thumb|292px|Igreja fortificada em Mihăileni

A Transilvânia ( ou ; ; ou ) é uma região histórica situada no centro-oeste do que é atualmente a Roménia. É limitada a leste e a sul pela cordilheira dos Cárpatos e historicamente estendia-se para oeste até aos montes Apuseni. Na atualidade, a designação Transilvânia por vezes aplica-se não só à região histórica propriamente dita mas também às partes romenas das regiões de Crișana e Maramureș; pode ainda incluir a parte romena do Banato. A maior cidade da Transilvânia histórica é Cluj-Napoca, a terceira maior cidade da Roménia, que tinha habitantes em 2016. Outras cidades importantes são Brașov ( hab.), Sibiu () e Târgu Mureș ( hab.).

A região é conhecida pela beleza das suas paisagens dos Cárpatos, pela sua rica história e pela sua associação às lendas de vampiros, principalmente devido à influência do romance Drácula de Bram Stoker e às suas muitas adaptações cinematográficas.

Etimologia A primeira menção à região em registos históricos é dum documento de 1075 e usa a expressão do latim medieval terra ultra silvam (terra além da floresta). Num Legenda Sancti Gerhardi, do é usado o nome Partes Transsylvanæ, com o mesmo significado, o qual é mantido na forma Transsilvania em documentos medievais posteriores do Reino da Hungria.

Acredita-se que os nomes alternativos de Ardeal (em romeno) e Erdély (em húngaro) estejam ligados. Contudo, a origem e significado são disputados tanto por romenos como por magiares (húngaros). A primeira forma em húngara registada — Erdeuelu — aparece na Gesta Hungarorum (Feitos dos Húngaros), do . A primeira forma em romena — Ardeliu — data de 1432. A diferença inicial a/e entre os nomes encontra-se noutras palavras romenas e húngaras, como "groselheira" (egres em húngaro e agriș ou agreș em romeno) ou em topónimos, como Egyed, Erdőd, Erdőfalva ou Esküllő (em húngaro), que em romeno são, respetivamente, Adjud, Ardud, e Așchileu.

Entre os linguistas e historiadores húngaros há consenso sobre a etimologia tanto de Erdély como de Transylvania. Para eles, Erdély deriva de Erdő-elü ("além da floresta"). Do ponto de vista da Hungria, é provável que Erdő-elü refira ao facto do noroeste do estar separado da Grande Planície Húngara e das planícies de Crișana pelas densamente florestadas montanhas Apuseni. Segundo alguns linguistas, a forma Ultrasylvania (de 1077) e mais tarde Transylvania teria sido uma tradução direta da forma húngara e não o contrário. Esta teoria é também apoiada pelo historiador romeno Pop Ion-Aurel.

Os académicos romenos propõem diversas etimologias alternativas. Um carta datada de do rei cazar para o rabino de Córdova menciona o país de Ardil (Eretz Ardil), rico em ouro e prata. Atualmente, Ardeal escreve-se da mesma forma em , pelo que Ardi(a)l seria a primeira forma do nome e Ardeal é um topónimo originalmente romeno.

As primeiras menções do topónimo Siebenbürgen ("Sete Cidadelas") encontram-se em documentos escritos em latim do , com as variantes Septum urbium ("sete cidades"), Septem castrorum ("sete castelos"), Septemcastris e Septemcastrenses. As primeiras menções à forma em alemão encontram-se em documentos de 1296 (Siebenbuergen) e 1300 (Sybenburger). Há várias teorias para a origem do topónimo Siebenbürgen. A que tem aceitação mais generalizada é que se refere à principais cidades fortificadas dos saxões da Transilvânia: Bistritz (Bistrița), Hermannstadt (Sibiu), Klausenburg (Cluj-Napoca), Kronstadt (Brașov), Mediasch (Mediaș), Mühlbach (Sebeș) e Schässburg (Sighișoara). O nome da região em várias línguas eslavas são traduções do alemão Siebenbürgen; exemplos: Sedmigradsko ou Sedmogradsko em , Semihorod em , Sedmogradska em ou Sedmograjska em . Na Ucrânia é também usado Zalissia , que significa "além da floresta".

História

Ao longo da sua história, a Transilvânia foi dominada por diferentes povos e estados. Foi o coração do Reino da Dácia entre e Nesse último ano foi conquistada pelo Império Romano, passando a fazer parte da província romana da Dácia . Após a retirada dos romanos em 271, o processo de romanização expandiu-se para as regiões vizinhas devido à livre circulação de pessoas através das antigas fronteiras imperiais. A difusão do cristianismo contribuiu para o processo, uma vez que o latim era a língua da liturgia entre os daco-romanos. Os romanos mantiveram cabeças de ponte a norte do Baixo Danúbio, mantendo a Dácia dentro da sua esfera de influência ininterruptamente até 376. A região foi então devastada pelas incursões dos tribos, nomeadamente os carpos, visigodos, hunos, gépidas, ávaros e eslavos. Entre os séculos IX e XI fez parte do Primeiro Império Búlgaro. É controverso se os atuais romenos são descendentes de populações de dácio-romanas que sobreviveram após o ou se os primeiros valacos/romenos chegaram à região no , no decurso duma migração para norte desde a península dos Bálcãs.

thumb|left|Ruínas de Sarmizegetusa Regia, a capital do Reino da Dácia da Antiguidade

thumb|left|Castro romano de , em Alba Iulia

Segundo a Gesta Hungarorum (Feitos dos Húngaros), o voivoda valaco governou antes da chegada dos húngaros, em 1003. O Reino da Hungria controlou parte da região a partir desse ano, quando, segundo a lenda, derrotou o príncipe . Alguns historiadores afirmam que a Transilvânia foi povoada por húngaros em várias fases entre os séculos X e XIII, enquanto outros dizem que já estava povoada. pois os artefactos húngaros mais antigos encontrados na região datam da primeira metade do . Os Sículos, um subgrupo dos húngaros, estabeleceram-se na parte oriental da Transilvânia no início do século XIII e, devido à sua posição isolada dos outros húngaros, gozavam de um grande grau de autonomia. Nos séculos XII e XIII, as zonas do sul e nordeste foram colonizadas por colonos alemães conhecidos como Saxões da Transilvânia. A tradição afirma que Siebenbürgen, o nome alemão da Transilvânia, deriva das sete principais cidades fortificadas fundadas pelos saxões.

Em 1241 a região foi afetada pela invasão mongol da Europa. Guiuque Cã invadiu a Transilvânia pelo passo de Oituz e Subutai atacou a sul, pelo passo de Mehedia e Orșova. Bistrița, Cluj-Napoca, a planície Transilvana e as minas de ouro do rei húngaro em Rodna foram saqueadas pelos mongóis. Outra força mongol derrotou os cumanos ocidentais perto nos Cárpatos, perto do rio Siret e aniquilou a diocese cumana de Milcov. Estima-se que as invasões mongóis provocaram um declínio de 15 a 50% na população da Transilvânia. Durante a sua invasão da Hungria, as tropas de Nogai Cã e Tula Buga, líderes da Horda Dourada, saquearam cidades da Transilvânia como Reghin, Brașov e Bistrița.

Entre os primeiros anos do e 1526, a Transilvânia foi uma voivodia (estado feudal) do Reino da Hungria, governado por um voivoda nomeado pelo rei húngaro. Após a Batalha de Mohács (1526), a região passou a fazer parte do . Em 1566, a Transilvânia passou a estar sob suserania do Império Otomano, embora mantendo a sua autonomia interna. Em 1570, o antigo voivodia húngaro tornou-se o Principado da Transilvânia, governado principalmente por príncipes calvinistas húngaros. Numa carta para o sultão otomano c. 1650, o voivoda da Moldávia Vasile Lupu estimava que os romenos já constituíam mais de um terço da população da Transilvânia. estimava que os romenos já constituíam mais de um terço da população da Transilvânia. Em 1666, o escritor saxão Johannes Tröster afirmou que os romenos na Transilvânia eram tão numerosos que quase superavam os húngaros e os alemães juntos. Segundo George W. White, Os romenos de religião ortodoxa, que constituíam cerca de 60% da população, não gozavam dos mesmos direitos que os húngaros, os sículos e os saxões.

Miguel, o Valente, o voivoda romeno da Valáquia, assumiu o controlo da Transilvânia em outubro de 1599, após a Batalha de Șelimbăr, na qual derrotou o exército de André Báthory. Em maio de 1600, Miguel assumiu o controlo da Principado da Moldávia, tornando-se líder dos três principados da Valáquia, Moldávia e Transilvânia (as três principais regiões da Roménia moderna). O governo de Michael, no entanto, não durou muito tempo; foi assassinado por mercenários valões em agosto de 1601.

Os Habsburgos apossaram-se da região pouco depois de terem derrotado os otomanos na Batalha de Viena em 1683. Em 1687, os governantes da Transilvânia reconheceram a suserania do sacro-imperador e a região foi oficialmente anexada pelo Império dos Habsburgos, que reconheceu o Principado da Transilvânia como uma das Terras da Coroa de Santo Estêvão, mas o território do principado estava administrativamente separado da Hungria dos Habsburgos e estava era governada por governadores nomeados pelo imperador. Em 1699 os otomanos reconheceram oficialmente a perda da Transilvânia no Tratado de Karlowitz. Porém, alguns elementos anti-Habsburgo| do principado só se submeteram ao imperador em 1711 pelo Tratado de Szatmár, o que consolidou o controlo da região pelos Habsburgos. O principado passou a chamar-se Grão-Ducado da Transilvânia (ou Grão-Principado da Transilvânia).

Em 1848 estalou uma revolução na Hungria contra os Habsburgos que se transformou numa guerra pela independência total. Depois duma série de derrotas em 1849, o Império Austríaco ficou à beira do colapso, o que levou o jovem imperador a pedir auxílio ao czar russo , em nome da Santa Aliança. O czar enviou uma força de , o que possibilitou que finalmente os rebeldes fossem derrotados. A seguir à rendição do exército húngaro em Világos (atual Șiria, na Crișana romena), a Hungria ficou sob lei marcial. Julius Jacob von Haynau, comandante do exército austríaco na Hungria, foi nomeado plenipotenciário para restaurar a ordem na Hungria após o conflito. Ele ordenou a em Arad, a 6 de outubro de 1849, o mesmo dia em que o primeiro-ministro húngaro Lajos Batthyány foi fuzilado em Peste.

thumb|Mercado na Transilvânia; pintura de 1918 de

thumb|Tropas romenas em Cluj em 1918

Após o Ausgleich (Compromisso austro-húngaro de 1867), o Principado da Transilvânia foi abolido e o seu território passou para a Transleitânia, do então criado Império Austro-Húngaro. Em protesto, o intelectuais proclamaram o .

O Império Austro-Húngaro desintegrou-se na sequência da derrota na Primeira Guerra Mundial e a maioria étnica romena da Transilvânia elegeu representantes que proclamaram a união com a Roménia em Alba Iulia a 1 de dezembro de 1918. Essa proclamação foi adotada pelos deputados romenos da Transilvânia e um mês depois pelos deputados saxões. O Dia Nacional da Roménia, chamado Dia da Grande União ou Dia da Unificação, celebra-se esse evento. O feriado foi criado após a Revolução Romena de 1989 e marca não só a unificação da Transilvânia, mas também o Banato, Bessarábia e Bucovina com o Reino da Romênia. Estas últimas regiões juntaram-se ao reino romeno alguns meses antes da Transilvânia.

Em 1920, o Tratado de Trianon estabeleceu novas fronteiras e muitos dos territórios que proclamaram a sua união com a Roménia passaram a ser reconhecidos como parte da Roménia. A Hungria protestou contra as novas fronteiras, pois mais de húngaros, que representavam 31,6% da população da Transilvânia, viviam no lado romeno da fronteira, sobretudo no País Székely na Transilvânia oriental e ao longo da nova fronteira. Após partição do Reino da Hungria feita em Trianon, a nova Hungria ficou apenas com um terço dos territórios do reino e milhões de magiares ficaram fora das fronteiras húngaras. Em agosto de 1940, a Hungria obteve cerca de 40% da Transilvânia, incluindo partes de Maramureș e Crișana, na Segunda Arbitragem de Viena, mediada pela Alemanha e pela Itália.

A Segunda Arbitragem de Viena foi anulada em 12 de setembro de 1944 pela Comissão Aliada e em 1947 o Tratado de Paris reafirmou as fronteiras entre a Roménia e a Hungria estabelecidas no Tratado de Trianon, devolvendo a Transilvânia do Norte à Roménia.

Brasão histórico da Transilvânia