Manhuaçu é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. A cidade está localizada nas margens do rio Manhuaçu, que dá nome ao município.

A área do atual município foi frequentada por exploradores e bandeirantes na época do Brasil Colônia, contudo o povoamento só começou a se consolidar depois da distribuição de sesmarias, após 1800. Manhuaçu veio a se emancipar em 1877, tendo prosperado sobretudo devido ao cultivo do café. A cafeicultura ainda se faz presente de maneira significativa, configurando Manhuaçu como um dos principais produtores de Minas Gerais.

Etimologia

O topônimo Manhuaçu é de origem tupi. Segundo o historiador Teodoro Fernandes Sampaio, significa "chuva grande", com base na junção dos termos aman'y e asu. Já o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro afirma que o termo talvez provenha de amynyîûasu, termo tupi que significa "algodoeiros grandes" (amynynîu, algodoeiro + ûasu, grande).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 585.

Outros confirmam o história que Manhu é igual a "rio" ou "chuva" e que Açu significa "grande": ou seja, "Manhuaçu" significaria "Rio Grande" ou "Chuva Grande".

História

Das origens à emancipação thumb|esquerda|Busto de Domingos Fernandes Lana, na Praça 5 de Novembro, homenagem aos bandeirantes na cidade. A região pertencente ao atual município de Manhuaçu era habitada originalmente por povos puris. Na época das capitanias hereditárias, expedições foram realizadas pela região em busca de ouro e pedras preciosas e para fins de reconhecimento. No , Sebastião Fernandes Tourinho e Vasco Fernandes Coutinho percorreram o rio Manhuaçu. No , Marcos de Azeredo Coutinho saiu de Vitória rumo ao Vale do Rio Doce, tendo retornado ao ter sua expedição atacada por nativos. Já na segunda metade do , a área começou a ser frequentada por bandeirantes vindos de São Paulo, seguindo o curso dos rios, motivados por outras expedições que encontraram ouro em outras partes do estado. Nesse contexto, Pedro Bueno Cacunda frequentou o rio Manhuaçu em 1703, sendo ele o responsável por fixar pontos de apoio para suas explorações.

Pedro Bueno Cacunda chegou a fundar um arraial na área da atual cidade, então parte da Capitania do Espírito Santo, no começo do , porém enfrentou dificuldades de convivência com os povos indígenas locais. Além disso, a descoberta de ouro na região central de Minas Gerais fez se concentrar ali os investimentos da Coroa Portuguesa, que rejeitou pedidos de ajuda feitos por Cacunda. Dessa forma, a região de Manhuaçu permaneceu esquecida pelas décadas seguintes. Mais tarde, em 1800, um acordo transferiu essa área para a Capitania de Minas Gerais. Adicionalmente, Dom João VI autorizou a escravização dos indígenas que ainda habitavam essas terras. Posteriormente, foram distribuídas sesmarias e as terras foram frequentadas por sertanistas. Inclusive, indígenas foram alugados para a abertura de estradas locais.

Dentre os sertanistas que estiveram na região está Domingos Fernandes Lana, que chegou no final da década de 1820. Ele foi o responsável pela criação de um comércio de ipecacuanha com os nativos locais, além de ter fundado a atual cidade, que já contava com uma pequena população de residentes e indígenas aldeados. Pela lei estadual n.º 2.165 de 20 de novembro de 1875, foi reconhecido o distrito de São Lourenço do Manhuassu, sendo emancipado pela lei provincial nº 2.407 de 5 de novembro de 1877, desmembrado de Ponte Nova. A sede era em São Simão (atual Simonésia). Mediante a lei provincial nº 2.557 de 3 de janeiro de 1880, a sede municipal foi transferida de São Simão para São Lourenço, instalada em 30 de outubro de 1880. Foi reconhecida como cidade pela lei provincial de nº 2.766 de 30 de setembro de 1881, quando adquiriu a denominação de "Manhuassu".

República Manhuassu

thumb|esquerda|Moeda (o Boró) que foi emitida pelo coronel Serafim Tibúrcio da Costa Na segunda metade do , a economia da região foi beneficiada com a ascensão do cultivo do café. Em 1896, Manhuaçu já era um dos polos cafeeiros, com grande poder político na Primeira República. Neste ano, a disputa pelo poder local entre dois coronéis, Serafim Tibúrcio da Costa e Frederico Antônio Dolabela, teria provocado consequências negativas na economia. Após perder as eleições de modo considerado fraudulento, o coronel Serafim Tibúrcio e seu companheiro coronel Antônio de Miranda Sette pegaram em armas e pelo menos 800 pessoas foram empenhadas para invadir a cidade, em 15 de maio de 1896, proclamando assim a República Manhuassu.

Foram emitidos títulos de crédito em nome da Fábrica de Pilação de Café e nomeadas autoridades, além de ter sido criada uma moeda, o Boró, que tinha o mesmo valor dos réis, vigente no Brasil naquela época. Além do mais, as fronteiras foram fechadas e vigiadas. A polícia estadual não conseguiu superar os coronéis Tibúrcio e Antônio de Miranda e seus homens, sendo interceptada e forçada a tomar outro rumo enquanto estavam a caminho. Com o apoio das forças federais, o levante foi derrubado em 3 de junho e os revoltosos fugiram pelo vale do rio Manhuaçu, fundando pequenos povoados como Alegria de Simonésia e até alguns no estado do Espírito Santo.

Configuração urbana e administrativa thumb|esquerda|Igreja Matriz de São Lourenço, inaugurada em 1928. No começo do foi inaugurado o serviço de energia elétrica (Companhia Força e Luz de Manhuaçu). Na década de 1910, Manhuaçu passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Leopoldina, que tinha o intuito de escoar a produção de café da Zona da Mata Mineira até o Rio de Janeiro. A Estação de Manhuaçu foi inaugurada em 1915 e operou até a década de 1970, quando a linha de Manhuaçu a Carangola foi desativada, deixando a estação sem uso até ser demolida. São datados da década de 1920 o Hospital César Leite, o Banco Hipotecário e Agrícola do Estado de Minas Gerais e a Ponte dos Arcos.

O nome "Manhuassu" passou a ser grafado "Manhuaçu" pela lei estadual nº 336 de 27 de dezembro de 1948. A malha urbana seguiu se expandindo nas bordas do rio Manhuaçu, rumo aos morros. Posteriormente, a construção da BR-262 também foi seguida da ocupação de suas margens, onde surgiram novos bairros e loteamentos. Desde a emancipação, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos, que por sua vez deram origem a novos municípios. De Manhuaçu foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Caratinga (1890), Ipanema (1911), Manhumirim (1923), Matipó (1938), Simonésia (1943), Santana do Manhuaçu (1943) e São João do Manhuaçu (1992).

Geografia thumb|direita|BR-262 em Manhuaçu thumb|direia|Relevo ondulado no município thumb|direita|Centro de Manhuaçu visto do bairro de Todos os Santos O município de Manhuaçu está localizado na Zona da Mata Mineira. Limita-se com Santa Bárbara do Leste, Raul Soares (a norte), Vermelho Novo, Caputira, Matipó (a oeste), São João do Manhuaçu (a sudoeste), Luisburgo (a sul), Manhumirim (a sudeste), Reduto (a leste) e Simonésia (a nordeste). A sede dista por rodovia da capital mineira, Belo Horizonte. As principais estradas que atendem à cidade são a BR-262, BR-116 e MG-111.

O bioma original predominante é a Mata Atlântica, porém restrito a poucos remanescentes. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence à Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora e e à Região Geográfica Imediata de Manhuaçu. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Manhuaçu, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.

Relevo e hidrografia O relevo de Manhuaçu é consideravelmente acidentado, inclusive na zona urbana, sendo que a altitude mínima é de 561 metros na foz do rio São Mateus, enquanto que a máxima chega aos metros na Serra Pedra Dourada. Já o ponto central da cidade está a . O município integra a bacia do rio Doce e os principais mananciais que banham a cidade são os rios Manhuaçu e Manhuaçuzinho. O rio Manhuaçuzinho deságua no Manhuaçu, que por sua vez é um afluente da margem direita do rio Doce. Outro curso hídrico significativo é o ribeirão São Luís, que também deságua no rio Manhuaçu, com o qual contribui com um volume de água considerável, perto da zona urbana.

O crescimento urbano, iniciado nas margens do rio Manhuaçu, seguiu rumo aos morros e encostas que cercam a cidade, situação que provocou a supressão da vegetação, erosão e assoreamento de cursos hídricos. Isso reduziu a capacidade do solo de absorver a água das chuvas, tornando a zona urbana vulnerável a deslizamentos de terra e enchentes, além de intensificar a susceptibilidade aos picos de cheias do rio Manhuaçu. Assim, as cheias do rio na estação das chuvas causam enchentes de forma reincidente em suas margens povoadas. Algumas das mais graves ocorreram em 1979, 1997, 2003, 2009 e 2020.

Clima O clima manhuaçuense é caracterizado como tropical mesotérmico brando úmido (tipo Cwb segundo Köppen), com chuvas concentradas no verão e temperatura média anual em torno de . As temperaturas apresentam variações entre (média das mínimas) e (média das máximas). Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) coletados na estação meteorológica automática do município, instalada em 24 de setembro de 2010, a menor temperatura registrada foi de em 6 de julho de 2013, e a maior atingiu em 7 de outubro de 2020. O menor índice de umidade relativa do ar foi de 12% no dia 31 de agosto de 2024. O maior acumulado de precipitação em 24 horas, por sua vez, foi de em 2 de dezembro de 2019.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, habitantes eram homens (49,11%) e habitantes mulheres (50,88%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (81,61%) e na zona rural (18,39%). Segundo o IBGE, Manhuaçu é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território. Em 2022, era o quarto município mais populoso da Zona da Mata Mineira, além de ser um dos dez da região que mais cresceram em relação ao censo de 2010.

Da população total em 2022, habitantes (20,48%) tinham menos de 15 anos de idade, (15,76%) tinham de 15 a 24 anos, (23,7%) tinham de 25 a 39 anos, (29,94%) tinham de 40 a 64 anos e (10,12%) possuíam 65 anos ou mais. Em 2022, a população era composta por pardos (48,71%), brancos (41,67%), negros (9,56%), 37 amarelos (0,04%) e 23 indígenas (0,03%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por católicos (58,35% do total), evangélicos (32,55%), pessoas sem religião (4,24%), 829 espíritas (1,04%), 101 da umbanda e candomblé (0,13%) e 3,69% estão divididos entre outras religiões.

Política e subdivisões A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 17 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Manhuaçu se rege por sua lei orgânica, promulgada em 21 de março de 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de entrância especial, que tem como termos os municípios de Luisburgo, Reduto, Santana do Manhuaçu, São João do Manhuaçu e Simonésia. O município possuía, em abril de 2026, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).