thumb|300px|A formação do numeral XV com fogos de artifício, fazendo referência aos XV Jogos Pan-Americanos. A cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007 marcou o início oficial dos XV Jogos Pan-Americanos, ocorridos na cidade do Rio de Janeiro de 12 a 29 de julho de 2007. Sua realização ocorreu no dia 13 de julho às 18 horas (UTC−3) no Estádio do Maracanã, localizado no bairro homônimo, e teve duração de três horas e meia.
Produzido pelo americano Scott Givens, que já havia trabalhado em diversas cerimônias de abertura de Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos, o evento teve como diretores artísticos a carnavalesca Rosa Magalhães e o designer Luiz Stein. 75 mil espectadores assistiram, no Estádio, às performances artísticas realizadas por cerca de 4.500 artistas voluntários e 5.500 esportistas.
Os aspectos centrais da cerimônia de abertura foram baseados na cultura do Brasil e na interatividade com o público. Seguindo as tradições da Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA) e do Movimento Olímpico, foi apresentado, em sua estrutura, um segmento protocolar, composto pelo desfile de apresentação das delegações, discursos das autoridades, hasteamento das bandeiras (nacional, da ODEPA e a olímpica), execução de hinos e juramentos dos atletas e dos árbitros. A parte artística foi dividida em três segmentos: "Energia do Sol", "Energia das Águas" e "Energia do Homem", ressaltando aspectos como a cultura e as belezas naturais do Rio de Janeiro.
Preparativos A cerimônia começou a ser preparada no ano de 2004 com o início da formação da equipe executiva e a definição das diretrizes fundamentais por parte do Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007 (CO-RIO). Segundo o produtor executivo do evento, Scott Givens, o aspecto central da cerimônia baseou-se em duas premissas: na multiplicidade cultural do Brasil e na interatividade com o público, que teve papel importante no espetáculo.
Formação da equipe thumb|250px|A carnavalesca Rosa Magalhães foi uma das organizadoras da cerimônia. Considerando o porte do evento, logo depois dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, os representantes do CO-RIO fizeram contato com Givens, que aceitou o convite para produzir o evento. Em seguida, ele foi levado ao Rio de Janeiro, onde visitou diversos locais, inclusive o Maracanã. Havia, até então, apenas a definição do conceito do espetáculo e algumas diretrizes básicas acertadas. A primeira medida foi a formação de uma equipe de trabalho composta exclusivamente por brasileiros. Em 2006, depois de várias entrevistas com diretores artísticos brasileiros, e considerando suas experiências em grandes eventos, foram escolhidos os nomes de Rosa Magalhães e Luiz Stein, seguidos da contratação do diretor musical, Alê Siqueira. A equipe da Área Funcional de Cerimônias foi então dividida em cinco setores: administrativo (gerenciamento de recursos e infraestrutura), artístico (desenvolvimento artístico e supervisão de produção), técnico (projeto, execução e instalação de equipamentos e tecnologias), protocolar (cumprimento de todas as obrigações previstas nos Regulamentos dos Jogos) e de produção.
Ainda em 2006, o roteiro da cerimônia foi apresentado oficialmente para o Governo Federal, através dos Ministérios do Esporte e da Cultura, que o aprovaram. No mesmo período, os coreógrafos Doug Jack e Bryan Walters foram contratados e começaram a projetar os figurinos e cenários. Todas as peças usadas no espetáculo passaram por um processo de modelagem e uma série de protótipos foram feitos para que pudessem ser testados sua funcionalidade e seu efeito visual. Com esta organização, o orçamento foi fechado, com previsão de contemplar, também, aspectos da infraestrutura relacionados ao som e aos efeitos pirotécnicos.
Quando completamente formada, a equipe de organização das cerimônias contou com, aproximadamente, 900 profissionais, entre eles 44 estrangeiros. A maioria dos especialistas contratados para o Rio 2007 tinha no currículo a participação em pelo menos duas edições de Jogos Olímpicos.
Todos os envolvidos na produção das cerimônias, dos diretores às costureiras que produziram os figurinos, assinaram um contrato de confidencialidade, assim como os presentes aos ensaios da cerimônia. O então secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, adiantou que um dos destaques da apresentação seria uma cachoeira, contudo, devido ao termo assinado, não poderia dar maiores detalhes.
Seleção de voluntários, ensaios e preparo das alegorias thumb|250px|esquerda|Maracanã em 2007 reformado para os Jogos. O grupo de profissionais se dividiu na orientação de 6.124 voluntários, que foram distribuídos por todas as áreas de trabalho. O processo de seleção desses voluntários mobilizou especialistas, coreógrafos e músicos principalmente, que se dividiram em dezenas de audições até chegarem ao grupo que, de fato, atuaria nos shows. Uma vez selecionado o elenco, foi preciso estruturar uma política de ensaios.
Para receber os testes de coreografia e de operação das alegorias, uma área do Sambódromo da Marquês de Sapucaí foi isolada. Para que não houvesse risco de vazamento de informações, os ensaios foram feitos sempre à noite e debaixo de tendas. Com a proximidade dos Jogos, houve a transferência dos ensaios para o Maracanã para familiarização da equipe.
O diretor da cerimônia, Scott Givens, em ensaio aberto à imprensa, no dia 12 de junho de 2007, pediu ao público que vestisse roupas brancas, afirmando que seria de suma importância para o desenrolar do espetáculo. Foram confeccionadas um total de 5.365 figurinos de 24 modelos, 6.000 pares de sapatos e 155 alegorias. As cores da bandeira brasileira foram bastante usadas no figurino dos bailarinos. As alegorias foram produzidas em barracões localizados no Centro do Rio. Para que houvesse progresso nos ensaios, foi necessário simular o gramado do Maracanã de maneira a orientar marcações, principalmente para os bailarinos. Um geógrafo foi contratado para reproduzir a área, fazendo uma redução em escala do gramado no Sambódromo.
Projetos de sonorização, iluminação e pirotecnia thumb|250px|Acesso ao Maracanã decorado com motivos dos Jogos e pelo mascote Cauê, no dia da cerimônia. Para solucionar as limitações acústicas de um espaço como o Maracanã, o CO-RIO contratou o sound designer Patrick Baltzel, que usou alternativas tecnológicas como a implantação de uma estrutura temporária sob a marquise do estádio (que não podia ser modificada), onde foram instaladas as caixas acústicas. Além disso, operou pessoalmente a mesa de som. Nas transmissões feitas para os veículos de comunicação, seguia o som final gravado em estúdio, e na plateia, ouvia-se a junção da versão final gravada com a captura do som produzido em tempo real.
O projeto de iluminação permitiu que fossem utilizadas mais de mil moving lights controladas por computador e alinhou o funcionamento conjugado de vários geradores. Os fogos de artifício coreografados foram planejados por um grupo de especialistas espanhóis liderados por Eric Tucker e, assim como os recursos de áudio e luz, tiveram sua programação feita com base na trilha musical. Onze mil disparos foram feitos durante o evento. Ao todo, foram distribuídos 127 pontos de disparo, sendo 60 deles no teto do estádio e os demais espalhados pelo campo e pelo palco central.
Acertos finais thumb|left|250px|Mascote dos Jogos com identificação de um dos acessos do Maracanã no dia da cerimônia. A 61 dias da abertura, no dia 12 de maio de 2007, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, afirmou que sua maior preocupação naquele momento era a cerimônia de abertura ao declarar: "Preocupação nós teremos sempre todas. Mas a que nos centra a atenção maior hoje é a cerimônia de abertura dos jogos, pela sua grandiosidade, pela sua complexidade, e pelos detalhes, que é inusitada aqui no Brasil". Um mês depois, e a um mês da abertura dos jogos, no dia 12 de junho de 2007, às 19 horas, ocorreu o primeiro ensaio geral. Os voluntários foram divididos em 18 grupos que ensaiaram separadamente, procedimento que ocorreu outras 15 vezes antes do espetáculo.
A fase final de preparação do evento precisou de adaptações, pois o estádio não tinha estrutura suficiente para shows. De acordo com Rosa Magalhães, os envolvidos no espetáculo não poderiam ficar em camarins, como geralmente acontece, e o transporte das alegorias para o campo necessitaria de cuidados especiais devido aos acessos estreitos. Além disso, havia poeira das obras no estádio durante os ensaios e a preocupação com o gramado ao confeccionar as alegorias fez com que elas fossem mais leves que o usual, pesando até 500 kg. Outro imprevisto ocorrido durante os preparativos foi a constatação de que os acessos ao gramado eram insuficientes para dar vazão ao volume de figurantes escalados para participar da festa de abertura. Em virtude disso, foram instaladas pontes de madeira e acessos improvisados e foram derrubados trechos da mureta junto ao fosso que circundava o gramado.
Venda de ingressos thumb|250px|Comboio de ônibus leva atletas para a Cerimônia de abertura. A bilheteria foi operada pela empresa Ticketronics, que venceu em 15 de fevereiro de 2007 o processo seletivo para a prestação de serviços de vendas de ingressos. A empresa foi responsável por toda a operação de venda, que funcionou 24 horas por dia e incluía sistema de venda, central de atendimento telefônico, operação de 50 bilheterias com 500 funcionários, disponibilização em cada bilheteria de um funcionário trilíngue (fluente em português, espanhol e inglês), instalação das bilheterias e de equipamentos para impressão dos ingressos. Cumprindo os regulamentos da ODEPA e os compromissos contratuais com os patrocinadores e parceiros, foi reservado um máximo de 33% da capacidade de público para venda à entidade, aos 42 Comitês Olímpicos Nacionais participantes e a patrocinadores, parceiros, detentores de direitos dos Jogos, entes governamentais e setor do turismo. As Confederações Brasileiras Dirigentes de Esportes Olímpicos e Pan-americanos foram contempladas através do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O saldo de ingressos não adquiridos por esses segmentos até 21 de maio de 2007 seriam então colocado à venda para o público.
As vendas pela pela internet começaram em 4 de abril de 2007, sendo aceito pagamento em cartão de crédito e boleto bancário e com envio dos ingressos pelo correio. A venda nas bilheterias estava inicialmente programada para iniciar em 1 de julho, mas foi adiada, tendo início ao meio dia (UTC-3) de 3 de julho nas bilheterias dos locais de competição, ou seja, na arena do vôlei de praia de Copacabana, no Estádio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Riocentro e no Maracanã. Até o dia 12 de julho, véspera da cerimônia de abertura, as bilheterias funcionaram das 9 às 18 horas. Os ingressos foram vendidos com quatro faixas diferenciadas de preço (setores A, B, C e D), com valores variando de R$ 100,00 a R$ 250,00, com pagamento em dinheiro, cartão de débito ou cartão de crédito, não sendo aceitos cheques.
Ações durante a cerimônia e medidas de segurança thumb|180px|left|Marca Rio 2007. Durante a cerimônia, a prefeitura do Rio de Janeiro elaborou um esquema especial para o trânsito nas proximidades e ruas de acesso ao Complexo do Maracanã para facilitar o acesso do público, de atletas e entidades. Foi determinado estacionamento proibido nas proximidades do estádio da meia-noite do dia 13 de julho até 1 da manhã do dia 14 de julho. Além das restrições viárias, as linhas exclusivas para o trânsito dos veículos dos Jogos continuaram funcionando. Elas eram identificadas pelo símbolo do RIO 2007 pintado na via e limitadas por uma faixa na cor laranja. Além disso, os espectadores foram recomendados a utilizar o transporte público.