Luzia Cavalcanti Linhares (Rio de Janeiro, 8 de junho de 1887 — Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1969) foi a esposa do magistrado José Linhares, o 15.º presidente do Brasil, e exerceu a condição de primeira-dama do país entre 29 de outubro de 1945 e 31 de janeiro de 1946, período em que o marido ocupou interinamente a Presidência da República durante a transição entre a deposição de Getúlio Vargas e a posse de Eurico Gaspar Dutra.

Durante o curto governo de José Linhares, Luzia foi formalmente empossada na presidência da Legião Brasileira de Assistência (LBA). Logo depois da cerimônia, designou Anita Carpenter Ferreira para a secretaria-geral da instituição, autorizando-a a responder pela presidência quando estivesse impedida de exercê-la.

Família e vida privada

Luzia era filha do jurista e político norte-rio-grandense Amaro Cavalcanti, que, entre outros cargos públicos, foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 1906 a 1914. O prenome de Luzia aparece com grafias diferentes nas fontes: o perfil do Supremo Tribunal Federal emprega “Luzia Cavalcanti Linhares”, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral registra “Luiza Cavalcanti Linhares”.

Em 6 de março de 1913, casou-se com José Alves Linhares, magistrado cearense que posteriormente integraria o Supremo Tribunal Federal. O casal teve três filhos: Léa Cavalcanti Linhares, Amaro Cavalcanti Linhares e José Carlos Cavalcanti Linhares. Amaro tornou-se promotor de justiça no então Distrito Federal, enquanto José Carlos seguiu a carreira diplomática no Ministério das Relações Exteriores.

José Linhares foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1937 e tornou-se presidente da corte em 1945. Em razão dessa posição, seria chamado a exercer temporariamente a Presidência da República após o encerramento do Estado Novo.

Primeira-dama do Brasil

Contexto político

Em 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto pelas Forças Armadas, encerrando o Estado Novo. Como não havia vice-presidente em exercício e o Congresso Nacional permanecia fechado, a chefia do Poder Executivo foi entregue a José Linhares, então presidente do Supremo Tribunal Federal. Sua incumbência principal era conduzir a administração federal durante a transição institucional e assegurar a realização das eleições presidenciais e parlamentares já previstas para dezembro daquele ano.

Luzia passou, em consequência, a exercer a condição de primeira-dama. O título não constituía cargo constitucional ou remunerado, mas uma posição social e protocolar tradicionalmente associada à esposa do presidente da República. Seu período nessa condição acompanhou integralmente o governo de transição de José Linhares, encerrado em 31 de janeiro de 1946 com a posse do presidente eleito Eurico Gaspar Dutra.

Legião Brasileira de Assistência

A Legião Brasileira de Assistência havia sido criada em 1942 e presidida por Darcy Vargas. A instituição tornou-se um dos principais espaços de participação pública das primeiras-damas brasileiras nas áreas de assistência social, maternidade e infância. Na historiografia sobre o primeiro-damismo, a LBA é apontada como um elemento central da institucionalização da atuação assistencial das esposas dos governantes.

Em 21 de novembro de 1945, Luzia foi formalmente empossada na presidência da LBA em uma cerimônia realizada no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. A imprensa do período noticiou que, após receber o termo de posse, ela expediu uma portaria nomeando Anita Carpenter Ferreira secretária-geral da instituição, com poderes para responder pela presidência nos seus impedimentos.

A providência representou a delegação da administração cotidiana da entidade. Em estudo posterior sobre as primeiras-damas brasileiras, Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo observaram que Luzia não assumiu diretamente a condução diária da LBA durante o breve governo do marido. Dessa forma, sua passagem pela instituição distinguiu-se da atuação continuada de Darcy Vargas, que havia estruturado grande parte de sua presença pública em torno da assistência social.

Vida posterior

Com a posse de Eurico Gaspar Dutra, em 31 de janeiro de 1946, Luzia deixou a condição de primeira-dama, sendo sucedida por Carmela Dutra. José Linhares retornou ao Supremo Tribunal Federal e voltou a presidir a corte em diferentes períodos, permanecendo no tribunal até sua aposentadoria, em janeiro de 1956.

José Linhares morreu em 26 de janeiro de 1957, em Caxambu, no estado de Minas Gerais. Luzia sobreviveu ao marido e faleceu em 14 de setembro de 1969.

Ver também Lista de primeiras-damas do Brasil Família do presidente do Brasil Legião Brasileira de Assistência Governo José Linhares

Bibliografia

Categoria:Primeiras-damas do Brasil Categoria:Nascidos em 1887 Categoria:Mortos em 1969 Categoria:Família Linhares