Liberalismo é uma corrente política e moral baseada na liberdade, no consentimento dos governados e igualdade perante a lei."With a nod to Robert Trivers' definition of altruistic behaviour" (Trivers 1971, p. 35), Satoshi Kanazawa define o liberalismo (em oposição ao conservadorismo) como "a preocupação genuína pelo bem-estar de outros geneticamente não relacionados e a vontade de contribuir com grandes proporções de recursos privados para o bem-estar desses outros "(Kanazawa 2010, p. 38). Os liberais defendem uma ampla gama de pontos de vista, dependendo da sua compreensão desses princípios, mas, em geral, apoiam ideias como um governo limitado em seus poderes, direitos individuais (incluindo direitos civis e direitos humanos), livre mercado, democracia, secularismo, igualdade de gênero, igualdade racial, internacionalismo, liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade religiosa."O liberalismo situa-se no plano político-religioso. Defende a absoluta liberdade individual, tanto de pensamento como de ação, na vida privada e pública.", Dom Dadeus Grings. Dialética da política: história dialética do cristianismo. EDIPUCRS; GGKEY:3PUD50DKR6P. p. 257."(...) o liberalismo incorporou ideias como o livre comércio, a democracia e a autodeterminação nacional.", William Outhwaite. Dicionário do pensamento social do século XX. Jorge Zahar Editor; 1996. ISBN 978-85-7110-345-0. p. 421.Corentin de Salle. A Tradição da Liberdade - Grandes Obras do Pensamento Liberal. Movimento Liberal Social; ISBN 978-989-97083-1-0. p. 18. O Amarelo é a cor política mais comumente associada com o liberalismo.
O liberalismo começou a alcançar notoriedade durante o Iluminismo, quando se tornou popular entre filósofos e economistas, que buscavam contestar diversas normas sociais vigentes à época, como o privilégio hereditário, o Estado confessional, a monarquia absolutista e o direito divino dos reis. Os liberais também combateram as políticas mercantilistas, os monopólios e outras barreiras ao comércio, promovendo mercados livres em vez disso. Enquanto a tradição liberal britânica enfatizava a expansão da democracia, o liberalismo francês enfatizava a rejeição do autoritarismo e estava ligado à construção da nação. O filósofo John Locke, do , é muitas vezes creditado como o fundador do liberalismo como uma tradição filosófica autônoma. Locke argumentava que cada homem tem um direito natural à vida, à liberdade e à propriedade,"All mankind ... being all equal and independent, no one ought to harm another in his life, health, liberty, or possessions", John Locke, Second Treatise of Government acrescentando que os governos não devem violar esses direitos com base no contrato social. Os liberais opuseram-se ao conservadorismo tradicional e procuraram substituir o absolutismo no governo pela democracia representativa e pelo Estado de direito.
Líderes revolucionários da Revolução Gloriosa de 1688, da Revolução Americana de 1776 e da Revolução Francesa de 1789 usaram a filosofia liberal para justificar derrubadas armadas contra realezas tiranas. O liberalismo espalhou-se rapidamente, especialmente após a Revolução Francesa. O século XIX viu governos liberais estabelecidos em nações da Europa e da América do Sul, ao passo que também estavam bem estabelecidos ao lado do republicanismo nos Estados Unidos. Na Grã-Bretanha vitoriana, foi usado para criticar o establishment político, apelando para a ciência e a razão em favor do povo. Durante o século XIX e início do século XX, o liberalismo no Império Otomano e no Oriente Médio influenciou períodos de reformas como o Tanzimat e o Al-Nahda, bem como a ascensão do secularismo, do constitucionalismo e do nacionalismo; neste último sendo usado como pilar da Unificação Alemã (1864-1870) e da Unificação da Itália (1848-1860). Essas mudanças, juntamente com outros fatores, ajudaram a criar uma sensação de crise dentro do Islã, que continua até hoje, culminando no renascimento islâmico. Antes de 1920, o principal adversário ideológico do liberalismo clássico era o conservadorismo, mas, nos anos seguintes o liberalismo passou a enfrentar grandes desafios ideológicos de novos opositores: o fascismo e o comunismo. No entanto, durante o século XX, as ideias liberais continuaram a se espalhar ainda mais — especialmente na Europa Ocidental — em forma de democracias liberais, que estiveram do lado vencedor em ambas as guerras mundiais.
Na Europa e na América do Norte, o estabelecimento do liberalismo social (muitas vezes chamado simplesmente de "liberalismo" nos Estados Unidos) tornou-se um componente-chave na expansão do estado de bem-estar social, nos conhecidos 30 Anos Gloriosos."Liberalism in America: A Note for Europeans" by Arthur Schlesinger, Jr. (1956) from: The Politics of Hope (Boston: Riverside Press, 1962). "Liberalism in the U.S. usage has little in common with the word as used in the politics of any other country, save possibly Britain." Hoje, os partidos liberais continuam a exercer poder e influência em todo o mundo. No entanto, o liberalismo ainda tem desafios a superar na África e na Ásia. Os elementos fundamentais da sociedade contemporânea têm raízes liberais. As primeiras ondas do liberalismo popularizaram o individualismo econômico enquanto expandiam o governo constitucional e a autoridade parlamentar. Os liberais procuraram e estabeleceram uma ordem constitucional que valorizava liberdades individuais importantes, como liberdade de expressão e liberdade de associação; um judiciário independente e um julgamento público por júri; assim como a abolição dos privilégios aristocráticos. Ondas posteriores do pensamento e da luta liberal moderna foram fortemente influenciadas pela necessidade de expandir os direitos civis. Os liberais defenderam a igualdade de gênero e racial em suas campanhas para promover os direitos civis e um movimento global pelos direitos civis no século XX alcançou vários objetivos em relação a ambas as metas. O liberalismo europeu continental divide-se entre moderados e progressistas, com os moderados tendendo ao elitismo e os progressistas ao apoio à universalização de instituições fundamentais, como o sufrágio universal, a educação universal e a expansão dos direitos de propriedade. Com o tempo, os moderados tomaram o lugar dos progressistas como os principais guardiões do liberalismo europeu continental.
Etimologia e definição
Palavras como "liberal", "liberdade", "libertário" e "libertino" têm a sua origem no latim liber, que significa "livre". Uma das primeiras instâncias registradas da palavra "liberal" ocorreu em 1375, quando foi usada para descrever as artes liberais no contexto de uma educação desejável para um homem nascido livre. A ligação inicial da palavra com a educação clássica de universidades medievais logo deu lugar a uma proliferação de diferentes denotações e conotações. "Liberal" poderia se referir àquele "livre na concessão" inicialmente em 1387, "feito sem restrição" em 1433, "livremente permitido" em 1530 e "livre de restrição" — muitas vezes como uma observação pejorativa — nos séculos XVI e XVII. Na Inglaterra do século XVI, as palavras relacionadas poderiam ter atributos positivos ou negativos, podendo se referir à generosidade ou indiscrição de alguém. Em Muito Barulho por Nada, William Shakespeare escreveu sobre "uma vilania liberal" que "confessa [...] seus encontros vis". Com a ascensão do Iluminismo, a palavra adquiriu decisivamente mais tons positivos, sendo definida como "livre de preconceitos estreitos" em 1781 e "livre do fanatismo" em 1823. Em 1815, o primeiro uso da palavra "liberalismo" apareceu em inglês. Na Espanha, os liberales, o primeiro grupo a usar o rótulo liberal em um contexto político, lutaram por décadas para a implementação da Constituição de 1812. De 1820 a 1823, durante o Triênio Liberal, o rei Fernando VII foi forçado pelos liberais a jurar defender a Constituição. Em meados do século XIX, o termo liberal foi usado de forma politizada para partidos e movimentos em todo o mundo.
Com o tempo, o significado da palavra liberalismo começou a assumir sentidos díspares em diferentes partes do mundo. De acordo com a Encyclopædia Britannica: "Nos Estados Unidos, o liberalismo está associado às políticas de welfare state (Estado de bem-estar social) do programa New Deal da administração democrata do Pres. Franklin D. Roosevelt, enquanto que na Europa é mais comumente associado a um compromisso com políticas econômicas de governo limitado e laissez-faire". Consequentemente, nos Estados Unidos, as ideias de individualismo e economia de laissez-faire anteriormente associadas ao liberalismo clássico tornaram-se a base para a emergente escola do pensamento libertário e são componentes-chave do conservadorismo americano.
Ao contrário da Europa e da América Latina, a palavra liberalismo na América do Norte refere-se quase exclusivamente ao liberalismo social. O partido canadense dominante é o Partido Liberal e o Partido Democrata dos Estados Unidos é geralmente considerado liberal.
No Brasil e em Portugal, a palavra "liberal" designa geralmente proponentes da direita política, mais especificamente defensores da liberdade econômica — o termo "neoliberal" é usado, no Brasil e em Portugal, de maneira pejorativa para designar parte do mesmo grupo.
História
Correntes isoladas de pensamento liberal existem na filosofia ocidental desde os gregos antigos e na filosofia oriental desde os períodos Song e Ming. Essas ideias foram inicialmente reunidas e sistematizadas como uma ideologia distinta pelo filósofo inglês John Locke, geralmente considerado o pai do liberalismo moderno. Os primeiros grandes sinais da política liberal surgiram nos tempos modernos. Essas ideias começaram a se fundir na época da Guerra Civil Inglesa. Os Levellers, um movimento político minoritário amplamente ignorado que consistia principalmente de Puritanos, Presbiterianos e Quakers, pedia liberdade de religião, convocação frequente do parlamento e igualdade perante a lei. A Revolução Gloriosa de 1688 consagrou a soberania parlamentar e o direito de revolução na Grã-Bretanha e foi referida pelo autor Steven Pincus como a "primeira revolução liberal moderna". O desenvolvimento do liberalismo continuou ao longo do século 18 com os florescentes ideais iluministas da época. Este período de profunda vitalidade intelectual questionou velhas tradições e influenciou várias Monarquias europeias ao longo do século XVIII. A tensão política entre a Inglaterra e suas Colônias americanas cresceu após 1765 e a Guerra dos Sete Anos sobre a questão de tributação sem representação, culminando na Guerra Revolucionária Americana e, eventualmente, a Declaração de Independência. Após a guerra, os líderes debateram sobre como seguir em frente. Os Artigos da Confederação, escritos em 1776, agora pareciam inadequados para fornecer segurança ou mesmo um governo funcional. O Congresso da Confederação convocou uma Convenção Constitucional em 1787, que resultou na redação de uma nova Constituição dos Estados Unidos estabelecendo um governo federal. No contexto da época, a Constituição era um documento republicano e liberal.Roberts, p. 701.
Impacto e influência
Os elementos fundamentais da sociedade contemporânea têm raízes liberais. As primeiras ondas do liberalismo popularizaram o individualismo econômico, ao mesmo tempo em que expandiam os governos constitucionais e a autoridade parlamentar.Gould, p. 3. Um dos maiores triunfos liberais envolveu a substituição da natureza caprichosa dos governos monárquicos e absolutistas por um processo de tomada de decisão codificado em leis escritas. Liberais procuraram e estabeleceram de fato uma ordem constitucional que prezava pelas liberdades individuais, como a liberdade de expressão e a de associação, um Poder Judiciário independente e o julgamento por um júri público, além da abolição dos privilégios aristocráticos.