A monarquia do Reino Unido, comumente chamada de monarquia britânica, é a monarquia constitucional do Reino Unido e seus territórios ultramarinos. O título do monarca é "rei" (homem) ou "rainha" (mulher). O atual monarca é Carlos III, que ascendeu ao trono em após a morte da rainha, Isabel II.
O monarca e sua família imediata realizam várias funções oficiais, cerimoniais, diplomáticas e representativas e convocar o Parlamento e dissolve-lo. Como monarca constitucional, ele ou ela está limitado a funções apartidárias como a outorgação de honras e nomeação do primeiro-ministro. O monarca é tradicionalmente comandante em chefe das Forças Armadas Britânicas. Apesar da última autoridade formal executiva do governo do Reino Unido ainda ser através da prerrogativa real do monarca, esses poderes podem ser usados apenas de acordo com as leis promulgadas pelo parlamento e, na prática, dentro das restrições de convenções e precedentes.
A monarquia britânica traça suas origens nos pequenos reinos da Escócia na alta idade média e os da Inglaterra anglo-saxã, que consolidaram-se nos reinos da Inglaterra e Escócia por volta do século X. O último monarca anglo-saxão, Haroldo II, foi derrotado e morto em 1066 durante a conquista normanda da Inglaterra e assim a monarquia inglesa passou para o normando Guilherme, o Conquistador, e seus descendentes.
O norte do País de Gales, como principado, virou um estado cliente da Inglaterra no século XIII, enquanto a Magna Carta começou um processo de reduzir os poderes políticos do monarca.
Os reinos da Inglaterra e Escócia passaram a ser governados por um único soberano a partir de 1603, quando o rei Jaime VI da Escócia herdou o trono inglês como Jaime I. De 1649 a 1660, a tradição da monarquia foi quebrada pela republicana Comunidade da Inglaterra, que estabeleceu-se depois da Guerra Civil Inglesa. O Decreto de Estabelecimento de 1701, que ainda está em vigor, excluiu católicos, ou aqueles casados com católicos, da linha de sucessão. Os reinos da Inglaterra e Escócia foram unidos em 1707 no Reino da Grã-Bretanha, e em 1801 o Reino da Irlanda se uniu para criar o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. O monarca britânico tornou-se o chefe nominal do vasto Império Britânico, que cobriu um quarto da superfície da Terra em sua maior extensão no ano de 1921.
A maior parte da Irlanda separou-se da união na década de 1920 como o Estado Livre Irlandês, com a Declaração Balfour reconhecendo a evolução dos domínios do império em países separados e com governos próprios dentro Commonwealth. Depois da Segunda Guerra Mundial, a maioria das colônias e territórios britânicos tornou-se independentes, efetivamente encerrando o império. Jorge VI e sua sucessora Isabel II adotaram o título de Chefe da Comunidade Britânica como símbolo da livre associação de estados independentes.
O Reino Unido e quinze outras monarquias da Commonwealth partilham a mesma pessoa como seu monarca e são chamados de Reinos da Comunidade de Nações. Os termos "monarquia britânica" e "monarca britânico" são frequentemente empregados em referência à pessoa ou à instituição; entretanto, cada país é soberano e independente do outro, com o monarca tendo um título e estilo específico e nacional em cada reino.
Contexto thumb|upright=2.0|Os reinos da Comunidade das Nações, indicados em azul. Linhagem monárquica A monarquia britânica atual pode remontar a sua linhagem institucional aos reis dos anglos e aos primeiros reis escoceses. Até o ano 1000, os pequenos reinos dos primórdios da Bretanha medieval uniram-se para formar os reinos da Inglaterra e da Escócia.
O último monarca anglo-saxão (Haroldo II), foi derrotado e morto na invasão normanda de 1066 e a monarquia inglesa passou para a mão dos conquistadores normandos. A partir de 1603, quando o rei escocês Jaime VI herdou o trono inglês como Jaime I, os dois reinos foram governados por um único monarca. De 1649 a 1660, a tradição de monarquia foi quebrada pela republicana Comunidade da Inglaterra, que seguiu-se às Guerras dos Três Reinos. Em 1707, os reinos da Inglaterra e da Escócia foram fundidos para criar o Reino da Grã-Bretanha, e, em 1801, o Reino da Irlanda uniu-se a ele para criar o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. A maior parte da Irlanda desligou-se da União em 1922, para tornar-se o Estado Livre Irlandês, mas por lei, o monarca permaneceu como seu soberano até 1949.
Termos Os termos monarca britânico e monarquia britânica podem referir-se, respectivamente, ao monarca do Reino Unido e à instituição real a que ele (ou ela) comandam naquele país. No entanto, apesar da total separação, em 1931, da monarquia britânica unitária de seu império em coroas legalmente distintas para cada um dos reinos da Comunidade das Nações, os dois termos são ainda frequentemente aplicados em campos legais não britânicos para a pessoa extranacional e a instituição compartilhadas entre todos aqueles dezesseis países. Do mesmo modo, por razões históricas, políticas e de conveniência, os termos são também comumente utilizados além do Reino Unido, incluindo os reinos não britânicos da Comunidade das Nações, para referir-se ao monarca e à coroa em contextos não britânicos, em desacordo com os títulos nacionais oficiais e os termos para cada uma dessas jurisdições.
Condição atual Aspectos internacionais e domésticos miniaturadaimagem|Isabel II, a monarca que ficou mais tempo no trono britânico. Quinze estados dentre os 53 membros da Comunidade das Nações; antigos territórios do Império Britânico estão em união pessoal com o Reino Unido.Zines, The High Court and the Constitution, 4th ed. (1997) at 314: "A rainha como monarca do Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia está em uma posição semelhante àquela do Rei da Escócia e da Inglaterra entre 1603 e 1707, quando os dois países independentes tinham um soberano em comum"; a relação entre Inglaterra e Escócia durante esses anos, é descrita como uma união pessoal. Esses 16 países são conhecidos por Reinos da Comunidade das Nações, cada um é soberano e independente dos outros.O Tribunal de Recursos deliberou em 1982, que "existe apenas uma pessoa que é o Soberano dentro da Commonwealth britânica … em matéria de Direito e de governo a rainha do Reino Unido, por exemplo, é totalmente independente e distinta da rainha do Canadá. [http://www.austlii.edu.au/au/cases/cth/HCA/1999/30.html R v Foreign Secretary; Ex parte Indian Association, QB 892 at 928; as referenced in High Court of Australia: Sue v Hill HCA 30; 23 de junho de 1999; S179/1998 e B49/1998
Desenvolvimento da monarquia partilhada Antes de 1926, a coroa britânica reinou durante o Império Britânico coletivamente, os domínios e as colônias da Coroa eram subordinados ao Reino Unido. A Declaração Balfour de 1926 deu aos domínios o direito de serem considerados iguais à Grã-Bretanha, efetivamente criando um sistema em que um único monarca atuava de modo independente em cada um dos Reinos da Comunidade das Nações. A monarquia, portanto, deixou de ser exclusivamente uma instituição britânica, embora, muitas vezes, ela fosse ainda referida como "britânica" por razões históricas e jurídicas e por conveniência.
A primeira indicação desta mudança no Direito Constitucional foi o Ato de Títulos Reais e Parlamentares de 1927 e o conceito foi consolidado com o Estatuto de Westminster de 1931. De acordo com este último, que foi vinculado a um tratado entre os reinos da Comunidade das Nações,Justice Rouleau em uma decisão judicial de 2003 escreveu que "a União sob a … Coroa juntamente com os outros países da Comunidade das Nações [é um] princípio constitucional." O’Donohue v. Canada, 2003 CanLII 41404 (ON S.C.) a relação da união pessoal é tal que qualquer alteração à legislação que regulamenta a sucessão ao trono em qualquer reino exige o consentimento unânime de todos os demais reinos. Assim, nem o Reino Unido nem nenhum outro reino pode unilateralmente alterar as regras de sucessão, a menos que eles explicitamente se retirem da relação de monarca partilhado.
Em todos os assuntos pertinentes ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte o monarca é aconselhado unicamente por seus Ministros britânicos da Coroa.
Sucessão esquerda|thumb|Sofia de Hanôver tornou-se herdeira do trono inglês como consequência do Decreto de Estabelecimento de 1701. A rainha Isabel II é descendente direta dela. A sucessão é regida por vários decretos, o mais importante é a Declaração de Direitos de 1689 e o Decreto de Estabelecimento de 1701. As regras de sucessão podem ser alteradas por um Ato do Parlamento.
A sucessão está de acordo com as regras de primogenitura cognática de preferência masculina, ao abrigo das quais os filhos herdarão antes das filhas, e as crianças mais velhas herdarão antes das mais jovens do mesmo sexo. O Decreto de Estabelecimento, no entanto, restringe a sucessão aos naturais (ou seja, não aos adotados) legítimos descendentes de Sofia de Hanôver (1630-1714), uma neta de Jaime I.
A Declaração de Direitos e o Decreto de Estabelecimento incluem restrições religiosas, que foram impostas devido à desconfiança inglesa e escocesa do catolicismo durante o final do século XVII. Mais importante ainda, apenas os indivíduos que são protestantes, no momento da sucessão, podem herdar a Coroa. Uma pessoa que tenha a qualquer momento professado o catolicismo, ou tenha alguma vez casado com uma católica, também está proibida de candidatar-se à sucessão. Um indivíduo que é assim inabilitado de herdar a Coroa é considerado "naturalmente morto" para fins de sucessão, e a desqualificação não estende-se para os seus descendentes. Nos últimos anos tem havido esforços no sentido de remover as restrições religiosas (especialmente as regras específicas relativas ao catolicismo), mas as disposições permanecem em vigor.
Mediante um "falecimento na coroa" (a morte de um soberano) o seu ou sua herdeira imediata e automaticamente o sucede, sem qualquer necessidade de confirmação ou cerimônia alguma (daí a frase "O Rei está morto. Longa vida ao Rei!"). Contudo, é habitual para a ascensão ao trono do soberano, ser publicamente proclamado por um Conselho de Ascensão, que reúne-se no Palácio de St. James. Depois de transcorrido um período adequado de luto, o monarca é coroado na Abadia de Westminster, normalmente pelo Arcebispo da Cantuária. A coroação não é necessária para que um soberano reine, por exemplo, Eduardo VIII nunca foi coroado, porque ele abdicou antes da cerimônia.
Depois que um indivíduo ascende ao trono, ele ou ela reina até à morte. Não existe qualquer disposição para um monarca abdicar; o único monarca a fazê-lo, Eduardo VIII (1936), foi autorizado por um ato especial do parlamento, o Ato da Declaração de Abdicação de Sua Majestade de 1936. Numerosos reinados terminaram devido a procedimentos irregulares ou extrajudiciais; vários monarcas foram mortos, depostos, ou forçados a abdicar, principalmente durante os séculos XIV e XV. O último monarca involuntariamente retirado do poder foi Jaime II & VII, que fugiu do reino em 1688 durante a Revolução Gloriosa; o parlamento inglês considerou que ele abdicou, enquanto o parlamento escocês declarou que ele perdeu o trono.
Em 2008, o governo anunciou a sua intenção de propor uma legislação para alterar a lei de sucessão de forma a dar direitos iguais a homens e mulheres, e para eliminar a exclusão daqueles casados com católicas.
Regência thumb|direita|O rei George IV atuou como regente após o declínio mental de seu pai, Jorge III, até o final de seu reinado.