400px|thumb|Fachada do Schloss Mannheim.
O Palácio de Mannheim () é um palácio alemão situado em Mannheim, no estado de Baden-Württemberg, sendo um dos maiores palácios barrocos da Europa. O edifício foi construído em três períodos, entre 1720 e 1760, durante as regências dos príncipes-eleitores Carlos III Filipe e Carlos Teodoro. Serviu de residência aos príncipes-eleitores do Palatinado entre 1720 e 1777.
Hoje em dia é utilizado, principalmente, pela Universidade de Mannheim.
História Nova construção na época do Eleitor Carlos III Filipe
A cidade de Mannheim sofreu uma destruição significativa, em 1689, durante a Guerra dos Nove Anos, tendo a reconstrução ocorrido com base na planta duma fortaleza fortemente muralhada. Esta reconstrução começou um ano após a assinatura do Tratado de Rijswijk.
A reconstrução teve um novo impulso quando o Eleitor Carlos III Filipe decidiu instalar residência em Mannheim. Antes disso tinha havido um litígio entre o Eleitor católico e a igreja reformada por causa da utilização da Heiliggeistkirche (Igreja do Espírito Santo), em Heidelberg, o que levou o príncipe-eleitor a abandonar aquela cidade e a sede original do Palatinado, o Castelo de Heidelberg. Em Abril de 1720, Carlos Filipe instalou-se com a corte em Mannheim, tendo dado início à construção dum novo palácio no ponto mais alto da zona urbana, no local onde o Eleitor Carlos I Luís tivera o seu castelo. Pensa-se que o primeiro projecto terá sido da autoria de Louis Remy de la Fosse, o arquitecto da corte do Landegraviado de Hessen-Darmstadt. De qualquer forma, sabe-se que o mestre de obras Johann Kaspar Herwarthel, de Mogúncia, esteve ligado a um plano preexistente, tomando posse dos trabalhos em Julho de 1720, com o lançamento da primeira pedra.
Colocação da primeira pedra, sob Herwarthel (1720) A colocação da primeira pedra no palácio, no dia 2 de Julho de 1720, é descrita por Friedrich Walter, na sua Geschichte Mannheims ("História de Mannheim"), da seguinte forma: "De manhã com o seu genro, o conde palatino de Sulzbach, vindo de Schwetzingen chegou a Mannheim o Eleitor Carl Philipp, acompanhado num festivo cortejo por toda a corte, por ministros e funcionários do governo e membros do conselho da cidade (...), Lugar onde a primeira pedra deveria ser colocada, tendo em vista que o palácio deveria ser ligado a uma capela da corte, o Bispo de Worms recebeu o convite para seguir o ritual de consagração da primeira pedra e antes do final da tarde ocorreram as cerimónias religiosas seguidas pelo Eleitor a partir da sua tenda na cova e apresentados com as maiores cerimónias vários dinheiros antigos, novas medalhas de ouro e prata alisada, também o nome dos participantes foram assim escritos em pergaminho na pedra fundamental: As Actas do Conselho terminam o seu relato deste memorável acto em Mannheim da seguinte forma: „Depois do que Sua Alteza Sereníssima e a corte, com a presença de todos os homens do Conselho, funcionários e restantes, deslocou-se novamente para a casa do Eleitor, fora da qual, virando-se para os vereadores, declarou: 'Agora é o início, já não restam dúvidas, que Deus o abençoe!' Subiram a escada e imediatamente para a mesa, ao bater das 7 horas da noite, Sua Alteza Sereníssima o Eleitor, Sua Alteza Sereníssima o Conde palatino e daqui partiram com os ministros e agentes de volta para Schwetzingen - Deus o Altíssimo quis dar a sua graça, agora que o palácio foi iniciado em breve será levado à perfeição."
No texto da acta de colocação da primeira pedra pode ler-se:
Construção do edifício principal, sob Froimon (1720-1726) thumb|left|300px|Vista do palácio de Froimon, de 1725.
Depois do falecimento prematuro de Herwarthel, ocorrido no dia 5 de Novembro de 1720, Johann Clemens Froimon, então ao serviço do Bispo de Speyer, foi nomeado mestre construtor do palácio. Froimon teve persistentes confrontos com o Eleitor, o que resultou no seu despedimento em 1726. De Froimon ainda é, basicamente, o desenho da fachada do edifício principal, a execução dos telhados e o desenho da igreja palaciana como uma construção independente. Froimon também deve ter previsto que as duas alas laterais inicialmente planeadas, executadas em vez dos planos originais de três alas, se oporiam a melhores casas de cidade, inserindo uma maior harmonia em todo o conjunto.
Desde a colocação da primeira pedra à conclusão do primeiro edifício passaram vários anos, pelo que o Eleitor Carl Philipp mudou a sua residência de Inverno para a Casa no quarteirão R 1, 1. De qualquer forma, o Verão era passado no Schloss Schwetzingen, a sua residência estival. A nova construção esteve ameaçada várias vezes, uma vez que os os recursos financeiros previstos foram amplamente ultrapassados. De facto, em 1721 a construção do palácio foi fixada em 75.000 florins anuais e o Eleitor permitiu a sua inexorável colecta, embora esta nunca pudesse cobrir a elevada despesa.
Em 1725 foi publicada a primeira visão do conjunto do palácio por Froimon. Este desenho ricamente ornamentado nunca foi alcançado, quer por dificuldades financeiras quer por motivos arquitectónicos. Também foi eliminada a balaustrada que coroaria todo o edifício, limitando-se esta aos pavilhões e ao Edifício do Meio.
Conclusão do primeiro período de construções, sob Hauberat (1726-1736) Guillaume d'Hauberat, o substituto de Froimon como mestre de construções a partir de 1726, veio da escola parisiense de Robert de Cotte e tinha planos para o Poppelsdorfer Schloss, obra do seu mestre, em Bona, construída para o Arcebispo de Colónia Joseph Clemens da Baviera. É autor do desenho interior da escadaria principal, do Salão dos Cavaleiros (Rittersaals) e da igreja palaciana. As pinturas dos tectos destes espaços foram executadas, entre 1728 e 1730, por Cosmas Damian Asam.
O frontispício da igreja palaciana apresenta motivos do barroco italiano. O frontão triangular sobre o portal contém figuras em relevo executas pelo escultor da corte palatina Paul Egell, o qual criou, ainda, outras decorações em relevo no interior do palácio. O retábulo, com o tema da Visitação de Maria, foi pintado em 1729 por Paul Goudreau. Sob a igreja palaciana existe uma cripta.
Com a inauguração da igreja palaciana, no dia 13 de Maio de 1731, terminou o primeiro período de construção, e em Novembro do mesmo ano o Eleitor mudou-se para o palácio. Hauberat e Asam forom nomeados, em 1732, Hofkammerräten (cargo administrativo). Em 1734, Violanta Theresa, a terceira esposa de Karl Philipp, foi sepultada na cripta da igreja. Em 1736, foi firmado um contrato com o pintor Antonio Pellegrini com vista à concepção de pinturas para os tectos de quatro salas a leste do Salão dos Cavaleiros.
Segundo período de construções (1737-1742) thumb|310px|A ala ocidental do Schloss Mannheim.
O segundo período de construções consistiu, essencialmente, na construção do Teatro de Ópera, a qual teria início no ano de 1737 segundo um plano de Alessandro Galli da Bibiena (1687–1748), um arquitecto italiano pertencente a uma família de arquitectos de Bolonha, responsável, igualmente, pelo projecto da Igreja Jesuíta de Mannheim. No Teatro de Ópera também foi construída, em 1740, a ala ocidental como uma ligação externa ao Colégio dos Jesuítas. O arquitecto Bibiena foi nobilitado em 1740 e nomeado director de obras em 1741. Com a inauguração da Ópera em 1742, por ocasião do matrimónio de Karl Theodor, terminou o segundo período de construções.
No dia 31 de Dezembro de 1742, o Eleitor Karl Philipp faleceu, tendo sido sepultado na cripa da igreja palaciana. Depois disso foram construídas ampliações no interior do edifício.
Após o o falecimento de Bibiena, em 1748, Hauberat foi nomeado director de obras.
Terceiro período de construções (1751-1760) thumb|left|300px|Colina do Reno em Mannheim e o Schloss Mannheim em 1750.
Karl Theodor hesitou durante muito tempo antes de se decidir pela construção da ala leste, destinada às artes - e a colecções científicas, à Câmara do Tesouro, à Biblioteca e ao Arquivo.
Em 1751 começou, sob a direcção do mestre de obras Johann Jakob Rischer, esta última fase de construção. Em 1752 Nicolas de Pigage foi nomeado director de obras. Pigage foi obrigado a seguir a concepção das construções já existentes, podendo os seus próprios projectos integrar apenas o interior. É dele o desenho do grande salão da Biblioteca, das galerias contíguas e dos gabinetes de biblioteca da esposa do Eleitor.
Em 1755, devido aos custos, foi cancelada uma magnífica construção destinada à Comédia Francesa. Em 1756, foram dadas ordens para suspender outros edifícios devido aos custos.
Os preciosos pavimentos em parquet foram criados por Franz Zeller. As pinturas do tecto do grande salão da Biblioteca foram executadas, em 1758, por Lambert Krahe, sendo continuadas pelas pinturas de Philipp Hieronymus Brinckmann. A totalidade da ala leste foi concluida por volta de 1760.
Mesmo depois da conclusão dos edifícios, foram continuados os acrescentos no interior. Assim, em 1767, foi instalada por Franz Pozzi uma grande lareira clássica no salão do pavilhão.
Final da utilização como residência e uso posterior 260px|thumb|O Schloss Mannheim numa gravura de 1785.
Em 1778, Karl Theodor recebeu de herança do Ducado da Baviera, além de Munique, tendo reduzido as verbas para diversão no Schloss Mannheim e no Schloss Schwetzingen de 75.000 para 48.000 florins até 1784.
Durante o bombardeamento pelos franceses da fortaleza de Mannheim, ocupada pelos austríacos, em 1795, o Teatro de Ópera do palácio foi queimado. Mais tarde, foi construída a prisão no mesmo local.
Aquando da morte do director de construções Pigage, em 1796, o palácio já não estava ocupado. Karl Theodor faleceu em 1799 e, em 1802, o palácio passou a ser propriedade do estado de Baden, sendo os restos das gravuras e o gabinete de desenho do palácio integrados na Staatliche Graphische Sammlung München (Colecção Gráfica Estatal de Munique).
Entre 1819 e 1860 o palácio serviu de residência a Stephanie von Baden, a qual promoveu importantes alterações ao estilo da época, o Estilo Império, nomeadamente ao nível das paredes e dos tectos.
Destruição durante a Segunda Guerra Mundial 300px|left|thumb|Edifício do Meio do Schloss Mannheim.
O Schloss Mannheim foi quase completamente destruído durante a Segunda Guerra Mundial. A sua reconstrução parecia, nos primeiros anos do pós-guerra, um plano utópico, tendo a ideia de demolir as ruínas gerado uma animada discussão.
Em 1945, o escritor Ernst Glaeser publicou os planos de alguns arquitectos de Mannheim, nos quais o palácio aparecia como uma "grande cooperativa popular para 1200 pessoas", prevendo a sua reconstrução como uma "casa comum para os trabalhadores" em ordem a aliviar a falta de habitações.
A administração dos edifícios estatais de Nordbaden, ao tomar a decisão, em 1947, de reconstruir na ala oeste, a mais ligeiramente danificada, uma ala de honra e salas para as autoridades, acabou por salvar o palácio.
Nesse mesmo ano de 1947 começou a reconstrução gradual de todo o conjunto. Esta reconstrução ficou concluída no dia 28 de Março de 2007, quando foi inaugurado o novo museu do palácio instalado no corps de logis.
Situação actual thumb|left|180px|Portão principal da Universidade de Mannheim.