O Centro-Oeste Paulista é uma grande região do estado de São Paulo que compreende o entorno das cidades de Araçatuba, Assis, Bauru, Marília, Presidente Prudente e Tupã.

A região se destacou ao longo da segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, ao lado do Nordeste Paulista e da região de Campinas, como a principal região cafeeira do estado, grão que impulsionou a economia e a colonização local durante o período. Atualmente, a região ainda conta com forte presença do setor agropecuário em sua economia, que está associado a um significante crescimento do setor terciário desde o final do século XX.

Controvérsias históricas Em história do século XIX, quando se refere a Oeste Paulista, na verdade se refere à região de todo o Centro-Oeste Paulista, além do Nordeste e Noroeste Paulista, porém, desde a segunda metade do século XX, tal conceito não é mais aplicado, em virtude dos rumos distintos que as regiões tomaram, sendo o Oeste Paulista histórico, hoje dividido em Centro-Oeste Paulista, Nordeste Paulista e Noroeste Paulista.

Centro-Oeste Paulista Engloba o que atualmente se conhece como Oeste Paulista e Centro Paulista. Desta forma, se constitui como parte do que atualmente se conhece como Oeste Paulista, as regiões de: Adamantina, Dracena, Presidente Prudente; e como parte do Centro Paulista, as regiões de: Assis (São Paulo), Bauru,Jaú, Marília e Ourinhos. O Oeste Paulista é abrangido pelo DDD 18 e o Centro, pelo DDD 14.

Nordeste Paulista Engloba a área correspondente às regiões de Araraquara, Barretos, Franca e Ribeirão Preto. A região é abrangida pelo DDD 16.

Noroeste Paulista Engloba as regiões de Andradina, Araçatuba, Votuporanga e São José do Rio Preto, coincidentemente a maior mesorregião do estado de São Paulo, sendo abrangida pelos DDDs 17 (região de São José do Rio Preto) e 18 (região de Araçatuba).

História O Oeste Paulista era originalmente habitado por indígenas pertencentes a etnias como os caingangues, guarani-kaiowás e xavantes. A partir da segunda metade do século XIX, os ameríndios entraram em confronto com os não-indígenas que chegavam à região e foram derrotados e dizimados. Segundo dados da FUNAI de 2010, vivem na região 322 indígenas, das etnias caingangue, terena e crenaque, nas terras indígenas Vanuire (localizada em Tupã) e Icatu (localizada em Braúna).

Em meados do século XIX, chegaram à região migrantes vindos de Minas Gerais, que deixaram sua terra natal por causa da decadência do ciclo do ouro e a fuga da convocação militar para a Revolução de 1842 e a Guerra do Paraguai e foram atraídos para essa parte do Estado de São Paulo pelos solos férteis.

Durante décadas, o Oeste Paulista era uma área remota, com escassa população não-indígena.

Ao longo das primeiras décadas do século XX, houve a expansão das ferrovias e do café para esta região. Com isso, para trabalhar nos cafezais, um grande número de forasteiros chegou à região: eram sobretudo imigrantes europeus (principalmente italianos) e descendentes próximos destes oriundos de outras regiões paulistas, mas também houve a chegada de migrantes nacionais vindos de Minas Gerais e da Região Nordeste e também de japoneses. Ao redor das estações de trem, surgiram muitas das atuais cidades da região, como Araçatuba, Birigui, Presidente Prudente, Lins e Marília, e as fazendas foram divididas em lotes urbanos e rurais. Companhias de colonização foram criadas, como a Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC), e sua atuação foi principalmente após a cultura cafeeira. thumb|esquerda|300px|Mapa da Província de São Paulo de 1886, mostrando a região atualmente conhecida como Oeste Paulista, como território despovoado (em verde). A Grande Depressão levou os consumidores do café brasileiro a pararem de comprá-lo, assim afetando diretamente os cafeicultores de todo o Estado de São Paulo. Com isso, a economia do Oeste Paulista foi fortemente afetada e a sua base passou a ser a criação de bovinos e o cultivo de cana-de-açúcar, amendoim e algodão. Houve forte êxodo rural para as cidades da região e também para a capital paulista. Os latifundiários tomaram as propriedades daqueles que deixaram o campo.

Em meados do século XX, ocorreu a ocupação da região da Alta Paulista, também por meio da ferrovia, com a fixação de colonos das mesmas origens daqueles que chegaram anteriormente à região. A colonização dessa zona foi diferenciada, com cidades planejadas e pequenas propriedades rurais.

Nota-se a grande presença de colônias japonesas na área, como Promissão, Guaimbê e Bastos, sendo esta última o local em que ocorreu o primeiro crime da organização terrorista nipo-brasileira Shindo Renmei, que foi o assassinato do japonês Ikuta Mizobe, no dia 7 de março de 1946. A forte presença de descendentes de japoneses na região rendeu a visita do Príncipe Mikasa a Marília em 1958, ano do cinquentenário do início da imigração japonesa no Brasil, e a do então príncipe e hoje imperador Naruhito em 2008, quando se completou cem anos da chegada dos primeiros japoneses ao Brasil.

thumb|direita|300px|Mapa da malha ferroviária da FEPASA em 1987. Nas últimas décadas do século XX, o cultivo da cana-de-açúcar passou a ser a base da economia local, com os incentivos à produção de álcool no interior de São Paulo. Muitos dos trabalhadores na indústria sucroalcooleira são de origem nordestina.

Características regionais no fim do século XIX No começo do século XX, a região tinha como principais que impulsionaram a colonização e aqueceram a economia local, até a Crise de 1929: Terra roxa muito fértil Formas capitalistas de ocupação e uso da terra Predomínio da grande propriedade Investimento produtivo dos lucros Fazendas dependentes Aristocracia imigrantista, liberal e republicana. Senhorio empresarial, desdobrando-se em iniciativas urbanas Iniciativa privada e independente Aceitação do movimento abolicionista Unidade de produção capitalista

Geografia O território do Centro-Oeste Paulista conta com 201 municípios compreendidos na área territorial que se encontra entre a margem sul do Rio Tietê e a margem norte do Rio Paranapanema, totalizando uma área territorial de 87.402,23 km², um pouco menor que a área do estado de Pernambuco. Sendo assim, caso fosse um estado, a Região Cento-Oeste Paulista seria o 20º estado da Federação em área territorial. A área territorial da região corresponde a 35,21% do território paulista. thumb|esquerda|200px|Bacia do Rio Paraná, a bacia que abrange todos os principais rios da região. Os principais rios da região são: Rio Aguapeí, Rio Paraná, Rio Paranapanema, Rio do Peixe e Rio Tietê. Todos esses rios citados, percorrem relevos planálticos (Planalto Ocidental Paulista) e possuem grande potencial hidroelétrico, percorrendo altitudes que normalmente variam entre 200 a 600 metros acima do nível do mar. A região toda se encontra abrangida sobre o Aquífero Guarani, a maior reserva subterrânea de água doce do mundo e parte da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná. O relevo predominantemente é planáltico, e as altitudes girem em torno de 350 metros, na região do Baixo Tietê, até 890 metros, na Serra de Botucatu. O relevo da região é de origem sedimentar, de predominância planáltica, onde se encontra em quase todo território o solo de coloração avermelhada, que foi apelidado pelos imigrantes italianos como Terra Roxa, que serviu como principal atrativo para o cultivo de café na região, mais tarde abandonado por motivos climáticos (geadas), ou econômicos (desvalorização do café no mercado internacional). O clima predominante na região é o Tropical de Altitude, nas variedades Aw e Cwa na escala de Köppen. Sendo assim, é comum na região a presença de verões quentes e úmidos, com temperaturas acima de 18 °C e invernos amenos ou frios, com baixa precipitação chuvosa.

Economia thumb|right|200px|Exemplar de touro da raça Nelore, em Avaré O Produto Interno Bruto (PIB) da região, segundo dados do IBGE de 2008, gira em torno de R$ 40.090.504.884,00 - pouco superior ao do Maranhão (16º estado da Federação quanto ao PIB) e o PIB per capita em torno de R$ 9.998,93 - um pouco superior ao do Acre (18º estado da Federação quanto a PIB per capita. A economia local tem sido impulsionada pela agropecuária, com destaque à criação de bovinos, que tornaram a região, um dos principais criadores de gado bovino do país.

Demografia O Centro-Oeste Paulista conta com uma das menores densidades populacionais do estado de São Paulo. De acordo com o Censo, realizado pelo IBGE em 2010, a população da região é de aproximadamente 4.009.476 habitantes, ou seja, um pouco maior que a população da Paraíba. Sendo assim, se fosse um estado, a região seria o 13º estado do país, em população. Atualmente, a população corresponde a 9,6% da população do Estado de São Paulo. A densidade demográfica da região é de 45,87 habitantes por km², equivalente a do estado do Paraná (12º maior em concentração populacional) e aproximadamente 3,6 vezes menor que a média geral do estado de São Paulo. Considerando a hipótese de que a região fosse um estado, este seria o 13º estado da federação em densidade populacional.

A região se destaca pelos baixos índices de criminalidade, segundo estudo da Organização dos Estados Americanos, feito durante o período de 2002 a 2006, que apresentou na região, baixos índices de assassinato, cuja taxa de assassinatos, na maioria dos municípios, dificilmente excede ao número de 25 mortes a cada 100 mil habitantes, sendo que a única exceção é o município de Clementina onde as taxas de homicídios ficam entre 25,01 a 50 mortes para cada 10 mil habitantes. A criminalidade na região aumentou porém nos últimos anos, em função da vinda de casas de detenções para a região, fortemente rejeitadas pela população e pelo fato da região ser rota de tráfico de drogas oriundos do Paraguai e Bolívia, que chegam a região através dos estados do Mato Grosso do Sul e Paraná, com destino a capital do estado, São Paulo. O estudo sobre a qualidade de vida e desigualdade na região torna-se complexo, por não haver estudos detalhados, por órgãos oficiais na região, mas, por uma média de índices entre as principais cidades da região (Araçatuba, Assis, Bauru Marília, Ourinhos, Birigui e Presidente Prudente, equivalente a 28,63% da população, pode se obter, um IDH médio de 0,830 segundo dados da PNUD em 2000. Tal índice é equivalente ao índice obtido pelo estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que ocupam o 3º ao 5º lugar no ranking nacional, de índices mais elevados. Além dos índices citados, a região apresenta: Índice de Gini: 0.44 - um pouco menor que a média estadual (Índice de Gini: 0.45) Alfabetização: 94,5% - pouco menor que a do Rio Grande do Sul (95% de Alfabetizados) Mortalidade Infantil: 11,81 para cada mil nascidos vivos - menor que a do Rio Grande do Sul (13,1 para cada mil nascidos vivos) Expectativa de Vida: 74,35 anos - um pouco menor que a do Paraná (74,4 anos) Taxa de Fecundidade: 2,03 filhos por mulher População Urbana: 96,71% População Rural: 3,28% Proporção entre gêneros: 1,05 mulheres para cada homem

Municípios mais populosos Bauru - 380.992 Marília - 238.639 Presidente Prudente- 227.749 Araçatuba - 195.757 Jaú - 143.283 Botucatu - 122.483 Birigui - 105.352 Ourinhos - 104.282 Assis - 101.597 Avaré - 88.385 Tupã - 77.568 Lins - 77.456

Etnias A região apresenta, como uma característica do estado de São Paulo, um predomínio de brancos de ascendência italiana, alemã e ibérica. Veja abaixo a tabela que representa a composição étnica da cidade de Birigüi, uma das cinco maiores do Oeste Paulista. Cor/RaçaPercentagem Branca 78,0% Negra 1,8% Parda 18,8% Amarela 1,1% Indigena 0,2% Fonte: Censo 2000

Religião A região apresenta uma grande diversidade religiosa; porém, como no restante do país, a população é de maioria católica.

A tabela abaixo mostra a porcentagem da população por crença religiosa do município de Araçatuba, um dos cinco maiores do Oeste Paulista.