Yolanda Barboza da Costa e Silva (Curitiba, — Rio de Janeiro, ) foi a esposa do marechal Artur da Costa e Silva, 27.º presidente do Brasil, e exerceu o papel de primeira-dama do país de 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969, durante a segunda presidência da ditadura militar brasileira.

Durante o período em que foi primeira-dama, presidiu a Legião Brasileira de Assistência (LBA), participou de iniciativas assistenciais e representou o governo brasileiro em solenidades e recepções diplomáticas. Entre os acontecimentos mais conhecidos de sua atuação pública estiveram a recepção à rainha Elizabeth II e ao príncipe Filipe, em 1968, e sua relação profissional com a estilista Zuzu Angel.

Seu período como primeira-dama coincidiu com o aprofundamento do autoritarismo no país. Em dezembro de 1968, o governo de Costa e Silva decretou o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), que permitiu o fechamento do Congresso Nacional, a suspensão de direitos políticos e a ampliação da repressão estatal. Após o afastamento do marido por motivos de saúde, em agosto de 1969, Yolanda deixou as funções relacionadas à condição de primeira-dama. Viúva a partir de dezembro daquele ano, manteve-se relativamente afastada da vida pública, embora tenha concedido entrevistas nas quais defendeu a memória e apresentou sua interpretação sobre o governo de Costa e Silva.

Primeiros anos e família

Yolanda Ramos Barboza nasceu em Curitiba, capital do Paraná, em 30 de outubro de 1907. Era filha de Arminda Craveiro Ramos e do então segundo-tenente Severo Correia Barboza, que posteriormente alcançou o generalato. A notícia de seu nascimento foi publicada pelo jornal curitibano A Notícia, em novembro daquele ano.

Oriunda de uma família ligada às Forças Armadas, Yolanda cresceu em um ambiente marcado pela carreira militar de seu pai e de outros integrantes da família. Um perfil oficial de Costa e Silva publicado no Distrito Federal também registrou sua filiação e a origem militar de sua família.

Em 22 de setembro de 1925, casou-se com Artur da Costa e Silva em Juiz de Fora, Minas Gerais. O casamento foi registrado pelo jornal carioca O Paiz em sua edição de 29 de setembro de 1925.

O casal teve um único filho, Álcio Barboza da Costa e Silva, nascido em 1926, que seguiu carreira no Exército e alcançou o posto de coronel. Também atuou como engenheiro ligado à área de telecomunicações.

Ao longo das décadas seguintes, Yolanda acompanhou o marido em suas sucessivas funções e transferências militares. Costa e Silva tornou-se general, comandou o II Exército, foi ministro da Guerra no governo de Humberto de Alencar Castelo Branco e, em 1966, foi escolhido para sucedê-lo na Presidência da República.

Atuação anterior à Presidência

Segundo perfil retrospectivo publicado pelo Acervo de O Globo, Yolanda era católica e participou de grupos femininos conservadores que se opunham ao governo do presidente João Goulart e denunciavam uma suposta infiltração comunista nas igrejas e na sociedade brasileira. Essas organizações femininas e religiosas estiveram entre os setores civis que apoiaram a deposição de Goulart e a instauração do regime militar em 1964.

Antes da posse presidencial de Costa e Silva, Yolanda passou a acompanhá-lo em compromissos internacionais. Registros audiovisuais preservados pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getulio Vargas, documentam a visita realizada pelo presidente eleito ao Japão entre 16 e 19 de janeiro de 1967.

Ainda em janeiro de 1967, Costa e Silva realizou uma visita informal aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Lyndon B. Johnson. A agenda oficial norte-americana registra a permanência do presidente eleito brasileiro no país entre os dias 25 e 28 daquele mês.

Primeira-dama do Brasil

Yolanda tornou-se primeira-dama do Brasil em 15 de março de 1967, com a posse de Artur da Costa e Silva. Permaneceu nessa posição até 31 de agosto de 1969, quando o marido foi impedido de continuar exercendo a Presidência em razão de uma trombose cerebral.

Embora a condição de primeira-dama não correspondesse a um cargo constitucional, Yolanda exerceu funções assistenciais e cerimoniais tradicionalmente atribuídas às esposas dos presidentes da República. Sua principal responsabilidade institucional foi a presidência da Legião Brasileira de Assistência.

Presidência da Legião Brasileira de Assistência

Como presidente da LBA, Yolanda participou de visitas, campanhas e atividades voltadas para gestantes, crianças e famílias de baixa renda. Uma reportagem do órgão oficial do Distrito Federal, publicada em abril de 1968, registrou sua visita à área conhecida como “Invasão do IAPI”, em Brasília.

Na ocasião, Yolanda examinou enxovais para recém-nascidos confeccionados pelas próprias gestantes com materiais fornecidos pela LBA. A visita contou com a participação de representantes da Secretaria de Serviços Sociais e de integrantes dos trabalhos assistenciais desenvolvidos no local.

A presidência da entidade por esposas de presidentes fazia parte do chamado primeiro-damismo, modelo de atuação no qual as primeiras-damas assumiam a direção ou o patrocínio de programas de assistência social.

Durante a gestão de Yolanda, a LBA passou por uma alteração jurídica. O Decreto-Lei nº 593, de 27 de maio de 1969, autorizou a instituição da Fundação Legião Brasileira de Assistência, que incorporou o patrimônio e sucedeu a associação civil de mesmo nome.

A atuação de Yolanda na LBA esteve associada ao modelo filantrópico e assistencial então predominante. Nas décadas seguintes, a assistência social brasileira seria progressivamente transformada em política pública de direitos, especialmente após a Constituição de 1988 e a criação do Sistema Único de Assistência Social.

Representação diplomática e cerimonial

Yolanda participou de recepções, banquetes, condecorações e encontros com representantes estrangeiros. Um dos principais acontecimentos diplomáticos de seu período como primeira-dama foi a visita oficial da rainha Elizabeth II e do príncipe Filipe ao Brasil, realizada em novembro de 1968.

Em 5 de novembro, Yolanda acompanhou Costa e Silva na recepção aos monarcas britânicos no Aeroporto Militar de Brasília. Posteriormente, o casal presidencial recebeu a rainha e o príncipe no Palácio da Alvorada, onde ocorreu uma cerimônia de troca de presentes e condecorações.

Durante a cerimônia, Elizabeth II presenteou Yolanda com um bracelete de ouro de dezoito quilates, formado por elos facetados e decorado com o monograma real. Naquela noite, Costa e Silva e Yolanda ofereceram um banquete no Palácio do Itamaraty à rainha, ao príncipe e à comitiva britânica.

A visita da rainha ao Brasil ocorreu entre 1º e 11 de novembro de 1968 e foi a única realizada por Elizabeth II ao país durante seus setenta anos de reinado.

Moda e relação com Zuzu Angel

A moda teve importância na construção da imagem pública de Yolanda. Entre as profissionais que produziram peças para a primeira-dama esteve a estilista Zuzu Angel, que alcançava projeção nacional e internacional durante a década de 1960.

Em janeiro de 1968, Yolanda e Zuzu visitaram a fábrica de tecidos Werner, em Petrópolis. Fotografias preservadas pelo Acervo Digital Zuzu Angel mostram as duas diante de amostras de tecidos.

Yolanda também encomendou à estilista um manto destinado a ser presenteado à rainha Elizabeth II durante a visita ao Brasil. O acervo de Zuzu conserva fotografias, esboços e reportagens relacionadas à produção da peça.

Na recepção aos monarcas britânicos, Yolanda utilizou um vestido confeccionado por Zuzu Angel. Fotografias do evento e estudos posteriores sobre a trajetória da estilista confirmam que a primeira-dama vestiu uma de suas criações durante a visita real.

O acervo de Zuzu também conserva um cartão enviado por Yolanda referente ao pagamento de 2.500 cruzeiros por serviços prestados pela estilista, bem como a resposta de Zuzu, datada de 3 de novembro de 1968.

Entrevista a Clarice Lispector

Em 5 de abril de 1969, Yolanda foi entrevistada pela escritora e jornalista Clarice Lispector para a revista Manchete. A entrevista recebeu o título “Já viajei por todo o mundo, mas não vi nada como a Amazônia” e foi publicada nas páginas 104 e 105 da edição nº 885 da revista.

A conversa tratou de viagens realizadas por Yolanda, de suas impressões sobre diferentes regiões brasileiras e de aspectos de sua vida como primeira-dama. A entrevista foi posteriormente recuperada em estudos sobre a atividade jornalística de Clarice e incluída na coletânea ampliada Clarice Lispector entrevista.

Imagem pública e influência política atribuída

Relatos publicados posteriormente atribuíram a Yolanda influência sobre algumas decisões do marido. A versão mais conhecida envolve o início da carreira pública de Paulo Maluf. O livro Todas as mulheres dos presidentes, de Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Mello, afirma que Yolanda teria sugerido a nomeação de Maluf para a presidência da Caixa Econômica Federal em São Paulo.

A mesma narrativa afirma que Maluf teria presenteado Yolanda com um colar de pérolas como agradecimento. Yolanda negou a história, classificando-a como uma calúnia e declarando ter recebido de Maluf apenas sua amizade.

Outras fontes apresentam uma versão diferente. O verbete biográfico de Maluf mantido pelo CPDOC da Fundação Getulio Vargas atribui sua nomeação para a Caixa Econômica ao então secretário da Fazenda paulista, Antônio Delfim Netto, e seu posterior ingresso na prefeitura de São Paulo ao apoio direto de Costa e Silva, sem mencionar uma intervenção de Yolanda. Por essa razão, a alegada participação da primeira-dama deve ser apresentada como uma versão atribuída por relatos retrospectivos, e não como fato documentalmente estabelecido.

Durante o governo, também circularam comentários sobre uma suposta proximidade entre Yolanda e o colunista social Ibrahim Sued. Segundo retrospectiva de O Globo, integrantes do meio militar desconfiavam que acontecimentos internos do Palácio eram transmitidos pela primeira-dama ao jornalista. A própria fonte apresenta a informação como comentário corrente na época, sem documentação conclusiva.

O mesmo perfil registra que o estilista Clodovil Hernandes “teria sido” demitido de uma emissora de rádio após criticar uma roupa usada por Yolanda. Como não foi localizada documentação que comprove uma ordem ou intervenção direta da primeira-dama, o episódio é tratado como uma alegação da época.

Doença e afastamento de Costa e Silva

No final de agosto de 1969, Costa e Silva sofreu uma trombose cerebral que o deixou incapacitado para continuar exercendo a Presidência. Em vez de permitir a posse do vice-presidente Pedro Aleixo, os ministros das três Forças Armadas assumiram o governo por meio de uma junta militar.

Com o afastamento do marido, Yolanda deixou de exercer as atividades de primeira-dama em 31 de agosto de 1969. Durante o período de convalescença de Costa e Silva, permaneceu próxima ao presidente e participou de cerimônias religiosas realizadas em sua intenção.

Em 3 de outubro de 1969, compareceu à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, para uma missa celebrada pelo aniversário de Costa e Silva. Yolanda esteve acompanhada dos quatro netos do casal, enquanto os ministros integrantes da junta militar também compareceram à cerimônia.

O general Emílio Garrastazu Médici assumiu a Presidência em 30 de outubro de 1969. Costa e Silva morreu no Rio de Janeiro em 17 de dezembro daquele ano, poucos meses depois de seu afastamento.

Viuvez e manifestações posteriores

Após a morte do marido, Yolanda permaneceu residindo no Rio de Janeiro e reduziu sua participação em acontecimentos públicos. Em ocasiões posteriores, concedeu declarações e entrevistas sobre a trajetória de Costa e Silva e os acontecimentos de seu governo.