O Santa Cruz Futebol Clube mais conhecido como Santa Cruz, e por vezes apenas Santa, é um clube multiesportivo brasileiro, sediado na cidade do Recife. Fundado em 3 de fevereiro de 1914, leva a alcunha de "O Mais Querido das Multidões".

Dentre as suas principais conquistas estão um Campeonato Brasileiro - Série C e uma Copa do Nordeste. Entre os títulos estaduais destacam-se 29 Campeonatos Pernambucanos, dentre os quais detém três edições apontadas como Supercampeonato Pernambucano, sendo o único Tri-SuperCampeão Pernambucano, tendo também cinco conquistas da extinta Copa Pernambuco. Além dos seus principais títulos, o Santa Cruz também conquistou a Fita Azul de 1903, uma honraria futebolística entregue aos clubes brasileiros que faziam excursões de amistosos no exterior e voltavam invictos. Em nível internacional oficial, possui uma participação em competição da CONMEBOL, a Copa Sul-Americana de 2016.

Na Série A do Campeonato Brasileiro, a sua melhor colocação ocorreu nas edições de 1960 e 1975, quando alcançou o quarto lugar. Entre 1969 e 1983, o Santa Cruz conquistou nove títulos estaduais em quinze disputados. Durante este profícuo período do clube, apontado como o melhor de sua história, brilharam jogadores como Givanildo, Nunes, Fumanchu e Ramón. Em 1972, em meio a sua época de ouro, inaugurou o Estádio do Arruda.

Com muitos artilheiros de destaque em sua trajetória, sete com mais de 100 gols, o Santa Cruz foi o primeiro clube do Nordeste e o décimo segundo do Brasil a atingir a marca de 10.000 gols registrados.

Suas cores oficiais são o preto, o branco e o vermelho. Costuma mandar suas partidas no seu estádio, o Arruda, o sexto maior do Brasil e o segundo maior particular. Sendo o segundo clube de maior torcida de Pernambuco, tem como os dois maiores rivais esportivos o Sport Club do Recife, com o qual protagoniza o Clássico das Multidões, e o Clube Náutico Capibaribe, com quem disputa o Clássico das Emoções.

História Fundação Tendo sido criado por um grupo de 11 meninos do Recife, a ideia do nome Santa Cruz adveio em razão do pátio da Igreja de Santa Cruz, onde este grupo de jovens, com idades entre 14 e 16 anos, costumava jogar futebol – afinal, naquela época não existiam campos, já que o esporte ainda era considerado de elite.

Os fundadores do clube reuniram-se na Rua da Mangueira n° 2, distrito da Boa Vista, por volta das 19 horas. Estiveram presentes os senhores Quintino Miranda Paes Barreto, José Luiz Vieira, José Glacério Bonfim, Abelardo Costa, Augusto Frankin Ramos, Orlando Elias dos Santos, Alexandre Carvalho, Oswaldo dos Santos Ramos e Luiz de Gonzaga Barbalho Uchôa Dornelas Câmara.

A primeira diretoria do Santa Cruz ficou assim estabelecida:

Presidente: José Luiz Vieira Vice-presidente: Quintino Miranda Paes Barreto Primeiro secretário: Luiz Gonzaga Barbalho Diretor de Esportes: Orlando Elias dos Santos Na reunião, definiu-se o nome da nova agremiação como sendo "Santa Cruz Foot-Ball Club". As cores escolhidas foram o branco e preto. Em 1915 o Santa adotou o vermelho, tornando-se tricolor. O historiador Leonardo Dantas afirma que o Santa Cruz sempre teve empatia popular e é um clube ligado a juventude, congregando todas as classes e raças, e as três cores refletem essas características. O preto tem ligação com a raça negra, o branco com a raça caucasiana e o vermelho se liga aos povos indígenas.

O início O primeiro adversário do Santa Cruz foi o Rio negro, à época um já experiente selecionado regional, na campina do Derby, para onde foi atraído um bom público que queria ver jogar o "time dos meninos". A equipe, apesar de acostumada a jogar somente nas ruas, não estranhou o gramado e impôs uma expressiva vitória pelo placar de 7 a 0. A equipe foi assim constituída: Waldemar Monteiro; Abelardo Costa e Humberto Barreto; Raimundo Diniz, Oswaldo Ramos e José Bonfim; Quintino Miranda, Sílvio Machado, José Vieira, Augusto Ramos e Osvaldo Ferreira.

O Rio Negro, não conformado com a goleada sofrida, pediu revanche, chamando o jogo para o seu campo, localizado na Rua São Borja, impondo ainda uma condição: o centroavante Sílvio Machado, do Santa Cruz, não poderia atuar, porque fora o melhor jogador em campo na primeira partida, tendo marcado 5 dos 7 gols do Santa Cruz. O time tricolor aceitou a condição e escalou Carlindo para substituir o seu artilheiro. Ao final, o placar apontava 9 a 0 para o Santa Cruz, tendo Carlindo assinalado seis gols.Histórico do Santa Cruz futebol80. Consultado em 9 de abril de 2018.

Treinando sempre com a bola que José Luis Vieira ajudou a comprar por 8.500 réis, o Santa viria depois a conquistar mais uma sensacional vitória sobre um time famoso da cidade à época: o Western Telegraph Company, composto exclusivamente por jogadores ingleses que trabalhavam no Recife.

miniaturadaimagem|250x250px|Bairro da Boa Vista, local de fundação do Santa Cruz Futebol Clube

Como não podia ser diferente, o Santa Cruz passou por momentos de crises, e, em um desses momentos, ainda em 1914, foi proposto por um dos fundadores, em uma reunião, o gasto dos únicos seis mil réis existentes em caixa na compra de uma máquina elétrica de fazer caldo de cana (o que era sucesso na época, na Rua da Aurora). Foi quando Alexandre de Carvalho deu um murro em cima da mesa, evitando com esse gesto de revolta o fechamento do clube; sua frase àquele momento é até hoje lembrada por torcedores, seja em textos, cânticos ou faixas: "O Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente!".

Como foi fundado por representantes da classe média, o Santa Cruz sempre foi um clube popular, aceitando inclusive negros no time (o primeiro foi Teófilo Batista de Carvalho, conhecido popularmente por Lacraia), coisa rara nesta época. Era mais um passo para a popularização do clube, numa época em que o futebol ainda era um esporte fechado, praticado por rapazes da elite ou por funcionários das várias companhias inglesas que funcionavam na cidade do Recife.

Logo, os torcedores pernambucanos tomaram conhecimento das façanhas de Pitota e Tiano (o médico Martiniano Fernandes), que em dado momento tornou-se para os recifenses mais importante do que Santos Dumont, o pai da aviação. No dia 30 de janeiro de 1919, Dumont transitava pela capital pernambucana, mas a cidade só comentava sobre a vitória tricolor sobre o Botafogo – a primeira de um time do Nordeste sobre uma equipe do Rio de Janeiro – por 3 a 2. Tiano marcou dois gols e o "Jornal Pequeno", da segunda-feira, 31, dizia: "O Botafogo de Futebol e Regatas é derrotado pelos "meninos" cá de casa pelo escore de 3 a 2".

Primeiro título estadual O clube entrou na Liga em 1915 e chegou às finais, mas perdeu para o Flamengo-PE. Em 1931, mais precisamente no dia 13 de dezembro, o Santa fazia seu pavilhão espraiar-se por todo Pernambuco, quando, depois de uma bela campanha, derrotava o Torre por 2 a 0, com gols de Valfrido e Estêvão, e sagrava-se campeão estadual pela primeira vez.

Entre os campeões, duas figuras lendárias no futebol pernambucano: o centroavante Tará e Sherlock. Os heróis do primeiro título do Santa foram: Dada, Sherlock e Fernando; Doía, Julinho e Zezé; Walfrido, Aluízio, Neves, Tará, Lauro e Estevão, João Martins e Popó. Este time conseguiu também o título de 1935.

Assim começava o Arruda Em 1943, o dirigente Aristófanes de Andrade conseguiu alugar um terreno próximo às ruas Beberibe e das Moças, onde muitos anos depois seria instalado o Estádio José do Rego Maciel, o Arruda. Na década de 1940, a equipe levantou três títulos do Campeonato Pernambucano (1940, 1946 e 1947), antes de passar dez anos em jejum.

Quebra do jejum, decisão de 1958 No dia 16 de março de 1957, em uma tarde fria de domingo, o Santa Cruz entrava em campo para pôr fim no incômodo jejum de 10 anos sem a conquista estadual. O título valia pelo Campeonato Pernambucano de 1957 e seria decidido contra o Sport. O Santa Cruz entrou em campo com a seguinte escalação: Aníbal; Diogo e Sidney; Zequinha, Aldemar e Edinho; Lanzoninho, Rudimar, Faustino, Mituca e Jorginho. O técnico era Alfredo González. O Sport estava formado por: Manga; Bria e Osmar; Zé Maria, Mirim e Pinheirense; Roque, Traçaia, Liminha, Carlos Alberto e Geo.

A decisão foi disputada em solo adversário, na Ilha do Retiro, pois o Sport venceu no sorteio. Caso tivesse sido vencedor, o Santa Cruz mandaria a partida nos Aflitos, estádio do Náutico, pois o Tricolor ainda não possuía estádio próprio na época.

A arbitragem da partida foi composta pelo uruguaio Estéban Marino, que foi auxiliado pelos bandeirinhas Amílcar Ferreira (carioca) e José Peixoto Nova. Para o confronto, um público de 29.051 torcedores (para uma renda de 1.062.162 cruzeiros) animavam o espetáculo. No centro do gramado, o árbitro conversava com os capitães Aldemar e Mirim.

Naquele ano o Santa Cruz já havia conquistado os títulos de juvenis e aspirantes. Faltava o de profissionais, almejado durante uma longa década. E ele começou a surgir logo ao 4 minutos de jogo, com um gol de cabeça de Rudimar, após cobrança de escanteio de Faustino. A festa da torcida do Santa aumentou quando, aos 18 minutos, Lanzoninho penetra na área adversária e é abruptamente impedido por Osmar. Pênalti, que Aldemar converte. Bandeirinhas se agitavam na torcida do Santa, enquanto a torcida do Sport passou a vaiar seu técnico, o argentino Dante Bianchi.

Logo aos dois minutos do segundo tempo, outro gol tricolor: o então jovem goleiro Manga solta a bola nos pés de Mituca, que apenas tem o trabalho de empurrá-la para as redes. O Sport descontou aos 22 minutos, com Carlos Alberto. A reação rubro-negra continuou com o segundo gol, marcado por Zé Maria com um chute de fora da área. Porem parou por aí. O placar de 3 a 2 deu o título ao Santa Cruz, que pôde, enfim, comemorar um título de Campeão de Pernambuco após uma década de espera.

Nos anos que seguiram, por volta da década de 1970, o Santa Cruz adotou uma forma de administrar bastante democrática, sob a forma de colegiado. Durante esses anos, o Santa Cruz foi o time pernambucano a conquistar o maior número de títulos estaduais, e foi campeão do Torneio Hexagonal Norte–Nordeste de 1967 (inclusive goleando o Remo, do Pará, por impiedosos 9 a 0) e constituindo-se numa das maiores expressões do futebol nordestino da época.

Mais uma vez, o clube passaria nove anos esperando antes de comemorar. Em 1969 os tricolores quebram o jejum e dão início ao pentacampeonato do estado, maior série do clube até hoje.

Campeão do Torneio Hexagonal Norte-Nordeste de 1967

No início do ano de 1967 o Santa Cruz conquistou o Torneio Hexagonal Norte-Nordeste, uma competição regional. Em dez rodadas, o Santa venceu seis jogos, empatou dois e só foi derrotado duas vezes. O clube goleou os dois times representantes do Norte, ambos do estado do Pará: nos jogos de ida, venceu o Remo por 9 a 0 e derrotou o Paysandu por 5 a 1. No entanto, nos jogos da volta, o Santa Cruz foi derrotado para ambos os times pelo placar de 2 a 1. Além de vencer os dois jogos contra o rival Sport, no jogo de ida o Santa Cruz derrotou o Sport por 3 a 1 e no jogo da volta por 3 a 2. O clube enfrentou também o Ceará e o América: derrotou o Ceará por 2 a 0 nos dois jogos e empatou as duas partidas com o América. Assim, sagrou-se campeão com 14 pontos e terminou a competição de pontos corridos em primeiro colocado, conquistando seu primeiro título regional.

Construção do Arruda

thumb|250px|Estádio do Arruda|alt= Na década de 1970, a torcida tricolor teve mais um motivo para comemorar: a inauguração do Arruda. O estádio, cujo terreno havia sido posto a venda em 1952 pelo proprietário do terreno, recebeu o nome de José do Rego Maciel, por ter sido este o prefeito na época em que o Santa Cruz recebeu da prefeitura a posse definitiva do terreno, em 1954. Somente em 1965, com a venda de cadeiras cativas e títulos patrimoniais é que o Tricolor começou a construir seu estádio. Inauguração