Slayer é uma banda norte-americana de thrash metal proveniente de Huntington Park, Califórnia, formada em 1981 pelos guitarristas Jeff Hanneman e Kerry King. Slayer ganhou notoriedade a partir de 1986, com o álbum Reign in Blood, descrito pela revista Kerrang como "o álbum mais pesado de todos os tempos", e faz parte do Big Four of Thrash, as quatro maiores bandas de thrash metal, juntamente com Metallica, Megadeth e Anthrax.

O estilo musical de Slayer envolve rápidos tremolos, variados e complexos solos de guitarra, riffs em escalas irregulares, bumbo duplo na bateria e vocais pesados alternando desde falsettos até guturais. As letras e arte dos álbuns se baseiam em temas como serial killers, satanismo, religião e a guerra, o que levou a gerar diversos problemas ao longo da história da banda, como proibições de álbuns, atrasos em turnês, processos judiciais, além de ser constante alvo de críticas de grupos religiosos. Contudo, sua música tornou-se altamente influente, sendo frequentemente citada por muitas bandas como uma influência musical, visual e lírica.

Em mais de trinta anos de carreira, a banda lançou dois álbuns ao vivo, dois box sets, treze videoclipes, 18 singles, dois EPs e onze álbuns de estúdio, dos quais quatro receberam disco de ouro pela RIAA. A banda foi nomeada cinco vezes para o Grammy na categoria Melhor Performance de Metal, ganhando uma em 2007 com a canção "Eyes of the Insane" e outra em 2008 com a canção "Final Six". Slayer já tocou em vários grandes festivais de música em todo o mundo, incluindo Unholy Alliance, Download festival, Ozzfest e Rock in Rio.

Em maio de 2018, o Slayer iniciou uma turnê de despedida, resultando em mais de 150 apresentações e passando por 30 países. O último show ocorreu em Los Angeles, no dia 30 de novembro de 2019.

Após terem anunciado seu fim em meados de 2019, a banda anunciou seu retorno, confirmado pelo então frontman Tom Araya e pelo guitarrista Kerry king.

História Primórdios e Show No Mercy (1981–1984) thumb|right|191px|Logotipo do Slayer O Slayer foi formado em 1981, quando o guitarrista Kerry King encontrou Jeff Hanneman enquanto fazia audição para uma banda. Os dois recrutaram o baixista e vocalista Tom Araya, que havia tocado com King anteriormente em outra banda. O baterista Dave Lombardo foi recrutado quando ele conheceu King entregando uma pizza. A banda começou tocando versões cover de Iron Maiden e Judas Priest em clubes e festas no sul da Califórnia. Anteriormente, seus shows baseavam-se em uma imagem satânica, que incluía pentagramas, maquiagem, espículas e cruzes invertidas. Existia um rumor que a banda era originalmente conhecida como Dragonslayer, por um filme de mesmo nome de 1981. No entanto, quando King foi perguntado "Como você pôde usar o nome Dragonslayer?", teria respondido "Nós nunca usamos este nome, é um mito daquela época."

A banda foi convidada para abrir o show da banda "Bitch" no Woodstock Club em Los Angeles, tocando oito músicas — sendo seis covers. Enquanto tocava "Phantom of the Opera", do Iron Maiden a banda foi vista por Brian Slagel, um antigo jornalista musical que havia recentemente fundado a Metal Blade Records. Impressionado com o desempenho do Slayer, Slagel reuniu-se com a banda no backstage e pediu-lhes para gravar uma canção original para a sua próxima compilação, Metal Massacre III. A banda aceitou a proposta e criou a canção "Aggressive Perfector", o que levou Slagel a oferecer para banda um contrato de gravação com a Metal Blade.

Sem um patrocínio para a gravação de seu álbum de estreia, a banda foi forçada a se autofinanciar. Juntando a poupança de Araya, que trabalhava originalmente como terapeuta respiratório, e o dinheiro emprestado do pai de King, a banda entrou no estúdio em novembro de 1983. O álbum foi apressado para liberação; com apenas três semanas as faixas estavam prontas. Show No Mercy, lançado em dezembro de 1983 pela Metal Blade Records, gerou grande popularidade na cena underground, e assim começaram sua primeira tour nacional em 1984 para promover o álbum de estreia viajando em um Camaro de Araya, rebocando um trailer . A tour deu à banda mais popularidade; as vendas do Show No Mercy chegaram a mais de vinte mil nos Estados Unidos e mais vinte mil no mundo.

Haunting the Chapel e Hell Awaits (1984–1986) Em agosto de 1984, o Slayer lançou três faixas em um EP intitulado Haunting the Chapel. O EP tinha uma sonoridade mais obscura, mais thrash metal que seu predecessor, e lançou as bases para a futura direção da banda. A faixa de abertura, "Chemical Warfare," tornou-se um clássico ao vivo, tocado em quase todos os shows desde 1984. Após o lançamento de Haunting the Chapel, o Slayer estreou na Europa no Heavy Sounds Festival na Bélgica fazendo a abertura para a UFO, retornando aos Estados Unidos para começar o Haunting The West Coast tour.

Após a turnê, King juntou-se a Dave Mustaine e sua nova banda Megadeth. Hanneman estava preocupado com a decisão de King, afirmando em uma entrevista "Eu acho que nós vamos precisar de um novo guitarrista." Enquanto Mustaine queria King para permanecer na base original do Megadeth, este saiu após cinco shows, declarando: "a banda de Mustaine estava tomando muito meu tempo". O caso causou uma rixa entre King e Mustaine, posteriormente chegando a ser uma histórica rivalidade entre o Slayer e o Megadeth. O impasse só chegou a ser "resolvido" décadas depois, quando o Big Four of Thrash se reuniu historicamente ao vivo na Bulgária e Megadeth e Slayer subiram ao palco juntos. Após o retorno de King, a banda embarcou na 1984 Combat Tour, com Venom e Exodus, e ainda lançou um álbum ao vivo chamado Live Undead em novembro.

O Slayer lançou seu primeiro home video em 1985, chamado Combat Tour: The Ultimate Revenge. O vídeo mostrou a apresentação ao vivo da banda em Nova Iorque no clube Studio 54, na tour de 1984 com Venom e Exodus. Em meados de 1985, Show No Mercy chegou a vender mais de 40.000 cópias, o que fez a banda retornar ao estúdio para a gravação de um segundo álbum. A Metal Blade financiou a gravação, possibilitando à banda contratar o produtor Ron Fair.

Lançado em setembro de 1985, o segundo álbum de estúdio de Slayer, Hell Awaits, expandiu a atmosfera obscura de Haunting the Chapel, com inferno e Satã sendo temas líricos comuns. Este foi o álbum mais progressivo do Slayer até então, apresentando estruturas musicais longas e complexas. A introdução do álbum é um backmasking com voz demoníaca repetindo "Join us" (una-se a nós) e terminando com "Welcome back" (bem-vindo de volta) antes da faixa começar. O álbum foi um sucesso, com fãs escolhendo Slayer para diversas premiações, como "melhor banda" e "melhor banda ao vivo". Hell Awaits acabou ganhando o título de "melhor álbum de 1985" e Dave Lombardo o de "melhor baterista", segundo pesquisa realizada em 1985 pela revista britânica Metal Forces.

Reign in Blood (1986–1987) thumb|left|260px|Slayer tocando no Download Festival de 2005, em tour de divulgação do DVD Still Reigning, referente ao álbum Reign in Blood Seguindo o sucesso de Hell Awaits, foi oferecido ao Slayer um contrato de gravação com Russell Simmons e Rick Rubin, da recém-fundada Def Jam Recordings, uma gravadora dedicada especialmente ao rap. A banda aceitou, e com um experiente produtor e grande orçamento para gravação, a banda sofreu uma reformulação musical, resultando em canções curtas, rápidas e com produção mais limpa. Foram embora os arranjos complexos e músicas longas apresentados em Hell Awaits, suprimido em favor de um som despojado, influenciado pelo thrash metal na estrutura das canções.

A distribuidora da Def Jam, Columbia Records, se recusou a lançar o álbum Reign in Blood, devido a sua arte gráfica e temas líricos. Como exemplo, "Angel of Death" detalhava os campos de concentração do Holocausto e as experiências humanas conduzidas pelo médico nazista Josef Mengele. O álbum foi distribuído pela Geffen Records em 7 de Outubro de 1986. No entanto, devido à controvérsia, Reign in Blood não apareceu no calendário de lançamentos da empresa. Embora o álbum praticamente não tenha tocado frequentemente em nenhuma rádio, tornou-se o primeiro da banda a entrar na Billboard 200, estreando na posição 94, e foi o primeiro álbum da banda certificado como disco de ouro nos Estados Unidos.

Em outubro de 1986, Slayer embarcou na sua turnê mundial Reign in Pain, com a banda Overkill nos EUA e Malice na Europa. A banda foi adicionada como a abertura na turnê do W.A.S.P nos EUA, mas em apenas um mês o baterista Lombardo deixou a banda, declarando: "Eu não estava fazendo nenhum dinheiro. Eu pensava que estivéssemos fazendo isso profissionalmente, com um grande rótulo. Eu quero minha utilidade pública e renda paga." Para continuar com a turnê, Slayer recorreu a Tony Scaglione, do Whiplash. No entanto, a esposa de Dave Lombardo o convenceu para retornar à banda em 1987. Por insistência de Rubin, Slayer gravou uma versão cover do Iron Butterfly, "In-A-Gadda-Da-Vida" para o filme Less Than Zero. Embora a banda não ficasse feliz com o produto final — Hanneman entendeu como "uma má representação do Slayer" e King rotulou como "um pedaço de merda" —, foi uma de suas primeiras canções a tocar frequentemente nas rádios.

South of Heaven e Seasons in the Abyss (1988–1993) Slayer retornou ao estúdio para gravar o seu quarto álbum. Ao invés da velocidade de Reign in Blood, a banda decidiu conscientemente em abrandar os andamentos e de incorporar um canto mais melódico. Hanneman afirmava: "Sabíamos que não poderíamos ser superiores ao Reign in Blood, de modo que tivemos de abrandar. Sabíamos o que tínhamos feito e que iria ser comparado àquele álbum, e recordo-me de que realmente nós discutimos sobre isso. Isso foi estranho — nós nunca tínhamos o feito em um álbum, antes ou desde então."

thumb|220px|Jeff Hanneman, principal compositor do álbum South of Heaven Lançado em 1988, South of Heaven recebeu um misto de respostas dos fãs e críticos, embora tenha sido na época seu álbum mais bem sucedido comercialmente, estreando na posição 57 da Billboard 200, e o segundo álbum a receber certificação como disco de ouro nos Estados Unidos pela RIAA. A resposta da imprensa ao álbum foi mista: com o Allmusic citando o álbum como "inquietante e poderoso", e a revista Rolling Stone chamando-o de "verdadeira diretriz ofensiva satânica". King diz que "aquele álbum foi o meu desempenho mais apagado", apesar de Araya afirmar que o álbum teve um "estouro tardio", caindo aos poucos no gosto das pessoas.

O Slayer retornou ao estúdio com o co-produtor Andy Wallace em 1989, para gravar seu quinto álbum. Com a repercussão gerada pelo South of Heaven, a banda retornou para a "velocidade triturante de Reign in Blood", enquanto mantinha um som melódico. Seasons in the Abyss, lançado em outubro de 1990, foi o primeiro álbum do Slayer a ser lançado sob a nova gravadora de Rubin, a Def American, já que ele havia encerrado a sociedade com o proprietário da Def Jam, Russell Simmons, alegando diferenças criativas. O álbum estreou na posição 44 da Billboard 200 e foi certificado como disco de ouro em 1992. A faixa-título foi o segundo videoclipe do Slayer, filmado em frente às Pirâmides de Gizé, no Egito, antes da Guerra do Golfo.

O Slayer retornou com uma apresentação ao vivo em setembro de 1990 para co-liderar a turnê europeia Clash of the Titans, com Megadeth, Suicidal Tendencies e Testament. Com a popularidade do thrash americano em seu apogeu, a turnê foi prorrogada para os Estados Unidos para início de maio em 1991, com Megadeth, Anthrax e, como banda de abertura, Alice in Chains. A banda lançou um álbum ao vivo duplo, Decade of Aggression, em 1991, para celebrar dez anos. A compilação estreou em 55º lugar na Billboard 200.