Pigeiros é uma povoação portuguesa do Município de Santa Maria da Feira que é sede da Freguesia de Pigeiros, freguesia que tem 5,13 km² de área e 1 181 habitantes (2011), tendo, por isso, uma densidade populacional de 230,2 hab/km
A Freguesia de Pigeiros foi extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2012/2013,Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. Acedido a 19/07/2013. tendo o seu território sido agregado ao da Freguesia de Caldas de São Jorge para criar a União das Freguesias de Caldas de São Jorge e Pigeiros. Mas em 14 de março de 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais pela lei n.º 25-A/2025, pelo que a Freguesia de Pigeiros foi de novo reposta.
Lugares A freguesia de Pigeiros é composta pelos seguintes lugares (por ordem alfabética):
Além do Rio Aldeia Bajouca Barreiro Cavadas Gândara Igreja Quintã Sobreiro Tresuma Várzea Vinhó
História A história de Pigeiros é longa e remonta ao período anterior à nacionalidade. As primeiras referências ao topónimo surgem em documentos do século XI, sob variantes gráficas como "Pelagiarios", "Pegiarios" e "Pejarios" ou "Peiarios".MOREIRA, Domingos Azevedo. Santa Maria de Pigeiros da Terra da Feira. Porto: Edições Maranus, 1968."Santa Maria de Pigeiros: aposta no crescimento". In: Santa Maria da Feira. Santa Maria da Feira, ano 1, n.º 1 (Out.-Dez. 1998), p. 22.
Pré-História e Romanização A presença humana mais antiga na região é atestada por uma mamoa (um dólmen violado) nas proximidades, perto da Estrada Nacional n.º 1, junto à zona da Malaposta.GONÇALVES, A. Nogueira. "Pigeiros". In: Inventário Artístico de Portugal — Distrito de Aveiro. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1959. A romanização da zona é comprovada pela descoberta de duas lápides funerárias romanas, encontradas pelo pároco quando se capeava o muro do adro da igreja em abril de 1962. Uma delas apresenta a inscrição consagrada aos deuses Manes "D M S / AVITVS" e a outra, de caráter funerário, a inscrição "SABINI / ... / S T T L" (Sit Tibi Terra Levis).SILVA, João Belmiro Pinto da; GOMES, Catarina Sofia. "Santa Maria [de] Pigeiros". In: Feira. Paços de Ferreira: Anégia, 2000, pp. 110-111.
Idade Média A primeira referência documental inequívoca a Pigeiros data de 1083, num documento de compra e venda de uma herdade "in villa Valar inter Gagiati et Peiarios" (entre Gaiate e Pigeiros), fazendo expressa menção ao rio Uíma (discurrente ribulo umia). Pigeiros surge formalmente como paróquia nas Inquirições de 1251, no reinado de D. Afonso III, sob a designação "freiguesia de Pegueiros".
Na Idade Média, a região estava organizada como uma "vila" senhorial. As Inquirições de D. Dinis em 1290 documentam a existência de uma "quintã" honrada (Honra de Pigeiros), pertencente a Pedro Afonso Ribeiro, que gozava de privilégios e isenções fiscais, "honrando" todo o território da vila.SILVA, José Inácio da Costa e. "Santa Maria de Pigeiros". In: O concelho da Feira na Comemoração dos Centenários. Vila da Feira, 1940, p. 63.
Durante a crise de 1383-1385, o senhorio foi confiscado por D. João I a Afonso Gomes da Silva, que tomara o partido de Castela. Em 1384, o rei doou a terra a Martim Afonso, escudeiro de Martim Vasques da Cunha, e poucos meses depois a Gomes Freire, como recompensa pelos serviços prestados na guerra.MOREIRA, Domingos Azevedo. "Nótulas históricas sobre Pigeiros (Feira)". In: Arquivo do Distrito de Aveiro, ano XXXVIII, n.º 150 (1972), pp. 111-122.
Século XVI a XIX No século XVI, o senhorio de Pigeiros estava na posse de um ramo da família Pereira. Em fevereiro de 1576, Isabel de Andrade, viúva de António Pereira, vendeu a Quinta de Pigeiros e o seu padroado a Tomé da Rocha, fidalgo da Casa Real e Cavaleiro da Ordem de Cristo, pelo valor de 280$000 réis.MOREIRA, Domingos Azevedo. Documentos históricos sobre Pigeiros — Feira: documentos inéditos post-medievais. Aveiro: Assembleia Distrital de Aveiro, 1983. Em 1594, Tomé da Rocha instituiu um morgadio (vínculo), determinando que os seus administradores deveriam usar o apelido Rocha, família que manteve o padroado até à sua extinção por lei em 1833.
O século XIX foi marcado por intensos conflitos. Com a nacionalização dos padroados em 1833, o novo pároco, Padre António Caetano Osório Gondim (apresentado em 1833), envolveu-se numa disputa judicial de cerca de 13 anos contra o morgado Manuel Maria da Rocha Colmeiro, que tentara usurpar os "passais" (terras da igreja) e a residência paroquial. O morgado acabou por perder a causa em todas as instâncias judiciais.
Em retaliação, o morgado é suspeito de ter ordenado o incêndio que destruiu completamente a igreja matriz (cuja construção anterior dataria de 1545) na noite de 24 para 25 de setembro de 1843.GONÇALVES, A. Nogueira. "Igreja Paroquial [de Pigeiros]". In: Inventário Artístico de Portugal — Distrito de Aveiro. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1959. A igreja foi reconstruída com o esforço da população e do pároco, sendo inaugurada solenemente a 11 de fevereiro de 1849.
O Padre Osório Gondim, que paroquiou Pigeiros durante 40 anos, tornou-se uma figura de grande relevo local, não apenas pela defesa do património da igreja, mas também pela sua atividade docente, tendo ensinado instrução primária e disciplinas eclesiásticas a várias gerações.
Século XXI: Agregação e Restauração Em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, a Freguesia de Pigeiros foi extinta e o seu território foi agregado ao da Freguesia de Caldas de São Jorge, formando a União das Freguesias de Caldas de São Jorge e Pigeiros.Agregação da Freguesia de Pigeiros em 2013 (Lei n.º 11-A/2013).
Em 14 de março de 2025, a Lei n.º 25-A/2025 reverteu esta agregação, restaurando a Freguesia de Pigeiros como uma entidade autónoma e distinta.Restauração da Freguesia de Pigeiros em 2025 (Lei n.º 25-A/2025).
População Número de habitantes residentesInstituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) — https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1623 1687 1758 1769 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 141 264 369 401 362 433 403 406 528 518 615 651 674 804 901 1 124 1 217 1 369 1 181
Distribuição da População por Grupos etáriosINE — http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 2001 286 222 718 143 20,9% 16,2% 52,4% 10,4%2011 166 160 665 190 14,1% 13,5% 56,3% 16,1%
Património Igreja matriz de invocação de Nossa Senhora da Assunção: a atual igreja foi construída após o incêndio de 1843, tendo a sua inauguração ocorrido em 1849. A igreja anterior datava de 1545.SILVA, José Inácio da Costa e. "Santa Maria de Pigeiros". In: O concelho da Feira na Comemoração dos Centenários. Vila da Feira, 1940, pp. 63-65. Mamoa da Quinta da Laje Cruzes dos Passos.GONÇALVES, A. Nogueira. "Cruzes dos Passos [em Pigeiros]". In: Inventário Artístico de Portugal — Distrito de Aveiro. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1959, p. 99. Dois portais no lugar de Quintã.GONÇALVES, A. Nogueira. "Casas [em Pigeiros]". In: Inventário Artístico de Portugal — Distrito de Aveiro. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1959, p. 99. Mamoa de Vinhó Lápides Romanas: Fragmentos de duas lápides funerárias romanas descobertas no adro da igreja.
Cultura e Etnografia Festa dos Pardais A principal manifestação cultural de Pigeiros é a chamada "Festa dos Pardais", celebrada em honra de Nossa Senhora dos Remédios e Santo António no segundo domingo de maio. A tradição, registada em 1758 pelo abade João Carlos da Rocha Tavares, conta que a imagem milagrosa afugentou os pardais que devastavam as culturas da freguesia. Em agradecimento, o povo prometeu celebrar a sua festa com grande estrondo e regozijo.ROCHA TAVARES, João Carlos da. Memórias Paroquiais de 1758. Cit. in MOREIRA, Domingos Azevedo, Santa Maria de Pigeiros da Terra da Feira, p. 377.MOREIRA, Domingos Azevedo. Significado Etnográfico da Festa dos Pardais em Pigeiros (Feira). S. João da Madeira: Controlo Gráfico, 1978.
Existe também uma festa menor dedicada a São Sebastião, que se realiza no quarto domingo de janeiro, mantendo uma tradição com estatutos próprios aprovados em 1782.
Ver também União das Freguesias de Caldas de São Jorge e Pigeiros
Ligações externas Junta de Freguesia de Pigeiros
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