As línguas atabascanas ou atabascas (ou também atapascanas, atapascas, indígenas atapascas ou atapasques) são um grupo de línguas intimamente relacionadas faladas por povos nativos americanos da América do Norte,The Cambridge Encyclopedia of Language (David Crystal, redator); Cambridge University Press, 1987; p. 320 divididas em dois grupos principais, um setentrional e outro meridional, falados ao longo do oeste norte americano. A família atabascana é a segunda maior família na América do Norte em termo de número de línguas e de falantes, depois da família uto-asteca que se estende pelo território mexicano e parte dos Estados Unidos. Em termos de território, somente a família álgica cobre uma área maior.

A palavra atabascano é uma versão anglicizada do nome cree para o Lago Athabasca (aðapaskāw, "[onde] há uma árvore após outra") no Canadá.Bright, William (2004). Native American Place Names of the United States. Norman: University of Oklahoma Press, pg. 52 O nome foi cunhado por Albert Gallatin em sua classificação de 1836 (escrita em 1826) das línguas da América do Norte. Ele deixou claro que o nome dado a ele a essas línguas relacionadas foi inteiramente baseado em sua preferência pessoal, ele escreveu:

"Eu os tenho designado pela denominação arbitrária de athabascas, a qual deriva do nome original do lago." (1836:116-7)

Línguas As 31 línguas atabascanas setentrionais são faladas ao longo do interior do Alasca e do noroeste do Canadá nos estados de Yukon e Territórios do Noroeste assim como nas províncias de Colúmbia Britânica, Alberta, Saskatchewan e Manitoba. Várias línguas atabascanas são línguas oficiais nos Territórios do Noroeste, incluindo dene suline, dogrib ou tlicho, gwich’in, e slavey.

As sete línguas atabascanas da costa pacífica são faladas no sul do Oregon e norte da Califórnia. Isoladas das línguas setentrionais e da costa pacífica, as seis línguas atabascanas meridionais, incluindo apache e navajo, são faladas no sudoeste americano e no noroeste do México.

O eyak e o grupo atabascano juntos formam um agrupamento genético chamado atabascano-eyak. O tlingit é remotamente relacionado a esse grupo, que junto a ele forma o na-dené (também conhecido como atabascano-eyak-tlingit).

Subdivisões Visão geral do grupo A família lingüística atabascana possui três agrupamentos geográficos principais: setentrional, costa pacífica, e meridional. Há ainda um debate acerca da validade do grupo das línguas da costa do pacífico como unidade genética válida. O grupo setentrional é particularmente problemático. Devido à falha dos critérios de inovação compartilhada e correspondências fonéticas sistemáticas usados para estabelecer agrupamentos bem definidos, a família atabascana (especialmente as línguas setentrionais) têm sido chamada de "complexo aderente" por Michael Krauss (1973, 1982). Assim sendo, o modelo Stammbaumtheorie (árvore genealógica) de classificação genética pode estar inapropriado. As línguas do ramo meridional formam um grupo muito mais homogêneo e até o momento é o único agrupamento genético claro.

Segue abaixo um esboço mostrando apenas as maiores subdivisões dessa família. A seqüência apresentada é baseada basicamente na classificação de Keren Rice de acordo com Goddard (1996) e Mithun (1999).

Alaska meridional Alaska-Yukon central Canada norte ocidental Tsetsaut Colúmbia Britânica central Sarsi Kwalhioqua-Tlatskanai Atabascano da costa pacífica Apacheano

Os ramos 1-7 formam o agrupamento (areal) das línguas atabascanas setentrionais. O kwalhioqua-tlatskanai (#7) tem sido muitas vezes considerado parte do grupo costa pacífica, mas uma recente consideração de Krauss não o acha muito similar a essas línguas.

Uma diferente classificação de Jeff Leer segue abaixo (Tuttle & Hargus 2004:72-74):

Alascano (ahtna, dena’ina, deg hit’an, koyukon, kolchan, baixo tanana, tanacross, alto tanana, gwich’in, han) Yukon (tsetsaut, . tutchone setentrional, tutchone meridional, tagish, tahltan, kaska, sekani, dunneza) Colúmbia Britânica (babine-witsuwit’en, dakelh, chilcotin) Oriental (dene suline, slavey, dogrib) Meridional (tsuut’ina, apacheano, atabascano da costa pacífica)

Atualmente, os detalhes da árvore lingüística atabascana podem ser considerados apenas tentativas.

Para listas detalhadas incluindo todas as línguas, dialetos e subdialetos, veja os respectivos artigos para os 3 maiores grupos ( Atabascano setentrional, atabascano da costa pacífica, atabascano meridional).

Atabascano setentrional Subgrupo alasquiano meridional 1. Ahtna 2. Dena’ina (também conhecida como tanaina)

Central Alaska – subgrupo yukon 3. Deg Xinag (também conhecido como deg hit'an, kaiyuhkhotana) 4. Holikachuk (também conhecida como innoko) 5. Koyukon 6. Língua kolchan (também conhecida como kuskokwim superior) 7. Baixo tanana (também conhecida como tanana) 8. Tanacross 9. Alto tanana 10. Tutchone meridional 11. Tutchone setentrional 12. Gwich’in (também conhecida como kutchin) 13. Hän (também conhecida como han)

Subgrupo Canada norte ocidental A. Tahltan-Tagish-Kaska 14. Tagish 15. Tahltan 16. Kaska 17. Sekani 18. Dunneza (também conhecida como beaver) B. Slave-Hare (slavey meridional e setentrional) 19. Slavey (também conhecida como slave) 20. Mountain 21. Bearlake 22. Hare 23. Dogrib 24. Dene Suline (também conhecida como chipewyan, dëne sųłiné, dene soun’liné)

Subgrupo tsetsaut 25. Tsetsaut

Subgrupo Colúmbia Britânica central 26. Babine-witsuwit'en (também conhecida como carrier do norte) 27. Dakelh (também conhecida como carrier) 28. Chilcotin (também conhecida como tsilhqot’in) 29. Nicola (também conhecida como stuwix)

Subgrupo sarsi 30. Tsuut’ina (também conhecida como sarcee, sarsi, tsuu t’ina)

Subgrupo kwalhioqua-clatskanie 31. Kwalhioqua-clatskanie (também conhecida como kwalhioqua-tlatskanie)

Atabascano da costa pacífica Subgrupo atabascano da Califórnia 32. Hupa (também conhecida como hoopa-chilula) 33. Mattole-Bear River 34. Eel River

Subgrupo atabascano do Oregon 35. Alto umpqua 36. Rogue River (também conhecida como tututni) 37. Galice-Applegate 38. Tolowa

Atabascano meridional (também conhecida como apache)

Subgrupo apache das planícies

39. Apache da planície (também conhecida como kiowa-apache)

Subgrupo ocidental apacheano ocidental A. Chiricahua-Mescalero 40. Chiricahua 41. Mescalero 42. Navajo (também conhecida como navaho) 43. Apache ocidental (também conhecida como coyotero apache)

Subgrupo apacheano oriental 44. Jicarilla 45. Lipan

Lista areal Lista de línguas atabascanas de acordo com a localização geográfica. Alasca: Ahtna, deg hit’an, dena’ina, gwich’in, hän, holikachuk, kolchan, koyukon, baixo tanana, tanacross, tsetsaut, alto tanana Yukon: Gwich'in, hän, kaska, mountain, tagish, tutchone setentrional, tutchone meridional, alto tanana Territórios do Noroeste: Bearlake, dene suline, dogrib, gwich’in, hare, mountain, slavey Nunavut: dene suline Colúmbia Britânica: Babine, bearlake, beaver, chilcotin, dakelh, hare, kaska, mountain, nicola, sekani, slavey, tagish, tahltan, tsetsaut Alberta: Beaver, dene suline, slavey, tsuut’ina Saskatchewan: dene suline Washington: Chilcotin, kwalhioqua-clatskanie (willapa, suwal), nicola Oregon: Applegate, clatskanie, galice, rogue river (chasta costa, euchre creek, tututni, alto coquille), tolowa, alto umpqua Norte da Califórnia: Eel River, hupa, mattole-bear river, tolowa Utah: Navajo Colorado: Jicarilla, navajo Arizona: Chiricahua, navajo, apache ocidental Novo México: Chiricahua, mescalero, jicarilla, lipan, navajo Texas: Mescalero, lipan Oklahoma: Chiricahua, jicarilla, plains apache Noroeste do México: Chiricahua

Proto-atabascano Fonologia Uma recente reconstrução do proto-Atabascano consiste de 40 consoantes (Cook 1981; Krauss & Golla 1981; Krauss & Leer 1981; Cook & Rice 1989), detalhadas abaixo:

Obstruentes   Bilabial Alveolar Palatal Velar Uvular Glotal central lateral plana labial plana labial Plosiva não-aspirada   t       k q qʷ   aspirada   tʰ       kʰ qʰ qʷʰ   glotalizada   t’       k’ q’ q’ʷ ʔ Africada não-aspirada   ʦ tɬ ʧ ʧʷ         aspirada   ʦʰ tɬʰ ʧʰ ʧʷʰ         glotalizada   ʦ’ tɬ’ ʧ’ ʧ’ʷ         Fricativa muda   s ɬ ʃ ʃʷ x χ χʷ h expressa   z ɮ ʒ ʒʷ ɣ ʁ ʁʷ   Sonoras Nasal m n   ɲ           Aproximante       j       w   Vogal

Ver também Broken Slavey

Bibliografia Campbell, Lyle. (1997). American Indian languages: The historical linguistics of Native America. New York: Oxford University Press. ISBN 0-19-509427-1. Cook, Eung-Do. (1981). Athabaskan linguistics: Proto-Athapaskan phonology. Annual Review of Anthropology, 10, 253–273. Cook, Eung-Do. (1992). Athabaskan languages. In W. Bright (Eds.), International encyclopedia of linguistics (pp. 122–128). Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-505196-3. Cook, Eung-Do; & Rice, Keren. (1989). Introduction. In E.-D. Cook & K. Rice (Eds.), Athapaskan linguistics: Current perspectives on a language family (pp. 1–61). rends in linguistics, State-of-the-art reports (No. 15). Berlin: Mouton de Gruyter. ISBN 0-89925-282-6. Hoijer, Harry. (1938). The southern Athapaskan languages. American Anthropologist, 40 (1), 75–87. Hoijer, Harry. (1956). The Chronology of the Athapaskan languages. International Journal of American Linguistics, 22 (4), 219–232. Hoijer, Harry. (1963). The Athapaskan languages. In H. Hoijer (Ed.), Studies in the Athapaskan languages (pp. 1–29). Berkeley: University of California Press. Hoijer, Harry (Ed.). (1963). Studies in the Athapaskan languages. University of California publications in linguistics (No. 29). Berkeley: University of California Press. Hoijer, Harry. (1971). The position of the Apachean languages in the Athpaskan stock. In K. H. Basso & M. E. Opler (Eds.), Apachean culture history and ethnology (pp. 3–6). Anthropological papers of the University of Arizona (No. 21). Tucson: University of Arizona Press. Hymes, Dell H. (1957). A note on Athapaskan glottochronology. International Journal of American Linguistics, 23 (4), 291–297. Krauss, Michael E. (1964). The proto-Athapaskan-Eyak and the problem of Na-Dene, I: The phonology. International Journal of American Linguistics, 30 (2), 118–131. Krauss, Michael E. (1965). The proto-Athapaskan-Eyak and the problem of Na-Dene, II: The morphology. International Journal of American Linguistics, 31 (1), 18–28. Krauss, Michael E. (1968). Noun-classification systems in the Athapaskan, Eyak, Tlingit and Haida verbs. International Journal of American Linguistics, 34 (3), 194–203. Krauss, Michael E. (1969). On the classification in the Athapascan, Eyak, and the Tlingit verb. Baltimore: Waverly Press, Indiana University. Krauss, Michael E. (1973). Na-Dene. In T. A. Sebeok (Ed.), Linguistics in North America (pp. 903–978). Current trends in linguistics (Vol. 10). The Hague: Mouton. (Reprinted as Krauss 1976). Krauss, Michael E. (1976). Na-Dene. In T. A. Sebeok (Ed.), Native languages of the Americas (pp. 283–358). New York: Plenum. (Reprint of Krauss 1973). Krauss, Michael E. (1979). Na-Dene and Eskimo. In L. Campbell & M. Mithun (Eds.), The languages of native America: Historical and comparative assessment. Austin: University of Texas Press. Krauss, Michael E. (1980). On the history and use comparative Athapaskan linguistics. Fairbanks, AL: University of Alaska, Native Language Center. Krauss, Michael E. (1986). Edward Sapir and Athabaskan linguistics. In W. Cowan, M. Foster, & K. Koerner (Eds.), New perspectives in language, culture, and personality (pp. 147–190). Amsterdam: Benjamins. Krauss, Micahel E. (1987). The name Athabaskan. In Peter L. Corey, ed, Faces, Voices & Dreams: A celebration of the centennial of the Sheldon Jackson Museum, Sitka, Alaska, 1888-1988, 105-08. Sitka, Alaska: Division of Alaska State Museums and the Friends of the Alaska State Museum.