos Trabalhadores no Brasil Em 1979, face a constatação de que o Movimento Convergência Socialista era basicamente formado apenas pelos militantes do PST e com a previsão de ascenso do movimento dos trabalhadores no Brasil, o PST decide se dissolver e integrar-se na Convergência Socialista, que existia como associação legal.

Durante o X Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo, em Lins (SP), de 22 a 27 de janeiro de 1979, José Maria de Almeida, ativista do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e militante da CS, propõe um manifesto chamando “todos os trabalhadores brasileiros a unir-se na construção de seu partido, o Partido dos Trabalhadores”. A moção é aprovada. Em março de 1979 explode a greve dos metalúrgicos do ABC e do interior paulista.

Referências Website do PSTU Entrevista com Maria José (Zezé), uma das fundadoras da Liga Operária Banco de dados Folha de S.Paulo, sobre prisão dos ativistas sindicais da Liga Operária. Dez de maio de 1977

O trotskismo e o capitalismo neoliberal no Brasil: Democracia Socialista, PSTU e O Trabalho - uma análise das campanhas eleitorais de 1998 e 2002. Andrei da Cunha Guerrero Gutierrez. Dissertação UNICAMP Breve história da corrente trotskista morenista no Brasil. autor: Bernardo Cerdeira As esquerdas no Brasil: Revolução e democracia (1964-) Por Jorge Luiz Ferreira e DANIEL AARÃO REIS. RJ: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA. pg. 157 Memorial do Comunismo: Organizações terroristas brasileiras em Usina de Letras

Bibliografia Emiliano José. Asas Invisíveis do Padre Renzo. Editora: Casa Amarela. ISBN 8586821292. Memórias de Padre Renzo Rossi que visitava os presídios e as famílias dos presos “desaparecidos”, entre 1964-1980. Artigo em espanhol sobre o jornal Independência Operária publicado pela organização Liga Operária José Castilho Marques Neto. Solidão Revolucionária - Mário Pedrosa e as Origens do Trotskismo. Paz e Terra, 1993.

Ver também Mário Pedrosa Leon Trotsky Nahuel Moreno José Maria de Almeida PSTU Convergência Socialista Surgimento da Convergência Socialista

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