As Três Ilhoas foram três irmãs açorianas que imigraram para o Brasil, onde aportaram por volta de 1723, fixando residência em Madre de Deus de Minas, Minas Gerais, na Fazenda do Rio Grande de propriedade de Diogo Garcia.

Diogo Garcia chegou ao Brasil por volta de 1720, ano em que fundou a Fazenda do Rio Grande, em Madre de Deus de Minas. Ele aparece pela primeira vez em documentos oficiais na cobrança da rubrica 'adições', realizada pela Câmara de São João del-Rei em 14 de janeiro de 1721, registro que indica a posse de três escravizados: Caetano do Congo, Antônio do Congo e Josefa Mulata.

Nomes A constatação definitiva dos nomes das famosas Ilhoas deve-se à pesquisa do genealogista de Ouro Fino, José Guimarães.

As Ilhoas, pela ordem cronológica, chamavam-se: Antônia da Graça (nascida em 1687), que deu origem, dentre outros, aos: Junqueiras e Meireles; Júlia Maria da Caridade (nascida em 1707), que deu origem, dentre outros, aos: Garcias, Carvalhos, Nogueiras, Vilelas, Monteiros, Reis, e Figueiredos Helena Maria de Jesus (nascida em 1710), que deu origem aos Resendes.

Origem As Três Ilhoas eram naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, na Vila da Horta, na Ilha do Faial, no arquipélago dos Açores.

Eram filhas de Manuel Gonçalves Correia – “O Bórgão”, e de Maria Nunes, que já viúva, passou ao Brasil com as três filhas, por volta de 1723. Diogo Garcia, conterrâneo e aparentado, por ter uma sobrinha, Ana Maria Silveira, casada com Antônio Nunes, irmão das “Três Ilhoas”, foi recepcioná-las no Rio de Janeiro, retornando direto para a Fazenda do Rio Grande.

Helena Maria de Jesus, aos 3 de outubro de 1726, mudou-se da Fazenda Rio Grande, em Madre de Deus, para o Arraial de Prados, onde se casou com João de Rezende Costa, natural da Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, no Arquipélago dos Açores, Portugal.

Antônia da Graça é a única das Ilhoas que passou ao Brasil já casada com Manuel Gonçalves da Fonseca. Em fevereiro de 1728, mudou-se da Fazenda Rio Grande, em Madre de Deus, para o Rio das Mortes Pequeno, ocasião em que seu genro, Inácio Franco, casou-se com Maria Teresa de Jesus. Inácio Franco nasceu em 1695 em Santa Maria de Válega, Vila da Feira (Porto, Portugal), e morreu em 1746, em São João del-Rei.

Júlia Maria da Caridade, casou-se aos 29 de junho de 1724, na ermida em devoção de Nossa Senhora do Carmo, localizada na Fazenda do Rio Grande, em Madre de Deus de Minas, com Diogo Garcia.

Júlia Maria da Caridade faleceu em 1777, sendo enterrada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, em São João del-Rei.

Ascendência açoriana As Três Ilhoas eram filhas de Manuel Gonçalves Correia e de Maria Nunes; sendo netas paternas de João Gonçalves e Inês Correia, netas maternas de João Lourenço (também dito João Nunes) e de Madalena Jorge. Por João Nunes, eram bisnetas de Manuel Lourenço e de Águeda Nunes; por Madalena Jorge, bisnetas de Gaspar Jorge e de Catarina Jorge.

Colaterais As Três Ilhoas tiveram dois irmãos: José Nunes batizado a 14 de setembro de 1689 e falecido a 8 de agosto de 1711 Antônio Nunes batizado a 12 de julho de 1692, que foi piloto e permaneceu na Ilha do Faial, onde se casou com Ana Maria da Silveira, filha de Pascoal Silveira e de Maria da Ressurreição, esta irmã de Diogo Garcia.

Celebridade Inúmeros autores citam as “Três Ilhoas” como “célebres, famosas e lendárias”. Tais predicados têm sua origem na notória e descendência que deixaram em Minas Gerais e em outros estados, onde a maioria das famílias importantes encontravam em seu tronco uma ou mais destas açorianas, que passaram a ser citadas com grande respeito e admiração, ao ponto de que “dizer-se descendente das Ilhoas pode ser considerado a descrição de uma genealogia completa”.

Bibliografia GUIMARÃES, José, "As Três Ilhoas", publicação póstuma em três volumes e cinco tomos, com o patrocínio de Roberto Vasconcellos Martins. GUIMARÃES, José, "Os Garcias, o Fundador de Baependi", edição do autor.

Categoria:Imigração portuguesa em Minas Gerais Categoria:Famílias do Brasil de ascendência portuguesa