Plasmodium falciparum é um protozoário parasita, uma das espécies do género Plasmodium que causa a malária em humanos. É transmitida por mosquitos Anopheles. Podem-se observar diferentes fases evolutivas, no mosquito Anopheles (onde se reproduz o parasita), no interior dos hepatócitos e no interior dos glóbulos vermelhos do hospedeiro humano. P. falciparum transmite a forma mais perigosa de malária, com os índices mais altos de complicações e mortalidade, produtor de 80% de todas as infecções de malária e 90% das mortes pela enfermidade. A sua prevalência predomina na África subsariana, mais que em outras áreas do mundo.

História A malária decorrente do protozoário P. falciparum era conhecida na Grécia Antiga; Hipócrates ofereceu diversas descrições sobre alguns tipos de febre. O conhecimento prevaleceu pelo Egito Antigo e pela civilização romana, esta nomeou a doença "malária" — mala para mal, e aria para ar, uma vez que acreditavam que a doença era disseminada por ar contaminado ou miasma; o que se provou errado na modernidade.

O parasita se tornou recorrente no continente africano, principalmente com o advento do uso das queimadas na agricultura, cerca de 5 a 10 mil anos atrás.

Algumas evidências apontam que a espécie moderna Plasmodium falciparum originou de organismos que apresentavam poucos haploides. Por outro lado, as proteínas encontradas na superfície do parasita são codificados a partir de uma grande diversidade genética, o que parece ir contra a hipótese.

Ciclo miniaturadaimagem|Mosquito Anopheles, portador de Plasmodium falciparum O parasita Plasmodium falciparum passa várias partes do seu ciclo de vida dentro de seres humanos e outra parte dentro dos mosquitos.

Em parte de seu ciclo, o parasita se reproduz sexualmente no invertebrado Anopheles.

Durante a parte humana de seu ciclo de vida, o parasita infecta e, dentro de 48 horas, desenvolve-se e se multiplica dentro de células do fígado e glóbulos vermelhos. Antes do parasita fazer um glóbulo vermelho estourar, ele pode fazer a superfície da célula colar a outras células. Isso faz com que o sangue coagule dentro de pequenos vasos sanguíneos, que podem severamente danificar órgãos.Malaria publicado pela "Harvard Health Publication" (2016) Essa fase assexual do ciclo é responsável pelos sintomas da malária e pode ser cultivada in vitro.

Mudanças nesse microambiente, a exposição a diferentes temperaturas e valores de pH, as interações com outras moléculas e as oscilações na concentração de cálcio citosólico podem ativar mecanismos essenciais para a sobrevivência de Plasmodium falciparum tanto no hospedeiro vertebrado quanto no mosquito vetor.

Ao ser capaz de ocupar células e modelar seus respectivos ciclos de vida, o estudo acerca do parasita — sobretudo a fase assexual nos mamíferos — intensificou-se nas últimas décadas. Apesar do genoma da espécie estar sequenciado, cerca de metade dos genes tem sua função desconhecida.

Epidemiologia De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a espécie Plasmodium falciparum pode ser considerada como uma das mais mortíferas parasitas. O parasita é endêmico em 84 países, e, durante a história, foi mais presente nos países europeus, mas com o desenvolvimento das condições de saúde, desapareceu no início do século XX.

No Brasil, na década de 2000, ocorriam em média 450 mil novas infecções por ano de malária, mas a maioria era causada por Plasmodium vivax; havia pouca infecção e morte registrada ocasionada pelo P. falciparum.

Em 2023, estima-se que ocorreram 263 milhões de casos de malária pelo mundo, resultando em 597 mil mortes. A maior parte das infecções ocorreu na África, bem como 95% das mortes por malária.

Tratamento O parasita apresenta uma forte resistência à cloroquina. Alguns estudos testaram a eficácia de outros medicamentos, sobretudo o verapamil, para diminuir a resistência do parasita. Apesar dos medicamentos apresentarem efeitos, mesmo em concentrações baixas, não houve uma ação que reduzisse a resistência do P. falciparum contra a cloroquina. Apesar da resistência contra P. falciparum e P. vivax, coquetéis com a cloroquina ainda é o agente mais importante contra a malária.

A resistência à cloroquina e a tratamentos com sulfadoxina-pirimetamina incentivou a reintrodução da quinina. Alguns estudos apontam a redução de sensibilidade de P. falciparum ao alcaloide, apesar de um estudo analisando cepas amazônicas não identificar resistência à quinina.

Ver também

Projeto do Atlas da Malária

Ligações externas Genoma Outros projectos de genoma e informação adicional

Categoria:Apicomplexa Categoria:Protozoários Plasmodium falciparum Categoria:Malária Categoria:Espécies descritas em 1897