Domenico Mancuso, conhecido no Brasil como Domingos Mancuso (Leonforte, 4 de dezembro de 1885 — Caxias do Sul, 5 de maio de 1942) foi um fotógrafo italiano naturalizado brasileiro que deixou uma importante documentação visual para a historiografia de Caxias do Sul.
Biografia Filho de Santo Mancuso e Carmela Guagliano, Domingos nasceu em Leonforte, na Sicília, em 4 de dezembro de 1885. Quando tinha dois anos de idade, imigrou com seus pais e quatro irmãos para o Brasil. Após tentar diferentes atividades, em 1907 iniciou sua carreira de fotógrafo como aprendiz no afamado estabelecimento de Virgílio Calegari em Porto Alegre, com quem manteve amizade por toda a vida.Tomazoni, Mário Alberto. Álbuns da cidade de Caxias (1935-1947): as reformas urbanas fotografadas. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2011, p 105
Em fins de 1908 deslocou-se a Caxias do Sul para preparar a abertura de seu próprio estúdio. Já conhecia a cidade desde 1904, quando visitou seu irmão Salvador e conheceu sua futura esposa Cecília Fonini. Em 1909 estabeleceu-se em definitivo em Caxias e casou-se em 31 de julho com Cecília, com quem teria os filhos Caetano, Clemente, Cyro, Carmela, Ruby, Reno e Rômulo. Seu estúdio foi inaugurado em sociedade com o cunhado Pedro Fonini, mas pouco depois a sociedade foi desfeita e Mancuso abriu uma casa própria, chamada Mancuso Caxias."Domingos Mancuso". Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, consulta em 8 de setembro de 2026
Fazia frequentes viagens a Porto Alegre para inteirar-se dos mais recentes avanços na arte fotográfica.Tomazoni, p. 107 Durante alguns anos manteve o Café Gaúcho, onde havia um bilhar. Segundo relatos da época, era exímio jogador. Seu principal ganho provinha de retratos, mas também fotografou a área rural, cenas urbanas e o cotidiano de famílias. Trabalhou na fotografia até o fim da década de 1930, quando o enfraquecimento da sua visão reduziu sua atividade e o obrigou a passar o estúdio para seus filhos e discípulos Clemente, Caetano e Reno. Reno Mancuso assumiu a titularidade em 1937."Mancuso Caxias". Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, consulta em 8 de setembro de 2026 Faleceu em Caxias em 5 de maio de 1942 por complicações cardiacas decorrentes de uma cirurgia para remover o apêndice.
Obra
Domingos Mancuso notabilizou-se por documentar a vida de Caxias do Sul: as etapas da construção da estrada de ferro Caxias-Montenegro, as edificações que surgiam, a evolução da cidade. Executava retratos de estúdio e também atendia a chamados de fora para registrar casamentos, festas na cidade e nas colônias. Domingos participou de várias exposições no país e no exterior, obtendo medalhas e menções honrosas.Kossoy, Boris. Dicionário Histórico Fotográfico Brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002, p. 216 Usava técnicas desconhecidas em Caxias para obter efeitos surpreendentes, como as fotografias com múltipla exposição, e muitas vezes retocava as imagens com crayon. Era metódico em seu ofício e criou um catálogo da sua produção. Fotografou Getúlio Vargas em sua primeira visita à cidade em 1929.Tomazoni, p. 108
Em 1983 Francisco Fortuna doou uma coleção de 102 negativos em vidro do fotógrafo para o Arquivo Histórico Municipal. Com patrocínio da Funarte, o Arquivo realizou cópias em negativo-filme para uso corrente e a impressão positiva das imagens em papel, consideradas uma importante documentação visual para o conhecimento da história da cidade. No mesmo ano o Arquivo escolheu Mancuso para iniciar o seu projeto História da Fotografia em Caxias do Sul, afirmando que a escolha "não foi por acaso: com efeito, das chapas de vidro que restaram do oficio a que dedicou mais de 20 anos de vida, é possível ver um retrato multifacetado da vila-cidade, acompamnhando-a ao longo do tempo. Diferença que individualiza sua produção no contexto da fotografia de sua época".
Segundo Mário Alberto Tomazoni, "defendia a ideia de que o fotógrafo deveria fazer da rua seu lugar de trabalho, fazendo do cotidiano a matéria-prima de um resgate do tempo. [...] Preocupou-se sempre em transformar sua fotografia em arte, indo além de um simples objeto de lucro".Tomazoni, pp. 103-104 Para Tonet, Fries & Corsetti, "Domingos Mancuso não representou uma mera passagem na história de nossa cidade. Com os olhos no visor, enquadrou momentos que, impressos na imagem, transcenderam o tempo e, hoje, se constituem em um dos poucos registros visuais de Caxias. Falava ele em 'documentar o presente para a posteridade', e, com essa incrível clareza de ideias, utilizou sua câmera fotográfica como instrumento da história local. [...] Profissionalmente o nome Mancuso traduz a eficiência e o zelo de todo um trabalho realizado com a fotografia. Mas acima de tudo, o inestimável resgate das imagens de sua época pela compreensão que teve do valor e do alcance dos registros visuais".Tonet, Tânia Zardo; Fries, Sônia Storchi; Corsetti Liana. "Marcas de um fotógrafo". In: Cenas, 1984 (1)
Algumas de suas fotos se tornaram icônicas, como a da chegada do trem em 1910, reproduzidas em muitas puplicações.Lopes, Rodrigo. "Domingos Mancuso e uma imagem de exatos 110 anos". Pioneiro, 1 de junho de 2020Lopes, Rodrigo. "Domingos Mancuso, além das câmeras e negativos de vidro". Pioneiro, 3 de junho de 2020 Em 2009, nas comemorações do Dia Internacional da Fotografia, o Museu Municipal abriu uma retrospectiva initulada Mancuso - Um Lugar na História."Prefeitura comemora o Dia Internacional da Fotografia (19 de agosto)". Prefeitura de Caxias do Sul, 18 de agosto de 2009 No ano seguinte Liliana Alberti Henrichs, diretora do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural da Prefeitura, aludiu ao título da mostra para enfatizar seu lugar de destaque na história local e descreveu-o como "incansável e arguto observador, retornava aos lugares para registrar as alterações, formando um inigualável painel visual de Caxias do Sul no período entre 1909 a 1930".Henrichs, Liliana Alberti. Trilhos da História. Prefeitura de Caxias do Sul, 2010, p. 5 Na Semana da Etnia Italiana de 2016 foi homenageado pela Câmara de Vereadores junto com outros fotógrafos que ajudaram a registrar a história de Caxias.Espeiorin, Vania. "Solene da Semana da Etnia Italiana homenageia 26 fotógrafos que ajudaram a registrar a história de Caxias". Câmara Municipal de Caxias do Sul, 17 de maio de 2016
Ver também
História de Caxias do Sul Fotografia no Brasil
Ligações externas Caxias por Mancuso - biografias e acervo de imagens da família Mancuso
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