O Esquerda Verde (EV) (neerlandês: GroenLinks (GL)) é um partido político de esquerda dos Países Baixos.
O Esquerda Verde foi formado em 1989 com a fusão de quatro pequenos partidos políticos de esquerda: o Partido Comunista dos Países Baixos, o Partido Socialista Pacifista, o Partido Político dos Radicais e o Partido Popular Evangélico. Após os resultados decepcionantes de 1989 e 1994 o partido teve um bom desempenho nas eleições entre os anos de 1994 e 2002. O líder do partido Paul Rosenmöller foi visto, pelos meios de comunicação, companheiros políticos e acadêmicos, como líder não oficial da oposição contra o gabinete Kok, apesar de ser na época o segundo maior partido da oposição. No final de 2002, Femke Halsema assumiu a liderança política do partido, enfatizando a tolerância, a liberdade e a emancipação como os principais valores do partido.
O Esquerda Verde descreve-se como "verde", "social" e "tolerante". Coloca-se na tradição da liberdade de amar da esquerda.
Atualmente o partido está representado por 14 assentos na Segunda Câmara do Parlamento (Tweede Kamer), 5 na Primeira Câmara (Eerste Kamer), e 2 no Parlamento Europeu. O atual líder do partido é Jesse Klaver. O partido está na oposição ao terceiro gabinete Rutte. O partido tem mais de 100 vereadores e participa no governo de 16 dos 20 maiores municípios dos Países Baixos, tendo, inclusive, a presidência da câmara de Amesterdão. Os eleitores do partido estão concentrados em grandes cidades, especialmente naquelas com universidades.
O partido tem 21 901 membros que estão organizados em mais de 250 diretórios municipais. O congresso do partido está aberto a todos os membros. É um membro do Global Greens e do Partido Verde Europeu.
História História anterior a 1989 O Esquerda Verde foi fundado em 1989 com a fusão de quatro partidos que estavam na esquerda política, em comparação com o social-democrata Partido Trabalhista, normalmente o maior partido da ala esquerda nos Países Baixos. Os partidos de fundação eram: o Partido Comunista dos Países Baixos (CPN), o Partido Socialista Pacifista (PSP), que teve origem no movimento pacifista, o verde Partido Político dos Radicais (PPR), originalmente um partido progressista cristão, e o Partido Popular Evangélico. Estes quatro partidos eram frequentemente classificados como "pequena esquerda", para indicar a sua existência marginal. Nas eleições de 1972 estes partidos ganharam dezasseis lugares (de um total de 150), nas eleições de 1977 eles ficaram com apenas seis. Daquele momento em diante, os membros e os eleitores começaram a buscar uma cooperação mais estreita entre eles.
Desde a década de 1980 em diante os quatro partidos começaram a cooperar em eleições municipais e provinciais. Quanto menos lugares estão disponíveis nessas representações, um maior percentual de votos é necessário para se obter um assento. Na eleição para o Parlamento Europeu em 1984, o PPR, o CPN e o PSP formaram o Acordo Progressista Verde, que concorreu como sendo um partido único nas eleições europeias. Eles ganharam um assento, que rotativamente foi ocupado pelo PSP e pelo PPR. Os membros dos quatro partidos também resolveram reunir-se para participar de protestos populares extra-parlamentares contra a energia nuclear e as armas nucleares. Mais de 80% dos membros do PSP, CPN e PPR participaram de pelo menos um dos dois protestos contra a colocação de armas nucleares nos Países Baixos, em 1981 e em 1983.
O Partido Popular Evangélico era um partido relativamente novo, fundado em 1981, formado pela divisão de um grande partido cristão democrático, o Apelo Democrata Cristão. Durante seu período no parlamento (1982-1986) ele teve dificuldades para se posicionar entre os pequenos partidos de esquerda (PSP, PPR e CPN), o PvdA e o CDA.
A cooperação cada vez mais estreita entre o PPR, PSP, CPN e EVP, e as mudanças ideológicas que a acompanharam, não ocorreram sem dissidências internas nos partidos. A mudança ideológica que o CPN fez do revolucionário marxismo-leninismo para o "reformismo" levou a uma ruptura no CPN; e a subsequente fundação da Liga dos Comunistas nos Países Baixos em 1982. Em 1983, um grupo de "profundo" Verdes deixaram o PPR para fundar os Verdes. Para participar da eleição de 1986, o CPN e o PPR quiseram formar uma aliança eleitoral com o PSP. Isto levou a uma crise no seio do PSP, em que o presidente do grupo parlamentar Fred van der Spek, que opunha-se à cooperação, foi substituído por Andrée van Es, favorável a ela. Van der Spek deixou o PSP e fundou seu próprio partido, o Partido para o Socialismo e Desarmamento (em neerlandês: Partij voor Socialisme en Ontwapening, OSP). A convenção política do PSP em 1986, no entanto, rejeitou a aliança eleitoral.
Nas eleições de 1986 todos estes quatro partidos perderam lugares. O CPN e o EVP desapareceram do parlamento. O PPR ficou com dois assentos e o PSP com um. Quando os partidos preparavam-se separadamente para participar das eleições de 1990, a pressão para que houvesse uma maior cooperação entre eles também aumentou. Em 1989, o PPR, o CPN e o PSP participaram nas eleições europeias com uma lista única, a chamada 'Arco-íris'. Joost Lagendijk e Leo Platvoet, ambos os membros do conselho do PSP, deram início a um referendo interno, no qual os membros do PSP declararam apoio à cooperação à ala esquerda (70% a favor; 64% de todos os membros votantes). Suas iniciativas para a cooperação com a ala esquerda foi apoiada por uma carta aberta de membros influentes dos sindicatos (tais como Paul Rosenmöller e Karin Adelmund), dos movimentos ambientalistas (por exemplo: Jacqueline Cramer) e das Artes (tais como Rudi van Dantzig). Na carta, eles chamaram a atenção para a constituição de um único partido progressista do lado esquerdo do PvdA. Lagendijk e Platvoet haviam participado de reuniões informais entre membros proeminentes do PSP, PPR e CPN, o que favoreceu a cooperação. Outros participantes foram: o presidente do PPR, Bram van Ojik, e a ex-líder do CPN, Ina Brouwer. Estas conversações foram chamadas de "FC Sittardia" ou Cliché bv.
Na primavera de 1989, o PSP iniciou conversações formais com o CPN, o PSP e o PPR sobre uma lista comum para as próximas eleições gerais. Ficou logo evidente que o CPN queria manter uma identidade comunista independente e não fundir-se à formação de numa nova ala esquerda. Este foi o motivo para o PPR deixar de participar das conversações. As negociações sobre cooperação foram reabertas após a queda do segundo gabinete Lubbers e o anúncio que as eleições aconteceriam no outono do mesmo ano. Desta vez, o EVP foi incluído nas discussões. O PPR foi representado, por um curto tempo, por uma delegação informal chefiada pelo ex-presidente Wim de Boer, porque a cúpula do partido não quis ser vista retomando as negociações que haviam deixado apenas pouco tempo antes. No verão de 1989, os congressos partidários de todos os quatro partidos aceitaram concorrer nas eleições com um programa compartilhado e uma única lista de candidatos. Adicionalmente, foi criada a Associação Esquerda Verde (em neerlandês: Vereniging Groen Links; VGL) para permitir que simpatizantes, não membros de nenhum dos quatro partidos, pudessem aderir. Enquanto isso, as eleições europeias de 1989 foram mantidas, nas quais o mesmo grupo de partidos tinha entrado com uma lista única com o nome de "Arco-íris". Na prática, a fusão dos partidos já havia acontecido e em 24 de novembro de 1990, o partido Esquerda Verde foi oficialmente fundado.
1989-1994 Nas eleições de 1989 o PPR, o PSP, o CPN e o EVP participaram com uma lista única chamada "Groen Links". Nos Países Baixos, que forma um único distrito eleitoral, os partidos entram nas eleições com uma lista para todo o país. A primeira posição da lista (o lijsttrekker) é dada ao líder do partido político, que muitas vezes torna-se presidente da delegação parlamentar (Fractievoorzitter). A lista de candidatos do Esquerda Verde foi organizada de forma a que todos os partidos estivessem representados e novos valores pudessem entrar. O PPR, que havia sido o maior partido em 1986, ficou com o primeiro lugar da lista (ocupado por Ria Beckers) e o número cinco, o PSP, os números dois e seis, o CPN, o número três e o EVP, o número onze. O primeiro candidato independente foi Paul Rosenmöller, sindicalista de Roterdão, o número quatro. Nas eleições do partido dobrou seus lugares, em comparação com 1986 (de três a seis), mas as expectativas tinham sido muito superiores. Nas eleições municipais de 1990, o partido teve um desempenho muito melhor, reforçando a solução da cooperação.
No período 1989-1991 a fusão evoluiu. Uma junta foi organizada para o partido em formação e um Conselho Esquerda Verde, que deveria controlar a junta e o partido parlamentar e estimular o processo de fusão foi criado, todos os cinco grupos (CPN, PPR, PSP, EVP e a Associação Esquerda Verde) tinham lugares equivalentes ao número de membros do partido. Inicialmente, as três organizações juvenis, a Liga Geral da Juventude Neerlandesa vinculada ao CPN, os Grupos de Trabalho Jovem Socialista Pacifista ligados ao PSP, e o Partido Político da Juventude Radical vinculado ao PPR recusaram fundir-se sob a pressão do governo, que controlava seus subsídios. Posteriormente, porém, eles se fundiram formando a organização da juventude DWARS. Em 1990 formou-se uma oposição contra o moderado rumo ambientalista do Esquerda Verde. Vários ex-membros do PSP, unidos no "Fórum da Esquerda", em 1992, deixaram o partido para juntar-se ao ex-líder do PSP, Van der Spek e fundarem o PSP'92. Do mesmo modo, ex-membros do CPN juntaram-se à Liga dos Comunistas dos Países Baixos para fundar o Novo Partido Comunista no mesmo ano. Em 1991, os congressos dos quatro partidos fundadores (PSP, PPR, CPN e EVP) decidiram abolir oficialmente seus partidos.
O Esquerda Verde teve problemas consideráveis com a formulação de sua própria ideologia. Em 1990, a tentativa de escrever o primeiro manifesto de princípios fracassou devido às diferenças entre socialistas e comunistas de um lado e os mais liberais ex-membros do PPR do outro lado. O segundo manifesto de princípios, que não foi permitido o nome manifesto de princípios, foi aprovado após um longo debate, e muitas alterações, em 1991.
Apesar do partido estar internamente dividido, o partido parlamentar Esquerda Verde não era o único partido no parlamento neerlandês que opunha-se à Guerra do Golfo. Um debate dentro do partido sobre o papel da intervenção militar levou a uma maior diferenciação do ponto de vista que o pacifismo de alguns dos seus predecessores: o Esquerda Verde apoiaria as missões de manutenção da paz, desde que elas fossem enviadas pelas Nações Unidas.
No outono de 1990, o deputado Verbeek anunciou que abandonaria, tal como ele havia prometido, o Parlamento Europeu, após dois anos e meio para dar lugar a um novo candidato. Ele continuaria como independente e permaneceu no parlamento até 1994. Na eleição de 1994, ele concorreria, sem sucesso, como candidato principal dos Verdes.
Em 1992, a dirigente partidária, Ria Beckers, deixou a Tweede Kamer, porque ela queria ocupar-se mais tempo com sua vida privada. Peter Lankhorst substituiu-a como presidente interino, mas ele anunciou que não iria participar das eleições internas.
1994-2002