miniaturadaimagem|Retrato de Almeida Garrett quando era soldado do Batalhão Académico, durante o Cerco do Porto (1832–1833) A expressão designa, na História de Portugal e na História do Brasil uma unidade militar formada por estudantes. Formados ao longo dos séculos XIX e XX, revestem-se de importância mais simbólica do que bélica, representando o idealismo dos grupos que os integraram.
Em Portugal O Batalhão Académico de 1658 A primeira formação de um batalhão académico em Portugal registou-se no contexto da Guerra da Restauração da Independência portuguesa (1640–1668), composto por uma centena de alunos da Universidade de Évora e alguns professores, sob o comando do próprio reitor da instituição, o padre Francisco Soares ("Francisco Soares Lusitano"), da Companhia de Jesus. Guarneceram a praça-forte da Juromenha e marcharam com as tropas portuguesas que se deslocaram para libertar a praça-forte de Évora, e que foram vitoriosas na batalha das Linhas de Elvas (14 de janeiro de 1659). De volta ao seu quartel na Juromenha, vieram a perecer na explosão acidental do paiol de pólvora daquela praça a 19 daquele mesmo mês e ano.
O Batalhão Académico de 1808 No contexto da Guerra Peninsular (1808–1814) formou-se o "Batalhão Académico da Universidade de Coimbra", também referido simplesmente como "Batalhão Académico de 1808", ano de sua constituição.
Em Coimbra, a reação à invasão do país pelas tropas napoleónicas comandadas pelo general Jean-Andoche Junot, manifestou-se por diversas iniciativas insurrecionais por parte da população. Entre elas, destacam-se o corte dos acessos à cidade, a distribuição de armas à população e a fabricação de pólvora nos laboratórios da Universidade de Coimbra, iniciativas coordenadas por Aragão Tinoco e Nuno Freire de Andrade a quem foram entregues respectivamente o Governador Civil e o Governador das Armas.
O sucesso na tomada do Forte de Santa Catarina, na Figueira da Foz, pelos académicos Sargento de Artilharia Bernardo António Zagalo e Sargento de Infantaria Inácio Caiola, à frente de duas dezenas de estudantes e algumas centenas de populares (27 de Junho de 1808), incentivou a criação de um Batalhão Académico, integrado por lentes, opositores, doutores e professores e um corpo de voluntários académicos. Este efetivo estava distribuído em:
6 Companhias de Infantaria 1 Corpo de Cavalaria 1 Companhia de Artífices, responsável, no Laboratório da Universidade, pela produção de pólvora, sob a coordenação do Dr. Tomé Sobral.
Essa força tomou parte na:
Guarnição da cidade de Coimbra, sob o comando de José Bonifácio de Andrade e Silva e Fernando Saraiva Fragoso de Vasconcelos; Operações militares em Leiria, Pombal e Nazaré, sob o comando do Tenente-coronel Engenheiro e Lente de Matemática, Tristão Álvares da Costa Silveira; Recuperação da cidade do Porto (Maio de 1809).
O Batalhão de Voluntários Académicos (1826) Posteriormente, em 1826, ainda em Coimbra, formou-se o "Batalhão de Voluntários Académicos", corpo de tropas com seis companhias, que se distinguiu nos dias difíceis regência da infanta D. Isabel Maria, em apoio às forças liberais que combatiam a forte facção absolutista. Organizado contra a vontade da Universidade e do Governo, recebeu a proteção do então general João Carlos de Saldanha que, como ministro da Guerra, determinou a anulação das faltas marcadas aos estudantes que compunham o Batalhão.
O Batalhão Académico de 1828 No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828–1834) formou-se em Coimbra, em 1828, um novo Batalhão Académico, também com orientação liberal, para se unir às forças que pretendiam lutar contra as tropas miguelistas.
Na ilha Terceira, nos Açores, a "Companhia de Voluntários Académicos da Rainha" esteve aboletada em Angra e nos Biscoitos, seguindo, em 1832, para o Mindelo.
O Batalhão Académico de 1846 Durante a chamada Patuleia, formou-se um novo Batalhão Académico, que ofereceu os seus serviços às forças da Junta Provisória do Reino, com sede no Porto. Naquela época (1846–1847) os académicos pretendiam secundar o espírito liberal da Junta do Porto, combatendo, agora, o reaccionarismo do duque de Saldanha, herdeiro directo da política do conde de Tomar.
Os Batalhões Académicos Republicanos Após a proclamação da República Portuguesa (1910), e aquando da restauração da Monarquia do Norte (1919), organizaram-se Batalhões Académicos em Lisboa, Coimbra e Porto, este último de orientação monárquica (o "Batalhão Académico Monárquico").
No Brasil O Batalhão Acadêmico (Guerra do Paraguai) Entre os voluntários da pátria do Batalhão Acadêmico que marchou para a Guerra do Paraguai destacaram-se Francisco Furquim Werneck de Almeida e Castro Alves. Este último aparentemente só se alistou, não tendo participado do conflito.Cronologia de Castro Alves
O Batalhão Acadêmico (Revolta da Armada)
Bibliografia FONSECA, Borges da. Batalhão Académico de 1808. Jornal do Exército, Ano XLIX, n. 575, Jul 2008. p. 28. SERRÃO, Joel. Dicionário de História de Portugal (4 vol.). Lisboa: Iniciativas Editoriais. Vol. I, p. 316.
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