Ticketmaster Entertainment, LLC é uma empresa americana de venda e distribuição de ingressos, com sede em Beverly Hills, na Califórnia, e operações em muitos países. Em 2010, fundiu-se com a promotora de eventos e concertos Live Nation, formando a Live Nation Entertainment. As duas marcas continuaram a operar como subsidiárias da Live Nation Entertainment.
A venda de ingressos da empresa é processada digitalmente ou por meio de seus dois principais centros de processamento, em Charleston, na Virgínia Ocidental, e Pharr, no Texas, atendendo aos mercados primário e secundário. Entre os clientes da Ticketmaster estão casas de espetáculos, artistas e promotores. Os clientes controlam seus eventos e definem o preço dos ingressos, que a Ticketmaster vende conforme são disponibilizados. A empresa também possui e opera o TicketWeb, site de venda de ingressos voltado para casas de espetáculos independentes.
A Ticketmaster é alvo de controvérsias e processos judiciais que alegam violações de diferentes leis. A plataforma cobra taxas sobre ingressos comprados e revendidos por seu sistema. Essas cobranças podem corresponder a uma parcela elevada do custo total do ingresso e já foram examinadas por órgãos reguladores, consumidores e músicos. A empresa também foi investigada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por retaliar casas de espetáculos que contrariavam o acordo judicial de dez anos firmado em 2010 como condição para a fusão com a Live Nation. As regras desse acordo foram prorrogadas por mais cinco anos, de 2020 a 2025.
Após as críticas à condução da pré-venda da The Eras Tour, de Taylor Swift, em novembro de 2022, o Departamento de Justiça abriu uma investigação formal sobre a Live Nation Entertainment por possíveis violações relacionadas a monopólio, direito da concorrência e direito do consumidor. A Comissão do Senado dos Estados Unidos sobre o Judiciário examinou a fusão em uma audiência realizada em janeiro de 2023. Em 23 de maio de 2024, o Departamento de Justiça e uma coalizão de 29 estados abriram formalmente um processo antitruste contra a Live Nation e a Ticketmaster. Outros dez estados aderiram ao processo, elevando para 40 o número de copautores da ação. Em abril de 2026, um júri concluiu que a Live Nation Entertainment, controladora da Ticketmaster, mantinha um monopólio ilegal em violação às leis antitruste federais e estaduais, o que permitiu à Ticketmaster cobrar preços excessivos pelos ingressos.
História
A Ticketmaster foi fundada em Phoenix, no Arizona, em 1976, pelos funcionários universitários Peter Gadwa e Albert Leffler, por Gordon Gunn III e pelo empresário Jerry Nelson. No início, a empresa licenciava programas de computador e vendia equipamentos para sistemas de bilheteria. O primeiro concerto para o qual vendeu ingressos foi uma apresentação da Electric Light Orchestra na Universidade do Novo México.
Em 1982, Fred Rosen foi nomeado diretor executivo da Ticketmaster e transferiu a empresa para Los Angeles, aproximando-a do setor de entretenimento ao vivo. A mudança facilitou a assinatura de contratos com casas de espetáculos conhecidas, entre elas o Los Angeles Forum. Rosen atraiu investimentos para a empresa e conduziu a transição para a venda computadorizada de ingressos.Adam Sandler. "Industry's #1 has a ticket to rule". Variety, p. 17. Em 1985, a Ticketmaster já operava nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa. Sob Rosen, entrou também no setor editorial, criou uma agência de viagens e adquiriu a concorrente Ticketron em 1991, tornando-se líder do mercado.
Em novembro de 1993, o cofundador da Microsoft, Paul Allen, adquiriu uma participação de 80% na Ticketmaster por mais de US$ 325 milhões.
Anos sob a InterActiveCorp
Em 1998, a USA Networks Inc., posteriormente chamada InterActiveCorp ou IAC, comprou uma participação majoritária na Ticketmaster. No mesmo ano, a empresa se fundiu com a CitySearch e passou a se chamar Ticketmaster Online-CitySearch. Em maio de 2000, a Ticketmaster Online-CitySearch adquiriu a TicketWeb Inc., que vendia ingressos pela internet e por telefone. Em 2003, a IAC recomprou as ações restantes da Ticketmaster que havia vendido anteriormente.
Em setembro de 2006, Sean Moriarty, presidente da Ticketmaster, afirmou à NPR que a empresa havia feito lobby em estados americanos pela aprovação de leis que limitassem o mercado de revenda de ingressos a empresas autorizadas. Economistas temiam que essas leis prejudicassem a concorrência, enquanto Moriarty defendia a necessidade de reduzir a atividade de cambistas desonestos e a circulação de ingressos falsificados.
Em janeiro de 2008, a Ticketmaster adquiriu a Paciolan Inc., desenvolvedora de aplicativos e sistemas hospedados para venda de ingressos, após uma disputa judicial sobre uma possível violação das leis antitruste. Ainda naquele mês, adquiriu o mercado britânico de revenda de ingressos Getmein.com. Também em janeiro, comprou a TicketsNow, revendedora de ingressos nos Estados Unidos, por US$ 265 milhões.
A IAC separou a Ticketmaster como empresa independente durante o verão de 2008. Ainda naquele ano, a Ticketmaster adquiriu a Front Line Management, empresa de gerenciamento de artistas que trabalhava com nomes como Aerosmith, Christina Aguilera e Jimmy Buffett. Irving Azoff, diretor executivo da Front Line, tornou-se diretor executivo da nova companhia, que recebeu o nome Ticketmaster Entertainment.
Fusão com a Live Nation
Em fevereiro de 2009, a Ticketmaster fechou um acordo de fusão com a promotora de eventos Live Nation, criando a Live Nation Entertainment. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou o negócio em janeiro de 2010 sob a condição de que a empresa vendesse a Paciolan para a Comcast Spectacor ou outra companhia e licenciasse seu software para a Anschutz Entertainment Group (AEG), sua maior concorrente. A nova empresa também ficou sujeita, durante dez anos, a regras que a impediam de retaliar casas de espetáculos que trabalhassem com empresas concorrentes de venda de ingressos. Quando o Departamento de Justiça preparou uma ação judicial em 2020 por seis violações dessas regras, a Live Nation aceitou um acordo que as prorrogou por mais cinco anos, até 2025. Michael Rapino, diretor executivo da Live Nation, tornou-se diretor executivo da empresa resultante da fusão.
Um ano depois da fusão, a Live Nation encerrou por acordo uma ação coletiva anterior contra a Ticketmaster que acusava a empresa de induzir os autores ao erro na forma como apresentava suas taxas de entrega e processamento.
Crescimento e aquisições
Em 2015, a Ticketmaster adquiriu a Front Gate Tickets, serviço de venda de ingressos para festivais de música que atendia eventos como Lollapalooza e Austin City Limits Music Festival. No mesmo ano, comprou a Universe, uma plataforma que permitia aos próprios organizadores administrar a venda de ingressos, e a Two Toasters, desenvolvedora de aplicativos móveis. Em 2017, a TicketWeb, plataforma de autosserviço da Ticketmaster, adquiriu a Strobe Labs, uma plataforma de marketing que permitia aos usuários divulgar eventos a fãs por meio das redes sociais. Em 2018, a Ticketmaster adquiriu a UPGRADED, empresa que convertia ingressos físicos em digitais utilizando blockchain. Em 2020, comprou a Tixcraft, de Taiwan, cujo nome em chinês é 拓元售票, como parte de sua entrada no mercado asiático.
Produtos e serviços
direita|miniaturadaimagem|Ingresso impresso da Ticketmaster
A Ticketmaster vende os ingressos disponibilizados por seus clientes. Em 2009, lançou um sistema de ingressos digitais que exigia que os clientes comprovassem sua identidade antes da compra. A empresa acreditava que o sistema ajudaria a contornar corretores e cambistas de ingressos.
Em 2016, a Ticketmaster divulgou uma declaração favorável à Better Online Ticket Sales Act, ou BOTS Act, lei que proibiu o uso de robôs para comprar grandes quantidades de ingressos pela internet e revendê-los por preços inflacionados. No ano seguinte, a empresa processou a corretora Prestige Entertainment depois que ela utilizou robôs para comprar mais de 30.000 ingressos para o musical da Broadway Hamilton.
A empresa informou ter vendido quase 500 milhões de ingressos para 400.000 eventos em 2018.
Em novembro de 2020, a Ticketmaster anunciou que verificaria a situação de vacinação contra a COVID-19 dos compradores antes de emitir ingressos para a retomada dos eventos presenciais em 2021. Fãs que não conseguissem comprovar a vacinação ou tivessem resultado positivo para COVID-19 teriam a entrada negada.
Preços
O valor nominal dos ingressos vendidos pela Ticketmaster é determinado pelo artista ou pelo cliente da empresa. Além do valor nominal, a casa de espetáculos e a Ticketmaster acrescentam cobranças destinadas a remunerar seus serviços.
Entre as cobranças tradicionalmente acrescentadas ao valor nominal estão:
Taxa da casa de espetáculos - cobrança acrescentada pelo local do evento. Taxa de entrega - cobrança que varia conforme o método de entrega do ingresso e inclui taxas de processamento de cartão de crédito. Taxa de serviço - soma de cobranças estabelecidas com base no "acordo com cada cliente (artistas)" e da taxa de processamento do pedido. A Ticketmaster "pode obter lucro com a taxa de processamento do pedido".
O Los Angeles Times explicou que a "taxa de serviço" é deliberadamente mantida separada do preço anunciado por duas razões, para fazer com que o preço-base pareça mais acessível e para criar a impressão de que somente a Ticketmaster fica com a taxa. Na prática, a Ticketmaster é paga para absorver parte da irritação dos consumidores com cobranças adicionais pouco transparentes, enquanto uma parcela dessas taxas retorna ao artista ou à casa de espetáculos. Esse arranjo tornou-se mais atraente para artistas que buscavam aumentar a receita sem receber diretamente a reação negativa dos fãs. Com a queda nas vendas de álbuns após 2000, cerca de 95% da renda dos artistas na década de 2020 vinha de turnês de concertos.
O valor das taxas varia conforme o evento, a casa de espetáculos, os métodos de entrega disponíveis e as preferências do artista. Economistas e grupos ativistas atribuíram os altos preços dos ingressos à falta de concorrência no setor musical.
Em 2013, a jam band The String Cheese Incident deu dinheiro aos fãs para que comprassem 400 ingressos de uma de suas apresentações e depois os revendessem no site do próprio grupo com taxas menores. A banda afirmou que protestava contra as cobranças da Ticketmaster, enquanto a empresa respondeu que o grupo estava retirando receita das casas de espetáculos e dos promotores.
Em 2016, a revenda de ingressos era a área de crescimento mais rápido da Ticketmaster.
Em 2022, a Ticketmaster fazia testes com um sistema de preços dinâmicos baseado na demanda, no qual o preço dos ingressos variava conforme a procura. O sistema foi apresentado como uma forma de destinar aos artistas uma parcela maior da receita que, de outra forma, iria para a revenda. Em maio de 2025, a Ticketmaster anunciou que passaria a mostrar, antes do pagamento, o valor total que os compradores pagariam pelos ingressos, incluindo as taxas. A empresa chamou a iniciativa de "All In Prices" e a apresentou como parte de sua adequação à proibição de taxas ocultas pela Comissão Federal do Comércio, que entrou em vigor em 12 de maio de 2025.
Críticas e controvérsias
Alegações de práticas anticompetitivas
360px|miniaturadaimagem|Participação de mercado das empresas de venda de ingressos