Nova Suécia (; ), foi uma pequena colónia sueca ao longo do rio Delaware na costa oriental da América do Norte durante o século XVII que incluía partes dos atuais estados de Delaware, Nova Jérsia e Pensilvânia.

A colónia foi fundada em 29 de março de 1638, pelo explorador neerlandês Peter Minuit, a serviço da Coroa da Suécia. O principal assentamento da colónia era o Forte Cristina, assim denominado em homenagem à rainha Cristina da Suécia, e foi o primeiro assentamento europeu permanente no vale do Delaware. À data da fundação, residiam na região algumas centenas de colonos, cerca de metade dos quais eram finlandeses, uma vez que a Finlândia fazia então parte do Reino da Suécia.

Com o passar do tempo, o Forte Cristina viria a dar origem à atual cidade de Wilmington, no estado de Delaware. Outros núcleos de povoamento sueco estabeleceram-se no sudeste da Pensilvânia e no sudoeste da Nova Jérsia. A economia da Nova Suécia baseava-se sobretudo na agricultura e no comércio de peles.

Antecedentes No século XVII, a Suécia havia alcançado a sua maior extensão territorial, abrangendo a Finlândia e a Estónia, bem como partes do que hoje correspondem à Rússia, Polónia, Alemanha, Noruega e Letónia. Durante esse período, conhecido como stormaktstiden (“Era da Grande Potência”), o país figurava entre as grandes potências europeias. Ao mesmo tempo, outras nações europeias estabeleciam colónias no Novo Mundo e construíam impérios comerciais bem-sucedidos. A Suécia procurou ampliar a sua própria influência através da criação de uma colónia dedicada ao cultivo do tabaco e ao comércio de peles, com o objetivo de contornar os mercadores franceses, ingleses e neerlandeses.

A ideia de fundar uma colónia sueca na América do Norte surgiu já durante o reinado do rei Gustavo II Adolfo. O monarca entrou em contacto com o neerlandês Willem Usselincx e, em 21 de dezembro de 1624, incumbiu-o de organizar uma companhia comercial. Em 6 de junho de 1626, foi fundada, por meio de uma carta de privilégio (outorga), a Companhia Geral de Comércio do Reino da Suécia para a Ásia, África e Terra Magallanica, também conhecida como Companhia do Sul (Söderkompaniet), à qual foi concedido o monopólio do comércio nessas regiões. Contudo, após a partida do rei para a Guerra dos Trinta Anos, na Alemanha, as atividades da companhia entraram em declínio.

Em 1635, o chanceler do reino Axel Oxenstierna, durante uma visita a Amesterdão, entrou em contacto, por intermédio de Peter Spiring — que há muito se encontrava ao serviço da Suécia —, com os mercadores neerlandeses Samuel Blommaert e Peter Minuit. Este último havia trabalhado anteriormente para a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais e exercido o cargo de governador da colónia dos Novos Países Baixos. Minuit conhecia, portanto, o facto de a região do rio Delaware ser pouco povoada, o que levou ao ressurgimento da ideia de fundar uma colónia. Após a assembleia do reino de 1636, o projeto foi retomado e, em 1637, a Companhia do Sul foi reorganizada como Companhia da Nova Suécia (Nya Sverige-kompaniet ou Nova-Sueciakompaniet), com a missão de estabelecer um entreposto comercial sueco-neerlandês na América do Norte. Os cinco sócios suecos da companhia eram os irmãos Axel e Gabriel Gustafsson Oxenstierna, o seu primo Gabriel Bengtsson Oxenstierna, Clas Larsson Fleming e Peter Spiring. A estes juntavam-se Samuel Blommaert e outros cinco sócios neerlandeses. O capital da companhia era dividido igualmente entre investidores suecos e neerlandeses.

A expedição para a América do Norte foi preparada com o máximo sigilo, por receio da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, que então dominava a região. Metade da tripulação era composta por suecos, sendo o restante formado por neerlandeses; os oficiais eram maioritariamente neerlandeses, devido à sua maior experiência em viagens transatlânticas.

No final de novembro de 1637, os navios Kalmar Nyckel e Fågel Grip partiram do porto de Gotemburgo sob o comando de Peter Minuit, transportando 24 homens — 23 militares e um escriturário. O capitão do Fågel Grip era Adrian Jöransen, enquanto o Kalmar Nyckel era comandado por Jan Hindricksen van der Water; o contingente sueco encontrava-se sob a liderança do tenente Måns Nilsson Kling.

História 1638–1642: Fundação da colónia A expedição sueca chegou à baía de Delaware em 23 de março de 1638, prosseguindo em seguida rio acima pelo rio Delaware. A frota entrou depois num afluente situado na margem ocidental, desembarcando num promontório localizado na confluência do Christinekil (Minquas Kill, atual rio Cristina) e do Brännvinskilen (Wauwaset Kill, atual Brandywine Creek), local que recebeu o nome de Paradisudden (“Ponta do Paraíso”). A região era então habitada pelo povo Lenape (ou Lenni Lenape), um povo de língua algonquina.

Em 29 de março de 1638, Peter Minuit, em nome da Coroa sueca, celebrou um acordo de compra de terras com cinco chefes lenape, formalizando a posse sueca da região. O acordo abrangia as terras situadas na margem ocidental do rio Delaware, desde Bombay Hook, na foz do rio, a sul, até à foz do rio Schuylkill, a norte, sem que fosse estabelecido qualquer limite definido para o interior. O tratado foi formalmente assinado em 8 de abril de 1638, a bordo do navio Kalmar Nyckel, sendo o pagamento efetuado através de bens comerciais.

Pouco depois, iniciou-se a construção do Forte Cristina (Fort Christina), que se tornou o principal centro administrativo, militar e comercial da colónia, recebendo o nome da então jovem rainha Cristina da Suécia. A fundação da Nova Suécia ocorreu num território reivindicado pela colónia neerlandesa dos Novos Países Baixos, o que desde cedo gerou tensões diplomáticas. Apesar disso, o comandante da expedição, Peter Minuit, procurou inicialmente evitar confrontos diretos, estabelecendo contactos tanto com os neerlandeses como com os povos indígenas locais. Foram celebrados acordos com grupos indígenas da região, assegurando o comércio de peles e o uso de terras, o que contribuiu para a relativa estabilidade da colónia nos seus primeiros anos.

A população inicial era reduzida e composta sobretudo por suecos e finlandeses, mas inicialmente o governo sueco tentou limitar a emigração à colónia. A Suécia, na época, era pouco povoada e a imigração era incentivada antes da emigração. Os primeiros emigrantes eram criminosos que tiveram que escolher entre uma sentença na Suécia ou viver na América por pelo menos cinco anos. Mais tarde, também vieram emigrantes voluntários, principalmente do oeste da Suécia, Dalecárlia, Jemtlândia, Varmlândia e Angermânia. Um grande grupo entre os colonizadores era composto por suecos-finlandeses e finlandeses que haviam sido forçados a fugir para Varmlândia para escapar da guerra nas regiões fronteiriças com o Czarado da Rússia, mas também criminosos e desertores.

Os colonos introduziram técnicas construtivas em madeira, como as casas de toras (log cabins), que mais tarde se difundiriam amplamente na América do Norte. A economia da colónia baseava-se essencialmente na agricultura de subsistência e no comércio de peles, com particular destaque para o cultivo do tabaco. Ainda em 1638, Peter Minuit morreu durante uma viagem marítima na ilha de São Cristóvão, nas Índias Ocidentais, o que privou a colónia da sua principal figura organizadora logo nos seus primórdios. Apesar dessa perda, o navio Kalmar Nyckel retornou à Suécia.

Antes da partida de Minuit, Kling foi nomeado governador interino a 15 de junho. O Fågel Grip regressou no Inverno de 1638 de São Cristóvão com mais um colono, o angolano liberto Anthony Swartz; por volta de abril de 1639, o Fågel Grip voltou novamente à Suécia com uma carga de tabaco e peles. A população da colónia era então constituída por Kling e vinte e quatro homens, que tiveram de aguardar dezoito meses pela expedição seguinte. Apenas em setembro de 1639 partiu uma nova expedição da metrópole.

A 17 de abril de 1640 chegou o Kalmar Nyckel com o novo governador Peter Hollander Ridder e catorze novos colonos, entre os quais Per Gunnarsson Rambo, antepassado da família Rambo, e Reorus Torkillus, o primeiro sacerdote luterano da América. Ridder realizou novas aquisições de terras em ambas as margens do rio Delaware. Em 1642, Torkillus construiu a primeira igreja junto ao Forte Cristina. Kling foi enviado de regresso à Suécia para recrutar mais colonos.

A 24 de janeiro de 1640 foi assinado em Estocolmo um tratado que concedia aos neerlandeses o direito de estabelecer uma colónia própria (colónia de Utrecht) a norte do Forte Cristina, dentro do território da Nova Suécia. O neerlandês Joost van Bogaert (então ao serviço da Coroa sueca) foi nomeado governador dessa área. Por volta de julho de 1640, o navio Freedenburg deixou a Europa e chegou à Nova Suécia a 2 de novembro. Foram deixados mantimentos aos suecos, seguindo depois o navio rio acima. Em dezembro, regressou à Europa com uma carga de tabaco e peles pertencente a comerciantes suecos, a qual foi vendida à chegada a Amesterdão.

Em 1641, a Companhia da Nova Suécia passou inteiramente para controlo sueco, após a retirada dos sócios neerlandeses (que detinham também interesses na Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais), tendo-lhe sido igualmente concedido o monopólio do planeado comércio de tabaco com a Suécia. Em julho, Kling partiu de Gotemburgo com novos emigrantes — entre eles Johan Andersson Stålkofta e mais de cinquenta futuros colonos, maioritariamente finlandeses — a bordo dos navios Kalmar Nyckel e Charitas. Os colonos tinham sido parcialmente recrutados por Kling durante viagens às regiões florestais da Värmland e da Västmanland, e parcialmente obrigados a emigrar. A expedição chegou à Nova Suécia a 7 de novembro. Os novos emigrantes começaram a fundar os assentamentos de Sveaborg e Nova Estocolmo, enquanto os colonos finlandeses estabeleceram as povoações de Finlândia e Upland, um pouco a norte do Forte Cristina. Após esta expedição, viviam cerca de 150 pessoas na região.

A Companhia nomeou então o tenente-coronel Johan Björnsson Printz como novo governador. Printz tinha servido anteriormente na Finlândia e estava familiarizado com a língua e os costumes finlandeses. A 16 de agosto de 1642, Printz partiu de Estocolmo para Gotemburgo a bordo do navio Fama; a 1 de novembro, o Fama e o Charitas zarparam rumo à Nova Suécia, onde chegaram a 15 de fevereiro de 1643. Nesta viagem seguiram, entre outros, Sven Skute, Johannes Jone Holmiensis Campanius, o segundo sacerdote da colónia, bem como cerca de setenta colonos e soldados adicionais.

1643–1652: Administração e expansão Durante este período, as relações com os povos indígenas mantiveram-se, em geral, pacíficas. Lado a lado com os colonos suecos viviam mais de 10 000 indígenas da tribo Lenape, cuja convivência inicial com os europeus parece ter decorrido sem grandes conflitos. Contudo, estas populações nativas sofreram perdas devastadoras em consequência de doenças como a varíola e o sarampo, introduzidas pelos europeus, e, mais tarde, foram também expulsas em grande número dos seus territórios tradicionais.

O comércio de peles continuou a desempenhar um papel central na economia colonial, sendo complementado pela agricultura e pela criação de gado. Ainda assim, a colónia enfrentava dificuldades estruturais, como a escassez de colonos, a limitação de recursos financeiros e a grande distância em relação à metrópole, fatores que condicionavam o seu crescimento e a sua capacidade de afirmação regional.

Paralelamente, aumentaram as tensões com a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, que contestava a legitimidade da presença sueca na região. Embora não tenha ocorrido ainda um conflito armado aberto, os neerlandeses reforçaram as suas posições nas proximidades, preparando o terreno para os confrontos que viriam a marcar a fase final da colónia.