A Catedral de Siguença tem sua origem em Janeiro de 1124, quando o bispo Dom Bernardo de Agén reconquista a cidade de Siguença com objeto de fazer frente à influência do bispado de Osma. Ocorreu portanto no reinado de Dona Urraca (filha de Afonso VI). Foi nomeado bispo em 1121 (antes da conquista do lugar) pelo Arcebispo de Toledo, Bernardo de Sedirac, da Ordem de Cluny, continuando a influência desta ordem monástica introduzida no Reino de Castela por Afonso VI e Afonso I de Aragão, esposo da rainha castelhana.

Atualmente segue sem se demonstrar com segurança a localização da primitiva catedral, embora existam duas hipóteses: A primeira, baseada num documento de 1138, no qual o rei Afonso VII outorga uma "doação" do terreno no que "foi fundada". A segunda que, segundo um documento de 1144, Dom Bernardo reedifica "com duplo muro e Torre" uma primitiva catedral, possivelmente sobre os restos de uma antiga igreja visigoda ou moçárabe.

Este bispo conseguiu de Afonso VII (1126-1157) privilégios e doações com os que acrescentar a nova povoação, unificando as duas povoações: a superior de em torno do castelo e a inferior, moçárabe, em torno do leito do rio Henares.

A catedral thumb|200px|Períodos da construção

Começou a construção no em 1124, com o bispo Bernardo de Agén, embora fossem os seguintes bispos os que mais impulsionaram sua construção. As obras continuaram até o , embora a ornamentação durasse até o . ouve também obras de restauração em 1939, após a guerra civil.

Compõe-se de uma planta em cruz latina, de três naves, amplo transepto, capela-mor rodeada de charola ou deambulatório, zimbório ou lanterna, sobre o cruzeiro, duas torres gêmeas na fachada ocidental. O claustro, a Norte. Embora as obras começassem em estilo românico, no seu conjunto é um bom exemplo de arquitetura de estilo cisterciense, transição à arte gótica. Esta catedral sempre se destacou pelo aspeto de fortificação, com as suas torres gêmeas ameiadas.

Etapas e bispos construtores Com o bispo Dom Pedro de Leucate (1152-1156), sobrinho do anterior, começam as obras da nova Catedral. Adota o plano de cabeceira beneditina.Planta de cruz latina com um longo coro, ladeado por absides paralelas, escalonados a cada lado da abside principal A construção começou com a capela-mor e capelas absidais e as duas torres da fachada, criadas com objeto defensivo. A obra está realizada com arenito vermelho. Na prelatura de Dom Cerebruno (1156-116) é dado um grande impulso às obras, cerrando as naves e fazendo as três portas românicas da fachada principal.

Com o quarto bispo Dom Joscelino Adelida (1168-1171), ao chegar em 1169 a construção ao cruzeiro e à sua nave transversal, fica aberta ao culto; disto dá fé um cristogramaMonograma de Cristo com as letras X e P gregas no tímpano da porta da torre do Galo, indicando que a obras teriam chegado a esta parte do transepto.

thumb|200px| Trompa românica

As obras foram iniciadas no estilo românico exuberante de Cluny, mas depressa impor-se-ia a austeridade de Cister, reduzindo o tamanho do coro e os capiteis não iriam ser historiados (animais, cenas bíblicas, etc) senão de tema vegetal.

Em paralelo com as obras da igreja (as cinco capelas absidais) começa a construção de um claustro, onde se irão edificando as dependências para a comunidade.

À época do bispo Dom Arderico (1178-1184), primeiro bispo de origem espanhola, o cabido transladou-se às dependências habitáveis do claustro.

Frei Martín de Finojosa (1185-1192), monge cisterciense e abade de Santa María de Huerta, influiu no estilo da construção, mudando do estilo românico para o proto-gótico.

Já próximo o , o bispo Dom Rodrigo (1192-1221) tem o afã de fazer gótica a catedral, elevando as abóbadas sobre o românico primitivo (possivelmente com telhado de madeira).

Durante o fica terminada a obra inicial do edifício, já com a planta gótica que podemos ver atualmente.

Componentes externos Átrio. Construído em 1536, após destruir a muralha, que se situava diante da Catedral. Consta de 21 colunas de pedra calcária, terminadas por leões cinzelados por Francisco de Baeza (1503-1542) e mede 48 x 24 metros. Em 1783 lavraram-se as grades e as duas portas. No lado norte do átrio encontra-se a Contadoria do Cabido, com três janelas platerescas.

thumb|240px|Portada principal

Fachada oeste e portada principal. É românica, embora com acréscimos posteriores neoclássicos e barrocos. Forma três corpos, que correspondem às três naves do edifício, divididas por dois fortes contrafortes. No corpo central: Medalhão em baixo-relevo barroco e rosácea românica de doze raios. Em ambos os lados, sobre as portas laterais, vitrais românicos com arcos de volta perfeita, indicando o começo românico da construção. Sobre estes vitrais e sobre a rosácea, três arcos apontados ogivais mostram a transição ao gótico da obra. Portas: As três da portada principal, são românicas, arco de volta perfeita e bocinha muito aberta. As folhas de madeira ou batentes são de 1625. Torres e sinos: Em ambos os lados da fachada principal elevam-se as duas torres de arenito, de quatro corpos. A torre da direita, chamada de Las Campanas ("os sinos), tem uma altura de 40,5 metros, com uma escada interior de 140 degraus. O seu último corpo foi acrescentado no pelo Cardeal Pedro Gómez Barroso (1348-1361), quem também fez recobrir de pedra de silhar a obra inicial feita em alvenaria. A torre da esquerda, chamada de Dom Fadrique, tem uma altura de 41,7 metros e foi terminada no . Estas torres, que inicialmente estiveram isoladas, foram construídas com miras defensivas e depois foram unidas à muralha. Balaustrada: As duas torres comunicam-se, por uma balaustrada de pedra, mandada construir em 1725. thumb|240px|Fachada sul Fachada Sul: Na nave central (mais alta), podem-se observar os vitrais ogivais, separados por colunas ou contrafortes, com os beirados, apoiados sobre cachorrosPequena mísula ou suporte que, no românico, suporta uma cornija. com formas de animais, alternando com métopas, decoradas com motivos vegetais. Os vitrais da nave lateral (inferior), mostram a transição românico-ogival, com beirados, com cornija de arquejos cegos. Mais para levante, encontramos a Porta do Mercado, que dá à Praça central, de estilo românico do ; esta porta está coberta por um pórtico fechado de estilo neoclássico, construído em 1797 pelo arquiteto Bernasconi. Sobre a portada há uma rosácea românica de transição ao gótico, do . A torre "del Gallo" (do Galo) é do começo do , e foi nas suas origens uma atalaia militar, sofrendo várias restaurações ao longo dos anos. Sobre a nave central vemos o zimbório da época do pós-guerra espanhol. Fachada Norte: É análoga à Sul, com uma rosácea diferente; nesta fachada, a torre equivalente à Torre do Galo acha-se sobre a sacristia de Santa Librada, no braço do transepto. Fachada Leste: onde se vê, a charola, que substituiu as cinco capelas absidais. O zimbório e os altos vitrais góticos situam-se no presbitério.

Componentes internos thumb|240px|Planta atual. A Catedral, compõe-se, atualmente, de uma planta de cruz latina, com três naves, amplo transepto e cabeceira com um grande abside, que contém a capela-mor e rodeada pela charola ou deambulatório.

Tem 80 metros de longo por 31 metros de largo, de um extremo a outro do cruzeiro, e 28 m, de comprimento, nas outras naves. A nave central, de pouco mais de 10 metros de larga, tem 28 m de altura, as laterais 21 m.

As naves estão separadas, por enormes pilares, aos quais se encostam colunas, que terminam numa primeira linha de capitéis unidos (todos eles de tema vegetal), onde se apóia a abóbada de berço O arco perpianho de estilo românico. e os arcos formeiros (formalotes).O arco paralelo ao eixo longitudinal da nave. Dos capitéis arrancam os nervos pétreos, que formam as abóbadas ogivais de cruzaria; em geral são de cruzaria simples (com dois nervos diagonais), embora haja duas abóbadas nervuradas de seis gomos, aos lados do cruzeiro, ou mesmo com oito gomos na lanterna.

Nave esquerda ou do Evangelho thumb|240px|Capela da Anunciação. Paróquia de São Pedro: Primeira capela que encontramos, à esquerda, é obra do , construída na época do bispo D Fernando Luján (1449-1465), em 1455, sua portada é plateresca, realizada por Francisco de Baeza. A grade é gótico-plateresca de Juan Francés de 1533. Porta de São Valero: Com pilastrasElemento arquitetônico originalmente de sustentação e com seção quadrangular, que em geral está encostado à fachada de um edifício ou embutido num muro. renascentistas, arabescos mudéjares e arcos de estilo gótico, embora seja de princípios do , lavrada por Domingo Hergueta. Esta porta dá entrada ao Claustro, onde se encontra a capela de São Valero, a mais antiga, dentro da catedral, com planta românica e grade gótica. Altar de São Martim: Retábulo barroco de 1668. Capela da Anunciação ou da Puríssima: Fundada em 1515 pelo Provisor D. Fernando Montemayor, que substituiu Cisneros; a fachada é uma mistura de estilos, a parte baixa é plateresca, o centro mudéjar, com a decoração geométrica de linhas entrecruzadas, formando figuras estreladas e poligonais (laçaria) e o friso que segue também de laçaria terminado por uma cornija muito decorada de tipo muçulmano, com uma figura de leão em cada extremo. A grade é gótica, de Juan Francés, com barrotes retorcidos e temas renascentistas. Capela São Marcos:A fachada é gótica, o intradorso é gótico plateresco. Altar São João Baptista:formado por arco plateresco de Francisco de Baeza (1530), com um retábulo barroco do .

Transepto esquerdo: zona do plateresco thumb|240px|portadas platerescas. No transepto encontramos quatro peças principais do plateresco da catedral, e são:

Sacristia Moderna ou de Santa Librada: com portada plateresca de Francisco de Baeza, pilastras chãs sobre pedestais com jambas e lintel com adornos vegetais talhados. Tem um grande friso e frontão com as armas de Dom Fradique de Portugal‎. Porta do Pórfido (e do Jaspe): É de começos do , a decoração é de estilo plateresco, com pilastras lisas e uma série de frisos. Segue-se o Claustro, onde se acha a Porta de Jaspe de 1507, em mármore amarelo e vermelho, o mais antigo do período renascentista da Catedral. Altar e retábulo de Santa Librada: Uma das melhores obras do plateresco, traçada por Alonso Covarrubias e realizada sob a direção de Francisco de Baeza. O retábulo lavrado em pedra calcária consta de três corpos, tem decoração maneirista e mistura cenas da vida da santa e temas mitológicos (os trabalhos de Hércules). Mausoléu de Dom Fradique de Portugal‎: Realizada pelos mesma época e autor, que a anterior, consta também de três corpos, com um soco de grande ornamentação e uma cartela, com uma inscrição funerária. É ladeado por várias colunas e pilastras, e coroado por um calvário.

Charola thumb|240px|Abóbada das Cabeças thumb|230px|Capela do Espírito Santo Também chamada deambulatório, foi acrescentada à Catedral em finais do e acabou-se em 1606. Ao longo da charola, observamos abóbadas de meio canhão, com arcos perpianhos.São arcos dispostos transversalmente ao eixo da nave; ou o inferior da abóbada.

Sacristia menor: Era uma, das antigas capelas absidais, originais do , portada barroca de 1688, com altas abóbadas góticas. Sepulcro de D Bernardo de Agén: Estátua jacente de mármore de estilo gótico, esculpida por Martín de Lande em 1449, sob arco abatido.O arco que é menor, que o semicírculo do mesmo rádio. Sacristia maior ou de As Cabeças: Em 1532, Alonso de Covarrubias traçou os planos. Na execução intervêm Francisco de Baeza e Martín de Vandoma 1554. A portada é renascentista plateresca, de 1573, em pedra com colunas encostadas sobre altos pedestais e com vários nichos. A porta é de nogueira, com talhas do plateresco. O interior, a abóbada de meio canhão, formada por quatro seções divididas por arcos perpianhos, tem 304 cabeças grandes e 2000 pequenas.