Guapimirim é uma estação de trem localizada no centro do município de Guapimirim, na Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro. Normalmente, é a estação de menor movimento da linha, mas que chega a receber, em média, mais de 22,3 mil passageiros nos meses de primavera e verão. Esse fluxo é composto majoritariamente por turistas que chegam à cidade em busca das cachoeiras locais.

A estação foi operada pela Central até 29 de maio de 2011, quando o Ramal de Guapimirim foi repassado para a extinta concessionária SuperVia. A partir de 30 de Maio 2026, com o encerramento do contrato da antiga operadora, a gestão da estação e da malha ferroviária foi assumida pela nova permissionária estadual, a TrensRJ.

História alt=|esquerda|miniaturadaimagem|Estação de Raiz da Serra, primeiro nome da Estação de Guapimirim. Foto do livro de Carlos Cornejo e Eduardo Gerodetti, Lembranças do Brasil - As Ferrovias nos Cartões Postais e Álbuns de Lembranças A Estação de Guapimirim foi aberta em 1896, no primeiro trecho da Estrada de Ferro Teresópolis, e teve diversos nomes ao longo de sua história, como Raiz da Serra, Guapi, Bananal, Guararema e, por último, Estação Alcindo Guanabara. Esta última nomenclatura foi uma homenagem ao filho de Guapimirim, jornalista, político e membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Um relato do ano de 1929 dizia que Alcindo, que pretendia chegar a Teresópolis, iniciou sua viagem na Estação Barão de Mauá, nos velhos trens de madeira puxados por máquinas a vapor, até Magé, de onde seguia para Guapimirim.

Até 1901, era a estação terminal da linha. Nesse ano, iniciaram-se as obras para o trecho mais difícil da ferrovia: a subida da serra. A região desenvolveu-se fortemente impulsionada pelo trem; é notório que, nos anos 1950, a maior parte da população local era composta por ferroviários da Central do Brasil e lavradores. Um fato curioso é que, apesar de os trens saírem da Estação Barão de Mauá e transitarem pela linha da Leopoldina até Magé (onde desviavam para Guapimirim), a linha era manejada pela Central desde 1919.

Atualmente Com a supressão do trecho de serra entre Guapimirim e Teresópolis em 1957, a estação voltou a ser o terminal da linha, condição que permanece até os dias de hoje. Historicamente, os trens da antiga Flumitrens (batizada de Central) e, posteriormente, da SuperVia, chegavam à estação em um transporte muitas vezes precário e com acomodações irregulares, porém pontual e atendendo a uma demanda considerável da população. Desde 1990, Guapimirim, que era um distrito de Magé, emancipou-se e passou a ser município.

A sua charmosa estação permanece, em grande parte, com as mesmas características de 1896, tornando Guapimirim um dos poucos municípios brasileiros a possuir um terminal ferroviário original do século XIX ainda em pleno funcionamento.

História do Ramal de Guapimirim esquerda|miniaturadaimagem|Estação e pátio, foto sem data. Cedida por Pedro Paulo Resende. A ferrovia que ligava Magé a Teresópolis foi concluída em 1908, partindo do Porto da Piedade, nos fundos da Baía de Guanabara, e chegando ao Alto de Teresópolis. Após diversas inaugurações parciais de trechos a partir da Piedade desde 1896, a ferrovia foi encampada em 1919 pela Estrada de Ferro Central do Brasil, que prolongou a linha até a Várzea, na região central de Teresópolis.

Antes de 1940, o trecho entre Porto da Piedade e Magé foi suprimido. Com isso, os trens para Teresópolis, operados pela Central do Brasil, passaram a sair da Estação Barão de Mauá, seguindo pela linha da Estrada de Ferro Leopoldina até Magé, de onde entravam na linha original do ramal. Em 9 de março de 1957, a linha foi entregue à Leopoldina, que imediatamente suprimiu o trecho Guapimirim-Teresópolis.

Hoje, a ligação metropolitana do Rio de Janeiro até Guapimirim é feita pelo Ramal de Guapimirim, com transferência dos trens elétricos (bitola larga) para os trens a diesel (bitola métrica) obrigatória na Estação Saracuruna. O ramal foi operado pela SuperVia de 2011 até 2026. A partir daquele ano, a operação foi transferida para a nova permissionária TrensRJ, após a assinatura do Contrato de Permissão de Serviço Público Nº 01/2026, que transferiu a exploração do sistema público de transporte ferroviário de passageiros para a iniciativa privada sob novas regulamentações[cite: 1].

Obras, VLT e Transição Em projetos passados, o Ramal de Guapimirim receberia, no trecho entre as estações de Saracuruna e Magé, os carros do Veículo Leve Sob Trilhos (VLT) da cidade de Macaé, que seriam adquiridos pelo Governo do Estado em 2012 para circulação nas Olimpíadas Rio 2016, projeto que não se concretizou.

A SuperVia chegou a entregar, no dia 4 de abril de 2014, a Estação Magé totalmente reformada, e havia a promessa de reformar outras estações do trecho, como a Estação Suruí e a própria Estação de Guapimirim. Contudo, as reformas não avançaram conforme o esperado e o ramal permaneceu sem o VLT.

A capacidade do trem como atrativo para turistas e moradores ficou comprovada quando o fluxo de passageiros na estação Magé saltou de 7 mil para 33,6 mil em apenas dois meses após a sua reforma, impulsionado também por viagens extras experimentais. No entanto, a precariedade na grade de horários e no estado de conservação dos carros de passageiros continuou gerando reclamações.

No dia 23 de março de 2023, 11 anos após o primeiro anúncio do VLT, o então Secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Washington Reis, anunciou em suas redes sociais (após vistoria in-loco ao ramal) que iria até a China negociar a compra de novas composições de VLT para modernizar o trecho.

Com a transição para a TrensRJ em 2026, a nova concessionária assumiu a responsabilidade pelos "Investimentos Críticos" previstos contratualmente, com foco na recuperação imediata da via permanente (substituição de trilhos e dormentes, descontaminação de lastro) e na estabilização dos serviços e equipamentos, buscando finalmente estruturar e valorizar este ramal de fundamental importância histórica, turística e de mobilidade para os moradores da Baixada Fluminense[cite: 1].

Referências <references>

<ref"TrensRJ">Governo do Estado do Rio de Janeiro. Contrato de Permissão de Serviço Público Nº 01/2026. Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), 2026.</ref> </references>

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