thumb|Concessão de Exploração C-18 Panasqueira Mina da Panasqueira, ou Minas da Panasqueira, é nome genérico para o conjunto de explorações mineiras localizadas entre o Cabeço do Pião (Município do Fundão) e a aldeia da Panasqueira (Município da Covilhã), que funcionaram de forma tecnicamente integrada e contínua praticamente desde a sua descoberta. Mais tarde deu-se a sua aglomeração numa só entidade administrativa chamada Couto Mineiro da Panasqueira que teve o seu último auto de demarcação a 9 de Março de 1971 e mais tarde na actual Concessão de Exploração C18 (16 de dezembro de 1992). As instalações mineiras encontram-se actualmente centralizadas na zona da Barroca Grande - Aldeia de S. Francisco de Assis (Covilhã) por onde se faz o acesso à exploração subterrânea actual, a extracção do minério e o processamento do mesmo.

É uma mina que labora há 120 anos de maneira praticamente ininterrupta, com forte impacto na identidade, história e sociedade actual da Beira Interior. É também uma referência no sector do volfrâmio à escala mundial, não só pela qualidade e volume de produção, duração e capacidade de adaptação da exploração; mas também pela maturidade das soluções técnicas tanto a nível da mina como a nível de processamento do minério.

Os principais minérios lá explorados são o volfrâmio, o estanho e o cobre.

História Directores e outras pessoas marcantes na história das Minas da PanasqueiraFontes internas da Beralt Tin and Wolfram Portugal thumb|Engº A. Claudio dos Reis, Dir. Técnico e Dir. Geral. Trabalhou de 1947 a 1983 thumb|Alfredo Pereira "Peixoto", Capataz geral da mina. Trabalhou de 1962 a 2009

DIRETORES PERÍODO 1 Engº Silva Pinto 1895-1908 2 Engº Dr. Albert Vigoroux 1908-1909 2 José Nunes de Paiva 1909-1910 4 Ger. Frederick Cowper 1910-1918 5 T. Gribble 1918-1923 6 A. H. Mansell 1923-1926 7 Engº Stanley Mitchell 1926-1930 8 T. Gribble 1930-1934 9 Engº George A. Smith 1934-1965 10 Engº. Linzell 1965 – 1970 11 Engº. Hill 1970 – 1972 12 Engº. Mader 1972 – 1975 13 Engº. Martin Watts 1975 – 1978 14 Engº. Derrick Hanvey 1978 – 1982 15 Engº. António Cláudio dos Reis 1982 – 1983 16 Engº. António Corrêa de Sá 1984 – 30 de novembro de 1989 17 Eng. Berry 1 de dezembro de 1989 – 1991 18 Eng. Noel Devine 1991 – 1994 19 Engº. Mário Pinho 1994 – 31 de março de 1997 20 Engº. R.A. Naique 1 de abril de 1997 – 31 de janeiro de 2004 21 Sr. Fernando Vitorino 1 de fevereiro de 2004 - 28 de fevereiro de 2010 22 Engº. João Pedro Real 1 de fevereiro de 2010 - 16 de janeiro de 2013 23 Engº. João Pedro Real (Director Geral Industrial) 17 de janeiro de 2013 - 31 de setembro de 2014 24 Engº. Fausto Frade (Director Geral Industrial/Administrador Executivo Residente) 1 de outubro de 2014 - 22 de dezembro de 2015 25 Engº. Corrêa de Sá (Administrador Executivo) 6 de janeiro de 2016 - 9 de agosto de 2016 26 Engº. João Pedro Real 10 de agosto de 2016 até à presente data

Origem do nomeAS MINAS DA PANASQUEIRA, VIDA E HISTÓRIA, Pe. Manuel Vaz Leal As Minas da Panasqueira tomaram o nome do local onde se iniciou a exploração mineira. Nos finais do Sec. XIX a região era coberta de carqueja, giesta e diversas espécies de mato rasteiro, pontuada de pinhos. O terreno pedregoso é muito ingrato para a cultura de qualquer semente ou cereal. A população da vizinha aldeia de Cebola (actualmente S. Jorge da Beira) aproveitava qualquer dobra nas encostas para fazer terraços onde plantava batata, milho ou pasto. Foram assim criadas, em três pequenos vales (Madurrada, Vale Torto e Panasqueira), pequenas zonas de cultivo divididas em diversos leirões e com algumas árvores de fruto e castanheiros de grande porte.

Foi no último destes vales (Panasqueira) que se iniciaram os trabalhos de exploração de minério e se fez a primeira lavaria. O nome desse vale deriva de panasco, nome vulgar dado a vários géneros de gramínea (Dactylis, Agrostis) muito comuns na região, em especial nos campos onde se semeou centeio. O povo começou imediatamente a chamar à mina principiante – Minas da Panasqueira.

Época pré-industrial Há registo de extensas galerias nos lugares de Vale da Ermida, Fontes Casinhas e Courelas associadas à exploração de estanho, no entanto este período está pouco documentado. Há registo de exploração aluvionar de estanho na zona de S. Jorge da Beira que se atribuí ao período Romano.

A descoberta No fim do Sec. XIX, a região estava coberta de espessos matagais de urze, giesta, medronheiros e pinhal, que era usado na produção de carvão vegetal para venda no Fundão e Covilhã. Um desses carvoeiros, conhecido como O Pescão de Casegas, encontrou uma pedra negra e brilhante e levou-a a Manuel dos Santos, da Freguesia de Barroca do Zêzere. Manuel dos Santos, depois de visitar o terreno deslocou-se a Lisboa onde solicitou ao Professor de Mineralogia Engº Silva Pinto que examinasse o local onde tinha sido descoberta a amostra. De regresso, Manuel dos Santos comprou o terreno e começou a exploração de volfrâmio. Essa exploração era feita de maneira artesanal e completada por minério que os pastores apanhavam noutros locais e vendiam a Manuel dos Santos.

Quando o Engº Silva Pinto chegou ao local, vendo a abundância de volframite comprou a Manuel dos Santos todo o minério recolhido e os terrenos, efectuando de seguida o primeiro registo mineiro em nome da Firma Almeida Silva Pinto e Comandita. A sua publicação foi feita em 25 de Novembro de 1898.

Os trabalhos prosseguiram a maior escala com exploração de filões aflorantes e uma lavaria manual muito rudimentar empregando um total de quase 100 pessoas.

Em data posterior, o registo foi vendido ao banqueiro Henrique Burnay, 1º Conde de Burnay. A exploração aumentou de dimensão com preparação de alguns filões e ampliação das instalações de superfície.

Em 1901 a concessão foi arrendada a uma firma Inglesa durante um curto período. Em data posterior foi montada a primeira lavaria mecânica de acionamento a vapor. As primeiras galerias (nº 10 e nº 13) são desta altura. Não há registos de produção mas um registo de expedição datado de 25 de Novembro de 1909 assinala 41 toneladas de concentrado de volfrâmio; uma quantidade assinalável para uma exploração dessa altura. A partir daí podem-se identificar alguns períodos bem definidos na história das Minas da Panasqueira:

1911-1928 Wolfram Mining and SmeltingCorrêa de Sá, António; Naique, R.; Nobre, Edmundo MINAS DA PANASQUEIRA - 100 ANOS DE HISTÓRIA MINEIRA https://commons.wikimedia.org/wiki/File:C%C3%B4rrea_de_S%C3%A1_et_al_1999.pdf A 15 de Julho de 1911 é feita a escritura de venda da empresa à The Wolfram Mining and Smelting Company Limited de 11 concessões e 125 Ha de terreno.

A vigência da Wolfram Mining and Smelting Company foi uma época de grande desenvolvimento com a abertura de muitas galerias, ampliação e modernização de lavarias, instalação de um cabo aéreo de 5.1 km de extensão. Considera o mapa de movimento de 1912 como representativo de um ano típico daquela altura e assinala-se a produção anual de 277 t de concentrado com 65%WO3, 1078 m de galerias e um total de 244 trabalhadores.

Com o início da 1ª Guerra Mundial e consequente aumento do preço do volfrâmio houve um aumento de produção que estabilizou durante este período em valores próximos a 30 t mensais de concentrado. O número de trabalhadores diretos da empresa situava-se em 800, mais cerca de 200 trabalhadores por conta própria.

Finda a Primeira Guerra Mundial (1918-1919) com a baixa dos preços deu-se a paralisação da produção ficando a força de trabalho reduzida a 100 trabalhadores empregues em trabalhos acessórios.

De 1920 a 1923 houve um período de exploração intensa, seguido de quase paralisação em 1923, reativação em 1924 e paralisação quase completa em 1926. Nesta altura deu-se início à exploração de estanho, primeiro em Fontes Casinhas e posteriormente noutros lugares.

thumb|Lavaria Antiga - Aldeia da Panasqueira thumb|Lavaria do Rio - Anos 1940 thumb|Zonas de volfrâmio e mistas estanho-volfrâmio - década de 1940

1928-1973 Beralt Tin and Wolfram Limited Com a entrada de novos acionistas dá-se em 1928 a mudança de nome e iniciam-se trabalhos de relevo como um novo cabo aéreo e uma lavaria de grande dimensão no Rio (Cabeço do Pião). A produção volta a valores próximos das 30 t de concentrado por mês. Novo período de paralisação de produção de 1931 a 1934. Nesta altura foi instalado um forno de fundição de estanho no Rio.

Em 1934 dá-se nova reativação dos preços do volfrâmio e consequente crescimento da atividade nas três zonas de exploração principais da concessão (Panasqueira, Barroca Grande e Rio). Este ciclo associado à Segunda Guerra Mundial foi notável com 750 trabalhadores em 1934; 4457 em 1942 e 10540 trabalhadores em 1943. A lavaria do Rio atingiu a capacidade de 300 t por dia e a da Panasqueira 1000 t por dia. A produção mensal de concentrados atinge nessa altura 300 t, mais que todo o resto do país somado. É nessa altura que se dá a ligação por subterrâneo da Barroca Grande à Panasqueira. Na altura da 2ª Guerra Mundial a Panasqueira era a maior mina do país e uma das maiores minas de volfrâmio do mundo. O preço do volfrâmio desceu drasticamente no fim da segunda guerra mundial, só voltando a subir em 1950 devido à Guerra da Coreia. Durante este período deu-se uma grande modernização da empresa com a introdução dos arrastilhos (scrapers) e carregadoras mecânicas. As mulas foram substituídas por locomotivas. Incrementou-se a produção de cassiterite para compensar os baixos preços do volfrâmio. Em 1962 começou-se a produção de concentrados de cobre.

De 1957 a 1965 houve uma nova descida do preço do volfrâmio de que resultou uma redução da produção tendo em vista a contenção de custos. Durante este período a empresa reforçou a produção de estanho para compensar as baixas cotações do volfrâmio. Em 1966 houve uma evolução positiva que atingiu o máximo em 1970 e que correspondeu a um período de expansão. Porém, logo a seguir os preços voltam a descer subitamente. Durante esse período a produção foi posta em stock em vez de vendida abaixo do preço de produção, mas devido aos encargos financeiros foi decidido aumentar o capital com a entrada de novos acionistas.

1973-1990 Beralt Tin and Wolfram Portugal A empresa adoptou novo nome em 1973 com a entrada do BNU (Banco Nacional Ultramarino) com 20% do capital. Os stocks que estavam na mina foram vendidos em 1974 quando o preço se tornou mais favorável. A partir de 1974 assistiu-se a um aumento considerável do custo da mão-de-obra que veio acelerar a mecanização das operações subterrâneas. Durante os anos 70 estudaram-se várias alternativas para o aprofundamento da mina e procedeu-se à abertura do Nível 2 e extração através de um poço inclinado que arrancou em 1982. A partir de 1983 o preço começou a descer novamente e a Charter Consolidated detentora de 80% das ações vendeu em 1990 a sua participação à Minorco.

1990-1993 Minorco Em 1993, por força de alguns anos de baixos preços do volfrâmio levaram a Minorco a solicitar à Direção Geral de Minas o encerramento da mina, tendo apresentado um pedido de autorização para vender a lavaria como sucata e para desligar o esgoto do nível 3. Face à resposta da Direção Geral de Minas em que as ações solicitadas só poderiam ter lugar após o estabelecimento das condições de encerramento da mina, (período para manter em manutenção as duas estações de tratamento de água da mina e um programa de monitorização da qualidade da água na Ribeira do Bodelhão e do Rio Zêzere), a Minorco decidiu vender a empresa à Avocet Mining.

1993-2004 Avocet Mining O período inicial da Avocet foi de grandes transformações, nomeadamente a reabertura da mina em Janeiro de 1994, a transferência da Lavaria do Rio para a Barroca Grande, a continuação da abertura do Nível 3 e a construção de um poço de extração entre os Níveis 2 e 3, que começou a operar em 1998.