O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) é um Instituto Federal de educação básica, profissional e superior, pluricurricular e multicampi, com atuação no Ceará. Especializado na oferta de educação profissional e tecnológica, nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com a prática pedagógica, atua em todas as regiões do estado por meio de seus 32 campi e atendendo mais de 33 mil alunos em uma área total instalada em mais de 5,9 milhões de m².
O Índice Geral de Cursos do IFCE atualmente (2017) é 3 e o Conceito Institucional (2018) é 5. Recentes avaliações do Ministério da Educação apontam para elevação nos indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - Sinaes, como avaliações de cursos, avaliações institucionais e Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. Últimas avaliações resultaram em várias notas 4 e 5 em cursos e uma nota 5 (nota máxima) para o Campus de Sobral, como um campus de excelência para o IFCE. Em 2009 o Instituto figurou na lista do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como a melhor do Ceará na posição 148 no Brasil. O IFCE é a primeira instituição pública a mandar um participante para a etapa mundial do International Young Physicists' Tournament em 2021 na Geórgia.
A Instituição é ainda uma das que faz parte da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial - EMBRAPII, com um polo de inovação que já aplicou mais de R$22 milhões em investimentos de pesquisa em 50 contratos e tendo participado mais de 340 alunos e cerca de 70 pesquisadores. O IFCE é o sucessor do legado que formou alunos que ajudaram a transformar a sociedade em muitos aspectos, ressaltando alguns famosos como o físico Cláudio Lenz Cesar, o cantor Falcão, o jornalista Flávio Paiva, o escritor Lira Neto, o ator Jesuíta Barbosa e o político e ex senador Inácio Arruda.
História
miniaturadaimagem|Oficina de Tipografia e Encardenação em 1915
De Escola de Aprendizes a Centro Federal Em 1909 o presidente Nilo Peçanha autorizou a criação das Escolas de Aprendizes Artífices - EAA, tendo no Ceará iniciado suas atividades em 1910 num prédio onde funcionava a Escola de Aprendizes-Marinheiros do Ceará - EAMCE, na Praia de Iracema, inaugurada em 25 de maio com presença do governador Nogueira Accioli. Na inauguração só funcionava a oficina de tipografia e no ano seguinte, em 1911 passou a funcionar a sapataria e a alfaiataria e finalmente as de marcenaria e carpintaria e serralheria e mecânica em 1912. A Escola de Artífices participou em 1911 da Exposição Universal que aconteceu em Turim, na Itália e obteve medalhas de ouro e prata com vários artefatos levados pelos estudantes, alem de menção honrosa. O governo do Ceará fez uma mudança com a EAA, transferindo a escola, em 1914, para um prédio ao lado do Theatro José de Alencar. Durante os anos inicias foi precário o funcionamento, tanto que as oficinas não funcionavam com motores, sendo as instalações todas com máquinas manuais. Somente em 1915 houve a inauguração dos motores e outras máquinas elétricas. Nessa época a Escola de Aprendizes começou a publicar a "Revista Pedagógica", em 1917, em que eram apresentados e discutidos temas de ensino que envolviam as atividades da instituição. A lista dos primeiros formados na Escola de Aprendizes Artífices do Ceará é muito pequena tendo em 1922 terminados os cursos apenas 13 alunos num período de 12 anos de atividades da escola, entre 1910 e 1921. Tal situação decorreu da dificuldade dos alunos, a maioria pobres e precisando trabalhar para sobreviver. Em 1931 as Escolas de Marinheiros foram extintas, e por isso, no Ceará, a Escola de Artífices passou a ocupar as instalações, no bairro Jacarecanga, entre 1932 e 1939.thumb|Vista aérea do "Campo do Prado" onde foi construído o Prédio da Escola Industrial de Fortaleza A transformação para Liceu Industrial aconteceu ainda na gestão de Carlos Câmara, em 1937. Nessa época Câmara articulou com o governo do Ceará a viabilização da sede própria da instituição, por meio de doação de terreno em Fortaleza, o antigo "Campo do Prado". A doação do terreno aconteceu por meio do Decreto 548 de 4 de maio de 1939. Devido o Brasil ter entrado na Segunda Guerra Mundial, o local foi utilizado como abrigo e preparação para os Soldados da Borracha do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, até 1945. Em 1939 Waldyr Diogo de Siqueira foi nomeado diretor e no ano seguinte, 1940, o liceu foi transferido para um prédio da Rede de Viação Cearense no Centro de Fortaleza. O MEC alterou a denominação de Liceu para Escola em 1942. Siqueira foi o diretor que acompanhou a construção da nova sede, mas foi Jorge Raupp quem inaugurou, em 1952 o projeto do arquiteto Emílio Hinko. A instituição contava na época com uma estrutura para "atender 800 alunos, contando, além das salas de aulas e oficinas, de dormitórios, ginásio, campo de tênis e piscina". Raupp foi empossado diretor em 1951 e já naquele ano participou de treinamento na área de ensino industrial nos Estados Unidos no Estado de Nova Iorque em um programa de cooperação americano. O ensino técnico passou por mudanças em 1959, já com idade mínima de 14 anos e transformando as escolas em autarquias. Em 1961 com a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi estabelecido a educação profissional e nessa época que surgiram os primeiros cursos técnicos integrados ao ensino médio, que foram os técnicos em estradas e de edificações em 1962. No final da década de 60 o governo militar realizou um acordo com o Banco Internacional de Desenvolvimento que modernizou as Escolas Técnicas Federais, com a do Ceará recebendo diversos maquinários importados de países como Alemanha, Suíça, Franca, Estados Unidos e Tcheco-Eslováquia.
A transição entre "Escola Industrial" para "Escola Técnica" já estava prevista na legislação por meio do Decreto-Lei 4.127 de 1942. Tal momento aconteceu em 1968 por meio de portaria do MEC. O Gestor que passou mais tempo sobre essa denominação foi o professor César Araripe, por 21 anos. Em 1973 ele foi em comitiva, com outros gestores federais, para os Estados Unidos por meio do programa Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional - USAID, passando por treinamento sobre o ensino médio daquele país, na Universidade da Califórnia em San Diego. Na década de 1980 a Escola entrou na era da informática com a oferta do curso técnico de Informática Industrial em 1987. Nessa época o professor Mauro, que foi o último diretor desse período, era o coordenador do curso e foi o responsável pela popularização de redes locais para o uso no ensino, tendo sido destaque em feiras locais e nacionais. Nessa época a inovação também era parte do ambiente acadêmico da escola com seus alunos e professores envolvidos na elaboração de protótipos para patentes, como o da agulha que inutiliza a reutilização para evitar a transmissão de AIDS, em 1991. Com a chegada de Fernando Henrique Cardoso à presidência o ensino técnico federal tinha um reconhecimento e uma qualidade ainda bem elevados, tanto que críticos dos problemas educacionais do país batizaram a situação de "Belíndia", citando em 1995 o caso do Ceará que ofertava apenas 200 vagas para uma concorrência de 3000 estudantes. A interiorização teve início por meio do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Técnico (PROTEC), lançado em Brasília no ano de 1986 e efetivado com a inauguração em 1995 das Unidades de Ensino Descentralizadas (UnEDs) de Juazeiro do Norte e de Cedro.miniaturadaimagem|Fachada do Campus de Fortaleza com o letreiro do CEFET. Ao lado o antigo letreiro da Escola Técnica Federal do Ceará
Com a mudança para Cefet a oferta de cursos superiores foi iniciada em 1999 com cursos de graduação tecnológica. Nessa mesma época foi ciado o Centro de Pesquisa e Qualificação Tecnológica (CPQT), uma Instituição sem fins lucrativos para gerir recursos para ofertas de pós-graduação Lato sensu ofertados nessa época. Em 2003 a LG Electronics iniciou uma parceria com o Cefet com doação de computadores e depois a construção de prédios e laboratórios, tendo em 2006 sido inaugurado um novo bloco de salsas de aula. Foi na mudança para Cefet que houve o Plano de Expansão Fase II da rede de ensino tecnológico do país, planejamento realizado pelo Governo Federal em 2007, que foram escolhidas seis cidades polos do Ceará, das 150 cidades em todo o Brasil, para ampliação dos Cefets. A primeira cidade a ter uma UnED foi Maracanaú em 2007. O Governo do Ceará reforçou a estrutura com a transferência em 2008 das unidades do Instituto Centro de Ensino Tecnológico do Ceará - CENTEC de Sobral e Limoeiro do Norte. Ainda em 2008 iniciou as atividades a UnED de Quixadá.
Transformações no Ensino Agropecuário miniaturadaimagem|Escola Agrotécnica Federal de Iguatu Elza Barreto em 1984 O ensino agrícola federal no Ceará não estava previsto no Decreto 22.470 de 1947 que criava a rede de estabelecimento, mas previu que o poderia ser criado mediante acordo com os entes federativos. Um acordo só surgiu em 1954, quando o Deputado federal Alencar Araripe e o Ministro da Agriculta João Cleofas assinaram acordo para a instalação no Crato do ensino rural. Então foi criado no ano seguinte o primeiro curso da Escola Agrícola do Crato, tratorista, em 1955. Quase dez anos depois, em fevereiro de 1964, muda a denominação para Colégio Agrícola. Em 1967, o governo militar realizou uma mudança na gestão do ensino agrícola, transferindo do Ministério da Agricultura para o Ministério da Educação - MEC. A instituição muda de nome e passa a se chamar, em 1979, Escola Agrotécnica Federal de Crato.
Nessa época a Lei Orgânica do Ensino Agrícola, Decreto-Lei 9.613 de 1946, estabelecia um ensino que incluiu mulheres, mesmo que em espaços separados e também estimulava uma prática pedagógica extensiva, buscando o relacionamento da instituição com as vizinhança. Em 1983 foi editado um decreto que possibilitou que as atividades desenvolvidas pelos alunos internados nas escolas pudessem ser comercializadas em benefício desses alunos por meio das cooperativas escolas, tendo então cada unidade criado a sua.
O campus Iguatu do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará teve origem em 1955, com a criação do curso de extensão de Economia Rural Doméstica, ainda vinculado ao Ministério da Agricultura. O curso procurava capacitar pessoas alfabetizadas pudessem melhorar o nível de vida no lar, por meio do bordado, pintura preparação de alimentos, corte e costura, crochê, tricô, práticas agrícolas, noções de higiene, enfermagem etc., afim de proporcionar melhores condições de vida aos participantes. Em 1962, o Ministério da Agricultura criou o Colégio de Economia Doméstica Rural Elza Barreto. Com a função de formar professores para o magistério do curso de Extensão em Economia. Os alunos técnicos formados pelo curso eram integrados ao processo de desenvolvimento da região, visando o crescimento socioeconômico da comunidade por meio da introdução de técnicas e conhecimentos na área, bem como conjugar ensino e produção agropecuária. Com o tempo, o educandário ganhou reconhecimento e, em 4 de setembro de 1979, mudou o nome para Escola Agrotécnica Federal de Iguatu.
Entre Universidade Tecnológica e Instituto Federal